O galopante fracasso total de tantos governos cuja denúncia se impõe por quem está no terreno
Na semana passada, o Jornal de Notícias publicava o seguinte título de notícia: “Tribunais do Algarve com ratos e baratas, mas sem magistrados e funcionários”.
E em subtítulo
constava assim: “Os tribunais algarvios têm ratos, baratas e infiltrações, mas
não dispõem de magistrados, nem de funcionários judiciais”, complementando para
o facto da “capacidade do Ministério Público para servir a população do Algarve”
estar “gravemente comprometida”.
Esta notícia emerge
de mais um plenário de magistrados do Ministério Público que vêm ocorrendo por todo
o país e que, desta vez, ocorreu em Faro.
«As condições
materiais dos tribunais algarvios são preocupantes. Em vários edifícios, chove
nos gabinetes, o mobiliário é inadequado e os computadores não respondem às
necessidades mínimas de trabalho.
Em Albufeira, a
presença de ratos e baratas é recorrente e as infiltrações no arquivo deixam
processos ensopados, comprometendo a preservação da prova e a própria
continuidade dos procedimentos. Neste tribunal, não existe qualquer controlo de
segurança à entrada, não sendo feita revista a quem ali acede», denuncia o Sindicato
dos Magistrados do Ministério Público (SMMP).
Já em Loulé,
acusa o sindicato, “as baratas não dão descanso e já foi reportada a presença
de ratazanas”, enquanto nos tribunais de Lagos e Portimão “há gabinetes sem ar
condicionado, equipamentos informáticos obsoletos e infiltrações que afetam o
normal funcionamento dos serviços”.
“Em Tavira e Silves
não existem pórticos nem qualquer sistema de controlo de acessos, permitindo a
circulação livre de pessoas até aos gabinetes dos magistrados”, acrescenta o
SMMP.
No que diz
respeito aos recursos humanos, diz assim o sindicato:
«A única comarca
do Algarve, que abrange os 16 municípios do distrito, vive uma disfunção
estrutural que se agrava ano após ano. Apesar da sua dimensão, os recursos não
acompanham as necessidades: os juízos centrais cível, criminal, de família e
menores e de instrução criminal, sediados em Faro, têm jurisdição sobre oito
municípios, mas operam muito abaixo do que seria exigível para garantir um
funcionamento minimamente eficaz da justiça.»
O SMMP prossegue
o relato das disfuncionalidades dos recursos humanos na Comarca de Faro, com
alguns exemplos como este: «Em alguns casos, os inquéritos referentes aos meses
de verão – tradicionalmente o período de maior carga criminal no Algarve –
ainda nem sequer foram registados, revelando um atraso estrutural que se
arrasta e se acumula».
E se as
participações do verão ainda nem sequer foram registadas, isto significa que os
Oficiais de Justiça que ali laboram, simplesmente não são capazes de o fazer,
estando esse atraso inicial, e apenas inicial, já a caminho de perfazer um ano
e, mesmo depois de ocorrer esse impulso inicial, os processos voltam, necessariamente,
a parar novamente, arrastando-se por meses e meses sem que se mova uma palha,
ou uma folha, ou um clique.
E isto acontece naquela
Comarca, mas não só, acontece por todo o país e é por isso que o SMMP, perante
este cenário, exige uma intervenção urgente, que, desde logo, inclua o reforço
de quadros, a reposição de vagas, a melhoria das condições de trabalho e a
implementação de medidas de segurança adequadas, porque, “sem uma resposta
imediata, a capacidade do Ministério Público para servir a população do Algarve
continuará gravemente comprometida”.
“Gravemente
comprometida” está a ação do Ministério Público por todo o país, não cumprindo
o seu desígnio com a necessária prontidão, defraudando os cidadãos, deixando as
comunidades ao deus-dará e, com isso, deteriorando o Estado de Direito a níveis
nunca anteriormente vistos, assim permitindo a ascensão de outras forças,
ressuscitadas do antigo tempo das trevas.
Fonte: “Jornalde Notícias”.

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