Os Plenários que outros andam a fazer ouvindo os seus representados

      Não, não é possível que os Oficiais de Justiça adiram ao Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP), como ontem aqui alguém disse preferir, apreciando as suas constantes referências à carreira e à defesa da mesma, apesar de lhe ser alheia.


      E veio isto a propósito das declarações desta terça-feira, em Braga, à comunicação, da representante no norte desse Sindicato SMMP, depois da realização de um Plenário de Trabalhadores ali levado a cabo, inserido numa ronda nacional de plenários que o Sindicato vem realizando e vai continuar a realizar até ao final do ano.


      «É urgente reforçar o quadro de magistrados e Funcionários e mais: criar uma carreira de Funcionários qualificados, dotados especificamente de formação para trabalhar com o Ministério Público. Porque, reparem, os Funcionários do Ministério Público, ao contrário dos Funcionários das magistraturas judiciais, funcionam como órgãos de polícia criminal; fazem inquirições, ouvem pessoas, podem ouvir arguidos… Portanto, podem ser delegados neles atos que a PSP e a GNR também faz. Portanto, é importante ter isto tudo em consideração.» – Assim o disse Rosário Barbosa, Presidente da Direção Regional do Porto do SMMP.


      Ao invés do rumo administrativo dado à carreira, o SMMP defende o aprofundamento do rumo anterior da carreira, com o paralelismo aos OPC, o que chegou a permitir, por exemplo, uma aposentação equiparada.


SMMP-RosarioBarbosa-PresidenteDirecaoRegionalDoPor


      As conclusões do Plenário de Trabalhadores realizado em Braga, que constam no comunicado enviado à agência Lusa. O objetivo destes Plenários é o de identificar os principais problemas e necessidades do Ministério Público.


      «Na reunião de Braga, os magistrados relatam uma realidade marcada pela falta de recursos humanos e condições de trabalho. Os quadros permanecem desatualizados desde 2014, com uma carência que já se traduz em 71 Funcionários em falta, podendo atingir 98 até ao verão, sobretudo nos serviços do Ministério Público. Esta escassez tem conduzido a acumulações de serviço, exaustão dos profissionais e ao desânimo generalizado.», refere o SMMP.


      Segundo o sindicato, “as pendências processuais atingem níveis alarmantes, com cerca de 800 inquéritos pendentes por magistrado”.


      O SMMP exemplifica que em Barcelos, “um magistrado tem mais de 400 inquéritos por violência doméstica – sendo que destes, 150 estão conclusos no gabinete, para despachar – o que revela a necessidade urgente de maior cuidado e reforço na resposta a este tipo de crime”.


      «Já em Braga, o lugar ocupado por uma magistrada que faleceu nunca foi reposto. O aumento da população em Braga nos últimos dez anos intensificou o número de processos, tornando impossível garantir qualidade quando, em média, cada magistrado dispõe apenas de 14 minutos por processo para ler e despachar», lê-se no comunicado.


      Segundo o SMMP, “o receio de prescrições e falhas, que podem originar processos disciplinares, é constante, e o despacho noturno e ao fim de semana tornou-se prática comum”.


      Quanto às condições do trabalho na comarca de Braga, o sindicato classifica-as de “indignas e inseguras”.


      «Por exemplo, na Póvoa de Lanhoso não existem salas adequadas para diligências, nem detetores de metais, e o acesso às instalações só é possível através da Câmara Municipal. Em Celorico de Basto a ausência de segurança repete-se. A falta de equipamentos informáticos adequados e a digitalização mal implementada apenas aumentam a burocracia, sem garantir interoperabilidade ou ferramentas de apoio eficazes aos magistrados», revela o SMMP.


      O Sindicato dos Magistrados do Ministério Público denuncia que, “além da área penal, também o cível, o trabalho e a família continuam desvalorizados, apesar da sua crescente relevância e urgência”.


