“São medos diferentes”; mas não deixam de ser medos

      Os grupos do “WhatsApp” servem para quase tudo e mais alguma coisa e é raro quem não faça parte de um ou mesmo de vários grupos, cada um com o seu propósito, abarcando desde a vida privada à vida profissional.


      Há dias tivemos a notícia de um grupo de Oficiais de Justiça, composto por cerca de três dezenas de Oficiais de Justiça da área de Santarém, que se juntaram em tal grupo com o propósito de prestar ajuda a um colega Oficial de Justiça.


      Francisco Costa já estava a tratar de se reformar de 42 anos ao serviço da justiça, para estar mais tempo com o pai que precisa de cuidados de saúde, quando foi atirado para uma cama do serviço de pneumologia do Hospital Distrital de Santarém.


      Diagnóstico: cancro do pulmão.


      Sem esposa nem filhos, o Oficial de Justiça da Azinhaga, concelho da Golegã, viu o mundo desabar, mas depressa surgiu o apoio e solidariedade dos colegas de trabalho, enquanto o pai, que foi tipógrafo, vai tendo a assistência do apoio domiciliário e a visita de uns primos de Francisco que vão resolvendo o que é preciso.


      Funcionário dedicado, com 30 anos de serviço nos tribunais de Santarém, Francisco Costa não renega a sua qualidade de chato. Com um estilo mais incisivo, por vezes resmungão, perante o trabalho que não está bem feito, tem a consideração dos colegas com quem tem trabalhado mais de perto, que se organizaram para o ajudar neste momento difícil.


      Os “Bacanos do Costa”, é o nome do grupo criado na aplicação de comunicações WhatsApp e onde 28 Oficiais de Justiça formam uma rede que gere períodos de visitas entre eles e onde se combina quem é que pode levar alimentos ou outros artigos que o Francisco precise.


      O grupo começou a organizar-se com uma preocupação: a alimentação, porque Francisco Costa é “muito esquisito com a comida”. Como já há algum tempo que andava a comer pouco, por se sentir doente, o que se agravou no hospital, alguns colegas trataram de começar a animá-lo pelo estômago, levando-lhe canja e outros pratos que lhe voltassem a despertar o apetite.


      O Oficial de Justiça passou um mau bocado. “Estive bastante mal, em baixo, mas agora estou melhor e isso também é devido ao apoio dos meus colegas de trabalho”, salienta Francisco Costa, internado há três meses.


      Este caso é a prova de que no ambiente muitas vezes competitivo do trabalho, ainda há um espaço de solidariedade. E Francisco Costa beneficia da camaradagem que tem granjeado ao longo dos anos por ajudar os outros a superarem as dificuldades do trabalho, a refazer o que não está bem feito, a resolver pequenos problemas do dia-a-dia com os procedimentos nas plataformas informáticas da justiça.


      Nos últimos tempos já não estava a tempo inteiro na secção central dos juízos que estão instalados no Palácio da Justiça II, na antiga Escola Prática de Cavalaria, por beneficiar do estatuto de cuidador informal de modo a acompanhar o pai que tem dificuldades de locomoção.


      O cancro não será alheio a cinco décadas de tabaco. Começou a fumar aos 13 anos. Atualmente fumava uma média de 20 cigarros diários, sendo que tinha aderido mais recentemente à moda do tabaco aquecido.


      Francisco Costa reconhece o esforço dos colegas que fazem tudo por estar sempre, pelo menos um deles, presentes na visita de todos os dias e às vezes também ao sábado, sendo que alguns não são de Santarém.


      No dia em que fez 66 anos, a 6 de julho, encomendou um bolo de aniversário que mandou entregar no tribunal para os colegas. Também houve um bolo no hospital para agradecer o cuidado que têm tido com ele.


      No hospital, com pouca coisa para fazer além de ler jornais, ver televisão ou conversar, uma das manias é comprar coisas na internet, como porta chaves, relógios ou camisolas. “Compro coisas que não me fazem falta”, revela. Mas também já comprou coisas úteis como um andarilho para caminhar no hospital e contrariar a perda de massa muscular.


