O furacão Gabrielle para hoje e os tribunais dos Açores

      O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), como autoridade meteorológica, informou da aproximação do ciclone tropical Gabrielle dos Açores, avisando que poderia atingir a categoria de furacão de categoria 1, trazendo consigo ventos fortes, chuvas intensas e risco elevado de inundações e danos materiais.


      De acordo com o IPMA, nas ilhas do grupo Ocidental e nas ilhas do grupo Central, estarão em vigor avisos vermelhos e o continente será atingido durante o fim-de-semana.


      Tendo em conta a informação meteorológica, são esperadas condições meteorológicas adversas, em especial nos grupos Ocidental (Flores e Corvo) e Central (Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial), referiu o IPMA.


      As ilhas dos grupos Ocidental e Central dos Açores vão estar sob aviso vermelho devido a precipitação forte, agitação marítima e vento; em vigor a partir da noite de quinta-feira, devido à aproximação do ciclone.


      Nas ilhas das Flores e do Corvo, o aviso vermelho para precipitação forte vigora entre as 21:00 de quinta-feira (22:00 de Lisboa) e as 06:00 de sexta-feira.


      O IPMA emitiu ainda um aviso vermelho para agitação marítima, para o período entre as 00:00 e as 09:00 de sexta-feira, com ondas de sudoeste, passando a norte, podendo a onda máxima atingir os 14 a 18 metros.


      Quanto ao aviso vermelho relativo ao vento para estas duas ilhas, vigora das 00:00 às 06:00 de sexta-feira, soprando este de leste, rodando para norte.


      Nas ilhas Terceira, Faial, Pico, São Jorge e Graciosa, que constituem o grupo Central, há um aviso vermelho para vento (com direção de sul, rodando para noroeste) que vigora das 00:00 às 09:00 de sexta-feira.


      O IPMA emitiu também, para o mesmo grupo, um aviso vermelho, válido entre 03:00 e as 12:00 de sexta-feira, relativo à agitação marítima, com ondas de sudoeste, passando a noroeste, podendo a onda máxima atingir os 14 a 18 metros.


      O Governo Regional determinou que, devido à aproximação do Ciclone Tropical Gabrielle, a partir das 18h do dia 25 de setembro (quinta-feira) e até às 18h do dia 26 de setembro (sexta-feira), estarão encerrados todos os serviços e organismos públicos, localizados nas ilhas dos grupos ocidental (Flores e Corvo) e Central (Terceira, São Jorge, Pico, Graciosa e Faial).


      A exceção será a relativa aos serviços considerados urgentes e essenciais, nomeadamente, hospitais, centros de saúde, serviços de proteção civil e serviços complementares à ação de proteção civil, assim como os demais considerados pelas respetivas tutelas governamentais.


      Para todos os residentes e visitantes e para todas as ilhas, recomendou o Governo Regional que cada um assegure para si as melhores medidas de autoproteção. Não sendo possível evitar o furacão, é possível, no entanto, reduzir a exposição de cada um ao risco. Assim se lia na nota divulgada pela Presidência do Governo Regional.


      Quer isto dizer que nos Açores, desde ontem, todos se mobilizaram, rapidamente, para se protegerem, reforçando o fecho de portas e janelas, retirando objetos soltos das varandas ou jardins, que possam ser projetados pelo vento, bem como outros bens que possam ser afetados ou causar prejuízos. Também os telhados careciam de atenção e atenção também para as zonas sujeitas a inundação.


      Perante toda esta mobilização e decisões do Governo Regional, como o encerramento de todos os seus serviços públicos, anúncios à população feitos desde quarta-feira, o que é que aconteceu nos tribunais e nos serviços do Ministério Público dos Açores? Na quinta-feira, ainda nada se sabia.


      Com toda a agitação da população e com o encerramento dos serviços, a população iniciou a sua preparação para suportar o evento meteorológico, menos os trabalhadores dos tribunais e dos serviços do Ministério Público, que nem sequer conseguiam explicar às pessoas se as diligências agendadas para sexta-feira se fariam ou não e se os convocados deveriam comparecer ou não.


      Enquanto todos os serviços públicos fechavam e anunciavam que estariam fechados durante todo o dia de sexta-feira, nos tribunais e nos serviços do Ministério Público nada se dizia a ninguém.


      Os Oficiais de Justiça, preocupados por verem todas as pessoas a precaver-se e não podendo fazer o mesmo, designadamente, uma simples ida ao supermercado para aquisição de comida e bebida para ficar fechado em casa, lanternas e rádios, etc., e enquanto a Proteção Civil aconselha todos à permanência em casa, nos tribunais e nos serviços do Ministério Público dizia-se às pessoas que tinham de comparecer em tribunal.


