“A intolerância e a violência não nascem do vácuo”
«Depois da normalização dos insultos no futebol, estamos agora a ultrapassar, enquanto sociedade, outro patamar na escala da falta de decência: a normalização da intolerância e do apelo à violência no discurso político.
Em 2019, em resposta a um recurso, os juízes da 9ª secção do Tribunal da Relação de Lisboa proferiram um acórdão em que afastavam de qualquer castigo penal as injúrias ou ofensas proferidas no chamado “mundo do futebol”. Para os juízes, chamar nomes a alguém ou ao seu familiar, utilizando palavras obscenas ou até ameaças, eram “comportamentos reveladores de baixeza moral”, mas “tolerados na cena futebolística”.
Na época, o acórdão suscitou alguma polémica, após o então presidente do Comité Olímpico de Portugal, José Manuel Constantino, se ter insurgido contra a sentença que considerava “transmitir um exemplo negativo” e que, na sua leitura, contrariava os “esforços de professores, pais e autoridades desportivas para a regulação dos comportamentos em situação competitiva”. Na opinião daquele que era um dos mais ilustres pensadores do desporto em Portugal, o acórdão decretava, na prática, que “um recinto desportivo é uma espécie de offshore onde se pode praticar o que é criminalizado no exterior”.
A polémica, no entanto, depressa foi esquecida. Até porque o acórdão o que fez, na altura, foi apenas dar espessura jurídica a algo que já se observava há vários anos: a normalização do insulto e dos discursos de ódio no “mundo do futebol”, como se o jogo se tivesse transformado numa guerra, e em que os duelos nos relvados chegam a perder importância em relação às trocas de acusações em frente aos microfones das televisões.
Depois da normalização dos insultos no futebol, estamos agora a ultrapassar, enquanto sociedade, outro patamar na escala da falta de decência: a normalização da intolerância e do apelo à violência no discurso político. Os dois mundos estão a ficar de tal forma parecidos que só falta mesmo que, qualquer dia, um tribunal superior também apareça a justificar os insultos e as difamações permanentes como “toleradas na cena política”.
Os resultados desta contaminação estão à vista. E de uma forma cada vez mais gritante, já que tudo é aproveitado para ajudar a cavar trincheiras, fazer aumentar a polarização e simplificar qualquer tema a uma luta entre “nós” e os “outros”, com a mesma irracionalidade com que se discute um lance de penálti na área – sempre com a diferença habitual de análise, caso seja uma falta na “nossa” ou na dos “outros”.
O atual ambiente internacional contribui ferozmente para esta espiral de intolerância em que vivemos. E serve de combustível e de exemplo para os casos crescentes de violência. Com a agravante de este clima ser potenciado até ao exagero através dos algoritmos das redes sociais, pela desinformação galopante municiada por máquinas sofisticadas e por canais de TV ávidos por audiências, numa guerra desesperada pela atenção.
Donald Trump normalizou condutas públicas que, até há bem pouco tempo, considerávamos indecorosas ou que, noutra época, fariam qualquer um perder eleições. Com ele no poder, passou a ser considerado normal chamar nomes aos adversários políticos, insultá-los e, sempre que possível, intimidá-los. E, ultimamente, juntou a essa retórica uma ameaça de militarização da sociedade, como se estivesse a preparar uma guerra.
Em Gaza, a impunidade com que o governo de Benjamin Netanyahu continua a dizimar a população palestiniana, de forma planeada e sistemática, sem que exista um verdadeiro sobressalto ou uma atitude de força por parte dos países que afirmam defender os direitos humanos, tem estado a destruir todos os alicerces das leis humanitárias criadas após a barbárie da II Guerra Mundial.
Tudo isto tem reflexos em Portugal. Especialmente depois de, no último ano, se ter aceitado normalizar o insulto e os apelos à violência no Parlamento, manchando a imagem da casa da democracia. Ainda por cima com a agravante de, devido à guerra pela atenção, o insulto ganhar quase sempre mais tempo de antena do que o discurso sério, da mesma forma que as divisões são também mais valorizadas mediaticamente do que os consensos.
Neste estado de coisas, não nos admiremos, portanto, com a ocorrência de cada vez mais casos de violência, perpetrados pela extrema-direita radical, só interessada em eliminar os adversários e ajudar a criar condições para que se instale o caos. E se esses atos não forem punidos, como ditam as leis, não devemos surpreender-nos se, daqui a uns tempos, repararmos que já nem nos indignamos com eles. É o que acontece quando deixamos de nos importar com a decência ou com o respeito pelo outro: passamos a achar que a indecência é “normal” – como no futebol.»

Fonte: devido ao tema abordado e por ser socialmente relevante, o artigo de hoje é uma transcrição integral do artigo de opinião de Rui Tavares Guedes, diretor da revista Visão, aqui acessível pela hiperligação incorporada.
IMPORTANTE
ResponderEliminarAVISO DE GREVE DOS MAGISTRADOS DO MP CONTRA A ACUMULAÇÃO DE FUNÇÕES
A ÚNICA COISA EM QUE A GRANDE MAIORIA ESTÁ DE ACORDO É QUE COM O SFJ E COM O SOJ NÃO NOS SAFAMOS
ORA,
VOU REITERAR O APELO DE OUTROS
Bloquistas de merda !!!
