Regina e a posse dos “novos” eleitos para os órgãos do SFJ
Na tarde da passada sexta-feira, tomaram posse em Anadia os “novos” elementos eleitos para os diversos cargos do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ).
A comunicação social deu destaque ao facto de, pela primeira vez, o Sindicato ter uma mulher na presidência, a Oficial de Justiça e Escrivã Regina de Almeida Soares.
«Não quero deixar de dizer, com orgulho tranquilo e consciência histórica, que sou mulher, cidadã, mãe e Oficial de Justiça. E que, 51 anos depois do 25 de Abril, uma mulher chega, pela primeira vez, à presidência do nosso Sindicato. Esta não é apenas uma conquista individual, é a expressão viva das transformações sociais e democráticas que construímos juntos, e das quais o movimento sindical é um pilar fundamental.», disse Regina no seu discurso de posse.
De acordo com Regina, não se trata do preenchimento de uma quota, mas sim, de representatividade:
«Não chego aqui para preencher uma quota, mas para representar com autenticidade uma maioria de colegas que são mulheres, cuidadoras, trabalhadoras, e profissionais altamente qualificadas. A minha eleição é, também, um sinal de que há outros estilos de liderança possíveis.»

Ao antigo presidente, António Marçal, dedicou palavras de reconhecimento e agradecimento.
«A sua entrega ao movimento sindical, durante exigente período, fica registada na história deste Sindicato. Ao encerrar este ciclo, desejo-lhe saúde, serenidade, e que encontre, na sua consciência e no seu percurso, o merecido sentimento de dever cumprido.»
Regina disse que “sabe de onde vem”, por isso, quer trabalhar por toda a classe e combater os problemas.
«Assumo, por isso, este lugar com a força de quem sabe de onde vem e com a serenidade de quem não esquece para quem está aqui: para os que todos os dias fazem justiça nos bastidores, com abnegação, competência e, tantas vezes, sofrimento ético. E é precisamente sobre esse sofrimento que não posso deixar de falar, o sofrimento ético dos Oficiais de Justiça em Portugal tem múltiplas origens, muitas delas invisíveis, silenciosas, acumuladas no tempo.»
A nova presidente do SFJ citou “a sobrecarga real de trabalho, a pressão diária para cumprir prazos irrealistas, a escassez crónica de meios, e a dolorosa consciência de que, por vezes, o próprio sistema acaba por produzir mais injustiça do que justiça, tudo isso gera conflito moral, angústia profunda e esgotamento”.
Na sua visão, a falta de tempo ou condições prejudica o trabalho dos Oficiais de Justiça, além da própria natureza complexa da função.
«Há colegas que carregam o peso de executar decisões judiciais que colidem com os seus valores pessoais. Que se veem forçados a trabalhar com menos rigor do que gostariam, por falta de tempo ou de condições. Que lidam com muita violência, maus-tratos a menores, com falências dramáticas, com o medo real da retaliação, com o desespero dos outros e, tantas vezes, com a sua própria ansiedade.»
Por isso, a nova presidente defende mais atenção com a saúde mental dos Oficiais de Justiça.
«É urgente agir. Com políticas sérias de saúde mental. Com formação ética, emocional e relacional. Com equipas dimensionadas de forma justa e equilibrada. Com cargas de trabalho humanamente possíveis. Com espaços seguros de escuta, acompanhamento e apoio. Cuidar de quem cuida da justiça já não é apenas uma opção sindical. É um imperativo institucional. É um dever moral do Estado.»
Entre as metas de mandato traçadas pela presidente, estão: “trazer o sindicato ao centro da luta por justiça” e que os profissionais não sejam tratados como “pessoal de segunda ou terceira linha” na definição das políticas públicas e no reconhecimento institucional.

No auditório do Museu do Vinho da Bairrada, a nova presidente do SFJ disse ainda que não vai aceitar “remendos” nem “soluções minimalistas” no âmbito da revisão do Estatuto.
