No palácio há um aparelho de ar condicionado portátil, mas só na sala de advogados, o resto é ventoinhas
Temos vindo a publicar as situações de extremo calor que vêm afetando, aliás como todos os anos, os tribunais, sendo destacadas as salas de audiência, porque a comunicação social dá relevo às mesmas e às suas insuportáveis condições, porque tem ido assistir a alguns casos mais mediáticos.
Independentemente desses casos mais mediáticos que pontualmente se prestam à atenção dos mass media, os Oficiais de Justiça suportam todos os dias essas condições extremas quando não as deviam suportar e, nesse sentido, até temos publicado e reproduzido o que a legislação determina e não é cumprido por ninguém.
Um dos artigos mais recentes é de 07JUL e intitula-se “O conformismo com a ilegalidade de todos os dias”.
Entretanto, ambos os sindicatos começaram a referir-se a este problema do calor e o SOJ até trouxe recentemente para a ribalta, na reunião com elementos do Governo no passado dia 16JUL, a questão que também temos insistido muito e há tanto tempo, que é a da disponibilização gratuita de água para beber para todos; mais uma ilegalidade que se vem aceitando com excesso de conformismo e cuja urgência se impõe a cada dia, sendo de mais fácil resolução do que a dos equipamentos de ar condicionado.
Na informação sindical sobre a reunião de 16JUL no Ministério da Justiça, refere o SOJ assim:
«Igualmente, o SOJ reivindicou ao Governo pontos de água e climatização dos espaços dos tribunais, mais ainda quando, antes da reunião, foi remetida ao SOJ informação da ACT, para que divulgasse medidas sobre “exposição ao calor”. Esta é matéria cuja resolução tem de ter rápida resolução.»
E essa rápida resolução não se reivindica porque está calor e por mera comodidade, mas porque está na lei, porque é obrigatório, e porque o Governo não cumpre a lei.
Recentemente a comunicação social referiu-se a uma sessão de julgamento no Tribunal Judicial de Abrantes, adiada para setembro devido ao calor extremo que se fazia sentir na sala de audiências, onde o termómetro marcava uma temperatura de 31,7 graus Celsius, lê-se na notícia.
Considerando não estarem reunidas as condições para prosseguir a diligência, a juiz, que até já tinha dispensado os intervenientes processuais de usar os respetivos trajes profissionais, deu a palavra ao magistrado do Ministério Público e aos advogados das partes, tendo todos concordado com o adiamento da sessão.
A falta de climatização nesse Palácio da Justiça é um problema antigo, sentido por quem lá trabalha, mas, de acordo com a “Rede Regional”, que noticiou o adiamento, é a primeira vez que o calor provoca o adiamento de uma audiência.
Sem ar condicionado, as várias salas e secretarias do tribunal têm apenas algumas ventoinhas que são praticamente ineficazes nos dias de maior calor.
A Sala dos Advogados tem um aparelho de ar condicionado portátil, mas que foi comprado pelo advogado abrantino António Velez, enquanto presidente do agrupamento de Delegações de Abrantes da Ordem dos Advogados, e que um funcionário do tribunal desliga todos os dias ao final da tarde, assim se lia na notícia da “Rede Regional”.
No jornal “O Mirante”, lia-se a notícia de que a falta de climatização em muitos tribunais da Comarca de Santarém, com uma abrangência distrital, está a afetar o trabalho dos magistrados e funcionários.
Mas a falta de condições nas salas de audiências são mais acentuadas e já estão a levar juízes a adiar julgamentos ou a deixarem o descontentamento por escrito em despachos nos processos que estão a julgar.
Começa a ser frequente encontrar-se nos processos judiciais ou nas atas dos julgamentos referências à falta de condições dos tribunais da Comarca de Santarém, por falta de climatização nos edifícios. E já há juízes a adiarem julgamentos nos dias de maior calor porque a sala de audiências é um forno onde se torna insuportável trabalhar.
A maior parte dos 17 edifícios da comarca, que abrange todo o distrito com 15 tribunais (11 Núcleos e 4 Juízos de proximidade), não têm ar condicionado. E não se está a falar apenas do conforto e condições de trabalho dos profissionais sem climatização nos gabinetes e secretarias, está-se a falar das salas de audiências, afetando quem está a ser julgado, advogados, testemunhas e pessoas que assistem ao julgamento.