      Outra tarefa que tem tido durante o internamento é atender as chamadas do pai, com 91 anos, sempre que precisa de algo, como comprar pão. O pai até tem o contacto das pessoas e podia encomendar o pão, mas prefere que seja o filho a fazê-lo.


      As visitas dos colegas dão-lhe ânimo para enfrentar a situação por que passa. Francisco Costa esteve na guerra colonial em Angola e sobre medos não sabe qual é o pior, o da guerra ou o do cancro. “São medos diferentes”.


      Neste momento um dos medos é chegar a casa e “não conseguir fazer o que é preciso, não conseguir andar”, lamenta. E do que mais sente falta é dos petiscos com os amigos.


      Na imagem abaixo está o Oficial de Justiça Francisco Costa com o Administrador Judiciário da Comarca de Santarém, Manuel Louro.


GrupoApoioOsBacanosDoCosta.jpg


      Fonte: “O Mirante”, jornal regional.

Comentários

  1. Muita força!


    Mas infelizmente o que se vê  cada vez mais nos tribunais é  pessimo ambiente.
    Ambiente doentio entre colegas, nagistrados, gestão  comarca.


    Aliado  aos maus tratos da dgaj e mj.


    Que ponham os olhos nesta  reportagem humana.

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  2. Força Colega! Coragem.

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  3. Grande exemplo de camaradagem.
    Creio que o Colega Francisco Costa, para além do apoio que já tem dos Camaradas mais próximos, poderá igualmente  contar com a solidariedade dos órgãos de gestão da Comarca e também das Associações sindicais. 
    Rápidas melhoras.

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  4. Bom dia,
    É absolutamente impressionante a situação que se vive em muitos dos tribunais pelo número e a qualidade dos Oficiais de Justiça, cujos quadros têm vindo a perder um número elevado de funcionários, nos sucessivos movimentos, com a agravante de haver um número significativo de Oficiais de Justiça que sofre de incapacidades.
    O caso do Colega, que eu tive a oportunidade de conhecer, é apenas mais um entre muitos que padecem de doenças crónicas, muitas vezes decorrentes de maus hábitos de vida (no caso o tabagismo).
    Lembro com saudades vários colegas que pereceram e agora não passam de memórias que muitas vezes naufragam no nosso pensamento e que só emergem em estados mais melancólicos e introspeção ou crise existencial.
    É preciso lembrar que todos temos família e amigos também e que esta vida que levamos, por vezes, rouba-nos tempo com eles que nunca se recupera e, subitamente, quando mal nos acordamos, somos assaltados por uma doença mais ou menos grave que nos impede daquele projeto de vida, daquela ideia que se tinha, do propósito de com eles conviver e vê-los crescer com saúde enfim de poder ajudá-los.
    Todos nós conhecemos alguém que estava ao nosso lado e deixou de estar, ou porque se aposentou, ou porque adoeceu ou muitas vezes pereceu e jamais o voltaremos a ver, a sentir o seu cheiro e os nossos tímpanos deixarão de identificar a sua voz que se perdeu para sempre e a sua imagem fica cada vez mais desfocada e distante.
    Sabemos que logo após a vacatura, aparecerá alguém no seu lugar, que ocupará desconhecendo quem lá esteve, e adquirem-se outras memórias que se sobrepõem àquelas outras, que vão ganhando distância no tempo, sem nos apercebermos que a nossa vez também há de chegar, e incautos cuidamos ter aquilo que nunca tivemos, o poder de decidir quando largar esta vida.
    Há todavia um poder que muitos de nós têm, o de chegado ao tempo da aposentação partirmos para outra etapa de vida, deixando esta para trás, sem remorsos, abraçar outro projeto que nos leve para os braços da família e dos amigos a quem devemos prestar os cuidados e ajudar nos seus projetos pessoais.
    Lamentavelmente ainda há quem por cá fique voluntariamente - como um príncipe das trevas - apenas porque assim pode infernizar a vida dos outros, pode mandar e desmandar, coisa que em casa está muitas vezes impedido(a) de fazer. 
    Tudo tem um tempo e nós temos de aceitar que o tempo, que é voraz e insensível, é a medida da nossa vida que em lugar de crescer decresce com a cadência dos dias e estes não se renovam, cada dia é um dia diferente do anterior, é um dia perdido ou um dia ganho.
    Quem se esforçou e se perde a trabalhar depressa é substituído por outro que ocupará o seu lugar e por muito que tenha feito para a casa da justiça não ficará a constar em lado algum, apenas nos arquivos documentais e de forma temporária até à sua destruição. 

