“Foi só treta”
O presidente da Câmara Municipal de Guimarães acusa elementos do Ministério da Justiça atual, e também de governos anteriores (PSD e PS), de só terem “treta”, em relação ao futuro Campus da Justiça de Guimarães.
Na recente sessão da Assembleia Municipal de Guimarães, o Presidente do Município afirmou, numa intervenção acalorada, que o processo não registou qualquer avanço após a visita efetuada o ano passado a Guimarães da secretária de Estado da Justiça. "Foi só treta", disse Domingos Bragança.
“O edifício do Campus de Justiça não andou, não deu passos. O que disse sobre o Governo de António Costa, digo em relação ao Governo de Luís Montenegro, foi só treta para já.”, afirmou.
E acrescentou:
«Desde que a secretária de Estado e da Justiça esteve cá, o processo não deu um passo e é importante para Guimarães que dê porque senão estamos sempre no mesmo.
O projeto estava entregue na Escola de Arquitetura da Universidade do Minho para projeto de arquitetura e continua para pré-projeto na Escola de Arquitetura e não passa para o projeto de especialidades nem para o projeto de arquitetura integral para se poder lançar a obra a concurso. Assim não dá e já fiz saber isso ao Governo.»
Domingos Bragança concluiu: “Tenho imensa pena de o dizer, mas a Assembleia Municipal é o sítio certo para o dizer.”
Recordemos que este Campus da Justiça de Guimarães tem sido promessa apresentada sucessivamente ao longo dos anos por diversos governos e também nós, temos vindo aqui a abordar pontualmente esta promessa deste “Campus” tal como com tantos outros “Campi” prometidos pelo país fora. Por exemplo, entre outros, em 2016 aqui publicávamos o artigo intitulado: “Guimarães, Creixomil e a PPP dos 4 Milhões de Euros”.
Nesse artigo, de há cerca de 10 anos, referia-se que o tal outro edifício, o de Creixomil, ainda hoje conhecido por alguns como o das “Varas Mistas”, por aí terem funcionado tais juízos da antiga organização judiciária, custava ao Estado uma renda mensal de 32 mil euros e que o Estado já havia despendido, nessa altura, cerca de 4 milhões de Euros em rendas, quando o edifício teve um custo de construção que não chegou aos 2 milhões de Euros. Ou seja, nessa altura, o valor gasto em rendas daria para construir dois edifícios daqueles ou, se em vez do Estado arrendar, tivesse comprado o edifício, teria poupado milhões.
Estas mesmas contas são apresentadas pelo presidente da Câmara Municipal de Guimarães, sendo um dos argumentos que vem apresentando para justificar a necessidade dos governos cumprirem algo tão elementar como seja cumprirem as suas promessas.
Em 12 de março de 2019, a autarquia celebrou um protocolo de cooperação com o Ministério da Justiça, na altura sob a tutela de Francisca van Dunen, que estabelecia as premissas para a construção do “Campus”, assim se dando início formal ao processo.
Em 04 de maio de 2023, realizou-se um Conselho de Ministros em Braga, no âmbito do então propagandeado “Governo + Próximo”, aí se aprovando um conjunto de medidas no âmbito do Plano do Edificado para a Justiça que contempla a construção do Campus de Justiça de Guimarães.
Note-se que, desde logo, o Município de Guimarães disponibilizou um loteamento destinado à implementação do novo edifício, a realizar através de um acordo de constituição de direito de superfície, cedendo-se o lote ao Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ).
E começaram a surgir diversos percalços, como, por exemplo, a discordância do IGFEJ quanto à volumetria de construção, uma discordância que acarretaria a necessidade de se proceder a uma reformulação parcial do Estudo de Viabilidade Urbanística e Funcional, um projeto realizado pela Escola de Arquitetura da Universidade do Minho, essencial para a alteração do loteamento.
A redução de volumetria foi sempre contestada por Domingos Bragança, com o argumento de que coloca em causa a integridade e a qualidade dos princípios funcionais, formais e urbanos do projeto, um argumento que até colheu concordância do ex-secretário de Estado Jorge Alves Costa, em reunião de 15 de dezembro de 2022.