O Mirante refere também o caso do adiamento de um julgamento em Abrantes, onde o calor que se sentia no edifício era insuportável para quem tinha de estar concentrado nos trabalhos, esclarecendo que o edifício de Abrantes não possui sistemas de ar condicionado nem sequer pré-instalação que permita a colocação de aparelhos para refrescar o ar.
Mas em Coruche, que até tem sistema de climatização, também já foram canceladas audiências porque os aparelhos estão avariados.
Há vários juízes que proferem despachos nos próprios processos a queixarem-se do calor elevado que afeta o desempenho e o andamento dos trabalhos, ou também nas atas das audiências e diligências ou em despachos avulsos. Estes alertas chegam ao órgão de gestão da comarca, que por sua vez os comunicam às instâncias superiores que podem resolver as questões, uma vez que a comarca, apesar de ter alguma autonomia em termos de organização e gestão do trabalho, não tem orçamento para fazer intervenções e despesa.
O Palácio da Justiça 1 de Santarém, o mais antigo, onde está a área criminal, só tem ar condicionado nas secretarias e nas salas de audiências porque a câmara ofereceu os aparelhos e a montagem. Isto aconteceu porque o presidente do município na altura, Francisco Moita Flores, foi a uma diligência e sentiu na pele o calor dentro do edifício.
As dificuldades já foram apresentadas ao conselho consultivo da comarca, onde estão representados a Ordem dos Advogados, Câmara dos Solicitadores, os Oficiais de Justiça, as câmaras municipais e representantes dos utentes dos serviços de justiça. Mas este órgão consultivo apenas pode fazer alguma pressão política para que as condições melhorem.
O Administrador Judiciário da Comarca de Santarém, contactado por O Mirante, diz que tem elaborado um levantamento das necessidades dos vários tribunais do distrito de Santarém, salientando que muitos edifícios da justiça já são muito antigos e precisam de melhorias para enfrentar o calor, como por exemplo, janelas mais eficientes, com vidros duplos.
Mas para Manuel Louro, a climatização, identificada no documento, é “uma prioridade absoluta”, realçando que Santarém é uma zona onde as temperaturas são mais elevadas.

Fontes: “Rede Regional”, “Correio da Manhã” e “O Mirante”.
Viva África!
ResponderEliminarPara pagar corrupção não falta dinheiro.
E já agora as gestão comarcarca so servem para reportar e?
Grande sorvedoiro de dinheiro dos nossos impostos.
Triste País que nunca mais te levantas.
Paga Povo escravo!
se acham que alguém é produtivo com estas condições de trabalho, enganam-se
ResponderEliminarMas o administrador serve para o quê afinal? Para fazer relatórios ou para dar resposta aos problemas? Demita-se se não tem capacidade de resolver nada.
ResponderEliminarNão sei para onde vai o nosso dinheiro do orçamento do estado
ResponderEliminarAs câmaras (aqui pelo menos ) fazem obras nos edifícios.
Farto de me questionar o que andam as administrações no os tribunais. Carro e condutor para transportar suas excelências há. Material é a coisinha mais fraca e ordinária que distribuem a quem trabalha. Faz lembrar material para as crianças brincarem.
Acabar depressa com as administrações por favor. Basta de incompetência.
Eu fiz tropa nos Comandos, em regime de SMO e não de voluntariado como é hoje, ao que creio com termo de responsabilidade assinado, algo que pelo menos passou a ser assim desde as mortes que ocorreram no tempo em que lá estive mas não sei concretamente se ainda se mantém essa condição de ingresso.
ResponderEliminarO certo é que passei por todas aquelas judiarias que deram origem a recentes condenações de instrutores em processos judiciais e naquele tempo era tudo normal, em termos de calor até houve um caso dum instruendo que foi marcado com um ferro em brasa.
Nas provas, os menos resistentes se tinham o azar de desmaiar pela desidratação, eram pegados por um militar de cada lado por pés e mãos e atirados para cima duma camioneta de caixa aberta pior do que se de cadáveres se tratassem, para baixar à enfermaria.
Calor e falta de água q.b., portanto.
Agora trabalho num destes tribunais sem climatização nem água disponibilizada, onde, apesar daquele treino, até eu já cheguei a ter dias de 40 graus no decurso dos quais, creio que também porque a idade não perdoará nesta vertente, dizia, notei perfeitamente que a minha produtividade decaiu bastante, sobretudo com o avançar das horas conjugado com a erosão provocada pelo desgaste mental.
Agora imaginam o que será com a maioria dos restantes colegas, florzinhas de estufa nesse aspeto, de ambos os sexos, que não passaram por essa experiência militar.
