“Sem Oficiais de Justiça não há justiça”

      Tal como se previa, houve ontem uma forte adesão à greve, por parte de muitos trabalhadores, de muitos setores da Administração Pública, como “resposta à ausência de soluções” que “revertam o caminho de empobrecimento”.


      A entidade convocante, a Frente Comum, declarou que “esta foi a maior greve dos trabalhadores da Administração Pública registada nos últimos anos, facto demonstrativo de que o Governo deve mudar de política relativamente àqueles que laboram no setor e aos serviços públicos que carecem de investimento para o cumprimento das suas funções”.


      A adesão à greve foi de 80% em termos gerais, tendo atingido os 90% nos setores da saúde, educação, Segurança Social, finanças e justiça, “com centenas de serviços encerrados e muitas centenas de outros a laborar só com serviços mínimos”.


      Já de madrugada (a greve começou às 00H00), registava-se 90% de adesão nos serviços de recolha do lixo. E logo no início da manhã, o coordenador desta frente de sindicatos dos vários setores da função pública disse aos jornalistas que “estamos perante uma grande greve da administração pública, como antevíamos, uma das maiores greves dos últimos anos”, com centenas de escolas fechadas de norte a sul do país, perturbações no atendimento ao público na Segurança Social e Finanças, adesão superior ao normal nos hospitais. Sebastião Santana acrescentou que os números então disponíveis davam conta de que na área da justiça se estimava uma adesão de 90% na Grande Lisboa, com tribunais criminais fortemente perturbados e secções encerradas no Palácio da Justiça.


      “É a resposta dos trabalhadores à ausência de soluções e a este processo negocial inquinado em que o Governo remete para depois da votação na generalidade do Orçamento a próxima reunião negocial. Começou o processo negocial já depois de apresentar a proposta de Orçamento no Parlamento”, prosseguiu, contrapondo que o Orçamento do Estado “tem condições para dar uma resposta muito diferente aos trabalhadores, mas também aos serviços públicos”.


      À RTP, Sebastião Santana afirmou que o objetivo da greve é “a reversão deste caminho de empobrecimento” que fez os trabalhadores da administração pública perderem mais de 20% do poder de compra nas últimas duas décadas.


      “Temos uma proposta de 15% de aumento, que não recupera totalmente a perda de poder de compra acumulada, com um mínimo de 150 euros por trabalhador”. O sindicalista diz que “há dinheiro no Orçamento para isto, está é nas rubricas erradas, nomeadamente nas rubricas que atribuem aos grandes grupos económicos benefícios fiscais da ordem de 1,7 mil milhões de euros”. E deu o exemplo do IRC, onde o Governo se propõe reduzir a receita em cerca de 300 milhões de euros de impostos pagos por um pequeno grupo de grandes empresas, enquanto para a generalidade da população a poupança no IRS são 198 milhões.


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      À comunicação social, o Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) referiu que a elevada adesão à greve por parte dos Oficiais de Justiça revela “a exaustão e o descontentamento generalizado dos Oficiais de Justiça face à estagnação das negociações e à desvalorização das carreiras”.


      A Greve Nacional da Administração Pública teve um "forte impacto" no setor da Justiça, "com elevadas taxas de adesão e o encerramento de tribunais por todo o país, referiu o SFJ, em nota de imprensa, dando exemplos concretos, reproduzidos na imprensa:


      O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) registou 80% de adesão. O Campus de Justiça registou cerca de 20 julgamentos adiados e o Tribunal do Trabalho esteve encerrado, referiu o Sindicato. Almada e Montijo também viram alguns serviços judiciais encerrados, assim como no Barreiro, onde o DIAP não abriu portas.


      A norte, o Palácio da Justiça em Braga esteve encerrado, assim como em Chaves e Vila Real.


      Em Faro, 90% dos serviços aderiram à greve. Portimão registou uma adesão quase total, com 95%, lê-se no comunicado.


      “O Sindicato dos Funcionários Judiciais reafirma que sem Oficiais de Justiça não há justiça e exige respeito institucional, valorização remuneratória e correção das injustiças criadas pelo atual quadro estatutário”, lê-se na nota.


      De acordo com o Sindicato, a mobilização existente demonstra que “os Oficiais de Justiça continuam a garantir o funcionamento dos tribunais com sentido de dever e sacrifício, mas recusam a desvalorização e a ausência de respostas concretas”.


      Da informação recolhida durante o dia de ontem, pelo SFJ, apesar de não ser exaustiva, dá uma boa panorâmica da adesão dos Oficiais de Justiça a nível nacional.


      Esta informação está, obviamente, refletida na plataforma de controle dos Oficiais de Justiça a nível nacional (cRHonus) e está ainda acompanhada de uma recolha de informação por parte da DGAJ, levada a cabo em todas as comarcas e demais tribunais, relativamente às diligências agendadas não efetuadas. Quer isto dizer que o Governo sabe do que os Oficiais de Justiça são capazes de fazer e capazes de voltar a fazer.