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  5. Bom dia,
    Lamento a situação de saúde do colega a quem desejo que possa ultrapassar esta enorme dificuldade na doença.
    Venho sensibilizar para um pormenor importantíssimo, designadamente a importância do apoio da família e dos amigos.
    Muitas vezes esquecemos que isto dos tribunais é um modo de conseguirmos sustentar o nosso modo de vida e serve apenas para isso.
    Trabalhamos para termos uma melhor condição de vida e proporcionarmos à família a satisfação das suas necessidades e o apoio necessário, por exemplo numa situação de doença.
    A regra "Beneditina" estabelecia que o dia estava dividido em três períodos (de 8 horas cada, sendo 8 horas para trabalhar, 8 horas para orar e 8 horas para dormir).
    A nossa regra deveria ser a mesma apenas mudando a oração, a dedicação à religião para a dedicação à família e amigos.
    Mas não é isso que acontece, e muitos de nós não querem aceitar que uma importante etapa da nossa vida passou e é vez de deixar que outros completem essa etapa também.
    Há um tempo para tudo, para a velhice também!
    Eu perdi um irmão para um cancro (na zona alta do pulmão e por isso inoperável, metastizou e rapidamente se espalhou) que encetou uma luta tremenda com quimioterapia e radioterapia. Nos últimos anos dormia 4 horas por dia (7 dias por semana) tinha uma indústria de panificação e não poupava uma hora para honrar os seus compromissos. 
    Perdeu alguma ligação à família que não cuidou, preocupou-se com a mais próxima, a que estava junto de si, que precisava de si e por vezes esqueceu-se daquela outra que lhe podia valer, pois que o trabalho lhe roubava o tempo necessário para o fazer.
    Os laços fortes vão amolecendo até que chega a altura em que nos arrependemos daquilo que devíamos ter feito e  não fizemos porque estávamos desatentos ou tínhamos o foco mal direcionado.
    A vida só vale a pena se a vivermos com a família e amigos próximos - o trabalho não é tudo é apenas um meio para o conseguirmos fazer.
    Quem puder fazê-lo - dedicar-se à família - que não hesite pois que ninguém tem saudades do trabalho, a saudade deve ser dos amigos e da família.   

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  6. Ouvi ontem num programa na TV uma entrevista de um cientista sobre o cancro, concretamente sobre o tratamento por quimioterapia e a referência às "células T" e às "células exterminadoras naturais", que fazem parte do sistema imunológico inato.
    Foi dito, por quem tem autoridade intelectual, que os tratamentos por quimioterapia liquidam as células tumorais mas que, ao mesmo tempo, liquidam também aquelas "células exterminadoras naturais" as quais desempenham um papel crucial  no nosso sistema imunológico na defesa contra as anteditas células tumorais.
    Quer isto dizer que ao eliminar as células tumorais elimina-se ao mesmo tempo as tais células que as combatem, ficando-se demasiado suscetível em caso de reaparecimento havendo casos em que os tratamentos por quimioterapia provocam choques anafiláticos com consequências irreversíveis.
    Eu pude testemunhar a violência destes tratamentos e as consequências nefastas  - nunca mais se fica a mesma pessoa - a fragilidade da vida reaparece como se fossemos outra vez crianças e a sensação de impotência e de que falhamos na sua proteção é avassaladora.
    Poder cuidar dos outros é um direito e o dever de cuidar dos nossos é uma obrigação que muitas vezes esquecemos por mergulharmos no trabalho onde muitas das vezes também insistimos em permanecer como um escape ou justificação para não cumprirmos com aquela obrigação natural  - não é o Estado quem em primeira linha deve cuidar dos nossos filhos, dos nossos pais e dos nossos irmãos, da família, somos nós.
    Quem se demite dessa função, vale pouco nesta vida e pro muitas virtudes que tenha no trabalho ou naquilo a que se dedique falta-se a maior das virtudes, não tem coração, não tem amor para dar, apenas suor para partilhar e isso não é suficiente ou tem grande valor nesta vida.
    Quem puder partilhar com os seus a alegria da vida que o faça sem apego ao que tivera ou ao que fora outrora. 
    A "chama da vida" passa de mão em mão e quem se demite de o fazer, cuidando que outros a vão carregar, vão apagá-la para sempre  - naufragarão no pensamento pois que a vida dos seus familiares não estiveram presentes, estiveram ausentes.
    Trabalhamos para viver e não vivemos para trabalhar!

