Como as Obras-de-Santa-Engrácia

      Hoje, 22OUT, a partir das 09H00, haverá mais uma reunião dos dois sindicatos com elementos do Governo, em mais uma sessão tendente à elaboração do super mega Estatuto que um dia sebastiânico deverá estar concluído, surgindo numa manhã de nevoeiro para espanto geral.


      A construção do novo Estatuto está a correr como as Obras-de-Santa-Engrácia, expressão popular que se refere à construção da igreja da capital que teve início no século XVI e cujas obras só se concluiriam 4 séculos depois, em pleno século XX.


      Paralelamente, tendo em conta a demora atual e a previsão da continuidade das reuniões, tal como têm sucedido até aqui, sempre inconsequentes, todos os Oficiais de Justiça já só ambicionam que na mesa das reuniões se decidam no imediato as questões pendentes que injustiçam tantos e que essencialmente resultam das mais recentes alterações introduzidas na carreira.


      Diz o SFJ assim:


      «Sem prejuízo de o SFJ pugnar nesta reunião, uma vez mais, pela correção de várias situações e matérias decorrentes do DL 27/2025, relembramos que estas reuniões se inserem num processo negocial amplo, faseado e contínuo, que exige tempo, coerência e firmeza, no sentido de garantir um Estatuto justo e que valorize, efetivamente, a carreira especial de Oficial de Justiça.»


      Traduzindo: diz o SFJ que os Oficiais de Justiça devem ter mais paciência.


      Conclui a nota informativa do SFJ assim:


      «O Sindicato dos Funcionários Judiciais mantém-se atento e determinado, reafirmando o compromisso de defender todos os colegas e todas as matérias que afetam a carreira, até à concretização de soluções justas e duradouras.»


      Entretanto, o Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) divulgou ontem uma nota informativa, na qual relata os assuntos abordados numa reunião havida com esse sindicato na passada sexta-feira e a diretora-geral da Administração da Justiça.


      Relativamente ao assunto dos Eventuais/Provisórios, daqueles que estiveram 4 anos como Eventuais sem passar por um período probatório e a duplicidade de decisões das duas últimas administrações da justiça, refere o SOJ o seguinte:


      «É do conhecimento público que a Senhora Diretora-geral apresentou um projeto de despacho sobre a matéria da eventualidade/provisoriedade que, no nosso entendimento, enferma de erro e, consequentemente, não deve ser proferido o despacho.


      Mas, sobre a matéria, a Senhora Diretora-geral informou que, sem prejuízo de poder proferir despacho em breve, aguarda eventual decisão do governo, uma vez que a questão foi apresentada pelos Sindicatos, durante o processo negocial.


      Assim, esta matéria será discutida em próxima reunião com o Governo, pois que o seu adiamento tem criado enorme “instabilidade”, até emocional, junto dos Oficiais de Justiça.


      O SOJ vai insistir no sentido de ser reconhecido, por via legislativa, o tempo de precariedade (eventualidade e “contratos”) de todos os oficiais de justiça.»


      No que se refere à declaração de inconstitucionalidade da não aplicação da recuperação dos dois anos e pico aos Oficiais de Justiça promovidos, consta da nota do SOJ o seguinte:


      «A declaração resulta de um pedido de inconstitucionalidade apresentado pela Procuradoria-Geral da República, acompanhando o requerido por este Sindicato, SOJ. Contudo, alcançada a declaração de inconstitucionalidade, nos termos conhecidos, cumpre ao legislador, Governo, determinar normativo que garanta o respeito pela decisão.


      Assim, e uma vez que a DGAJ, segundo nos foi transmitido, apresentou ao Governo os elementos tidos por convenientes, para que seja “cumprida” a declaração de inconstitucionalidade, compete a este Sindicato exigir ao Governo, em próxima reunião, que cumpra e se calendarize a resolução dos diversos processos pendentes.»


      Outro dos assuntos abordados teve a ver com a ainda falta de pagamento das diferenças advindas da reconstituição da carreira pela consideração do período probatório, para aqueles cujo período não foi considerado para a progressão nos escalões.


      Sobre este assunto, consta da nota do SOJ o seguinte:


      «Sobre esta matéria, e dado o tempo decorrido, é natural que possam surgir algumas dúvidas e questões novas, que não foram antes apresentadas.


      Ora, tendo surgido dúvida relativamente aos descontos, elas foram apresentadas à Senhora Diretora-geral que, de imediato, se comprometeu a analisar as situações apresentadas e, caso nos assista razão, a corrigi-las com a maior celeridade. Há ainda pagamentos em atraso, mas estão a ser processados.»