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      Segue uma listagem (não exaustiva), obtida ontem, sobre a adesão:


COMARCA DE LISBOA



  • DCIAP – 80% de adesão

  • Juízo Local Criminal – 90%

  • Juízo Central Criminal – 90%, com duas unidades encerradas

  • TCIC (Ticão) – 90%

  • Tribunal de Pequena Instância Criminal – Encerrado

  • Campus da Justiça – cerca de 20 julgamentos adiados

  • Juízo do Trabalho de Lisboa – Encerrado

  • Palácio da Justiça – MP Trabalho – Secção de Processos: 1 em 10 ao serviço; Secção Central: 3 em 4

  • Juízo de Família de Cascais – 90 a 95% de adesão

  • Juízo de Comércio de Lisboa – 50%;

  • Almada – Central Cível 100%; Local Cível 1 funcionário; Família 4 funcionários

  • Montijo – Criminal e Central encerrados

  • Moita – apenas 1 funcionário ao serviço

  • Barreiro – DIAP e Central encerrados

  • TEP Lisboa – 5 funcionários ao serviço


LISBOA NORTE



  • Alenquer – Encerrado

  • Lourinhã – Encerrado

  • Vila Franca de Xira – Juízos Cível e Criminal encerrados

  • Loures – 45% de adesão


LISBOA OESTE



  • Sintra: Central Cível – Encerrado


COMARCA DE SANTARÉM



  • Santarém (DIAP e Central) – Encerrados

  • Cartaxo – Encerrado

  • Almeirim (DIAP e Central) – Encerrados

  • Benavente (Central e Cível) – Encerrados

  • Entroncamento – 3 em greve, 2 ao serviço

  • Rio Maior – 3 em greve

  • Torres Novas – 4 ao serviço num total de 17

  • Comércio de Santarém – Encerrado


ZONA CENTRO



  • Leiria – Encerrados: Alvaiázere, Figueiró dos Vinhos, MP de Alcobaça e de Porto de Mós, bem como a Unidade Central;

  • Viseu – Palácio 50% e encerrados: Armamar, Tabuaço, Oliveira de Frades, Sátão, Tondela, São Pedro do Sul e Castro Daire

  • Covilhã – 56% de adesão; Família encerrada; MP 7 em greve de 10

  • Castelo Branco – Família 100%; global 50%

  • Guarda – apenas 2 funcionários em greve

  • Aveiro – Palácio 80%; várias secções encerradas; DIAP com 85%

  • Coimbra – 30%; encerrada a Procuradoria Central e o Balcão+


ZONA NORTE



  • Braga (Palácio da Justiça) – Encerrado

  • Chaves – Encerrado

  • Valpaços e Vila Pouca de Aguiar – Encerrados

  • Vila Real (Local Cível) – Encerrado

  • Comércio de Gaia – 63%; Matosinhos e Maia – 50%

  • Santo Tirso: Juízo Local Criminal – Encerrado

  • Bragança: Central Cível e Criminal – Encerrado

  • Santa Maria da Feira: Central Cível – Encerrado


ZONA SUL



  • Évora – um tribunal encerrado; restantes com 30 a 40% de adesão

  • Beja – dois tribunais encerrados; restantes com 1 a 3 funcionários

  • Portalegre – quatro tribunais encerrados e um com 80%

  • Faro – Albufeira 90%; Portimão 95%; restantes 50%.


REGIÕES AUTÓNOMAS:



  • Madeira – adesão média de 65%; encerrados DIAP e Local Cível de Santa Cruz e várias secções do Funchal

  • Açores – Pico e Velas encerrados (100% de adesão); Horta com adesão reduzida; Ponta Delgada com 100% em todas as unidades (Família, MP, Trabalho, JIC e Balcão+); Angra 90%.


      Pode ver a seguir o vídeo da notícia com a presidente do SFJ a responder à SIC sobre a grande adesão dos Oficiais de Justiça à greve e por que razões o fazem.



      Pode ver ainda a seguir a pequena concentração de Oficiais de Justiça no Palácio da Justiça de Lisboa, empunhando bandeiras da Frente Comum, com o Oficial de Justiça Francisco Medeiros a explicar as razões da adesão dos Oficiais de Justiça à greve.



      Estes dias são tão antigos…


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      Fontes: “Esquerda.Net”, “Correio da Manhã”, “Jornal de Notícias”, “Expresso”, “SIC” e “Frente Comum”.

Comentários

  1. SOJ reativa as GREVES


    Tutela não  merece consideração. 
    É  gente que não  honra ninguém. 

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  2. A culpa do estado em que estamos, de descontentamento generalizado, não é do Governo nem é da Ministra.


    É dos AUXILIARES e dos sindicatos que lhe deram ouvidos e lhes fizeram a vontade.