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  7. A que interessar saber muitos dos serviços estão em colapso eminente.
    Com o evoluir muito rápido do PRR e todos os contratos celebrados no seu âmbito assim como por decorrência das eleições autárquicas que se avizinham, não levará muito tempo a que as suas vicissitudes (contratuais, de quezílias, etc.) eventualmente com relevância criminal, se reflitam no volume de processos nos tribunais.
    Tudo isto assoma-se a problemática contendente com os crimes informáticos ou com recurso a meios informáticos e todos aqueles decorrentes do "caldo de culturas" que se gerou com o fenómeno da emigração.
    Estarão os tribunais habilitados a uma resposta "cabal"?
    Estarão preparados para estas novas realidades, em constante mutação, e para as suas demandas?
    Num futuro que é já amanhã, a maioria de tudo o que fizermos será desmaterializado, as interações serão telemáticas, à distância, e as transações asseguradas por plataformas e maioritariamente digitais.
    Ensinaram-nos a guardar a "carteira com dinheiro e documentos" e a acautelar os bens que transportamos, aqueles que têm existência física, mas não nos ensinaram a tomar precauções nesta nova forma de viver e de conviver  - hoje trocamos ideias com pessoas que vivem noutro paralelo, noutra parte do mundo que experimentam e vivenciam realidades e ambientes bem diferentes, e com  ela partilhamos coisas e deixamo-nos influenciar pelas suas ideias mesmo que totalmente descabidas e descontextualizadas da realidade em que nos inserimos.

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  8. Com a política da emigração, importamos muitas pessoas pobres, humildes e trabalhadoras, algumas nem tanto assim é certo, mas cujos hábitos de vida são bem diferentes.
    Veja-se o epifenómeno da grande Lisboa, com os seus municípios (do principal núcleo urbano) invadidos por pessoas que procuram beneficiar dos apoios camarários (nomeadamente à habitação) e prontificam-se para tal a viver em situações desumanas mas que estão perfeitamente habituados (era assim que alguns viviam nas suas terras).
    Eu pergunto-me:
    Sou solteiro, prestei apoio aos meus pais enquanto foram vivos, sendo um dos seus cuidadores nos seus momentos de vida mais difíceis de saúde (um com Alzheimer e outro com AVC), providenciando por quem cuidasse deles na minha ausência e nada lhes faltasse inclusivamente sessões de terapia da fala e de fisioterapia após AVC isquémico com hemiparesia, tudo custeado sem apoio Estatal. À data não existia o estatuto de cuidador informal e vivíamos uma crise profunda (2009 a 2013) em que os Hospitais nem dinheiro para fraldas tinham.
    Hoje, infelizmente já partiram, vivo sozinho e não consigo pensar no dia em que virá o meu momento e penso como vou pagar uma renda de casa, comida e medicação ou quem cuide de mim se de tal precisar.
    Haverá um um apoio da Câmara, terei direito a uma casa com renda acessível? Como é que a irei pagar?
    Os meus pais e eu andamos anos e anos a trabalhar num país que cuidamos que nos ia "cuidar" e, afinal, esse país nunca existiu, só parece existir para quem acaba de chegar.
    Quem cá está e lutou democraticamente pela sua existência parece ter apenas direito a pagar impostos, que parecem servir essencialmente para ajudar os outros que cá chegam, emigrantes ou turistas da saúde (não só as grávidas que vêm do estrangeiro são também os doentes crónicos e os mais velhos, os reformados e pensionistas) e parece nunca haver que chegue para cuidar de quem sempre cá sempre esteve e está, no pior e o melhor.
    Estou farto deste Estado assistencialista e providencial para uma minoria e completamente desleixado e descuidado para quem providencia pela sua sustentação (deve-se cuidar de todos por igual e nunca por nunca quem estabelecer privilégios ou beneficiar a pobreza - no sentido em que se os apoios forem desproporcionados os incentivos para a eliminar serão ineficientes pelo comodismo de quem se quer deixar estar a beneficiar dessa situação de pobreza e todos sabemos e temos de aceitar que há muita gente que convive muito bem com essa situação - viver à custa do Estado, com apoio da Câmara e da SSocial e até das instituições de caridade, coisa que muitas vezes nos seus países de origem nem sequer existe).
    Depois admiram-se de populismos - expliquem-me porque é que muitos como eu não conseguem ganhar dinheiro para pagar uma casa ou pagar uma renda quando se vê a ser entregues casas por esse país fora a pessoas que nem há uma década cá chegaram?
    Mas porque é que não hão de cuidar de nós que trabalhamos e descontamos e sempre cá vivemos - porque é que não existem políticas que nos permitam ter acesso à habitação? 
    Será que temos de nos tornarmos pobres para ter direito a uma casa? Será que tenho de emigrar e regressar a Portugal para uma barraca para poder almejar ter um teto?
    Acho muito bem que se dê apoio e dignidade a esta gente, a estas crianças, e doí-me o coração só de pensar como vivem o seu dia a dia.
    Mas não nos queiram empurrar a todos para a pobreza.
    Porque é que não implementam um programa de emergência em que, por exemplo, isentem de IVA a primeira construção em função dos rendimentos, se dê apoio à requalificação das casas devolutas ou desocupadas isentando de imposto as primeiras rendas? Porque carga de água não se cria um regime excecional para uma situação absolutamente excecional?
    Governem este país por favor! 