Há quem oscile do 80 ao 8 em termos de produtividade nesses dias, e não podemos censurar essas pessoas se nem 50% podem dar, pois não foram preparadas para isso a nível nenhum.
Restará fazer cumprir a lei, até porque a exposição diária a que todos vamos sendo sujeitos terá graves implicações na nossa saúde no médio prazo.
Só que a Lei é que é sempre o mais difícil, ainda custa mais neste país do que fazer a tropa em condições sub-humanas.
Esqueçam o ar condicionado, até é melhor que não haja para que as pessoas na secção não se deem mal .
ResponderEliminarSe não vejamos numa secção com 5 pessoas :
A primeira liga o ar condicionado....
A Segunda diz que esta frio para aumentar um pouco a temperatura
A Terceira diz que esta quente para baixar a temperatura
A Quarta estará com a andropausa ou menopausa e começa a suar e a mandar vir.
A quinta esta chateada porque não a deixam trabalhar com o tumulto e em surdina esta os colegas para o alto da gávea...
Não faz mal
ResponderEliminarOs que estão no topo estão bem de vida. Como disse o comentador acina. Viva África! Aí pensavam que is de cima querem saber de vocês de baixo??
Eheh
Tristes escravos ou contentes
Opá deixa que gestão comarca resolve.
ResponderEliminarEstão À espera de quÊ:
ResponderEliminarAC ACT;
Como se as quintas fossem deles...
ResponderEliminarMais, vá lá ver se as propriedades deles não estão bem geridas e a dar rendimento.
Agora, se nas comarcas não lhes disponibilizam aquilo com que se compram os melões, estava à espera de quê, que eles investissem do bolso deles o que tiram das suas quintas?
E logo para seu proveito, que parece criticar sem fazer a menor ideia do funcionamento do sistema em que tudo é procedimento e em nome da gestão os responsáveis são vistos como autênticos bandidos sempre sob a suspeita de que possam malbaratar o património do estado quando a realidade é apenas que essa desconfiança não faz sentido nenhum pois a realidade é que os recursos alocados são sempre parcos em nome dessa gestão que deveria ser feita como é em qualquer empresa de sucesso, incluindo também os recursos humanos, com investimento e não com o estrangulamento que está à vista de todos, já para não falar de casos conhecidos como o da falta de papel na central de compras ou mais recentemente o dos equipamentos tecnológicos das salas de audiência, em que o barato acaba por sair bem caro.
Cumpra o seu dever a prol da estirpe que é o escol da sociedade portuguesa, não refile, e sobretudo seja resiliente e agradeça o acordo DL 27/2025.
ResponderEliminarPergunto-me se estes comentários serão apenas críticas pela crítica ou se poderão revelar mesmo o desconhecimento que aparentam do funcionamento e da dependência central das comarcas...
ResponderEliminarSerá que existirão mesmo colegas que não sabem que a DGAJ só deixa comprar o material mais barato que exista no mercado, ainda que o mesmo seja de qualidade ao nível de "material para as crianças brincarem"?
Caro colega, também estive numa tropa especial, já lá vão 40 anos, a vontade, idade e físico eram diferentes, se os jovens de hoje se queixam, nós que já cá estamos desde o século passado deveríamos ficar indiferentes? A malta vai estando farta, acumula desilusão atrás de desilusão nesta profissão. Somos a base da pirâmide mas não temos de suportar tudo.
ResponderEliminarÉ IMPORTANTE E O COLEGA ACIMA MENCIONADO ESTÁ CORRETO" - REFIRO-ME unicamente - (
ResponderEliminarCumprir o nosso dever diário e ser informado, dos direitos e obrigações - é um direito BÁSICO de todos - Nem o colega (acima mencionado), nunca afirmou que nunca cumpriu o seu dever/pelo contrário (?) - está a cumprir e devido a isso pede ajuda para ser informado (muito positivo).
