Resultado do inquérito para a constituição do novo sindicato STJP

      No início de agosto, em plenas férias pessoais da maioria dos Oficiais de Justiça, aqui divulgamos a iniciativa de constituição de um novo sindicato, com apresentação da denominação e dos dois projetos de estatuto para apreciação.


      O momento da divulgação daquela iniciativa não foi o mais apropriado, tendo passado despercebido a grande parte dos Oficiais de Justiça. Por isso, no início de setembro, os mentores da iniciativa solicitaram-nos nova divulgação, porque receberam poucas reações em agosto, e porque pretendiam apurar se os Oficiais de Justiça têm mesmo interesse no nascimento de um terceiro sindicato. Nesse sentido, foi elaborado um inquérito “online”, que visava aprofundar o conhecimento do interesse dos Oficiais de Justiça sobre a constituição do novo sindicato, inquérito esse divulgado no início de setembro e cuja vigência terminou este fim de semana.


      O projeto do novo sindicato que se denominaria como: “Sindicato dos Técnicos de Justiça Portugueses” (STJP), indicou também a seguinte caixa de correio eletrónico para as comunicações: tecnicosdejusticaestatuto@gmail.com


      O resultado do tal inquérito “online” foi-nos agora remetido e vamos a seguir divulgar algumas das respostas mais relevantes.


      As participações no inquérito tiveram origem em quase todas as 23 comarcas do país, bem como em tribunais superiores e ainda de quem se encontra em comissão de serviço noutros serviços, o que torna a participação muito representativa da diversidade da realidade do país.


      No que se refere às categorias profissionais, como seria expectável, 82% dos inquiridos são Técnicos de Justiça, sendo que a maioria, cerca de metade dos participantes, tem entre 20 a 30 anos de serviço.


      Em relação à formação académica, 53% responderam possuir o ensino secundário, 40% licenciatura e 7% uma pós-graduação, mestrado ou doutoramento.


      À pergunta se era membro de algum sindicato no presente, a resposta obtida foi afirmativa para 55% dos participantes e, portanto, 45% respondeu não ser membro de nenhum sindicato. Daqueles que responderam afirmativamente a ser membros de um sindicato, quase 60% afirmaram também não ter tido qualquer participação em atividades sindicais.


      Quando questionados sobre a possibilidade de poder vir a integrar um novo sindicato representativo dos Técnicos de Justiça, a maioria (79%) respondeu afirmativamente, enquanto que 21% responderam não ter interesse nessa adesão.


      As principais áreas sinalizadas como prioritárias para um novo sindicato de Técnicos de Justiça, foram, por quase metade dos inquiridos, as questões salariais, enquanto cerca de 20% referiram como prioritário a melhoria das condições de trabalho, seguindo-se 10% que escolheram o apoio jurídico.


      Sobre o valor da quota mensal, as opiniões estão muito divididas: cerca de 28% considera que a quota deveria ter um valor até 5 euros; 26% considera que seria adequada entre os 5 e os 10 euros, enquanto que 14% opta por um valor entre 10 e 15 euros e quando o valor se expressa em percentagem do salário ilíquido, 21% opta por 0,75%, enquanto que 11% opta por um desconto de 1%.


      Na questão sobre a forma de receber informação sindical, mais de 77% indica o e-mail como via preferencial e em segundo lugar, com 13%, estão as redes comunicacionais como o WhatsApp ou o Telegram.


      Nos espaços de comentários de escrita livre, foram colocadas muitas mensagens que, em síntese, abordam todas as problemáticas conhecidas da atualidade e se dividem em duas opiniões essenciais: os que consideram que não há necessidade de mais nenhum sindicato, considerando que os dois existentes são suficientes, e os que consideram que um novo e “com mais garra” faz falta.


      No e-mail que nos foi remetido a comunicação termina indicando a muito baixa participação no inquérito – que quase chegou à centena, o que é muito pouco no universo de Oficiais de Justiça existentes (a 01JUL2025 eram 7491 elementos), portanto, uma participação que rondou apenas 1% dos Oficiais de Justiça, que é considerada como uma “adesão insuficiente para fazer qualquer análise capaz de equacionar passar a fase seguinte”.


