A boa-vontade dos trabalhadores, só por si, não dá para tudo
Com o vencimento deste mês, hoje pago, há um número considerável de Oficiais de Justiça, designadamente, os que no final do passado mês de maio foram notificados dos valores compensatórios das diferenças relativas à reconstituição da carreira pela consideração do período probatório, que veem o seu vencimento acrescido desses valores compensatórios, descontadas as contribuições sociais obrigatórias, mas sem retenção na fonte do imposto IRS.
Para além da extraordinária diminuição da retenção de imposto ocorrida no mês passado e também neste, o que afetará o acerto de contas de IRS no próximo ano, tal como já ocorreu no acerto deste ano, quando muitos viram os seus reembolsos habituais substancialmente reduzidos, inexistentes ou com valores a pagar, também no próximo ano, os Oficiais de Justiça que hoje receberam os valores compensatórios relativos ao período probatório, deverão ter de pagar o imposto que neste momento não foi retido.
Com este recebimento junto com o vencimento deste mês, não fica encerrada a reconstituição da carreira, cujo procedimento teve início, notem bem, em junho de 2023, pelo contrário, ainda existem muitos Oficiais de Justiça que nem sequer foram notificados de qualquer cálculo ou valor e ainda aguardam.
Alguns dos que aguardam – e que são cada vez mais – já estão aposentados ou desligados por outros motivos e estes são os que mais aguardam e esperam não só por esse acerto da carreira, como, também, por outros acertos.
Ainda há dias, um Oficial de Justiça aposentado nos escreveu relatando as dificuldades que tem no relacionamento com a DGAJ, desde logo apontando como a primeira dificuldade a falta de resposta às suas solicitações, atendimento esse, ou melhor: a falta desse atendimento, que resulta em muitas queixas que são comuns também a quem está no ativo, realçando logo a seguir as faltas de pagamentos: desde logo a falta de pagamento do acerto do período probatório, mas também a falta de pagamento compensatório pelas férias não gozadas.
Quando alguém passa para a reforma sem ter gozado as férias desse ano, esses dias que faltem gozar, que até podem ser todos, têm de ser pagos e esse pagamento está também muito demorado.
De acordo com a informação obtida, nos dias imediatamente seguintes à passagem para a aposentação, na mesma semana, a DGAJ apura junto do respetivo Tribunal quantos dias ficaram por gozar ao aposentado e depois demora meses, chegando mesmo ao ano, como nos relataram, o pagamento desses dias.
Portanto, estamos perante um funcionamento dessa entidade administrativa que não vai ao encontro dos anseios daqueles que dela dependem e dependem tanto quanto a sua própria vida e a dos seus.
Ou seja, já não são só os tribunais e os serviços do Ministério Público que demoram muito na resolução dos processos, é também a entidade externa governamental que tem por incumbência a gestão dos tribunais e dos recursos humanos, designadamente, os Oficiais de Justiça.
A tão propalada reforma na justiça tem de começar pela reforma das entidades governamentais que são as que têm a obrigação de dar todos os meios necessários para o bom desempenho da justiça e não dão.
A dita reforma da justiça não tem de começar pelos tribunais, mas pelo próprio Governo, porque é aí que está a base de sustentação da justiça. Os tribunais alicerçam-se nos meios que o Governo disponibiliza e não noutros, porque outros não tem, a não ser a incrível, incrível mesmo, boa-vontade dos seus trabalhadores; o que, obviamente, não dá para tudo.

Salve se quem puder
ResponderEliminarAinda não terminou a reconstituição da carreira e já está na calha uma segunda etapa, pois já transitou o acórdão do TC relativamente à recuperação do tempo não contabilizado.
ResponderEliminarRecentemente, em conversa com alguns colegas, comentávamos o facto de há 20 anos, quando tínhamos algum problema, alguma questão para resolver, telefonava-se para a DGAJ, e mesmo que a primeira pessoa não soubesse, não estivesse dentro do assunto, lá iam passando a chamada até falarmos com alguém que percebiamos que sabia, por saber fazer.
ResponderEliminarLá arranjavam maneira de nos resolver o problema.
Nos últimos largos anos, telefonamos, há alguém que atende, sempre muito bem falante, percebe-se logo que é doutor, usa sempre termos muito eloquentes, etc, etc.
Agora, perceber um boi do que está a dizer é que são elas.
Ao fim de 30 segundos percebe -se logo que estao para ali a debitar mas nem sabem o que estão a dizer...
É sempre tempo perdido....
É o que é....
Bom dia,
ResponderEliminarAs decisões tomadas hoje afetarão ao longo de muito tempo as nossas vidas e, da mesma forma, as que não são tomadas também (não fazer nada tem a mesma ou pior repercussão que tomar uma decisão).
Por vezes não temos um retorno imediato das consequências dessas decisões ou falta delas, as quais só se manifestam depois da saída das funções de quem as tomou.
É o caso do tema da contagem do tempo probatório, é o caso do concurso para secretários e também para escrivães e adjuntos, e é o caso da situação mais paradigmática da revisão do nosso estatuto que se queria para ontem mas que tarda em acontecer, e não será hoje nem amanhã que, por sinal, se dará esse passo tão importante.