ResponderEliminarNa verdade, o que mais me aterroriza e com o que tenho tido ultimamente pesadelos, é acabar os meus dias num lar sem imigrantes e em que os funcionários sejam todos cheganos.
ResponderEliminarO que é que esperava, Sr. Bloguer?
ResponderEliminarAinda recentemente um governante da Madeira insultou no exercício de funções deputadas do parlamento regional, não foi obrigado à demissão pelo líder local do PSD, que ainda deve ser bem pior do que ele ou no mínimo outro boçal que tal, nem tampouco condenado pelo primeiro ministro da república ou forçado a abdicar pelos órgãos nacionais do partido.
Pois.
ResponderEliminarNem a ministra da justiça ao menos se retratou por ter corroborado publicamente uma interpretação que só aos tribunais compete decidir, no caso dos pedidos de devolução de vencimentos pagos e da desreconstituição de escalão dos eventuais.
É o que fazem há muito tempo com os oficiais de justiça e não consideram trabalho extra.
ResponderEliminarO A. falta na secção os demais devem absorver o trabalho do colega em falta.
O absentismo só é terrivel para os colegas que ficam.
Se retratou? É a interpretação dela.E serão sim os tribunais a decidir.Ainda bem que existem. Confiemos neles porque nos políticos não está fácil confiar.
ResponderEliminarA tutela andou bem ao criar o SOJ em complemento do SFJ.
ResponderEliminarA não ser que se descubra alguma classe de trabalhadores que não esteja representada por um ou por outro, estamos irramediavelmente condenados aos caldinhos cozinhados pelo Marçal e pela DGAJ.
Só para eu organizar aqui as minhas ideias sobre a imparcialidade do artigo da Visão:
ResponderEliminarÉ verdade que este Rui Tavares Guedes é do BE?
Será que o colega ainda não percebeu a linha editorial deste espaço? Até a censura foi instalada quando alguns colegas publicaram a verdade sobre as motivações dos criadores do espaço.
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ResponderEliminarUma desprezível vergonha!
Todos os políticos insultam, desde o bloco de esquerda até chegar ao chega, e todos os clubes de futebol se insultam entre si, acordou hoje e vê crimes em todo o lado?
ResponderEliminarA revista Visão, assim como o be, pcp's e afins é para fechar, mais tarde ou mais cedo. E ainda bem, não fazem falta nenhuma.
ResponderEliminarDigo-vos o seguinte
ResponderEliminarAnda aqui uma gaja a insistir em chamar cheganos só porque ela tem outra opção politica.
É a não respeitar que quer respeito por quem votou chega e tem todo o direito a isso?
Afinal quem é racista e chenofobo??
São os anti chega.
Para mim és merda porque não respeitas o eleitorado do chega que é tão válido como o teu, seja ele qual for.
Por isso te digo serei chegano enquanto houver pessoas como tu que não respeitam os outros.
E mais
Para mim, chegano como dizes, gostas e das-te bem con a roubalheira de 50 anos. Fica nela.
Tens medo que te tirem o taxinho.
Os que dizes serem cheganos são meninos do coro comparados com o teu idealismo de 50 anos.
Eu digo
Enquanto
Eu serei voluntario chegano nesse lar.
ResponderEliminarCome!
Por essa interpretação
ResponderEliminarPasso a ser chegano!!!
Sempre chegano agora!!!
E vai mais um.
ResponderEliminarEnquanto atacarem.
E roubarem mais que os do chega.
Mais um chegano aqui está
Tutela criou o SOJ
ResponderEliminarEheheh
Então criou o SFJ
Antes
Vá-se saber porque
Palhaçada de país, de profissão, de sei mais o quê
Ainda vais implorar que um chegano cuide de ti. Se chegares à velhice, claro. Porque com esse veneno veneno que destilas vai-te matar antes de chegares ao lar e implorares ajuda dos cheganos.
ResponderEliminarEheheh
ResponderEliminarA par deles vai o partido socialisda e ad pelo cano do mapa politico como aconteceu em França
Parlamento, partidos politicos, sindicatos,
ResponderEliminarTudo máfia ao serviço de alguém
Maçonaria???? Estás aí???
Serei sempre chegano
ResponderEliminarContra esta dgaj e eeste mj
Que me roubam 5 anos de vida
2001 2005
O rapariga tens inveja da gaja do bloco?
ResponderEliminarTrata-te, que estás apaixonado e nem te das conta. Ela já se casou, convence-te.
Vira-te para o Ventura.
A mim também não me lixam mais anos de vida.
ResponderEliminarChega!!!!
Encerrado??
ResponderEliminarEncerra abre-se outro!
Muita vida a este blogue!
E digo, como já disseram aqui,
Deppis do ultimo despacho da dgaj contra ovroubo dis eventuais de 2001,
Passei a ser cheano!!!!
Agora é cheganófobo.
ResponderEliminarPonha o avental e sirva.
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