Quando tudo falha, e falha mesmo, falhamos todos

      O problema dos incêndios em Portugal é de uma grande complexidade, porque nele confluem demasiados fatores que não têm sido objeto de grande atenção ou alteração. Desde o combate aos fogos e à prevenção, há que somar a legislação já desadequada e, claro, também as mentalidades e hábitos enraizados que urge alterar, não só nas pessoas comuns que, por exemplo, realizam queimadas ou outras atividades de risco, mas também nas pessoas que exercem papéis fundamentais na área da justiça.


      Passado o verão e deixando os incêndios de ser notícia nos telejornais, o problema continua inverno adentro nos tribunais e nos Departamentos de Investigação e Ação Penal (DIAP). O problema nacional dos incêndios dura todo o ano nos tribunais.


      Vejamos alguns dados.


      O Ministério Público abriu, no ano passado, mais de cinco mil inquéritos por crimes de incêndio florestal, mas só 5,4% destas investigações acabaram em acusação e 85% foram arquivadas. São números muito preocupantes que demonstram que o combate à criminalidade está tão inoperante quanto pode estar o combate no terreno aos próprios incêndios.


      Tudo falha, tanto o combate ao fogo pelos bombeiros, como o combate ao mesmo fogo pelos tribunais e pelo Ministério Público.


      Em concreto, informou a PGR à Lusa, os dados do ano passado (2024) revelam 5572 inquéritos iniciados pelo crime de incêndio florestal. É um número enorme, mas, espantosamente, deste mar de inquéritos, apenas uns poucos, tão poucos quanto 299 acabaram com dedução de acusação, isto é, o equivalente a 5,4% dos inquéritos.


      Mais indicou a PGR que houve 446 casos em que foi aplicada a suspensão provisória e que os 4747 inquéritos que acabaram arquivados, correspondem a 85% do total das investigações abertas.


      Mas se estes números podem deixar o leitor boquiaberto, saiba que nos anos anteriores tudo foi pior. Se em 2024 foram iniciados os tais 5572 inquéritos, em 2023 foram 7367 e antes, em 2022, foram 8588.


      Menos inquéritos, mas fogos mais dramáticos, enormes, com prejuízos elevadíssimos e mesmo com mortes associadas.


      O Estado falha com a problemática dos incêndios em toda a linha, desde os bombeiros à justiça.


IncendioJuizUsaTogaCombateFogo.jpg


      Fonte, entre outras: “Lusa/Observador”.

Comentários

  1. Quim Ferno21/9/25 08:30

    O estado falha em tudo. Saúde, educação, segurança, justiça, transportes, custo de vida, habitação, legislação.
    Será este o preço da democracia?

    ResponderEliminar
  2. Quando a justiça falha num sistema democrático,


    FALHA TUDO

    ResponderEliminar


  3. Enquanto as autarquias não tiverem uma "secção" de operadores de drones no ar durante o verão será sempre a piorar...


     

    ResponderEliminar
  4. Bem observado, falha mesmo em tudo.
    Só  não  falha no compadrio politico  e negociatas que enche os bolsos dos políticos,  amigos do costume e grandes empresários  e banqueiros. 


    Ladroagem 
    O povo continua cego.

    ResponderEliminar
  5. Nunca desistir!

    ResponderEliminar
  6. Porque é  que há  décadas  que se pagam milhões  a empresas particulares por aluguer de aviões  e estado não  investiu numa frota própria  que, mesmo a crédito,  agora já  era nossa e pilotada pela nossa força  aérea?
    Preferem  encher os bolsos de empreas particulares.


    Tal sucede  com as rendas milionárias  que estado paga  por edifícios  de tribunais enchendo o bolso  de particulares e nunca é  do estado. É  só  particulares a lucrar.


    Porque se gere o país  desta maneira??


    Ladroagem  de governação  mesmo!


    E não  passamos  disto


    Fod---

    ResponderEliminar
  7. Bem observado. 
    Triste realidade de gestão  do país. 


    E o ministério  público dito  garante da legalidade faz o quê?


    Tristeza mesmo. 

    ResponderEliminar
  8. O mesmo com a saúde.  Urgencias fechadas, hospitais sem médicos e pessoal. Tudo deliberado e intencional para manter a saude com maus serviços para assim justificar e vir dizer que a gestão privada é que é eficiente, então toca a dar os serviços aos privados através das conhecidas PPPs que não são mais do que negociatas para esbanjar dinheiros publicos para certas empresas privadas.
    Está na cara que estas transferencias descaradas do nosso dinheiro é para os amigos. 
    Mas estes politicos pensam que andamos a dormir e não topamos o golpe? Bem, na verdade ainda há muita gente a dormir e toleram tudo ao seu partido do coração.  Esta fidelidade aos partidos ainda é pior que aqueles doentes pelo seu clube.

    ResponderEliminar
  9. Falta dizer  a grandes escritórios  de advogados


    Grandes sanguessugas 

    ResponderEliminar
  10. Desistir?
    Sou dos roubados de 2001 a 2004. 
    1 escalão  roubado.
    Só  depois de morrer desistirei.

    ResponderEliminar
  11. Secção  de gente séria  isso sim

    ResponderEliminar
  12. Brm visto.
    Triste mesmo.
    E ministério  público  quer é  o seu no final fo mês. 
    Acordem escravos

    ResponderEliminar
  13. Pergunte so costa porque  aproveitou a primeira  oportunidade para abandonar.
    E tomar culpas ao predidente da República. 
    Pergunte!!!

    ResponderEliminar
  14. Nao se preocupem, há uns quantos iluminados que emprenham pelos ouvidos, que asseguram que votando no Andrezito, ele vai aproveitar a sua experiência com os envolvidos no caso tutti fruti, para fazer uma boa gestão dos recursos do Estado.
    Tudo gente de bem de alto gabarito.

    ResponderEliminar
  15. Contonua com os teus costas e coelhos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ministério da Justiça já tem novos mapas de pessoal da 1ª instância

A carreira dos Oficiais de Justiça é a terceira mais envelhecida da Administração Pública

Mais um acordo assinado e foi “uma grande vitória” e foi “o que se conseguiu”, diz o SFJ