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  3. Ontem, ficou mais que demonstrado que o "pecado" não reside nos oficiais de justiça, 


    Se houvesse alguém na frente de um sindicato, despejado de interesses particulares "outro galo cantaria".

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  4. Estão á espera de quê para voltar a decretar greve novamente???

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  5. GRANDE Derrota para o SFJ e SOJ!
    Após terem subscrito um ‘’Acordo’’ que serviu apenas os interesses de alguns e insistirem em realizar reuniões em que os assuntos tratados continuam a ser escondidos dos principais interessados.
    Tal omissão da devida informação a todos os seus profissionais e sócios só revela falta capacidade para os representar.

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  6. Confrontando as informações dos dois  sindicatos, que pouco têm em comum, aparentemente as negociações do estatuto vão prosseguir apenas com o Soj.
    Só não percebi a oportunidade de se falar da questão das licenciaturas admitidas  para promoções neste comunicado.

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  7. Tirando algumas matérias como o sistema de avaliação, o governo não irá ceder na maioria das sua convicções e vai aprovar o estatuto que entender, ainda mais sendo da competência do conselho de ministros.
    Contudo, não deixa de ser um absurdo deixar a mesa das negociações com os fundamentos apresentados.
    Enfim...

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  8. Estou de baixa e continuarei  enquanto não  me repuserem o roubo do tempo 2001 a 2005.


    Continuem a alimentar a corja.

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  9. Passei a votante  do chega.
    Sim, virgens ofendidas.
    Chega  para protestar.
    Já  que assim querem, assim terão. 

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  10. Provavelmente o artigo de amanhã será à cerca da comunicação do SOJ, já li o comunicado e há lá uma parte, referente aos terceiro e sexto escalões, que me deixou deveras intrigado, passo a transcrever: “ contudo, durante a reunião a Sra Seap informou que tendo recebido, no dia anterior, documento enviado pelo SFJ, cujo teor o SOJ desconhece e consequentemente não o discute, não dispunha de condições para dar resposta favorável, nomeadamente à questão do terceiro escalão.“

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  11. Utilizar como protesto um voto num partido de extrema direita, sem qualquer programa de execução credível e que já está a atingir uma percentagem considerável, parece-me bastante suicida.
    Mas reconheço que ter alguém a governar e que ainda ontem defendeu que Portugal precisa de "três Salazares", tb teria as suas vantagens.
    Para começar deixaria de os ouvir a dizer barbaridades neste blogue, o dto à greve acabava e andava tudo cordeirinho nos tribunais.
    Isso mesmo, tb vou votar Cheganos.

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  12. Nem mais.
    25 anos de gente sem palavra.
    Fodddd

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  13. Absurdo é  deixarem-se enganar e ludibriar  sem reagir.
    Es da tutela.
    Cheiras a mofo.

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  14. Não  é  o único  colega.
    E vai haver  mais.

    ResponderEliminar
  15. Votarei chega também, enquanto mj, dgaj e  gestao  comarca me aldrabarem.

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  16. Nunca discutem  reunião  após  reunião. 


    Mais 25 snos de sindicalismo?


    Resolverão  parar de mentir depois de morrer??

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  17. Coveiros desta profissão 

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  18. AH ah Ah!
    Que burro!
    O que achas que te vai acontecer se o Chega chegasse ao MJ e à Dagj?
    Eu digo-te.
    Andavas caladinho ou na melhor das hipóteses ias para o olho da rua sem subsídio de desemprego.
    Ainda ontem o Ventrulha andou de boca cheia a dizer que isto precisa de outro Salazar, o maior FDP que por aqui passou, e estes burros defendem-no.

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  19. A ver se percebi: é como dizer quando há um assalto, digamos na casa do caro colega- a culpa não é do ladrão que arrombou a porta. - É do polícia- que foi incompente? É isto, não  é? 

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  20. Fala o SFJ em correção de injustiças criadas, e criadas como? 
    Com a assinatura apressada de um acordo que não submeteu à apreciação dos sócios . Não se deram tempo a eles próprios para analisar a proposta do governo, fazer contas relativamente às categorias e escalões e não assinar perante as dúvidas.
     Agora o Governo e bem, não está virado por enquanto,  para novamente mexer no assunto, pois o DL já tem uma alteração, agora queriam outra e sabe-se lá quantas mais ( pensarão) e ainda não há estatuto novo.Imagine-se quando houver.
    Não quiseram os Sindicatos perder tempo antes, assinando o que foi apresentado e o resultado foi deixar alguns para trás, a perder.

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  21. Auxiliares??
    Eheheh 

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  22. Caguei para o que chamas  burro.


    Serei chega só  para  ser contra gente como tu

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  23. Pago para sindicato especialista em administrativo.
    Sfj e soj
    Jamais 

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  24. Chega sempre!
    Contra 25 anos de mentiras
    Mudem os mentirosos!

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  25. Srs sindicalistas pensai bem no futuro dos vossos filhos.

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