«Não aceitaremos remendos. Não aceitaremos soluções minimalistas. Exigimos justiça para quem assegura a justiça.»
Os Oficiais de Justiça praticam “atos imperativos com força executória conferida por lei” e não “meros atos administrativos”, por isso, a presidente do SFJ apelou ao Governo para que tenha “visão estratégica” e reforce o papel dos Oficiais de Justiça “como agentes essenciais do sistema judicial democrático”.
Ao Jornal de Notícias, Regina prometendo não baixar os braços e explicou que os contactos com o novo Governo já tiveram início e que a primeira via será a do “diálogo”, porque parece haver “abertura” e porque o sindicato tem consciência que já decorreram “muitas lutas e isso causa prejuízo ao cidadão”.
Mas Regina disse também que não afasta a possibilidade de novas formas de luta, nomeadamente novas greves, se se chegar a um “impasse” ou as negociações não estiverem “no caminho certo”.
Regina referiu a próxima reunião com o Governo, esta próxima quinta-feira, 31JUL, e esclareceu que a revisão estatutária abrange matérias que vão desde os ingressos à tabela salarial, aposentações, congelamentos, avaliação de mérito, entre outras questões, uma vez que o estatuto não é revisto há 26 anos (salvo questões pontuais), explicou. Com a anterior direção (da qual fez parte, como secretária executiva da região de Lisboa), disse que foram dados alguns passos, mas a queda do Governo deixou outras matérias por definir.
Além disso, parte do trabalho realizado foi “um bocadinho à pressa e há ajustes a fazer, nomeadamente na tabela salarial que foi publicada”, especificou Regina.
«Não vamos descansar, a revisão que foi feita à tabela é muito injusta, porque há pessoas com muitos anos que não tiveram valorização nenhuma e isso é essencial.»
Mas não se trata apenas de “dinheiro”, sublinhou, é preciso criar melhores condições de trabalho, facilitar a conciliação da vida profissional com a pessoal, atenuar a “sobrecarga de trabalho, que é horrível”, e atuar a nível da “saúde mental”. Os funcionários judiciais, parte essencial da máquina da justiça, “estão completamente exaustos, desmotivados”, alertou.

Fontes: “Diário de Notícias”, “Jornal Económico”, “RTP”, “Jornal de Notícias” e “Diário de Notícias da Madeira”.
A bola está do lado da Regina. Vamos ver se sabe jogar ou se tem os pés rotos, como o antecessor.
ResponderEliminarAguardamos para ver!!!
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ResponderEliminarSim, saúde mental.
ResponderEliminarO acordo arrebentou-me com a moral toda.
Despromoção, desantiguização.
Nem o aumento deu para mitigar, umas vez que muitos outros, noutras carreiras até do mesmo ministério, levaram 300 paus à cabeça e ainda assim continuaram a lutar.
Só a violação crassa do Princípio da Igualdade que a CRP consagra, ao ter sido recuperado o tempo de serviço congelado a uma carreira e à nossa apenas muito parcialmente, seria suficiente para uma luta intransigente como condição sine qua non, mas a resignada resiliência sempre foi e continua a ser o forte da malta.
Começou bem.
ResponderEliminarO problema é que dizem que há certos povos que não gostam de ver bons princípios aos filhos...