O imbróglio gerado por todas estas questões assumiu uma dimensão que provocou uma compreensível atrofia nos serviços retardando a capacidade de resposta a tantas e tantas solicitações.
Não podemos (sobre)dimensionar um Estado (no caso uma DGAG) para fazer face a uma situação anormal como a vivida nos Tribunais, que provém das más decisões lá atrás, e com isso criar uma capacidade de escala (de dar resposta) a problemas conjunturais - é razoável nestas alturas haver tolerância, serenidade e bom senso, claro está dentro dos parâmetros aceitáveis.
Fui notificado no final de Maio, mas o pagamento do dito cujo valor não aconteceu.
ResponderEliminarUns recebem, outros não...
tolerância e bom senso para quem não o tem connosco??
ResponderEliminarvai-te catar
ResponderEliminarTENHO NOJO DA TUTELA PELO MODO COMO NOS TRATA EM TUDO
só quero é sair disto que é doentio
Já aqui havia escrito, se tivesse havido execução de sentença com pagamento de juros, conforme ocorre na maioria das sentenças, outro galo cantaria.
ResponderEliminarAgora com conversa fiada e numa tentativa de agradar a qem nos dirige, não vamos lá.
E os dois sindicatos já deveriam ter agido de uma forma mais musculada para evitar que este tipo de situações ocorram.
Principalmente na página do correio da manhã, onde um dos sindicatos tem um artigo semanal, o qual poderia ser utilizado para denunciar estas situações.
Relativamente a isso, também nem UMA ÚNICA PALAVRA por parte do sindicatos ...
ResponderEliminarMais do mesmo ... Como sempre.
E o movimento???
ResponderEliminarAbre em Abril do próximo ano ...
Malditos!!!!
Mas é que é mesmo o mais provável.
ResponderEliminar... e ex sindicalistas
ResponderEliminarJá não tenho qualquer dúvida.
ResponderEliminarNão vão fazer o movimento e a seguir justificam invocando uma m qualquer.
E os tansos deste lado comem e calam, até porque não têm ninguém que os defenda.
Triste vida, triste sina
Boa tarde Colegas
ResponderEliminarMudam os Governos, mas as mentiras, a desconsideração, a inércia, e as interpretações consoante as correntes CONTINUAM.
Aos Eventuais de 2001 e 2002 a 2004:
Os valores a que tinham por direito pela eventualidade foram pagos, já tarde, mas foram pagos. E bem. No entanto, só a cerca de metade dos Colegas. Relativamente aos restantes funcionários, novas interpretações sobre os montantes devidos foram feitas pela recém chegada e Illuminatum Directora Geral, que culminou com a notificação da reformulação dos valores em dívida para com os funcionários que ainda não tinham recebido, e com a notificação aos Colegas que já tinham recebido, para procederem à devolução dos mesmos.
Em seguida, reclamações atrás de reclamações, e até ao presente momento, ainda não fui notificado da reclamação por mim apresentada.
Contudo, o blog informou ou deu já notícia que alguns Colegas já tinham sido notificados relativamente ás reclamações apresentadas, e hoje informa que já houve Colegas que na folha de vencimento do corrente mês, já teriam recebido o valor reformulado pela interpretação da Illuminatum Directora Geral.
E o(s) sindicato(s) diz(em) estar a ultimar as ações judiciais, mas que, vai continuar a dialogar com DGAJ, a fim de chegarem a bom porto através de uma transação.
Eu pergunto, TRANSAÇÃO? Que TRANSAÇÃO? Para quê e porquê TRANSAÇÃO.
Transações são feitas nas acções, no JLCível onde exerço funções.
De todos os intervenientes que deveriam defender, zelar, e como não poderia deixar de ser, exigir, dos funcionários/oficiais de justiça/técnicos de justiça, o que é que vemos?
Volto ao início do texto, mentiras, inércia, desconsideração ...
E vão dois
ResponderEliminarEra preciso ter tomates soltos para executar a sentença.
ResponderEliminarSempre a ser enganados e continuaram e continuam a gostar do engano.
Se executassem tinham já o problema resolvido que agora levará mais uns anos a resolver.
muitos de nós morrem sem ver o problema resolvido
Explique lá isso, que não se percebe nada.
ResponderEliminarEssa da transação merecia um esclarecimento sem duvida.
ResponderEliminarSr articulista tem opinião que ajude a esclarecer esse significado de transação no caso em concreto?
eventuais roubados, transação?
podem explicar?
obrigado
Ao comentário das 13:16:
ResponderEliminarO blogue não diz nada disso que escreveu e, por favor, não volte a adjetivar ninguém em concreto com expressões pejorativas.
Ao comentário das 13:27:
ResponderEliminarJá aqui foi apreciada essa questão da transação. Trata-se de alcançar um acordo (mais um) e, como todos sabem, num acordo há sempre cedências de ambas as partes. Impõe-se a dúvida: qual será a cedência dos Oficiais de Justiça?
