O dia da descarga

      É hoje o dia da transição para aquilo que foi designado como sendo uma nova carreira de Oficiais de Justiça, com a publicação da lista nominal da transmutação de todos os Oficiais de Justiça da antiga carreira, verdadeiramente pluricategorial, para a nova carreira que, em síntese, é, realmente, unicategorial.


      Com este passo final cumpre-se a metamorfose da carreira que o acordo dos sindicatos com o Governo impôs e posteriormente o Governo concretizou, ainda que atabalhoadamente, com o DL 27/2025 de 20MAR, vindo agora corrigir, pelo menos um dos erros, conforme anunciado no comunicado do Governo, com um novo decreto-lei, já promulgado pelo Presidente da República e a publicar em Diário da República por estes dias.


      Pelas 11 horas, iniciar-se-á uma nova reunião dos sindicatos com o Governo com o objetivo de prosseguir as alterações ao velho Estatuto da velha carreira que hoje deixa de existir, por ficar esvaziada de Oficiais de Justiça que acabam de transitar para a nova carreira, mas ainda com o Estatuto que se aplica àqueles que já não existem nessa carreira.


      Ou seja, os Oficiais de Justiça saem todos hoje da carreira que o Estatuto EFJ regula, para uma nova carreira sem Estatuto e em que ainda se vai aplicar o Estatuto que se aplicava aos Oficiais de Justiça que compunham a antiga carreira. Não há dúvida nenhuma que a isto temos de chamar aquilo que o povo classifica, desde tempos imemoriais, como “andar com o carro à frente dos bois”, isto é, uma coisa que parece que vai muito à frente e muito depressa, mas não anda nada.


      Trata-se de uma verdadeira trapalhada, em toda a sua dimensão, em que mais de sete mil almas são empurradas para uma nova carreira sem que as regras dessa nova carreira estejam estabelecidas, sem que sejam sequer conhecidas as linhas gerais ou meras intenções de conformar tal nova carreira. E no meio de toda esta trapalhada encontram-se os dois sindicatos que representam os Oficiais de Justiça que se mostram impávidos e serenos, ou reféns, com todo este estado de sítio em que a carreira se encontra e em que todos colaboraram para a colocar.


      Não estamos perante uma alteraçãozeca a uma norma qualquer, mas a toda uma muito significativa transformação da carreira, pelo que a impassividade dos sindicatos magoa, e muito, os Oficiais de Justiça.


      Como se toda esta trapalhada não fosse suficiente, veio a Administração da Justiça comunicar na passada sexta-feira, o dia útil imediatamente anterior ao dia da transição, ou seja, de véspera, que não consegue responder, nem resolver as milhares de pronúncias, reclamações, recursos e comunicações que tem em mãos para resolver e que afetam, desde logo, a transição em curso.


      «Atendendo ao elevado número de pronúncias e à multiplicidade de argumentos aduzidos, que a Direção-Geral da Administração da Justiça tem o dever de analisar e ponderar detalhadamente e de forma individualizada, atendendo à exposição concreta de cada oficial de justiça interessado;


      Dá-se conhecimento aos interessados de que a Direção-Geral da Administração da Justiça apenas proferirá as decisões finais após o dia 30 de junho, pelo que os oficiais de justiça constarão da lista nominativa atendendo à situação jurídico-profissional que detêm atualmente, e que só será eventualmente alterada após o proferimento da decisão final, dependendo do sentido que esta vier a adotar, consideradas as pronúncias apresentadas pelos interessados.», assim se lê no comunicado da passada sexta-feira.


      Quer isto dizer que, mais uma vez, a entidade administrativa, não corrige nada de forma atempada, avisa que há de tratar e corrigir e alterar as carreiras, mais uma vez, nem que seja a cumprir mais sentenças, porque a razoabilidade só vem surgindo na sequência de sentenças e nunca de um bom espírito de racionalidade e justiça, desde logo para quem nela trabalha.


      Entretanto, apesar de todo o desagrado que, clara e espontaneamente, manifestam os Oficiais de Justiça, os seus representantes sindicais não partilham desse mesmo desagrado, mostrando um estado de espírito bem diferente. Veja-se, por exemplo, a comunicação do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), que a seguir se reproduz, relativamente ao comunicado de sexta-feira passada.


      Diz assim o SOJ:


      «Valorizando o diálogo social que tem sido desenvolvido entre a DGAJ e os Sindicatos, a Senhora Diretora-geral publicou a informação que segue e que resulta de um diálogo que cumpre a democracia e que se pretende frutuoso, no sentido de alcançar a justiça que todos temos procurado.