Apesar de, mais uma vez, termos de dar tempo para esta senhora, acólita e seguidista do anterior presidente, que comungou, partilhou, aceitou e retificou acordos recentes muito prejudiciais à classe, pergunto: - Vai ter poder para inverter a destruição da carreira dos oficiais de justiça em marcha? - De que forma pode inverter o estado de coisas sem ter que dar o "dito por não dito"? - Qual é o seu pensamento estratégico para defender os nossos direitos laborais? - Tendo dito, até agora, generalidades, quando, pela sua anunciada experiência e conhecimento dos assuntos, já devia ter dito o que pensa e ao que vem, para quando saber de que forma esta estrutura sindical, rígida, ineficiente, incapaz e incompetente, até agora, na defesa dos direitos dos, até 31-12-2024, funcionários judiciais e a partir dessa data dos Oficiais de Justiça? - Por isso pergunto: não terão que ser, as greves decretadas pelos atuais sindicatos, baseadas em pressupostos diferentes? Os interesses dos atuais Escrivães e técnicos são iguais? Quem para os tribunais durante uma greve? Os atuais sindicatos não terão capacidade de defender técnicos e escrivães em situações em que os interesses em causa seja, como muitas vezes vão ser, conflituantes, exceto em "generalidades". Um sindicato para defender técnicos exige-se e quanto mais cedo melhor para procurar minimizar a vergonha que está em curso. Porque não apelar a todos, mais os que procuraram levantar projetos sindicais (como o SNOJ e SFMP), para rapidamente criarem pontes e sinergias para esse efeito? Deixo o desafio.
ResponderEliminarSim, está na altura dessa malta se organizar.
ResponderEliminarO SFJ já não representa os Oficiais de Justiça.
Representa alguns.
O SOJ, bem estes limitam se a espumar face às merecidas críticas e afinal não eram assim tão diferentes dos outros.
Precisamos de uma 3 via.
Novos, com sangue na guelra, sem amarras.
Alguém sem subserviência ao ministério e que não tenha medo.
Só precisamos de alguém que faça frente aos mesmos do costume.
Fartos de meias palavras e discursos inócuos.
Está na altura de deixarmos de ser anjinhos.
ResponderEliminarReverter a reforma em curso e criar 1 sindicato para técnicos e outro para escrivaes?🤣
Penso ser evidente que a Regina ainda está no seu perfeito juízo.Não tome os comprimidos que não é preciso.
Tb acho que já era tempo do governo criar a plataforma " sindicato na hora" para satisfazer os vários fetiches.
ResponderEliminarAí ai, vocês a trabalhar numa linha de produção industrial não andavam tão iluminados.
Começo a dar razão ao governo nas alterações que vai fazer ao código do trabalho.
Se não gostar agradeça aos muitos colegas do Chega que por aqui andam.
Reforma em curso?
ResponderEliminarOnde, quando?
Estes governos não são capazes de fazer reformas nenhumas, limitam-se a fazer campanha e, diga-se em abono da realidade, provavelmente o país também não merecerá mais...
Quem está contente com o estado da nação é porque provavelmente está bem encostado.
ResponderEliminarEu já trabalhei numa linha de produção como essa que diz, fazia/tratava 8 peças dum determinado tipo a cada hiato de trinta e tal segundos e tinha mais pausas do que as que tenho no meu atual serviço no tribunal.
Se os trabalhadores não gostarem e ficarem mal, não precisam de agradecer a ninguém, bastar-lhes-á daqui por 4 anos pedir a revogação dessas alterações.
O acolitismo tem, como efeito secundário, a vantagem, para quem pratica esta espécie de alienação da realidade, de ter uma posição sempre alinhada com o resultado que se alcançar. Se positivo, "eu bem sabia…", se negativo "a culpa não é minha… ". E assim se caminha alegremente, sem responsabilidade, mas também sem nada para acrescentar de valor para a realidade que nos rodeia.
ResponderEliminarCada vez mais as mulheres tomam conta dos serviços públicos e também na Justiça.Juizes, Procuradores, Advogadas. Nos Registos, Conservadoras e Oficiais de Registos. Nas Finanças, Inspetoras tanto nos Serviços locais como Centrais.
ResponderEliminarNo entanto, na sua maioria, os seus representantes em termos de Sindicatos, Associaçőes profissionais, são homens.
Elas são muito melhores nos estudos, nomeadamente na formação universitária, acedem assim aos melhores empregos.
