Dos dois projetos de diploma que o Governo entregou aos sindicatos
Na última informação sindical prestada sobre a reunião técnica dos sindicatos com o Governo do passado dia 15JAN, prestada apenas pelo Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ), nada é explicitamente transmitido sobre tal reunião a não ser que foram entregues, pelo Governo aos sindicatos, dois documentos de projetos de diploma.
Diz o SFJ que “No decurso da reunião, foi feita uma apresentação sucinta e de caráter essencialmente oral de alguns aspetos das propostas em preparação, tendo sido, no final da reunião, entregues às organizações sindicais dois projetos de diploma”.
Esses dois projetos de diploma dizem respeito “ao regime de ingresso, promoções e mecanismos de transição na carreira, e outro respeitante ao modelo de avaliação do desempenho”.
Estes dois “projetos de diploma”, cujo conteúdo está agora, como diz o SFJ, “em fase de análise, aguardando contributos sindicais para posterior discussão”, são desconhecidos para a generalidade dos Oficiais de Justiça, uma vez que o SFJ não os apresenta nem sequer, sumariamente, comunica o seu conteúdo.
Se o SFJ não comunica o seu conteúdo, o SOJ nem sequer comunica se os tais projetos eram dois ou três ou quatro…
É claro para todos os Oficiais de Justiça que se mantém o secretismo das reuniões técnicas e, bem assim, dos documentos transacionados em tais reuniões.
Os Oficiais de Justiça gostariam de conhecer quais as intenções do Governo expressas nos tais dois projetos de diploma apresentados aos sindicatos, mas, na ausência de informação explícita, os Oficiais de Justiça dedicam-se à análise da informação prestada para deduzir o que implicitamente se comunica sobre o que explicitamente se omite.
Quer isto dizer que, na mesma informação sindical, o SFJ, apesar de não informar sobre o conteúdo, informa sobre qual é a sua postura em relação a tal conteúdo. Ora, por esta via é lícito deduzir que o conteúdo se relaciona com a postura do Sindicato, mas que com ela não coincide.
Relativamente ao regime de ingresso, refere o SFJ que “sublinhou a necessidade de preservar a coerência, a previsibilidade e a estabilidade do modelo de carreira dos oficiais de justiça, alertando para os impactos que eventuais alterações nesta matéria poderão produzir a médio e longo prazo”. O que é que se retira daqui sobre o regime de ingresso? Retira-se que o Governo quer introduzir alterações que o Sindicato considera que, embora não produzam efeitos na carreira no imediato ou no curto prazo, terão impactos no médio e longo prazo. Ainda assim, desconhece-se quais serão essas alterações e quais serão tais impactos.
No que respeita às promoções e aos regimes de transição na carreira, podem os Oficiais de Justiça deduzir que o Governo pretende introduzir bloqueios, seja para as promoções, seja para a progressão e transição na carreira, descurando os Oficiais de Justiça que estão há muitos anos bloqueados sem ser por vontade própria, manifestando-se o SFJ contra isso. O que é que isto quer dizer? Que se referem aos bloqueios dos Secretários de Justiça, dos Escrivães em regime de substituição? Certamente se referirá o SFJ a esta categoria e cargo de chefia e já não às categorias extintas, designadamente, aos antigos Auxiliares que durante tantos anos ficaram bloqueados pela falta de abertura a acessos à antiga categoria de Adjuntos, pois tais categorias acordadamente extintas, extintas estão, mantendo-se os antigos Auxiliares bloqueados, na sua esmagadora maioria, para todo o sempre.
Diz assim a nota sindical:
«O SFJ reiterou preocupações antigas e amplamente conhecidas quanto à necessidade de não aprofundar bloqueios históricos da carreira, em particular relativamente a trabalhadores que permaneceram largos anos sem possibilidade de progressão por razões alheias à sua vontade.»
Relativamente ao projeto de diploma respeitante à avaliação do desempenho, aqui não há qualquer dúvida de que o projeto apresentado aos sindicatos passa pela conceção de um modelo baseado no sistema SIADAP, aliás, tal como já antes foi apresentado noutros projetos.
Lê-se assim na nota informativa:
«O SFJ deixa claro que não aceita a adoção de um modelo assente no SIADAP, ainda que adaptado, por considerar que o mesmo não se adequa minimamente à especificidade das funções exercidas pelos oficiais de justiça, nem às condições concretas em que o trabalho é desenvolvido nos tribunais.»
E acrescenta:
«O Sindicato defendeu a necessidade de um modelo próprio de avaliação, justo, transparente e exequível, adequado à realidade funcional dos tribunais, que não constitua um fator adicional de pressão, de desvalorização profissional ou de agravamento das desigualdades já existentes na carreira, tendo já apresentado à tutela proposta concreta nesse sentido, a qual será novamente remetida no âmbito do presente processo.»