Não informar e/ou reter informação, a quem todos os dias (várias décadas/anos) trabalha, mas não é devidamente apoiado e devidamente pago pelo serviço prestado, seja a que nível for - como todos sabem - é ilegal/injusto e imoral. Pior ainda, é a nossa carreira profissional ou que resta dela (pior em todos os sentidos + apesar da "miragem e ilusão" das + os papos secos/financeiros). PORTANTO - Ficar "calado" ou ter esta abordagem redutora/submissa (abaixo indicada) é no mínimo uma falta de visão ou experiência profissional ou seja discordo completamente desta afirmação que é muito amiga do (antigo regime e ao nível do PUTIN): ??? "
Essa atitude e o caminho, aceitar tudo em prol da baixa qualidade da defesa(inexistente) da classe e carreira dos Oficiais de Justiça está com todos os oficiais de justiça - seja na perda de direitos a vários níveis: adquiridos e outros; aumento de responsabilidades/baixa qualidade de vida social/financeira/a nível saúde; temos mais obrigações e menos direitos a todos os níveis; competição entre colegas (rebaixar e destruir de várias maneiras/a vida ou seja a opinião de outros - objetivo de destruir) a existência (in)feliz de inimigos internos na classe (que são muitos), a todos os níveis, que sucessivamente ao longo de décadas de submissão/trabalho escravo legal - dá origem ao que temos hoje e que vai continuar.
O Oficial de Justiça, tem qualidade de vida diária a que níveis estamos a falar? Tem os seus direitos legais todos respeitados?
Apesar de cumprir nas adversidades diárias, tem retorno do seu trabalho, pelas chefias, colegas, Magistrados, Governo, Ministério da Justiça, COJ, e outras entidades publicas e privadas?
Deixo estas questões e outras pendentes, para ser mais claro e abrangente, pois sermos unidos e conscientes, é um bem comum e positivo para todos nós. Sermos construtivos para a nossa classe (se unida) dá-nos força a todos nós (difícil e muito difícil) - SIM - mas não é impossível - outras classes profissionais conseguiram sempre algo - nós podemos e devemos fazer o mesmo?
O meu, vai ser ser administrador dactua quinta, com esse paleio.
ResponderEliminarEu, sem condições demitia-me! Não estava a xular.
Demotam-se, não xulem!
ResponderEliminarEssas horas agora estão cobertas pelo suplemento.
ResponderEliminarAguentem. Se tem dúvidas pergunte sos sindicatos que acordaram.
Ilustres colegas. Estejam a trabalhar ou de férias, o importante é que estejam bem - se possível (certo).
ResponderEliminarSobre o mencionado "Horas cobertas pelo suplemento?" na obrigação das secretarias estarem abertas até as 18:00 horas no "mínimo" (durante o período eleitoral) o horário de atendimento é mais do que uma hora ou seja (16:00 as 18:00horas) - nota que o trabalho a mais é no mínimo um hora, após a
Atenção que esse mínimo, pode ser mesmo muito "aumentado" (conforme a situação), serem atendidos se comparecerem em cima dessa hora, é obrigatório receberem os "UTENTES" - Os tribunais estão cheios dessas situações que acontecem, nas secretarias e nos Juízos/secções durantes o tempo de serviço normal de atendimento ao público e não só.
Sendo + uma hora diária, presumo que exista pagamento adicional dessa hora ou até se ultrapassar esse mínimo.
Sobre a pergunta, que foi feita, estou interessado em saber como devo proceder, agradecia também que me informassem e aos colegas em idêntica situação:
A culpa é da orografia.
ResponderEliminarBom dia.
ResponderEliminarAgradeço a divulgação. Eu trabalho no tribunal de Abrantes.
No entanto, lida a publicação, tenho que deixar duas notas:
A primeira é a de que o calor extremo não se faz sentir mais acentuadamente nas salas de audiência. Não há, aliás, qualquer fundamento para essa afirmação. O que distingue as salas de audiência das restantes salas é que passam nelas boa parte do tempo juízes e magistrados do MP,. cujas vozes são ouvidas, a contrário das dos 'técnicos de justiça'. O calor é extremo em todas as salas do primeiro piso, com especial incidência naquelas com maior exposição solar. Nas salas do piso térreo, que estão todas encerradas à excepção de uma sala de audiências, a temperatura é bastante mais amena. O problema é efectivamente antigo e conhecido, o que me leva à segunda nota:
Na inspecção levada a cabo pelo COJ ao meu desempenho, o Senhor Inspector, mandatado para avaliar o meu desempenho sob a égide do RICOJ, concluiu que as condições de trabalho são boas porque "as instalações são arejadas".
Obrigado
Frederico
Bom dia.
ResponderEliminarDeixo um artigo sobre a greve dos trabalhadores das bilheteiras na estação ferroviária de Entroncamento:
Fazem greve, não por mais uns tostões, mas por condições dignas de trabalho e que defendam a sua saúde. Haja sindicatos!
Frederico