      As pessoas compareceram ou telefonaram para as secretarias a perguntar se tinham de comparecer às diligências para as quais estavam notificadas. Os Oficiais de Justiça com filhos menores que não têm escola, não os podem deixar sozinhos em casa e desesperam por não saber que fazer, tal como quem tem ascendentes idosos dependentes.


      Ao longo do dia de ontem, não eram só os utentes que perguntavam, também os magistrados se dirigiam aos Oficiais de Justiça tentando saber o que fazer. Todos perguntam aos Oficiais de Justiça sobre o que fazer e os Oficiais de Justiça nada sabem.


      Os Açores passam por muitos fenómenos meteorológicos e sismos quase diários, pelo que se justificava que existisse para os tribunais um plano ou regulamento para estes casos e para que a decisão fosse a nível local muito mais rápida.


      Em comunicado, o Governo Regional dizia assim:


      «É fundamental que todos estejam atentos e sigam as orientações das entidades oficiais para garantir a segurança de todos.» E isto foi impraticável nos tribunais, porque não houve quaisquer orientações de forma célere.


      Ontem, durante todo o dia, as pessoas iam telefonando para os tribunais e para os serviços do Ministério Público para tentar saber o que haviam de fazer e ninguém sabia nada.


      Pais, técnicos sociais e menores com diligências na Família e Menores, advogados e órgãos de polícia, todos questionavam se as secretarias, no dia seguinte [hoje] estariam abertas e se as diligências se realizariam.


      Ninguém conseguia responder, porque nada se sabia, nem sequer uma informação prévia no sentido de se informar que o assunto estava a ser tratado e que a determinada hora ou no final do dia algo se diria… Nada! Um vazio informativo total.


      Em alguns locais, os Secretários de Justiça começaram a recolher nomes de eventuais voluntários para trabalharem no dia seguinte [hoje], para assegurarem uma espécie de serviços mínimos, enquanto outros ficariam dispensados, mas ninguém sabia nada, nem condições, nem horários, ninguém confirmava nada porque ninguém sabia o que quer que fosse.


      Os Oficiais de Justiça com descendentes ou ascendentes a cargo passaram o tempo a fazer telefonemas para tentar conseguir que alguém cuidasse dos seus dependentes, porque constataram que enquanto os outros serviços fechavam, o que foi devidamente e antecipadamente anunciado, nos tribunais e nos serviços do Ministério Público ninguém sabia de nada, pelo que começaram a preparar-se para comparecer ao serviço, como se nada.


      Na quarta-feira à tarde, pelas 16 horas, o encerramento dos serviços regionais fora anunciado, enquanto que nos tribunais, na véspera do fenómeno meteorológico, ontem quinta-feira, ainda nada fora anunciado.


      Entre outros, os Oficiais de Justiça desesperavam e só pelas 15H00 de ontem, cerca de 24 horas após a comunicação das decisões do Governo Regional, e após os muitos protestos, especialmente mais vincados pelos advogados e Oficiais de Justiça, dizendo alto-e-bom-som que a falta de decisão e informação era uma vergonha, é que lá acabou por surgir uma decisão.


      O despacho do juiz presidente da Comarca dos Açores conclui assim:


      «Face ao sensível e previsível agravamento do estado do tempo a partir da noite de hoje e para uma parte significativa do dia útil de amanhã, e as preocupações (e riscos) geradas em (e para) toda a comunidade, elementares cautelas impõem o encerramento dos serviços do tribunal nos juízos sediados nas ilhas dos grupos central e ocidental do arquipélago dos Açores durante todo o dia de amanhã (dia 26 de setembro), sem prejuízo de ser assegurado o serviço estritamente urgente, nomeadamente o que consta do art. 53.º/1 RLOSJ.


      Assim, ouvida a Senhora magistrada coordenadora do Ministério Público e o Senhor administrador judiciário, determino, ao abrigo do disposto no artigo 94.º, § 2.º, al. a) da LOSJ, o encerramento dos serviços do tribunal nos juízos sediados nas ilhas dos grupos central e ocidental do arquipélago dos Açores durante todo o dia de amanhã (dia 26 de setembro).


      Cada Senhor juiz titular curará, dentro desses limites, do eventual serviço urgente. O Senhor administrador judiciário determinará os funcionários que em cada núcleo da secretaria assegurarão o serviço urgente.


