A extinguir por “Tramitação pastosa, pouco fluida e demorada”
O Conselho Superior do Ministério Público (CSMP) propõe a extinção da secção especializada integrada de violência doméstica (SEIVD) do Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) do Porto, segundo um relatório de inspeção do período entre 2022 e 2024, uma vez que concluiu que a centralização de recursos não resultou em ganhos, pelo contrário, o que se verifica é um “avolumar preocupante” da pendência de processos.
No relatório
inspetivo descreve-se a “tramitação pastosa, pouco fluida e demorada” do Núcleo
de Ação Penal dessa secção, bem como o baixo número de Oficiais de Justiça, são
também mencionados, e a criação do Núcleo de Família e Crianças que “não
avultou virtuosa, tendo redundado numa afetação exagerada de recursos e numa
duplicação de competências”.
Tendo em conta
que a secção estava “condenada”, como se pode ler, pela “remessa desregrada” de
inquéritos que “herdou” no final de 2019, continuando comprometida por esse
avolumar, fica a SEIVD passível de extinção ou, se a opção tomada for outra, de
outras medidas a serem tomadas.
A criação do
magistrado interlocutor, que ligue penal, crianças e administrativo, o reforço
de magistrados e Oficiais de Justiça no núcleo de ação penal e a melhoria
orgânica dos espaços e recursos disponíveis são as principais propostas.
O relatório
deixa também críticas à SEIVD de Matosinhos, em que se verificou “uma crescente
acumulação de serviço, denunciadora de uma frágil taxa de eficácia processual”.
Os resultados
deste serviço, em que a taxa de arquivamento por falta de indícios ou outros
motivos é de 82%, são “a todos os níveis francamente preocupantes, indiciando
uma fraca produtividade dos magistrados e uma pouca eficiência de resposta por
parte dos serviços”.
“Volvidos cinco
anos desde a criação das SEIVD, analisado o seu funcionamento e os resultados
obtidos, importa refletir de modo sistémico, pragmático e racional, quiçá,
através da criação de um grupo de trabalho, focado na verdadeira temática em
análise e balizado no tempo”, propõem os inspetores que assinam o relatório,
datado de 17 de março.
No geral,
defendem, que a extensão territorial destes serviços “deve ser repensada e
encurtada”, e estas integradas “na estrutura hierarquizada da comarca”,
mantendo os dois núcleos específicos.
Os Oficiais de
Justiça desde sempre denunciaram a grave carência de recursos humanos para que
estas secções funcionassem como deveriam ou, pelo menos, de forma minimamente
aceitável, uma vez que nem isso conseguiram.
É interessante verificar
que a persistente má gestão dos recursos humanos, mesmo perante tantos avisos e
perante os factos e, claro, dados estatísticos, possa levar à extinção de
secções com funções sociais tão relevantes, que, note-se bem, não acabam porque
o fenómeno criminal tenha ficado resolvido ou minimizado, mas porque quem tem a
responsabilidade de gerir os recursos humanos não o faz como devia, fazendo-o,
antes, com esta imensa irresponsabilidade.
Fonte: “Lusa/RR-Renascença”.
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