      Portanto, podemos considerar esta iniciativa como mais uma que se frustrou e que já é a terceira, a saber: Em 2018 o Sindicato Nacional dos Oficiais de Justiça (SNOJ), em 2021 o Sindicato dos Funcionários do Ministério Público (SFMP) e em 2025: Sindicato dos Técnicos de Justiça Portugueses (STJP).


      Outras iniciativas também surgiram, sem uma intenção expressa de se constituírem como sindicatos, como em 2003 a Associação de Oficiais de Justiça, entretanto extinta, ou o caso, em 2023, do movimento de tendência dentro do SFJ, que se designou como JUSTA – “Justiça, União, Superação, Transparência e Autenticidade”. Movimento interno que tinha como propósito a mudança, mas desde dentro. De todos modos, não pode deixar de se contar estas iniciativas associativas de Oficiais de Justiça, a que se seguiram dois anos pródigos em iniciativas individuais ou de pequenos grupos de Oficiais de Justiça, com uma grande diversidade de ações, como cartas-abertas, abaixo-assinados, acabando alguns na Assembleia da República, local onde também houve audições, concentrações e vigílias com acampamento incluído.


      Quanto aos dois sindicatos ativos e em pleno exercício de funções, o SOJ e o SFJ, o primeiro constituiu-se em 29-11-2005, completando este ano 20 anos redondos de existência, e o segundo, o mais antigo e que foi único até 2005, o SFJ, completou este último mês de junho (a 30JUN) 35 anos de existência desde a unificação nacional (ocorrida a 30-06-1990) dos 4 sindicatos regionais existentes até então, e desde 1976 (Lisboa, Évora, Coimbra e Porto), denominados “Sindicato dos Trabalhadores Judiciais do Distrito Judicial de...” (O Distrito Judicial de Lisboa incluía as regiões autónomas).


      Como curiosidade fica o pormenor de que os referidos sindicatos extintos, relativos aos também extintos distritos judiciais de Lisboa e Évora, foram criados a 29-09-1976, o de Coimbra a 19-10-1976 e, por fim, o do Porto, a 21-01-1977.


      Passaram quase 50 anos de sindicalismo em democracia, desde a criação do primeiro sindicato dos Oficiais de Justiça e, em todo este período, apenas mais um sindicato vingou, até ao momento, o que é manifestamente pouco e é tão pouco que se converte em fenómeno muito redutor das pessoas que integram a carreira, carreira esta que tem tido um percurso tão especial, tão cheio de vicissitudes e com tanta perda.


Emblema=STJP.jpg

Comentários

  1. O pessoal está  cansado de mentiras, tal como na politica, e desliga-se nem sequer vota.
    50 anos de sindicalismo e vejam onde está  a carreira. Sempre a regredir. 
    É  só  negociações  da treta.
    Eu sondicalizei-me fora do sfj e sof, mas apenas para ter aconselhamento e deseja juridica em tribunal  na área  administrativa com juristas competentes.


    Tudo resto cansei.

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  2. Daqui por dois anos, quando, a grande maioria chegar à conclusão que o acordo assinado pelos sindicatos foi um grande embuste acredito que de forma natural vai aparecer um novo sindicato.

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  3. NUnca desistir!!! contra o oubo!!

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  4. Daqui a 2? ou quis dizer 20 anos?


    ehehhe


    acordem tótós

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  5. 9:02
    Já somos dois.

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  6. sou muito crítico dos Colegas que não manifestam qualquer interesse na carreira. Mas, neste caso em concreto, não posso concordar. A pouca adesão deve-se simplesmente ao facto de só ter sido conhecimento da criação deste sindicato e iniciativa através deste blog. 

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  7. Posso ir embora???22/9/25 11:50

    Não nos podemos esquecer que a própria carreira, influenciada pelo estatuto, criava a ideia de que sem grande esforço toda a gente, bons ou não, chegariam ao topo.
    Enquanto andávamos distraídos e com a cabeça enfiada na areia, com a incapacidade e incompetência dos sindicatos que nos representam, a realidade avançava para realidades com as quais, só agora estamos a ser confrontados. A média de idade dos OJ e o seu atávico comodismo não permite exigir e escolher os melhores para nos representar. Esta indiferenca e desnorte, deixando o nosso futuro nas mãos de quem já provou não ser capaz de nos representar em condições, só vai piorar a nossa situação no futuro. Continuaremos a recusar a realidade e a escolher o comodismo até estarmos todos de cócoras. Os indicios estão aí. Também nós almejamos um "D.Sebastião".

