Quem espera desespera
Informa o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), na sua última nota sindical, que o seu departamento jurídico "está a ultimar os procedimentos" para propor as "ações" relativamente àqueles cujo período como Eventual foi inicialmente considerado como um período de Provisório, mas cujos valores recebidos são agora reclamados pela DGAJ para devolução.
Mais informa o SFJ que "Estamos dentro do prazo legal para o efeito; no entanto, este Sindicato continuará, em paralelo, a diligenciar junto das entidades competentes no sentido de alcançar uma solução por via de transação".
Não se compreende, da informação sindical, o motivo da propositura de ações (no plural, portanto, mais do que uma) sobre o mesmo assunto, ou então poderá ser lapso, ou está mal explicada essa propositura de ações, ou se a intenção é referir-se a uma ação inicial de procedimento cautelar a que se seguirá a ação principal ou ainda se a duas ações independentes, uma para os da devolução e outra para os que não chegaram a receber. Fica a dúvida, ou melhor: ficam as dúvidas.
Entretanto, refere-se, na mesma nota informativa, que independentemente dessas “ações”, o SFJ continua a “diligenciar junto das entidades competentes no sentido de alcançar uma solução por via de transação”, isto é, o SFJ está a tentar um acordo.
Esse dito acordo, no entanto, só pode ser um, porque não vislumbramos que seja mais do que um, que é a desistência da DGAJ do pedido de devolução e, consequentemente, dar o dito por não dito, anular o despacho da devolução e pagar aos demais.
Ora, isso não é um acordo, porque não há nada que os Oficiais de Justiça possam dar em troca, não há nada que o SFJ possa prescindir ou se possa render para a dita transação que tenta – pelo menos é isso que os Oficiais de Justiça esperam, que não haja nada para a troca, porque tal troca, para a tal desistência da DGAJ, teria de ser algo muito, mas mesmo muito relevante, que não agradaria nada aos Oficiais de Justiça.
Assim, parece-nos que nunca haverá nenhum acordo para que a atual diretora-geral considere errado o seu despacho que considerava errado o procedimento anterior. Essa consideração só poderá advir de uma sentença de um tribunal e nunca da própria.
Por isso, os Oficiais de Justiça que receberam e lhes foi pedida a devolução, ficarão com esta incerteza da devolução durante mais um bom par de anos, enquanto que os outros que não chegaram a receber o valor avultado, continuarão à espera os mesmos anos.
Como todos sabem, a jurisdição administrativa é muito demorada e este assunto vai demorar muitos anos a resolver-se, pelo que seria melhor que os sindicatos, em vez de tentarem a transação e sentarem-se à espera da decisão do tribunal, tentassem algo mais imperativo.
Uma vez que a decisão da atual diretora-geral é um grave, ou melhor, um gravíssimo ataque aos Oficiais de Justiça afetados pela sua nova opinião de considerar errada a opinião anterior, pedindo a devolução do dinheiro já recebido no ano passado e não querendo pagar aos demais, qualquer sindicato que se preze teria já marcado nem que fosse uma dia, ou mesmo meio dia, de greve, em cada semana, em reação a tal atitude atentatória dos direitos dos Oficiais de Justiça.
Da mesma forma que o SFJ manteve uma greve ao trabalho suplementar durante um quarto de século, anulando-a agora em resultado da regulação do trabalho suplementar, também pode perfeitamente marcar uma greve até à decisão final do tribunal ou até à resolução por iniciativa da DGAJ, greve que não deveria durar um quarto de século, como a outra durou, mas até uma meia-dúzia de anos.
Os sindicatos propõem ações, tentam transações, mas também devem forçar decisões. É inadmissível que os Oficiais de Justiça fiquem tantos anos à espera sem mais nada fazer, a não ser esperar.

Fonte: “Info-SFJ-25AGO2025”.
A carreira tem o que merece. Se um outro Ministério ou Direcção fizesse aos seus trabalhadores metade do que estes fazem, caía o Carmo e a Trindade. Aqui não: tudo está bem quando se afirma que “vamos intentar acções ao mesmo tempo que nos sentamos à mesa e tiramos fotos com sorrisos branqueadores” e a classe responde “vamos confiar nos sindicatos”…
ResponderEliminarPois... Também fiquei "estupefacto" com essa da "transação". Isso só poderia significar os OJ perderem alguma coisa dado que não existe nada, repito nadinha, para transacionar. Os OJ ficaram eventuais, segundo as normas legais quando passaram a efectivos teriam de ver contabilizado esse tempo em antiguidade e, consequentemente, na correspondente subida de escalão. A Tutela procedeu assim em alguns casos, e bem dado que foi com respaldo e de acordo com a lei e em outros não, sem qualquer respaldo e ao arrepio do legalmente estabelecido. No entanto, ainda temos por aqui "agentes infiltrados", "polícias do pensamento", "censores digitais" a tentar justificar o injustificável...