Claramente, o que está em jogo é uma nova despromoção dos Oficiais de Justiça, agora pela via da desvalorização ou mesmo da extinção do seu Conselho (COJ), para, também por esta via, considerar que esta carreira se deve aproximar às carreiras gerais da Administração Pública sem quaisquer especialidades, ficando a ser uma carreira especial apenas no papel.
Este pacote de alterações laborais da carreira dos Oficiais de Justiça, que há tanto tempo se discutem, reunião técnica atrás de reunião técnica, são claramente prejudiciais à carreira, motivo pelo qual o seu desenvolvimento e concretização tem sido difícil, porquanto os sindicatos e o Governo não se encontram de acordo nessas matérias.
Portanto, o que se pode inferir da informação sindical única até agora prestada, relativamente à reunião ocorrida há cerca de dez dias, é que se trata de um pacote de dois projetos de diplomas legais que não serão favoráveis aos Oficiais de Justiça, continuando o Governo com flat de propostas sérias de valorização da carreira dos Oficiais de Justiça.
Ainda assim, esclarece o SFJ na sua nota sindical o seguinte:
«A tutela informou que os projetos apresentados se encontram em fase de recolha de contributos sindicais, prevendo-se a continuação dos trabalhos nas próximas semanas, com vista à discussão das propostas.»
A próxima reunião de fevereiro com os sindicatos, a ocorrer após a apresentação das suas contrapropostas a esses dois projetos de diploma, deverão continuar a ser secretos, continuando os Oficiais de Justiça na total escuridão, num verdadeiro período de trevas, não só devido à manutenção das injustas situações que se mantém sem resolução pela apressada transição das carreira, como pela incerteza do futuro, aprofundada pela falta de qualquer luz que se possa tentar ver ao fundo do túnel e possa aportar alguma esperança aos Oficiais de Justiça.
Entretanto, apelam os membros das listas e das duas estruturas sindicais, para que se vote nas eleições dos quatro vogais, uma vez que poderão vir a ser as últimas eleições para este órgão, atualmente claramente em vias de extinção.

Fonte: “SFJ-Info”.
É comer, calar e pagar as quotas 😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂😂
ResponderEliminarTanto secretismo quando a questão é muito simples:
ResponderEliminarO MJ quer o ingresso através da qualquer licenciatura.
O sindicato pretende que seja só para licenciados em direito!!
Portanto, começa logo mal aí.
Na questão das promoções, o MJ quer que sejam para ex adjuntos com pelo menos 15 anos de carreira e licenciatura na área do direito, gestão ou outras ainda a definir
Neste ponto o sindicato quer que TODOS, ou seja também os ex auxiliares, possam concorrer com e sem licenciatura.
Portanto, mais uma vez o sindicato pretende agradar aos auxiliares e com isto vai prejudicar mais uns tantos.
Mas pronto, já estamos habituados...
É isto que o sindicato advoga. Tentam esconder mas é isto que se passa!!
É mais que evidente para mim que somos uns meros peões no meio de tantos interesses obscuros... Já o disse várias vezes: o que está em jogo é o controle da justiça através do do controlo dos oficiais de justiça. Não conseguem controlar os juízes e assim controlam o MP e os funcionários e portanto as Secretarias, colocando nas suas chefias "boys" de confiança !
ResponderEliminarEntretanto, já me decidi e votei. Com tantos apelos ao voto e secretismos na informação, votei mesmo naquele que tinha o nome "branco", pois os outros porque quase agentes secretos, de tanto secretismo seguirem e defenderem, não me causaram confiança .
ResponderEliminarBem visto!
ResponderEliminar9.52
ResponderEliminarÉ ISSO MESMO!
INFELISMENTE PARA O PAÍS, JÁ O CONSEGUIRAM.
Lamentável
ResponderEliminar😔
Este sindicato devia de lutar por coisas palpáveis e serias como por exemplo a reposição da categoria de adjunto, iriam beneficiar todos incluindo os auxiliares. A linha seguida pelo sindicato é errada e não conseguem atingir que assim bloquearam progressões, promoções e vamos andar mais uma década sem nada, tudo na mesma.
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ResponderEliminarCom todo o respeito, este artigo padece exatamente do mal que critica: muita insinuação, muita dedução, muita suspeita… e zero propostas concretas.
Desde logo, importa dizer uma coisa simples: até ao momento, apenas um sindicato prestou informação pública sobre a reunião – o SFJ. Pode não ter divulgado ainda os documentos na íntegra, mas foi o único que comunicou alguma coisa. O SOJ, esse, nem sequer informou se eram dois projetos, três ou quatro. Portanto, falar em “secretismo” quando uns comunicam e outros se calam é, no mínimo, intelectualmente desonesto.
Depois, convém esclarecer algo fundamental: o facto de um sindicato ainda não apresentar publicamente propostas não significa que não as vá apresentar. Pelo contrário, o próprio SFJ afirma que os diplomas estão em fase de análise e recolha de contributos sindicais. Isso chama-se negociação séria, não espetáculo público. Suponho eu que, em processos negociais não se vai para a mesa com a tutela atirar documentos inacabados para o Facebook ou outras redes sociais.