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  9. Muitos parabéns a todos!!

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  10. É só para dizer que a nossa "Grande Líder" já publicou uma nova reflexão no CMJornal, agora é só ler e depois refletir.
    As melhoras para o nosso colega.  

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  11. Mais uma vez algo de errado não está certo.


    O colega fez agora 66 anos de idade e esteve na guerra colonial em Angola?! 
    Foi para a guerra com 15/16 anos?


    Serão 76 anos de idade? 76 certamente não serão porque assim já estaria reformado. 


    De qualquer forma, muita força para o colega.
    🙏

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  12. Julgo que o português não estará muito correto. 
    Onde se diz "...erá querido dizer-se  "... esteve em Angola no tempo da guerra colonial ..." pois que a ter 66 anos de idade,  nunca poderia ter participado na guerra que decorreu entre 1961 e 1974, pelo menos a combater (com 15 anos de idade) não me parece ter sido, a não ser que fosse nativo (naquela altura os Angolanos e (não só), desde que conseguissem caminhar, arrastavam as armas municiadas pela ex-URSS, por Cuba e Cª Lda).
    Surgiu-me agora uma dúvida.
    Tendo o Colega 66 anos de idade, e 42 de serviço, referindo o texto que "... 

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  13. Até que enfim vemos um discurso voltado para a classe.
    Sendo muito assertivo, está muito bem escrito, denotando uma capacidade de transmitir a mensagem de forma clara e inteligível para todos. 
    Noto ainda que está despida de qualquer intensão política (que não seja a da política administrativa da justiça) e deixa muito habilmente passar a mensagem de que não somos beneficiados, antes pelo contrário, pela imposição de férias nos meses mais caros e obviamente com mais população turística com os inerentes constrangimentos no acesso a estadias a preços comportáveis para os "pobres" oficiais de justiça.
    Sensibiliza que quem fica no trabalho não faz missa de corpo presente e assegura em termos mínimos o seu funcionamento.
    Muitos parabéns!
    Só um senão - terá sido preciso uma alteração na ordem de trabalhos na reunião com a tutela para conseguir escrevê-lo?!
    É que mais valia ter dito duas ou três coisas neste lugar (CM jornal): boas férias a todos os portugueses e, em especial, a todos os Oficiais de Justiça e demais colaboradores judiciários.
    O resto deveria ter deixado para estudo do regime de avaliação e das propostas que virão por aí! Pois as férias também servem para estudar!