      «O aumento do conteúdo funcional não foi acompanhado de medidas concretas por parte da coordenação, deixando os magistrados sem suporte. Este cenário traduz-se num clima institucional de desgaste e insegurança, agravado pela ausência de reposição de lugares após falecimentos ou saídas, como aconteceu em Braga. A realidade atual demonstra que exigir qualidade e rigor nestas condições é absolutamente impossível», admite o sindicato.


      O SMMP defende “que é urgente reforçar os quadros de magistrados e funcionários, garantir segurança nas instalações e implementar ferramentas de apoio que permitam ao Ministério Público cumprir a sua missão com dignidade e eficácia”.


      «Só assim será possível assegurar uma justiça de qualidade, capaz de responder às necessidades da sociedade e de proteger os cidadãos», acrescenta o comunicado.


      Pode a seguir assistir a um breve vídeo das declarações da referida representante sindical.



      O SMMP assume que “continuará a promover plenários nas restantes comarcas com vista à elaboração de um caderno reivindicativo com propostas concretas a apresentar à tutela, exigindo medidas urgentes que garantam o reforço dos recursos humanos, a requalificação das infraestruturas e condições dignas para o exercício da atividade do Ministério Público em todo o território nacional”.


SMMP-RosarioBarbosa-PresidenteDirecaoRegionalDoPor


      Fonte: Lusa em: “O Minho” e “Jornal de Notícias”.

Comentários

  1. E não  passamos disto. 
    Falta de condições  humanas e materiais. 
    Só  dá  doença. 
    BURNOUT 


    Estou de baixa, não  aguento .
    Quadro de 5 passou a 2 com volume de serviço  e exigência  aumentar.
    Chega mesmo. Assim não. 
    A saúde  e vida em primeiro. 


    Pena que nada melhore. 

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  2. O SMMP e esta temática nada me diz!


    Diz-me sim a inação dos sinsicatos que representam os OJ!


    Parecem marionetes nas mãoes deste sucessivos governos!


    Sem verticalidade, sem iniciativa!


    A nova "cabeça" do SFJ é uma total desilusão, mas também é verdade que só se desilude quem previamente se iludiu!...


    Abraço.

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  3. SOJ
    Reativa as greves.

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  4. Maldita sorte!

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  5. Excelente companheirismo!!


    Portanto, eram dois e ficou só um com a sua baixa.


    Que rico colega você me saiu ...

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  6. Não entendo mesmo, enquanto cá estão os mais velhos que podiam ensinar os mais novos, não se aproveita! Qualquer dia temos as secções como os serviços de registos ou finanças, com atendimento por marcação e apenas alguns dias na semana! 

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  7. Mais um ano a chegar ao fim e sem Estatuto.
    É uma vergonha... e ainda alguém dizia "é não deixar cair a causa", mas para isso era preciso termos um SINDICATO.