O que verdadeiramente espanta é ver o SOJ – que nunca apresentou uma proposta estruturada, nunca apresentou uma contraproposta formal, nunca apresentou um projeto alternativo – surgir agora. aos olhos do blogue e de muitos colegas e até pelo próprio - depois de anos de inércia, a criticar quem efetivamente trabalha!
Porque convém lembrar: o meio mais eficaz de exigir seja o que for não é escrever artigos de opinião, é apresentar propostas concretas. É isso que obriga o Governo a responder. É isso que cria registos negociais. É isso que produz resultados e todos nós, que trabalhamos nos tribunais, sabemos que a forma de negociar é, além de apresentar a defesa, é ceder mutuamente!
Dizer simplesmente “sim” ou “não” a tudo, como o SOJ sistematicamente faz, não é negociação, é ruído.
Vir depois comentar processos em curso, sem ter feito nada antes, é fácil. Difícil é estar meses em reuniões "técnicas" e com o ministério, a levar pancada do Governo e, ao mesmo tempo e mais injusto - a levar pancada dos próprios colegas.
É preciso dizê-lo sem rodeios: não é nos corredores, nem a cair em graça, nem a escrever artigos inflamados que se defende uma carreira. Defende-se com trabalho, com propostas, com fundamentação jurídica, com projetos escritos, com argumentos técnicos, com negociação real.
Criticar é fácil. Fazer é difícil.
E o que o SFJ faz – goste-se ou não do caminho, concorde-se ou não com todas as opções – é fazer. Lutar por todos e ainda ter de se defender de todos: da tutela e de colegas que preferem o conforto da crítica à responsabilidade da ação.
Da minha parte, como Oficial de Justiça e associada, muitas vezes não concordo com tudo. Mas tenho perfeita noção de uma coisa: não se vai “com uma arma” obrigar um Governo a ceder. Negocia-se com força negocial, não com comunicados incendiários. E força negocial constrói-se com propostas, não com artigos de opinião.
Publicar textos a lançar suspeitas, a alimentar divisões e a insinuar traições, não melhora a carreira, só enfraquece a classe.
Se o SOJ quer ser levado a sério, faça o que nunca fez: apresente projetos, apresente alternativas, apresente propostas escritas. Até lá, limitar-se a comentar o trabalho dos outros não é sindicalismo — é apenas ruído.
Dinheirinho meu nunca mais vêm.
ResponderEliminarFiquem o segredo todo.
Nada omporta a uma carreira morta e com muitas exigências aos mortos.
Passem bem.
Vou cuidar de mim enquanto posso. O resto é letra morta também
Resposta ao Colega 16:04.
ResponderEliminarTem razão quando diz..." até ao momento, apenas um sindicato prestou informação pública sobre a reunião - o SFJ".
É bem verdade, que sou muito crítico do SFJ...mas dentro do vazio que vivemos..., só o SFJ vai dizendo umas coisas...o SOJ é uma agremiação que se diz sindical e que gravita à volta de uma única pessoa que como todos sabemos, qual é base que o sustenta...Enfim, apetece-me juntar ao nome SOJ a letra A, ficando SOJA "Sindicato de Oficiais de Justiça Anónimos", pois é aquilo que eles são...Ninguém dá por eles, nem são carne nem são peixe...são poucos, diz-se.." que existem...mas só aparecem nas tais ditas reuniões técnicas...depois desaparecem...que é o que eles fazem de melhor...desaparecer...É também o pseudosindicato que proclama o culto do "licenciado em Direito" "o iluminado" que por ter uma licenciatura em Direito resolve todos os problemas dos Oficiais de Justiça...A nata...
Espero que o SFJ não vá por esse caminho e que seja mais eclético, plural e equidistante e justo na classificação dos OJ...
Uma palavra para o SFJ, pois eu sei que tem escrivas que analisam este Blogue. Nas contra partidas que fizerem, não se esqueçam desta pois seria uma autêntica BOMBA ... A MOBILIDADE, FAÇAM COM QUE NA VERSÃO FINAL DESTE PÉSSIMO ESTATUTO, APAREÇA A POSSIBILIDADE DOS OFICIAIS DE JUSTIÇA PODEREM TER ACESSO À MOBILIDADE COMO TODAS AS CARREIRAS DA FUNÇÃO PÚBLICA , POIS A NOSSA CARREIRA JÁ DEIXOU DE SER ESPECIAL HÁ MUITO TEMPO...POR ISSO NÃO FAZ SENTIDO EXIGIR A EXCLUSIVIDADE DA NOSSA FUNÇÃO...
SEJAM MAS É FELISES!
ResponderEliminarI don't like american shitizens.
ResponderEliminar«A tutela informou que os projetos apresentados se encontram em fase de recolha de contributos sindicais, prevendo-se a continuação dos trabalhos nas próximas semanas, com vista à discussão das propostas.»
ResponderEliminare os sindicatos foram buscar esses contributos a quem..?