      Com esta decisão, da Senhora Diretora-geral, abre-se um espaço temporal para todos tentarmos encontrar uma solução justa, que a todos sirva, e que cumpra os princípios da justiça.


      Bem sabemos que, para alguns, importa alimentar a legítima insatisfação e descontentamento da carreira, mas não é aumentando a conflitualidade, colocando colegas contra colegas, avançando com ações completamente inconsequentes e até reveladoras de muito desnorte, como recursos hierárquicos de projetos de decisão, que se resolvem os problemas da carreira.»


      E prossegue a nota do SOJ assim:


      «As matérias em causa exigem ponderação, que se procure em primeira instância uma solução política, como ocorreu por exemplo com o despacho conjunto 25/2005 e, aí sim, se nessa busca nada for alcançado, afirmar a força sindical e recorrer aos tribunais, se necessário, para que justiça seja feita à nossa carreira.


      Nesse sentido, o SOJ apela a alguma contenção e que se evite o “degradante espetáculo público” – já nem falaremos do que nos é dado a ouvir –, de ver colegas a pedirem que outros sejam despromovidos ou defendendo que colegas devolvam valores legitimamente recebidos. Uma carreira só progride, e tem força, quando cada um consegue colocar-se no lugar do outro...»


SanitaAutoclismo1(DDOJ).jpg


      Fontes: “DGAJ-Comunicado” e “SOJ-Info”.

Comentários

  1. A sanita na imagem diz rudo!

    ResponderEliminar
  2. TRAPALHADA  mesmo!
    Lista única, que ninguém  sabe explicar como é  feita!!!
    E se houver quem se sinta prejudicado, como reage??
    Ninguém  explica nada.


    Foddddd
    Frustração  e desilusão  nesta profissão 


     

    ResponderEliminar
  3. A Sra ministra fez um bom negócio para o governo. É mesmo mestre na arte de negociar. Quaae a custo zero alterou o estatuto de uma classe inteira com grande redução de custos consegue sinergias e consegue arrancar mais disponibilidade de tempo de trabalho dessa classe pelo custo minimo. 
    Por mais 100 e poucos euros obriga a uma disponibilidade que nao pode ser negada. Da uma esmola de subida de escalão a todos que para alguns não chega a 100 euros brutos. Põe todos a fazer de tudo, entre o judicial e MP. 
    Isto é de mestre. E os sindicatos totalmente aparvalhados a assinarem tudo e com sorrisos.
    Esfumou-se o sonho de um aumento de 300€ que foi dado a outras classes sem que tenha sido exigido tanto como aos oficiais de justiça. 
    Nem sei que mais dizer....

    ResponderEliminar
  4. O que se passará nas reuniões dos sindicatos com o Ministério da Justiça / DGAJ, para as tomadas de posição tão plácidas e serenas de associações que deveriam representar 7000 almas, no que às suas pretensões reivindicativas de ordem profissional diz respeito, atente-se a titulo de exemplo ao último discurso do SOJ, mais parece uma reprimenda colegial do tempo da "outra Senhora", imbuído inclusive pelo espirito do "Santo Ofício". 

    ResponderEliminar
  5. MESMO DESILUSÃO


    QUE PUDER QUE FUJA DISTO

    ResponderEliminar
  6. lideres sindicais, todos


    se trabalhassem no dia a dia das secretarias,


    tinham mais respeito pelos associados,


    tristeza de sindicalismo

    ResponderEliminar
  7. Além de vários colegas, temos, também, sindicatos a afirmar que não se deve reclamar de decisões da tutela. Isto porque, segundo a opinião dos mesmos, primeiro deve-se dar hipótese à Demo(cracia) e resolver secretamente - habituaram-se a estas reuniões sigilosas em que ninguém sabe absolutamente de nada e depois surge tudo resolvido, mesmo com todas as trapalhadas e disparates que causam, como o que temos presentemente, no dia de hoje - todas as situações, sempre no espírito da tal da boa fé, que, saliente-se, não existiu aquando da prolação do projecto da decisão e continuou a não existir aquando das declarações da Exm Sr(a) Ministra da Justiça. Isto é surreal e absurdo, os nossos Sindicatos só podem estar numa realidade paralela ou estará o SOJ a atirar a corda para também receber um milhão, a título perdido, para formação? O certo é que sem reunião mas com a comunicação, começarei, e, bem assim, mais uns quantos, na nova carreira num escalão inferior e outros, precisamente na mesma situação, no devido escalão. Tudo a ser esgrimido e dirimido nas barras dos Tribunais, com sentenças e execuções a demoraram 15/20 anos e depois como os montantes são muito avultados e o dinheiro é do "povo", não se procede ao pagamento baseado em novos "entendimentos e pareceres". E depois temos sindicatos a apelar a estarmos todos caladinhos e a aceitar tudo de orelhas caídas dada uma tal da boa fé, que nunca existiu e não existe. Volto a referir Srs dos Sindicatos é necessário DEMANDAR OS JUROS LEGAIS E A CONSEQUENTE INDEMNIZAÇÃO para terminar definitivamente com o regabofe à conta do Zé trabalhador... 