      Relativamente à gestão de recursos humanos, designadamente, os Oficiais de Justiça, e os recentes atritos nos núcleos, surgidos especialmente pela extinção das categorias e das duas carreiras, tal como aqui já abordamos em artigo recente, como o publicado a 15OUT, com o título: “E o Movimento que movimento trará?”, lê-se na nota do SOJ o seguinte:


      «Os pedidos de mobilidade, dentro dos próprios núcleos, têm aumentado, por razões que não importa aqui apresentar, mas que são sistematicamente recusados, sem que se apurem, para eventual correção de procedimentos, as situações. Muitas outras situações têm sido apresentadas, junto deste Sindicato, que revelam má gestão dos recursos humanos (RH), dentro das secretarias judiciais. Administrar ou gerir RH não é indeferir requerimentos ou condicionar, por meios diversos, a realização do trabalhador.


      É necessário bom senso, mas também formação contínua e adequada para quem gere RH.


      Sobre a matéria, a Senhora Diretora-Geral informou que a DGAJ tem um plano de formação preparado, não só para os cursos futuros, mas também para ministrar formação em liderança e gestão de recursos humanos.


      Ainda sobre a matéria, muitos são os colegas que, não obtendo resposta das Comarcas, remetem os seus pedidos para a DGAJ sem que, também aí obtenham, em tempo, respostas. Assim, fomos informados que a DGAJ prepara uma alteração na forma como interage com os trabalhadores, adotando os requerimentos um número que permita um melhor acompanhamento, a exemplo do que ocorre com outros serviços e entidades.»


      Por fim, a nota do SOJ informa que foi ainda abordada a questão dos cursos para promoção, bem como outras matérias, obtendo apenas uma resposta que indica que, sim, é assunto que está a ser preparado.


      Pode ler-se o seguinte na nota do SOJ:


      «Relativamente aos cursos para promoção; à questão dos 3.ºs e 6.ºs escalões e outras matérias pendentes, elas estão a ser negociadas e são da competência do Governo, pelo que, ao SOJ, importa mais conhecer, junto da DGAJ, por exemplo, se as ações de formação para esses cursos já estão preparadas e em número suficiente. Essa resposta foi positiva.»


      O meu bife está muito malpassado. Gosto das batatas fritas.


Obra1Pessoa(DDOJ).jpg


      Fontes: “SFJ-Info” e “SOJ-Info”.

Comentários

  1. Nonagésima oitava reunião.
    Comunicado dos sibdicatos-
    Nesta reunião discutimos se o papel higiénico deverá ser usado dobrado ou de forma singela 

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  2. Bla Bla Bla Bla Bla. Mais uma vez os sindicatos nada dizem e remetem para as reuniões com o governo. Não chega já? Não é altura de mudar de atitude e fazer algo produtivo? 

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  3. Sou roubado num escalão  ao longo de 20 anos. 
    Roubado de 2001 a 2005.
    Vou andar mais 20 para que ne paguem  o produto do roubo e me posicionem no escalão  certo??


    Estou de baixa até  que isso aconteça. 


    Passem bem e festejem bem nessas reuniões  com o mal dos outros.


    Triste  sina.

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  4. Carrega Marçal.

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  5. Vou explicar de forma simplista:

    O governo tem tudo nas mãos. O governo não negoceia com sindicatos em greve. Os sindicatos têm medo e não vão mudar a postura. O governo continua a empurrar com a barriga porque tem a bandeira que fez acordos com os OJ´s. Esta situação é benéfica para o governo porque mantem-nos sossegados, sem possibilidade de avançar com greves. Os anos passamos e continuam as 300-400 reformas por ano e os quadros cada vez mais deficitários. O ingresso dos 500 (que decorreu de forma muito rápida e aqui congratulo o governo) serviu somente para tapar meia dúzia de buracos face ao elevado número de reformas.

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  6. resolvam o problema das injustiças (com retroativos!) das diferenças de 40€ e 400€ para outros. obrigada

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  7. Tem de nos dar o tempo na categoria desde a ultima subida, e têm de nos dar a recuperação do 7 anos de congelamento!


    Sé estas duas coisas representam muito, muito dinheiro, e não são negociaveis pois são direitos. 
    Não se pode fazer de conta que os funcionaram não trabalharam esses anos porque isso é viver no mundo das ilusões.


    Acresce a isto que perante a Constituição da Republica temos todos os mesmo direitos e, portanto, não pode tratar os porfessores como classe diferenciada dos restantes noq ue diz respeito a essa recuperação!


    Quanto ao tempo decorrido desde a ultima subida de escalão, este não pode simplesmente ser apagado como se não tivesse existido porque isso é absolutamente ilegal à luz das leis laborais, como ali´s aqui, neste blog, já foi referido em artigo anterior.