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  8. Bom dia,
    Irra que faz um frio, cá no Norte, que não se pode sair à rua!
    Só mesmo estas palavras, bem redondinhas, da representante do SMMP para aquecer os nossos corações e dar ânimo a estes corpos que se arrastam do conforto do lar para um local de trabalho com péssimas condições e sabendo de antemão que a jornada vai ser difícil, também por faltar gente ao seu lado.
    Na falta de braços para estrebuchar e bracejar, apelando por melhores condições e mais gente nos serviços, há vozes que ecoam por todo o lado mas não são escutadas por ninguém. 
    Já ninguém quer ouvir os atores da justiça ou saber dos seus problemas. O descrédito a que esta foi votada, a que se assoma as palhaçadas no processo do sr. Eng. Sócrates, que não ajudam nada para a sua credibilização, fazem com que nada pareça dever ser encarado com seriedade (para quê fazer justiça se ela não interessa a quem manda nos nossos destinos pois que a ela se furta por todos os meios, sem pejo ou vergonha, obrigando todos os outros à sujeição do seu desgoverno).  
    Somos governados por pessoas com interesses que não são coincidentes com os nossos. Os seus propósitos, muitas vezes obliterados pelos desatentos, pugnam pela manutenção de um certo situacionismo de conveniência, com produção legislativa à medida dos seus interesses ou de quem (verdadeiramente) os mandatou.
    É verdadeiramente inacreditável a politização que todos se apercebem e começa a ser bem evidente na justiça - os processos mediatizados dão conta disso, a um processo instaurado contra uma figura política de um determinado partido logo sucede outro que visa o seu adversário, muitas vezes alicerçado em denúncias feitas por delatores que negoceiam as vidas políticas destes em favor dos interesses (políticos) próprios.
    E a justiça prontifica-se a isto.
    Assim, canalizam-se meios para combate à corrupção que podia ser evitada se fossem mandatados pessoas sérias para gerir os recursos do Estado e o que sobra não dá para dar resposta à demanda da justiça num tempo em que a criminalidade transmutou-se, em que o dinheiro circula de mãos sem autorização do dono do bolso onde se encontrava e sem que as instâncias formais de controlo consigam acudir a quem é espoliado e fica carenciado.
    Como é que é possível que o Estatuto ainda não tenha visto um esquiço, pelo menos das suas traves mestras, divulgado  pela classe. 
    Como é que é possível que um levantamento dos quadros de pessoal nas secretarias dos tribunais de 1ª instância demore uma infinidade de tempo bem se sabendo que a tutela detém essa informação e pode ser atualizada, em tempo real, num dia de trabalho.
    Como é que é possível continuar sem se saber quais os critérios que vão ser atendidos na (re)distribuição de pessoal.
    Como é que é possível ainda não se saber qual o figurino de uma concreta unidade orgânica - seja na Procuradoria/DIAP ou numa secção judicial - e não se ter ideia nenhuma de como vai funcionar no futuro.
    Mas que raio de trabalho está a ser feito no Ministério da Justiça? Andam entretidos com o quê? 
    Será que só interessa a existência de um Ministro para as nomeações para o COJ, o CSM e o  CSTAF ou o CSMP ou, ainda, aquelas entidades que não servem para nada como o Conselho Anticorrupção (Mecanismo Nacional Anticorrupção (MENAC)) ou os Observatórios para tudo e para mais alguma coisa e as Comissões Técnicas de Acompanhamento do que não se faz ...
    Mas o que é que aquela gente anda a fazer?
    E as pessoas que assumiram responsabilidades sindicais, o que é que impulsionaram junto da tutela? O que é que têm feito em face da inércia daquela equipa ministerial? 
    Mais um ao perdido, menos um ano de vida para concretizar os nossos projetos pessoais, e um problema que parece ganhar dimensão como uma bola de neve que vai rolando por uma encosta bem íngreme que ninguém conseguirá parar sem que tudo fique irremediavelmente destruído restando apenas erigir algo novo, todavia sem gente suficiente e já sem forças para fazer acontecer.
    Façam alguma coisa na justiça porra! <br

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  9. Infelizmente é o que dá o estado a que deixaram cair esta profissão.
    Doenças.

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  10. Sem dúvida!
    Pulso firme .


    GREVES PRECISAM-SE JÁ QUE NÃO NOS LIGAM NENHUMA!

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  11. Para o (a) colega das 08:57 . Sei o que isso é infelizmente , já fiz centenas de horas extras , sábados , domingos , noites etc. Agora com 65 anos já não dá. Os colegas mais novos a fugirem para outros serviços na FP e fazem muito bem . Faria o mesmo ! Não quero morrer com enfarte ou AVC , sentado na secretária. É demais e as chefias ou não podem ou não querem. Vivemos o tempo do salve se quem puder! Também um escrivão para quatro juízos , o que esperamos . 