    ResponderEliminar
  8. Sou Oficial de Justiça, mas que profissão é tão mal tratada pelos próprios e ainda muito mais lamentável que entidades que tem deveres e obrigações legais de justiça, igualdade perante profissões similares (comparáveis) que defendem e tratam cada vez pior :-(
    Relativamente aos nossos sindicatos e ao Ministério das (in) Justiças agem ambos, de acordo e de modo (visível) a prejudicar a(s) carreira(s) dos Oficiais de Justiça - com grande impunidade e branqueando as injustiças  - esta classe a ter cada vez mais deveres, mais cortes camuflados e não só, disponibilidade tipo "escravos do sistema" com menos direitos + imposições,  prejudicando cada vez mais as longas carreiras e os mais antigos profissionais. Aumentando as obrigações a todos a troco de "nada" e pior ainda a "aumentar as desigualdades", impor mais trabalho e destruir a carreira -muito conveniente para os (des)governos ao longo de décadas sempre a recuar e abaixar a cabeça -

    ResponderEliminar
  9. A lista e as notificações? 

    ResponderEliminar
  10. E o salário atualizado, a partir de quando o iremos receber? Alguém sabe? Obrigado

    ResponderEliminar
  11. Estou de baixa mais uns tempos.
    Cansado de levar pancada de todos.

    ResponderEliminar
  12. Estou de baixa mais uns tempos.
    Cansado de levar pancada de todos.
    Vão brincar com os pais deles e delas, dgaj, mj, sindicatos, gestao comarca

    ResponderEliminar


  13. Sr Bloguer
    quem se sentir prejudicado nessa dista lista, terá que impugnar?
    mas entra em vigor na mesma?
    e se quem impugnar vier a ter razão, irão refazer o movimento de novo?


    Pode esclarecer, já que sindicatos nada esclarecem?

    ResponderEliminar
  14. Claro que sim, tudo é impugnável e cada um deverá verificar o seu caso concreto, independentemente de tudo prosseguir e posteriormente se corrigir o que houver a corrigir.

    ResponderEliminar
  15. Obrigado.
    Cheira-me que vai ser mais uma embrulhada nos tribunais.
    Mais uns anos perdido.

    ResponderEliminar
  16. Aconselho a ouvir o SOJ quando fala em "

    A maior parte das ações interpostas têm sido tiros nos pés, principalmente no que se referem aos movimentos.
    Agora, na sequência dos retroativos eventualmente pagos a quem seja nomeado escrivão-secretário desde 2018, já por ai andam alguns invejosos a reclamar que tb devem ser nomeados escrivães de direito nesse movimento, outros como escrivães adjuntos, etc.
    Ou seja, por burrice extrema, egoismo e inveja, e eventualmente mal aconselhados juridicamente, ainda se arriscam a bloquear promoções por mais uns anos valentes, em semelhança ao que sucedeu com a ação dos secretários.

    ResponderEliminar
  17. sÓ INVEJOSOS MESMO


    E QUANTO AOS EVENTUAIS DE 2001 A MESMA COISA


    UMA COISA QUE É DEVIDA, POIS FOI TRABALHO REALIZADO E NÃO CONTABILIZAM PARA PROGRESSÃO DE ESCALÃO PORQUê?
    FICAM CONTENTES COM A EXPLORAÇÃO?

    ResponderEliminar
  18. Promoções? Que promoções é que vão existir nos próximos anos?

    ResponderEliminar
  19. El zorrito30/6/25 17:01

    O nosso ministério é um espetáculo.
     Na minha secção trabalhamos com 35 à sombra.
    Espetáculo.........................................................................
    E, nem sequer sai a lista para nos abanar-mos.I
     

    ResponderEliminar
  20. NEM NO "CONTINENTE" !

    ResponderEliminar
  21. Então e a lista de graduação para concorrer ao movimento?


    Sr Bloguer sabe informar alguma coisa?