Ainda em dezembro de 2022, dirigindo-se à ex-ministra da Justiça, Catarina Sarmento e Castro, o presidente da Câmara Municipal reiterava a enorme importância para Guimarães da construção do novo Campus, e relembrava o incumprimento do Protocolo celebrado entre o Município de Guimarães e o Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça.
Na página do Município encontram-se descritos os diversos e sucessivos percalços, descritos com grande detalhe de datas, ofícios, etc., demonstrando o interesse e a insistência do Município, diligências que considera “até à data infrutíferas” e, em linguagem atual em sessão da Assembleia Municipal: “foi só treta”.

Fontes: "Guimarães Digital" e “Câmara Municipal de Guimarães”.
Também em relação aos OJ, o que se promete e o que se faz é só treta!
ResponderEliminarSó espero que a reuniões sejam bi-semanais, como aquando da primeira tranche do acordo, e que o processo acabe o mais rápido possível!
2026 É QUE É. PRO ANO É QUE É! 20 ANOS DISTO.
ResponderEliminarJá que andamos todos a dormir, faço o resumo do futuro imediato da carreira:
ResponderEliminarHavia um tipo no anos 80 que cantava "O futuro é tão brilhante - Tenhos de usar óculos de sol".
ResponderEliminarTambém o nosso futuro parece tão brilhante que até ofusca! (ironia)
ResponderEliminarSó treta mesmo
anos e anos
aguentem escravos
e saia mais um 3º despacho sobre o 1º e 2º despacho existente , dado por uma nova diretora geral, sobre os eventuais de 2001 a 2004.
Com um pires de azeitonas e um fino.
por favor
Sr. Bloguer, Sr. Bloguer...
ResponderEliminarEntão e as famílias que deixariam de ter pão na mesa se construíssem edifícios novos e acabassem com essas rendas?!
ResponderEliminarEntre PS e PSD a treta é a mesma o cheiro é que é diferente...
Exatamente... sem tirar nem pôr!!
ResponderEliminarTodos máfias
ResponderEliminarAs carpideiras do costume dificilmente teriam um dia feliz sem vir dizer porcaria neste blogue.
ResponderEliminarPelo menos em assuntos como o de hoje, que não pescam nada, podiam aproveitar para estar calados.
Mas não, toca a largar perdigotos....
é mesmo, venha outra directora
ResponderEliminartriste sina a nossa, anos e anos
Sim, mas é com eles que temos de negociar!
ResponderEliminarJá sabemos que a política sofre de amnésias constantes e de falta de verticalidade, mas podemos sempre incentivá-los a perceber as nossas posições, parando os serviços!
E quando for tempo disso, não tenham dúvidas, pois será o que irá acontecer!
Quanto ao resto, sempre assim foi!...
Companheiro(a) 14.37h,
ResponderEliminarDependendo do núcleo e da "Unidade"/"departamento" onde preste funções, sabe que lhe passa pelas mãos (olhos) todo um conjunto de textos que lidos fazem parecer vivermos uma distopia ou num universo paralelo.
Assim, compreende que pelos olhos de muitos de nós passam textos jurídicos, de diversas origens, que nos deixam perplexos ao ponto de nos criar descrença e frustração tais as enormidades nos mesmos referidas e os envolvidos "colunáveis" neles citados e ainda escrutinados, mas a seguirem em frente.
E se fossemos nós, Oficiais de Justiça, os visados? Onde já estaria o nosso nome e posto de trabalho com tamanhas reportadas devassas?
Os Oficiais de Justiça têm muita informação e, como sabem, informação é poder e assusta muita gente política.
Olha agora!
ResponderEliminarQuerem ver que é mentira que há décadas que familiares e amigos dos governantes do PS e PSD arrendam edifícios ao Ministério da Justiça que ficariam muito mais baratos ao erário público no médio prazo se construídos de raiz.