Obrigado Sr Articulista,
ResponderEliminare pois parece-me que, assim ser, a cedência dos OJ´s só poderá ser aguentar no tempo, mais ainda
Não sei se aguentarei, isto tira-me a saúde
Ex eventuais desagradados, ex auxiliares desagradados, ex adjuntos 3º e 6º escalão desagradados, ex adjuntos no geral desagradados ... todos, todos os OJ desagradados, e todos, repare-se, TODOS prejudicados, financeiramente, mas não só!...
ResponderEliminarComo é que se resolve isto?!
Falo a sério - como é que se resolve isto?
abraço
Na grande maioria dos tribunais, nem o telefone atendem...
ResponderEliminarEssa dos ex-adjuntos despromovidos tem muito que se lhe diga. Foram a provas de conhecimento ou só foram para essa categoria por via da antiguidade? Os tais que se sacrificaram não tinham outros Colegas com a mesma disponibilidade de "sacrifício" só que não foram colocados em face da antiguidade? E os tais ex-auxiliares quando exerceram as aludidas funções de "adjunto" foram remunerados como tal? Haja decoro no reiterado sentimento de "despromoção" e sejam honestos intelectualmente pois todos e desde há muito tempo sabiam que não fazia nenhum sentido a distinção entre tais categorias. A não ser que, arrogando-se sobre a questão da antiguidade, questões umbiguistas sejam agora utilizadas para uma aparente vitimização quando sabemos que o referido argumento (antiguidade) que tem sido o cancro desta Classe.
ResponderEliminar16:06
ResponderEliminarEu já fiz a minha parte, mudei de sindicato.
SFJ e SOJ!
a DGAJ está insolvente!
ResponderEliminar
ResponderEliminarComentário 18:02
Há aqui quaquer coisa que não percebo, a sério que não!...
Há quantos anos há adjuntos? Quem eu me lembre, não sei se com essa designação, desde sempre!
Mas qual é o problema de ser, ou ter sido, adjunto?!!
Para ser ser adjunto há que ter sido anteriormente auxiliar, que, no meu tempo de início, era escriturário!
Portanto, o adjunto era aquele que tinha progredido da categoria que imediatamente antecedia.
Qual é o problema?!!
É assim aqui, como em muitos, muitos lugares da administração pública, ou até do setor privado!
Qual é o problema?!!
Eu quando era auxiliar aspirava a ser adjunto, tal como todos os outros, antes, na mesma altura, ou depois de mim!...
Qual é o problema?!!!
Se dissesse que era inveja, todos ficaraiam desde logo bloqueados que nem sequer pensariam no que aqui estou a expor, portanto não o vou dizer ...
... mas, sinceramente, qual é o problema de ter sido adjunto?!!!
Pensava que era o que todos, ou quase, aspiravam quando entravam na carreira.
Eu fui um pouco mais humilde, e aguardei largos anos até ter a oportunidade de ser adjunto!
Sei o que é ser escriturário, auxiliar, e ver algumas das injustiças que descreve, mas não se aplica a todos os adjuntos, pois não?
Por isso, e por fim, qual é o problema?!!
ResponderEliminar18:02:
ResponderEliminarCancro desta classe são os que querem " trepar" por cima dos outros a toda a força.
O colega devia saber que nāo dependeu só da antiguidade a promoção a adjunto, devendo ler bem o estatuto e nāo vir com balelas para confundir incautos.
Os Escrivães Adjuntos foram mesmo despromovidos, têm razões para recorrer a Tribunal e justiça lhes será feita porque estamos num Estado de Direito.
E sim, desde sempre sabiam que fazia todo, muito, enorme sentido, a distinção entre as duas categorias. Assim também entendeu o legislador em agosto de 1999. Só o comentador assim não o entende, vá-se lá saber porquê, sendo que, nem é preciso pensar muito para chegar ao motivo do seu descontentamento. Mas deve queixar-se sim, dos que durante anos bloquearam as promoções, em nome da poupança nos meios humanos.
E não há vitimização, há razāo ( dos Adjuntos).
Não foi só a antiguidade ?
ResponderEliminarQue ideia!
A maioria se tivesse sido sujeita a provas de avaliação, ainda estava na categoria de origem.
Curioso que não vejo o mesmo argumento ser utilizado a propósito dos principais que foram/são nomeados com critérios ad hominem. Vejam o caso do Porto em que o ex-administrador abriu procedimentos para o preenchimento de lugares de chefia e acabou por atribuir alguns a funcionários que nem sequer haviam concorrido aos lugares e outros a funcionários que preenchiam os critérios que só surgiram depois da nomeação. Já vi decisores políticos a serem detidos por menos
ResponderEliminarSomos 2
ResponderEliminarSó por idiotice ou má por má fé pode afirmar
ResponderEliminarTudo o que anónimo das 18:02 disse é verdade, toda a gente o sabe, o colega inclusive.
Ninguém o que despromover apenas que execute as suas novas tarefas ombro a ombro com os seus colegas, que nada menos são que senhor.
quem disse que há algum problema em ter sido adjunto?
ResponderEliminarSó tem que se adaptar aos novos tempos amigo!
Isso já não existe mais, finito!
Nova categoria novas funções (aliás, em bom rigor, as mesmas) e siga para bingo!