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  8. Este ano nem MOVIMENTO nem CONCURSO!!!! Setembro está a acabar.... Que vergonha. 

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  9. sim sim, insiste aqui neste blogue que alguém te ouve um ano destes.
    Já agora, aproveita e pede mais qualquer coisa, estás a ser muito modesto.

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  10. Só de olhar para o logotipo fico logo com pé de galinha.
    Posso estar equivocado, mas um Chegano conservador fica bem ao lado dele.
    Vai de reto!

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  11. Carreira? qual carreira?

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  12. Eu quero é saber de mim.
    Largar isto o mais rápido que possa.
    Escravatura e maus tratos não , obrigado.
    E muito menos Roubo de 2001 a 2004.

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  13. Estou deveras interessado na adesão a um novo sindicato.
    Desvinculei do SFJ após o Grande Embuste.
    É preciso gente nova, sem amarras.
    E acima de tudo, tem que ser pessoas que não estejam "presas" ao novo estatuto.
    Para se ter independência não se pode ter assinado ou pertencer a uma organização que assinou o acordo assassino.
    Gostava de saber quem são as pessoas e desde já, se querem ser sindicalistas, não há tachos nos partidos.
    Independência.
    Querem ser políticos, muito bem.
    Cessam a atividade sindical.
    Abraço.

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  14. enfim o quê? 
    não gostas engole

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  15. Movimento sem estar corrigida a lista de antiguidade cheia de erros?

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  16. Para


    Queixa-te ao costa e ao passos e ao portas, não gostas?

    Engole, já que a inteligência está toda do teu lado

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  17. Mariana, és tu ?...

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  18. Ir de reto é perigoso!

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  19. seus burros e palermas

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  20. És tu mestre?

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  21. Há  mais.
    Gente que não  se reve em sindicalismo deste e opta por sindicalizar em quem  sente mais apoio.

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  22. Mais nada!


    Eu continuo  de baixa.
    Ganho mais que a trabalhar. 

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  23. Deves estar orgulhoso, tu e mais umas centenas que estão há anos de baixa.

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  24. Existem muitos chunganos nos tribunais, não é só nos OPCs, falam mais do líder da seita do que trabalham, ninguém diz nada, é como se fosse natural serem xenófobos e racistas entre as quatro paredes da justiça. 

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  25. Uma curiosidade:
    Caso ganhem umas camaras municipais e juntas como se prevê, vão finalmente ganhar coragem para sair do armário e mostrar a carinha nas ruas para comemorar?
    Têm seguranças suficientes, ou só se mostram ao lado do André Tutti Fruti?
    É que sabem, há muita gente ansiosa de vos conhecer fora das redes sociais.
    Vá lá, venham divertir-se!

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  26. Só vejo e oiço pessoal a chorar e a lamentar - se. Francamente já enjoa! Bem ou mal (e estou à vontade para falar, porque me desfiliei do SFJ após 34 anos) mas conseguiram que o pessoal que entra nos Tribunais vá logo receber 1500 € por mês. O mesmo que um arquitecto ou engenheiro ou advogado numa autarquia ou serviço do estado! Se não estão satisfeitos, vão exercer advocacia num escritório a ganhar 800 ou 900 mês e a fazer de moços de recados ou, se têm o 12º ano,  vão para assistentes operacionais no IML, a abrir cadáveres... 

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  27. Este sindicato é dos técnicos de justiça. os escrivães ficam de fora? Então não é o sindicato de todos todos todos

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  28. Os cadáveres não hão-de chatear muito! Como se concorre ao IML? Através da bep? É o que o dinheiro não é tudo... se depois tenho de entregar grande parte em serviços médicos, privados,  como se sabe.

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  29. O colega tem muita muita, para muitos de nós só há força para ir levando 1 dia de cada de vez. Estou a falar de mim, claro- mas vejo/ouço muitos na mesma situação.  Ao fim de 25 anos, vejo- me cada dia a empurrar-me a mim ao longo da semana, para chegar até fim- sem ir pedir " baixa", sem desatar a chorar a público, sem dar 1 resposta torta ao chefe, e outra ao colega " espertalhão ", ou fugir a meio da tarde, ou atirar-me do telhado do tribunal. Lamento, só tenho forças para me ir empurrando até ao fim da semana. 

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