      Comunique-se de imediato à Senhora magistrada coordenadora do Ministério Público e ao Senhor administrador judiciário e, pelo meio mais célere, a todos os magistrados e funcionários do Tribunal e da Procuradoria dos Açores pertinentes aos Grupos Central e Ocidental do arquipélago, bem como à Ordem dos Advogados, aos comandos e diretoria das polícias, à DGRSP e à segurança social. Comunique ao Conselho Superior da Magistratura e à DGAJ, com cópia, e aos órgãos de comunicação da Região.»


      Esta decisão foi divulgada quase 24 horas depois da decisão do Governo Regional e obrigou os Oficiais de Justiça, os magistrados, os advogados, todos os demais operadores judiciais e judiciários, bem como os utentes, a imensas perguntas e insistências, a combinar alternativas para os seus dependentes, e tantas outras preocupações que poderiam ter sido evitadas.


      Ora, não sendo situação inédita e estando os Açores sujeitos não só a estes fenómenos meteorológicos como a outros fenómenos naturais graves, as decisões carecem de óbvia maior celeridade.


FuracaoGabrielleSET2025.jpg


      Fontes: entre outras: “Governo dos Açores” e “Jornal Açores 9”.

Comentários

  1. Continua a mentalidade dos dirigentes nos tribunais de pensarem que são especiais e mais importantes que outros serviços publicos. Sempre foi assim.

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  2. Infelizmente os Governos Regionais nada mandam quanto aos Tribunais. 

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  3. Gestão comarca da treta.
    Sorvedoiros de dinheiro

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  4. Só mostram a consideração que têm por nós.
    Gestores assim? gerem o quê?

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  5. Anónima da hora do chá26/9/25 10:02

    A Madeira que se cuide...

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  6. Sim como o inverno a chegar, vai arder! 

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  7. Caros, quando é a próxima reunião entre os sindicatos e o MJ?


    Obrigado.

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  8. Espetem com isso na cara dos sindicatos!!!

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  9. Nos Açores é sempre a mesma coisa.
    Os Tribunais são sempre os últimos a decidirem alguma coisa.
    Certamente quem manda na Comarca é alguém muito ocupado que não tem tempo para decidir...
    Se fosse para chatear alguém com estatísticas já havia gente de sobra...
    Acima de tudo é uma falta de respeito com as pessoas que por exemplo tem julgamentos marcados e não sabem de devem ir, ouvem na televisão que os serviços públicos estão encerrados, telefonam para o Tribunal a perguntar e ninguém sabe da nada.
    Falta de respeito com os Oficiais de Justiça e as suas famílias que têm que esperar até à última para saber se vão ou não trabalhar.
    Nos sismos é a mesma coisa.
    Não há planos de evacuação, não há um manual de procedimentos, não há nada.
    Uns ficam dentro dos edifícios dos Tribunais, outros vão para a rua, e entre telefonemas para as famílias a perguntar se está tudo bem, os cidadãos, testemunhas, advogados, arguidos, perguntam aos Oficiais de Justiça se os julgamentos sempre se realizam e mais uma vez, ninguém sabe nada, fica ao critério de quem manda mais no momento....

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  10. Calma que ainda não regressaram de Viena de Áustria!


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  11. Realmente os Tribunais são um mundo à parte...




    Sem mais palavras para descrever tudo isto.

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  12. Adam Astor the 326/9/25 13:27





    https://www.ipma.pt/pt/media/noticias/news.detail.jsp?y=2025&f=Epoca_nomeacao_tempestades_2025_2026.html

    https://www.ipma.pt/pt/media/noticias/news.detail.jsp?y=2025&f=comite_furacoes.html

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  13. Anónima da hora do chá26/9/25 13:49

    A Madeira que se cuide... Qualquer dia também tem furacões....

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  14. Tratamento vergonhoso mesmo.
    Cada vez tenho mais aversão a  esta profissão.

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  15. Sim, mas apenas responsabilizando quem tem a culpa de as coisas serem assim, se poderá aspirar a questas mudem!


    Já por aqui disse mauitas vezes, ofendendo os virginais oficiais de justiça, que há muitos, muitos colegas, que pensam esta coisa da justiça como tal "mundo à parte" que refere.


    Alguns julgam-se especiais por desempenharem funções num Orgão de Soberania, elevando a "coisa" a um quase estatuto de vaca sagrada.


    A esses nossos colegas digo, caiam na realidade, e vejam bem, no dia a dia, o mundinho a que pertencem!...


    E mais não digo ...

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  16. Eu soube do encerramento pelo blog, por por via oficial nada me chegou.
    Visite-se a página: https://comarcas.tribunais.org.pt/comarcas/comarca.php?com=acores, e...

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