    Isto são linhas vermelhas, são coisas inegociáveis porque são nossas de direito. 
    Não se trata de exigir novas pretensões, mas apenas que sejaqm reconhecidos direitos já vencidos!


    Os sindicatos têm de ser firmes, e não podem prescindir de direitos dos seus associados!

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  8. Coveiros,


    continuem mais uns anos.
    tristeza, vão para reuniões com os tópicos e a tutela tira boa nota dos tópicos para a outra reunião e por aí fora até  morte final por diarreia

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  9. Antonino das Berlengas22/10/25 10:12

    Coragem gostava eu de ver a D. Regina e o senhor Almeida terem, impondo na agenda a correção das injustiças salariais e dos colegas do curso de secretário que não são promovidos apesar de estarem graduados à frente do colocados que não podem voltar para trás, segundo a DGAJ. Impor a agenda, não ir a reboque de negociar o papel higiénico e as fotocópias....

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  10. Acabou a reunião e vêm aí novidades fresquinhas!!!

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  11. Continuo no terceiro escalão quando colegas mais novos estão no quarto escalão. Como eu estão muitos colegas, e parece que a resolução vai ser "exigido ao Governo, em próxima reunião"...
    ...mais quantos meses à espera??

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  12. Cursos para promoção?
    Exame de acesso isso sim.

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  13. Esta, pelas minhas contas, será para aí a cagagésima reunião!
    São aquilo a que se chama em bom português uns empata fodas! Vão para as reuniões sem saber o que querem nem o que exigir
    Comparados com o nosso estatuto,  o Concilio de Trento e a Guerra dos 100 anos foram o exemplo da rapidez e da eficiência.
    Destas reuniões infinitas só quero que saia, e e o mais rápido possível (de preferência antes de 2030, data em que irei para a reforma) uma redução da idade e do tempo de descontos necessários. O resto que se fod....

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  14. Certinho, triste mesmo,
    uma vida  roubada

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  15. a dgaj e mj tiraram boa nota do que sindicatos disseram.


    xau até proxima reunião

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  16. meses?


    anos, ou após morte.

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  17. Venham esses exames já!

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  18. Vamos morrer todos e roubados.
    Coveiros de uma carreira.

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  19. Adolfo Dias22/10/25 12:20


    Corretíssima esta análise.
    Na minha modesta opinião, já deveria ter sido instaurada uma ação em tribunal — nomeadamente no Tribunal Constitucional — para que o Estado seja obrigado a contabilizar o tempo de serviço congelado que, de resto, já reconheceu aos professores.
    Além disso, já deveria existir igualmente uma ação no sentido de exigir o pagamento das quantias em dívida há vários anos.
    Temo, porém, que, quando (e se) tal vier a acontecer, muitos de nós já cá não estaremos para usufruir da correção dessa injustiça.
    Agora vou tratar de ir arrumando a secretária, pois só vou regressar na próxima terça-feira.
    Boa greve e bom fim de semana.

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  20. espero que a novidade seja a de não comparecerem a mais nenhuma reunião até pagarem o que devem!

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  21. Boa tarde Colegas


    Eu acho não, tenho a certeza de que a maioria de nós, não estamos fartos do, ou dos sindicatos, estamos é fartos, saturados, e já sem paciência alguma para com os dirigentes que estão à frentes dos mesmos.
    Foi um Blá-Blá-Blá constante de quem saiu, que arruinou esta carreira, e continua a ser o mesmo Blá-Blá-Blá de quem entrou, e que já mais irá ajudar a reerguê-la. 

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  22. Eu não quero sá a reforma, eu quero também o dinheiro que me é devido!


    É muito dinheiro para simplesmente ser prescindido!

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  23. Permitam-me deixar aqui uma homenagem ao Dr. Pinto Balsemão, um lutador e garante de uma imprensa livre, baseada em factos, como pilar fundamental da democracia.

    Uma imprensa livre em contra ciclo com os meios de difusão populistas, de 

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  24. SFJ! SOJ!


    Quais são as novidades?

    ResponderEliminar
  25. teve graça Colega, infelizmente.

    ResponderEliminar
  26. O que é o SFJ e o SOJ?
    Quem defendem? Ou melhor o que defendem?

    ResponderEliminar
  27. A reunião foi de manhã, são 8 e meia da noite e ainda não tiveram tempo de fazer um comunicado?




    Haja paciência... 😒

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  28. LUIS MONTEIRO23/10/25 08:47

    Eu também gosto de batatas fritas, só não entendo a pertinência de agora o administrador do blogue ter começado com estes disparates no final de cada texto ...
    Ele há com cada uma ...

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