A infame proposta do Pacote Laboral tem de cair. Empurrem-na!
«A novela da negociação do Pacote Laboral prossegue, e todas “as partes” se posicionam, cada qual à sua maneira. O Governo insiste na sua proposta e tem reunido com o patronato e a UGT. Esta, pressionada pela sua base, rejeitou a atual proposta de revisão da legislação laboral apresentada pelo Governo, mas assumiu a vontade de prosseguir as negociações.
A CGTP, que
rejeitou o pacote laboral, quer agora participar na sua negociação e levá-la
para a “concertação social”, onde tem lugar garantido, ao contrário das
negociações em curso em que só participa a UGT. Será que voltámos aos tempos do
“queremos ser ouvidos”?
O Presidente da
República também quer manter a CGTP na negociação e conduzi-la para a Comissão
Permanente de Concertação Social (CPCS), “onde, naturalmente, a CGTP tem
assento por direito próprio” (A. J. Seguro, 10 de abril de 2026).
Ventura, que em
dezembro, assustado pela greve geral, declarara que o pacote era desfavorável
“a quem trabalha” e, “assim, não teria o voto do Chega”, apareceu a prestar
declarações públicas: o Chega estava disposto, com algumas condições, a ajudar
o Governo a aprovar o pacote na AR. Também a Iniciativa Liberal quer levar a
discussão para o parlamento, onde conta fazer parte de uma maioria com PSD, CDS
e Chega para aprovar o essencial do pacote.
Entretanto, a
jurista e dirigente do PS Alexandra Leitão disse na TSF que nenhum dos mais de
cem pontos do “Pacote Laboral” melhora as condições de vida e de trabalho do
trabalhador. Pelo contrário: todos e cada um reforçam a posição da parte mais
forte na relação de trabalho, o patrão, e condenam os trabalhadores à
precariedade e aos baixos salários.
Após a greve
geral e a eleição de Seguro como Presidente da República, sobretudo após as
declarações deste, durante a campanha eleitoral, de que “vetaria” o Pacote Laboral,
instalou-se um ambiente de expectativa entre os trabalhadores. Porém, o terreno
mais favorável aos trabalhadores para a definição dos seus salários e condições
de trabalho não é a “Concertação Social” nem o parlamento, mas as empresas e a
rua.
Perguntem lá aos
patrões e gestores de grandes empresas se aceitam que os seus salários e
regalias milionários sejam definidos e limitados na AR ou por referendo,
fazendo assim “funcionar a democracia”! É o aceitas!
As duas centrais
sindicais declararam rejeitar o pacote laboral, tal como muitos sindicatos
independentes. Urge agora que todos juntos assumam plenamente as suas
responsabilidades e declarem que o envio do Pacote para decisão parlamentar
resultará num plano, em unidade de ação, de grandes mobilizações dos
trabalhadores e de greve geral unida até o governo retirar o projeto. Isso,
sim, pode derrotar o pacote.»
Ontem, a greve e
a manifestação, encetada pelos sindicatos afetos à CGTP teve uma adesão significativa
e mostra como os trabalhadores ainda são capazes de alguma reação.
O Sindicato dos
Funcionários Judiciais (SFJ) também participou, tendo marcado presença com um pequeno,
mas grande, grupo de habituais nestas lides, empunhando bandeiras, uma faixa e
ainda se viu uma camisola negra do tempo das outras lutas.
Pelo país fora a
adesão à greve pelos Oficiais de Justiça foi significativa, tendo encerrado
alguns tribunais.
Em Lisboa, o Tribunal
Central de Instrução Criminal encerrou devido à adesão à greve dos Oficiais de
Justiça que ali exercem funções, o que levou a que nove suspeitos detidos
fossem postos em liberdade sem que se realizasse o primeiro interrogatório
judicial, conforme ontem noticiava o Observador, assim relatando o caso:
«Nove suspeitos
de tentativa de roubo que tinham sido detidos pela PSP na quarta-feira, em
Lisboa, vão sair em liberdade, porque o Tribunal Central de Instrução Criminal
(TCIC) não conseguiu realizar o primeiro interrogatório judicial perante um
juiz, devido à greve da função pública.
Ao que o
Observador apurou, a adesão dos funcionários judiciais do TCIC à greve levou a
que este tribunal da comarca de Lisboa não tenha sequer aberto.
Como os
suspeitos foram detidos na noite de quarta-feira, as 48 horas legais para que
sejam presentes a juiz de instrução esgotam-se esta sexta-feira ao final do
dia. Uma vez que o tribunal não esteve em funções, não se conseguiu cumprir
essa diligência e as autoridades têm de proceder à sua libertação obrigatória,
não podendo prolongar a detenção além dessas 48 horas.»
Relata o mesmo
jornal que, embora não se pudesse levar a cabo o primeiro interrogatório
judicial, como os Oficiais de Justiça em funções no Ministério Público não
aderiram integralmente à greve, o Ministério Público realizou o interrogatório
não judicial, conforme previsto no artigo 143.º do Código do Processo Penal que
prevê o caso do arguido detido que não seja interrogado pelo juiz de instrução,
pode ser ouvido “sumariamente” pelo Ministério Público.
A diligência
obedece, praticamente, às mesmas disposições do primeiro interrogatório
judicial, contudo, como o Ministério Público não pode aplicar medidas de coação
– com exceção da medida mínima de Termo de Identidade e Residência –, ficou,
por isso, obrigado a libertar os detidos.
Fontes: jornal “Maio” e jornal “Observador”, sendo as fotos duas das muitas que foram partilhadas pelos Oficiais de Justiça presentes na manif e no nosso Grupo Nacional de Oficiais de Justiça no WhatsApp.
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