ResponderEliminarcalma 95% 'tá garantido...
ResponderEliminarJá aqui tinha escrito, por mais do que uma vez, que deveria ter sido colocado um processo para executar a sentença assim como o pagamento dos juros devidos e assim evitavam estas manobras, quer da parte da tutela quer da parte dos sindicatos.
ResponderEliminarSindicatos e sindicalizados fofinhos dá nisto.
Só com uma greve pujante, pode reverter isto.
????
ResponderEliminarCalma...calma...calma...calma!!!!
ResponderEliminar95% está garantido?!...e, os 5% que faltam? ...Esses é que preocupam. Se, calhar vão negociar a idade da reforma, ...Trabalhar até morrer, só pode, (até isso nos comeram).
Não há nada a transacionar, há é que resolver está situação o mais rapidamente possível....se, não quem irá receber alguma coisa, se alguma coisa for recebida, no meu caso será os meus netos a recebe-la. Como o outro dizia, vale a pena pensar nisto.
???
ResponderEliminarE os eventuais que não viram o tempo todo contabilizado, serão abrangidos por essa ação, em sentido contrário?
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ResponderEliminarOs OJ já perderam tudo...
É isso mesmo! Nunca esquecer.
ResponderEliminarSó o tratamento diferenciado em relação a outros nossos concidadãos relativamente ao tempo de serviço congelado já começa a merecer a reativação das greves do SOJ, pois, como o Carlos Almeida bem sabe por via da FESAP, o governo, a não ser que seja obrigado, irá relegar para as calendas a recuperação de todas as carreiras lesadas à excepção da dos professores, que qualquer dia já terão tudo recuperado e nós ainda sem sequer termos começado.
ResponderEliminarDepois, eu não fui eventual em 2001, mas também ainda não recebi aquilo de que fui notificado em maio deste ano, por isso tenho razões mais que não fosse essa para aderir a uma greve a decretar por tal razão.
Bem como, mesmo recebendo entretanto, não me custará nada ser solidário com esses colegas e aderir na mesma, até porque, reitero, continuo a ter muitas outras razões para o fazer para além disso.
Pelo que, também já estou como o Bloguer:
Do que é que os sindicatos estão à espera para reativar as greves das tardes de segundas, terças e quintas e de todos os dias de quartas e sextas?
A não ser que queiram entregar à DGAJ e ao MJ Donetsk, Lugansk, Kerson, Zaporíjia e até talvez Kharkiv em troca de podermos receber o que já era nosso!
verdade
ResponderEliminar50 anos de mentiras
ResponderEliminarMesmo com decisão judicial transitada em julgado e favorável aos autores, esta DGAJ é bem capaz de fazer com que os seus efeitos se reproduzam apenas no espaço intergaláctico.
ResponderEliminarGreves? Nunca mais faço!
ResponderEliminarSim, não temos de nos esquecer daquilo que por lei é nosso, quer em termos de direitos ou remuneratórios!
ResponderEliminarNão esquecer ainda outra INJUSTIÇA:
ResponderEliminarEu como Eventual farei!!!
ResponderEliminarVenha ela !!!
ResponderEliminarEVENTUAIS ROUBADOS!
GREVE JÁ
ILegal!
ResponderEliminarApoiado, temos de recuperar tudo, inclusive a crimeia!
ResponderEliminarTemso direito ao tempos de congelamento da troika, ao tempo decorrido desda a última subida de escalão, 4 anos de eventual e todo o resto ... até Moscovo!
Venham as greves, lá para Outubro! ...
Eu, como ex adjunto, também faço!
ResponderEliminarE, já agora, se fosse ex auxiliar, tamb+em faria! ...
Estás a insistir muito nas greves das tardes.
ResponderEliminarÉs condutor TVDE nos tempos "livres"?
Não sou condutor de nada mas sei que há muitos colegas que não podem ou não querem perder dias inteiros ou nem sequer concordam muito com as greves, mas que se tiveram possibilidade de se baldarem a seguir ao almoço já ponderam, até porque às vezes até dá jeito...
ResponderEliminarAté hoje ainda não me foi pago pela dgaj o que me é devido relativamente ao reposicionamento do período probatório, embora já tenha sido notificada em Maio e confirmado em Julho e eu tenha prescindido do prazo de reclamação.
ResponderEliminarVamos para as greves e é já!!!