A justiça é o último refúgio dos cidadãos especialmente em tempos de crise
«As recentes tempestades custaram vidas humanas e confrontaram o país com danos materiais significativos e perturbações profundas na vida de muitas famílias e empresas. A resposta pública concentrou-se, legitimamente, na proteção de pessoas e bens e na reposição das condições essenciais de funcionamento coletivo. Essa é a dimensão imediata da emergência.
Mas as crises não produzem apenas destruição física. Desorganizam contratos, alteram posições jurídicas e tornam incertas responsabilidades que pareciam definidas. O dano prolonga-se nas relações que estruturam a vida em comum.
É nesse contexto que se afirma a importância da justiça. Os tribunais asseguram que os conflitos decorrentes da crise são resolvidos segundo regras gerais, aplicadas com independência e coerência. A decisão jurisdicional não elimina o dano, mas impede que a incerteza se converta em arbitrariedade.
Para o cidadão que depende de uma indemnização para reconstruir a sua habitação, para o trabalhador cuja situação contratual se altera ou para a empresa que necessita de reorganizar compromissos financeiros, a existência de tutela jurisdicional efetiva constitui condição de segurança. A aplicação imparcial do direito devolve previsibilidade às relações afetadas e reafirma a igualdade perante a lei.
A recuperação económica assenta na mesma exigência. A retoma da atividade e a reorganização das relações financeiras dependem de decisões consistentes e juridicamente seguras. Sem esse quadro, prolonga-se o risco e fragiliza-se a recuperação.
Em momentos de exceção, essa exigência torna-se ainda mais evidente. A ordem constitucional admite respostas extraordinárias para enfrentar circunstâncias graves, mas não suspende os princípios que estruturam o Estado de Direito. A proporcionalidade das medidas, a igualdade na aplicação das regras e a proteção efetiva dos direitos não são meras formalidades e continuarão a ser garantidas pelos tribunais portugueses, também nestes tempos de crise.
Mesmo em tempos difíceis, o trabalho nos tribunais não se interrompe nem abdica do seu padrão de exigência. É nesse esforço diário, tantas vezes discreto e longe do foco público, que se assegura a resolução imparcial dos conflitos, mantendo viva a confiança dos cidadãos na justiça.»

Fonte: transcrição do artigo de opinião subscrito por Margarida Reis, secretária-geral da Associação Sindical dos Juízes Portugueses (ASJP), publicado na "Sábado".
Num artigo muito interessante dedicado ao novo Ministro da Administração Interna e que fala sobre mais do que previsíveis novos aumentos para a PSP e para a GNR, escreve-se assim:
ResponderEliminar"Luís Neves, nomeado hoje ministro da Administração Interna, alertou para a falta de atratividade da carreira policial, num 'podcast' da Renascença gravado enquanto diretor da PJ, e considerou que "não é aceitável" os baixos salários na PSP.
E continuava o artigo, mais adiante, dizendo:
"Não é aceitável que um elemento venha a entrar como agente da PSP, que vem do interior do país, de onde eu sou, também sou beirão, sou da Beira Baixa, que venha, por exemplo, da minha terra, tem que ser colocado em Lisboa, em que metade do seu vencimento é para pagar uma casa. Isso não é possível", afirmou Luís Neves ao 'podcast' "Direito à Justiça", da rádio Renascença com a Ordem dos Advogados"
"Em 2023, Luís Neves conseguiu um aumento de cerca de 600 euros no subsídio de risco dos inspetores da PJ, o que motivou contestação dos polícias da PSP e GNR que exigiram ao Governo negociações para um tratamento igualitário e que ainda não se concretizou.
No 'podcast', Luís Neves ressalvou que sempre defendeu melhores salários para os polícias, nomeadamente antes e depois da atribuição do suplemento".
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Gostaria realmente de saber se a Ministra da Justiça tem as mesmas preocupações (e empenho) com os funcionários do seu Ministério, aqui designadamente falando dos O.J., se tem real consciência do burnout a que os funcionários chegaram...com secções totalmente envelhecidas e com uma elevada carga de trabalho...e também com uma enorme parte do seu vencimento (que em muitos casos teve um crescimento vergonhoso) para pagar uma casa ou um simples quarto partilhado.
O artigo:
https://sapo.pt/artigo/novo-ministro-da-administracao-interna-considera-inaceitavel-baixos-salarios-na-psp-6999f8e44c6a06671831d7fe
Pois claro, a justiça é isso mesmo, como dizia Ulpiano: (...) a cada um o que é seu"
ResponderEliminarA notícia mais surpreendente ( e apelido todas essas pessoas de " vendidos" à política ) é alguém de muito mérito e que fez a diferença na PJ onde faz muita falta, aceitar convite de políticos sendo que, tem sido trabalho da mesma PJ investigar, além de outros cidadãos, crimes cometidos por cidadãos que exercem funções políticas.Como aceitar ficar assim dependente do Primeiro-Ministro ? Vamos ver.
ResponderEliminarJá a Provedora de Justiça foi igual.Com um papel de defesa dos cidadãos nas suas queixas também contra decisores políticos, passou-se para o lado deles e foi uma pena, com um resultados à vista.
Como não entendem que são convidados, também porque servem a imagem que o Governo quer mostrar! Porque aceitam?
Há muita gente competente fora da área da Justiça.
Nós não precisamos desses trocos!
ResponderEliminarTemos grau e muito prestígio!!!
O mal disto tudo é a carneirada andar constantemente atrás dos sindicatos.
ResponderEliminarDepois ainda se queixam!!!
Os sindicatos querem é a nossa miséria.
Porque enquanto formos miseráveis têm o dele assegurado!!
Acordem!!
Conheço colegas que vivem vida de esctavo
ResponderEliminarDeslocados
Mal ganham para oagar um quarto
Alimentam-se mal para poupar e chegam ao fim do mês sem dinheiro
Sempre a pedir emprestado uns dias antes do pagamento
Não sabem disso??
Tirando chefias e pessoal à beira da reforma os outros passam mal
Acreditem
Escravos
Vida de imigrante
Mas fechem os olhos
Fodam-se sindicatos e governantes
Vai cair em descrédito.
ResponderEliminarNa PJ todos os Directores Nacionais são bons (o anterior por ex. também foi bom). A instituiçao (na área da investigação criminal) é composta por funcionários altamente especializados, pelo que não é preciso grandes génios no comando
É por estas e outras que Não acredito nos políticos!!!
ResponderEliminarE governantes!!!
Venha a esquerda governar esta província
ResponderEliminarE ver se o bloguer deixa o lápis azul da sensura de lado.
Foddfd
Triste realidade!
ResponderEliminarQuando te apercebes que ganhas mil e poucos euros e gastas tudo a pagar contas e não te sobra nada para um miminho de vez em quando!!
PQP.
Triste vida.