    ResponderEliminar
  22. Saiu a lista final a reunião de emergência deu uma montanha que pariu um rato... Visto que a tal da boa fé não surgiu qual maria aparecida e não apareceu qual D. Sebastião no nevoeiro, será que os Sindicatos vão tomar alguma atitude, ou vão continuar à espera no secreto? Esperar boa fé de parte de quem renunciou à mesma, sem apelo e nem agravo, e, bem assim, já comunicou a decisão, sem qualquer contraditório, junto da comunicação social é pecado capital. No mais, esquece, porventura a Exm Sr Ministra da Justiça que o grupo Oficial de Justiça, curiosamente, pertence ao povo, portanto, o dinheiro, devido note-se, seria entregue ao povo em contrapartida do trabalho já efectuado há muitos e longos anos. Relativamente à lista tenho colegas que entraram e fizeram a carreira em tudo igual à minha mas como já foram notificados e receberam os valores devidos transitam para a nova num escalão superior que significa auferirem quase 180€ mensais. Daqui a imensos anos após a sentença e execução da mesma como vai dar, outra vez, um valor demasiado elevado, lá vem mais um entendimento e parecer, para atrasar o pagamento por mais uns bons e valentes anos. Talvez só após o falecimento de um elemento do povo, que não auferiu o seu vencimento devido, porque "esmifrava" os seus próprios impostos. Curiosamente, existiu uma AP de um deputado por causa da compra de duas casas em Lisboa, no entanto auferiu o valor de deslocações do Norte para Lisboa. Mas aí como é a "elite" a "esmifrar" o povo já não existe problema e não está em causa o "dinheiro do povo"...

    ResponderEliminar
  23. Quem te mandou concorrer para adjunto?
    QUERias deuxar de fazer sala, era?
    Agora voltas à sala e ganhasvo mesmo

    ResponderEliminar
  24. E não se pode queixar muito.
    Há paletes de adjuntos promovidos na sua altura que vão só para o 24.
    Eu conheço quem tenha entrado em 98 e seja adjunto desde 2017 que esteja no 24 e há muito colega que entrou em 2001 e nunca tenha sido promovido e já esteja no 27.
    Eu tenho o dobro do seu tempo de adjunto e estou também no 27.
    Há quem costume dizer: "É a vida!"
    Nós cá no nosso quintal já nos habituámos a dizer: É a DGAJ!

    ResponderEliminar
  25. Pois,  acabei de perceber que todos os colegas que entraram em 2000 comigo , e que são Auxiliares vão para o índice 27 e eu que fui promovido em 2019 fico no índice 24. 

    ResponderEliminar
  26. Aqui é que porca torce o rabo.

    ResponderEliminar
  27. Pronto.
    Já podemos todos concorrer ao próximo movimento extraordinário!

    ResponderEliminar
  28. Ora aqui estão as "cativações" - é dos impostos, dizem - não informam é que se trata de dinheiro cativo que se destinava ao pagamento de funcionários, do povo, que labutam, e labutaram, sempre em prol do povo. Alguém que retire os Sindicatos do sítio secreto onde se encontram a dormir e a ver as arbitrariedades a passar... NOTA - trata-se da notícia de que as contas públicas em maio tiveram um excedente de quase 600 milhões de euros do Observador (não  consegui colocar o link). 

    ResponderEliminar
  29. Resta ver o resultado prático. 

    ResponderEliminar
  30. Triste realidade
    Canalhada

    ResponderEliminar
  31. Ilustres Colegas:
    Só há uma solução:
    Demonstrar de todas as formas possíveis o nosso descontentamento.
    Deixo aqui uma sugestão: 
    Acho que me estou estou a sentir com uma ligeira indisposição que me parece ir agravar-se nos próximos dias e tornar-se incapacitante para o trabalho por uns tempitos …

    ResponderEliminar
  32. Anónimo1/7/25 00:18

    Vai vai.
    Tb me parece que está um bocadito amarelo.

    ResponderEliminar
  33. Anónimo1/7/25 00:48

    É verdade.  E de caminho, conseguiu dividir ainda mais uma classe que não primava pela união! 

    ResponderEliminar
  34. Anónimo1/7/25 01:00

    Para quê esfregar sal nas feridas dos outros, colega?!

    ResponderEliminar
  35. OJInterplanetário1/7/25 09:23

    Há colegas do planeta Terra que parece que andaram a dormir anos luz e milénios, tanto que só agora se deram conta das violações do Princípio da Igualdade que a DGAJ vem cometendo impunemente sobre todos os seus trabalhadores, uns dias uns, outros dias outros.
    Em finais de 2023/meados de 2024, já eu ganhava menos como adjunto, promovido em 2010, do que mais de 550 auxiliares que tinham feito estágio comigo em 2000 e inclusivamente do que cerca de 250 oficiais de justiça que tinham entrado posteriormente no ano de 2001.
    Denunciei mas a mensagem demora a chegar daqui da minha galáxia até aí abaixo.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