Esta nossa Presidente do SFJ é uma rara exceção ao que vemos no País por se ter candidatado e sido eleita como 1 dirigente sindical de topo na hierarquia.
Deve ser apoiada porque merece e fará a diferença, sim, mas se os associados se unirem. Sózinha nada conseguirá de quem nos governa.
É parecido com um outro ismo.
ResponderEliminarSe o copo estiver sempre cheio está tudo bem, se estiver vazio a culpa é do taberneiro que demora a servir.
Ah...Tudo igual, continuidade...
ResponderEliminarPrecisa de uma limpeza, que regressem 'as secretarias.
ResponderEliminarPara além do mais:
Nunca é demais insistir, pois parece que tudo isso está esquecido.
ResponderEliminarNão vai ser fácil reverter o que de mau foi feito e as consequências que daí resultaram.
ResponderEliminarNo meu caso, depois de ver a tabela salarial que entrou em vigor e estando no 3º escalão, pedi o cancelamento de sócio do SFJ.
Vai ser difícil voltar a acreditar...
Continuo roubado de 2001 a 2004.
ResponderEliminarE vejo apenas sindicalismo de 50 anos.
Infelizmente vou para a cova e o discurso é o nesmo
'Há abertura por parte do governo, tomarsm boa nota'
E venha a próxima cima reunião.
Foddff
Estou de baixa
Escravos
Cansado
De merd---'
Ainda quanto à lista de graduação, expliquem-me lá.
ResponderEliminarEu não percebo nada daquilo, se não me pronunciar, quando for publicada nova lista e se não estiver correcta, posso reclamar, carto? E dando-me razão haverá nova lista publicada, é ou não é?
Portanto estes 10 dias de pronúncia pouco ou nada valem, é ou não é?? Se existem depois mais 30?
Isso é de uma inteligência absolutamente fora do comum.
ResponderEliminarMas começa a ser o novo nornal.
É como o condutor que se chateia com o gajo do catto da frente e dá um tabefe no filho que vai ai seu lado.
Fantástico, melga!!!
Sim, gajos como tu que só ganham coragem a escrever anonimamente nas redes sociais.
ResponderEliminarEu só me pronunciarei no 30 dias.
ResponderEliminarFanstástico, Mike!
ResponderEliminar16, 17:
ResponderEliminarÉ um fácil desistente, um lutador muito fraco.
Então imagine que todos os sócios dos 2 sindicatos faziam o mesmo e eram os 2 extintos.Aí, iria ter razão para o seu desespero, pois dificilmente algo seria alterado com a sua intervençāo pessoal junto de qualquer governo. O contrário será, se com o dinheiro que poupa (?!) nas quotas, recorrer a um processo em Tribunal: pode ser que vença o mesmo, a final.
O mal elaborado acordo não é irreversível, nem irrevogável, nem imutável. Só a MORTE é isso tudo.
Pois se nem a decisão do tal político da Tróika dita como irrevogável, logo a seguir deixou de o ser!
Agora, se cada um puxar para o seu lado, sem pensar em todos, não se mexendo, vai mesmo "transitar em julgado" o dito acordo.
O SFJ tem uma história de 50 anos.Quem fez lutas e acompanhou alguns desses anos sabe que muito se conseguiu quando não havia quase nada, ă custa da união da maioria.O momento é de união porque o reconhecimento do trabalho nos tribunais (complexo, muito e sem pessoas que cheguem) por parte de quem governa, continua a ser muito pouco nāo sendo valorizado.
E outros, na nossa carreira, levam esse aumento, por isso não é preciso sair de casa para se verificar a injustiça.
ResponderEliminarUm bom começo ser alterar o nome do sindicato, porque a designação "funcionários judiciais" já não existe. Depois sim, cortar completamente com as práticas anteriores e iniciar um novo percurso de luta, mais intransigente e menos tolerante.
ResponderEliminarForça Regina,
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