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  14. O último artigo de é este: 
    https://sfj.pt/noticias/recortes/quando-esperar-ja-nao-chega-correio-da-justica-cmjornal/

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  15. UPS ... não atentei à publicação correta.
    Não obstante, noto mais uma vez a muito boa, diria mesmo excelente, capacidade de escrita, sendo muito clara e precisa na mensagem transmitida incorporando factos e considerações neles alicerçadas de forma muito bem articulada e inteligível aos seus destinatários.
    Agora percebemos o que perdemos neste tempo todo em que tivemos aquela personagem que já todos começamos a perder-lhe a boa memória (foram muitos os pesadelos criados no seu tempo pela conivência associada à muito costumeira incompetência de quem esteve à frente dos nossos destinos na última década, criando imbróglios jurídicos atrás de imbróglios jurídicos ...fazendo com que muitos de nós carregássemos o mundo aos ombros, num esforço herculano para fazer face ao serviço e sempre em perda).
    Mulheres assim, com "os ditos cujos no sítio" mais até do que aqueles que a antecederam e que os deviam ter tido mas não tiveram, fazem muita falta.
    Bem haja!

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  16. Mas esta gente não tem vergonha?
    O  "...novo estatuto procurou reparar algumas falhas"? NÃO, o novo estatuto veio acrescentar inúmeras falhas às que já existiam.
    Por acaso reparou o "congeloroubo"? Por acaso reparou a alteração unilateral da idade de aposentação? Por acaso reparou a falta de promoções? Por acaso reparou a limitação de movimentos, impedindo o eventual regresso "a casa"? Por  acaso reparou a arbitrariedade das nomeações em substituição?   Nem é preciso responder.
    O que este estatuto fez foi acrescentar novas falhas e não são poucas, as quais já foram inumeradas várias vezes neste blog e noutros fóruns, mas destacaria a ultrajante diferença de aumentos salariais entre escalões (o que se passa com o 3º escalão julgo ser inconstitucional - principio de igualdade), bem como, a extinção de uma carreira na vertical, retirando qualquer motivação e ambição aos OJ.
    Por fim, salientar que até hoje ainda não vi uma declaração da nova Presidente aos associados e percebo porquê... porque se trata de uma continuação.
    Boas férias.

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  17. Em que mundo é que o colega vive?
    A atual Presidente estava na anterior direção.

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  18. LUIS MONTEIRO23/7/25 18:51

    Não sei quem é o/a autor/a deste texto, mas quero deixar os meus sinceros parabéns pelo magnífico texto que expressa rigorosamente o que é a nossa vida enquanto OJ e tudo aquilo que está para além da nossa vida profissional.
    Adorei.
    Parabéns.

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  19. A fonte, indicada no final do artigo, leva ao jornal O Mirante. O artigo desse jornal não se mostra subscrito por ninguém em particular, pelo que é da autoria daquele jornal regional.

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  20. Sei que as palavras não curam, no entanto Colega, desejo-lhe força, e que consiga ultrapassar este seu momento menos positivo.

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  21. Eu trabalhei com o Herculano na Família e Menores em Lisboa.

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  22. Conheci o Costa naqueles tempos de provação em que nós, oficiais de justiça, tanto contribuímos para a sustentabilidade do país com a suspensão das nossas carreiras.
    Hoje, uma vez esse objetivo alcançado, e até largamente superado, vemos como o estado português já devolveu esse congelamento a alguns, mas ao Costa, que bem falta lhe devia agora fazer, esqueceram-se.
    Enquanto estive em Santarém praticamente todos os dias almocei com o Francisco Costa, quase sempre nas traseiras do tribunal criminal, e o que lá comemos e bebemos e conversámos é tudo o que o maldito estado de direito que temos não precisa de nos devolver porque foi quanto também nunca nos conseguiu nem poderia roubar.
    Um destes dias havemos de lá voltar.

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  23. Não é proibido ter esperança nunca de que as coisas possam melhorar.
    Mas, neste caso, infelizmente sobretudo para o Francisco, já não poderemos de todo lá voltar para comer, beber e conversar.
    E fiquei apenas vazio de quaisquer outras palavras, só me restando um pensamento na garrafa que abri.
    Para ti:
    RIP

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