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  12. Incrédulo.27/11/25 10:44

    Estou plenamente convencido de que o que interessa verdadeiramente as cúpulas sindicais é, tão somente, não terem que trabalhar e cumprir horários . Ponto.
    A nova , velha cúpula do SFJ, e a nova, velha, líder, depressa estão a desiludir todos.
    A simpatia deu lugar ao desprezo pela classe. A igualdade aos demais,  deu lugar á arrogância .
    Já tive a proposta de sócio meio preenchida, porém, optei por rasgar.
    Não sabem o que é empatia, desconhecem o dever de informação, partilhar não faz parte do seu vocabulário.
    Profunda, mas profunda mesmo, desilusão.
    Nada mudaram, nada vai mudar. Apenas prolongaram o seu, deles, período sem terem que trabalhar e cumprir horários e ainda poderem viajar, pernoitar e comer á pala dos otários, que bem explicações merecem de quem os deveria respeitar 
    Tenho dito e mantenho.

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  13. Estava a ver que nenhuma magistratura punha a boca no trombone contra a falta de meios humanos e materiais.

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  14. Pronto, agora já podes ir passear ao Martim Moniz fazer companhia aos teus colegas subsídio dependentes, que o teu partidozito tanto critica.

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  15. Podes esquecer o SFJ. A atual presidente fazia parte da antiga direção. Apesar de ter sido ostracizada pelo Marçal, que via nela uma ameaça, para conseguir ser candidata e depois elete, teve de se rodear das mesmas pessoas que constituiam a entourage do Marçal. 
    Por muito boa vontade que a Regina tenha de mudar alguma coisa, mão tem capacidade para mais e deixa-se facilmente manipular e embalar pelo grupo que herdou do Marçal, pessoas muito preocupadas com o próprio umbigo e sem capacidade para nos representar nos tempos conturbados em que vivemos.
    Quanto ao SOJ, ... bota umbigo nisso.
    É lamentável, mas todos nós somos culpados da extinção da carreira.
    Felizmente, estou de saída, mas não deixo de lamentar

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  16. para ti e gentalha como  com todo gosto.
    Porque aceitas o subsisdio de 120€? bem podias doar.


    Engole que te custa menos.

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  17. para 


    Companheirismo?
    Eu quero é saber de mim, cansei de pensar nos outros e no servicinho que os srs drs querem ver feito à custa das doenças por falta de gente.
    Como dizem, chega mesmo.
    cansei.

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  18. Ora aí está, nem essa visão têm, aproveitar a experiência dos mais antigos.
    Carreira morta mesmo.

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  19. A junção de carreira, entre Judicial e MP, é um disparate autêntico. Terá de ser revertido urgentemente. 

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  20. Força!
    Nunca é demais falar nesse ROUBO  E NOS OUTROS ROUBOS TAMBÉM!


    Já que sindicatos nada querem saber.

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  21. Aí agora é que dás conta?
    Continua a pagar.

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  22. Conseguiram cavar a sepultura da carreira com a fusão de MP com Judicial, ser pau para toda a colher e final das progressões.


    Quem puder que fuja, e por cima deslocados que nunca mais chegam a casa.
    Pagam para trabalhar.
    Que é isto???


    Continuem escravos

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  23. Olhe que em Sintra não funciona assim. Digo várias vezes que o conhecimento dos colegas mais velhos vai-se perder porque não é passado aos que entram. Ainda há dias ouvi na secção ao lado: "não tenho paciência para ensinar nada à miúda nova". É triste andarmos há anos a reivindicar por novos ingressos e quando os colegas entram não temos paciência para eles. Eu sei que há muito trabalho e não é fácil dedicar tempo a estes colegas novos mas vejo muita falta de empatia por estes.

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  24. Colega é proteger a saúde, quem quiser de se mate com isto.

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  25. Agora que acabou a palhaçada da discussão do OE, também já saberemos o que sobrará, ou não, para os OJ!


    Assim, os nossos queridos sindicatos já poderão acabar de vez as questões do estatuto e partir para outra!...


    É que há outras coisas para discutir, que nos são muito prejudiciais!




    Queiram os sindicatos fazer a parte que lhes compete!

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