Proposta de criação de uma Comissão de Representação dos Oficiais de Justiça com Discapacidade
Nos tribunais trabalham todos os dias muitos Oficiais de Justiça com discapacidade (ou deficiência), levando a cabo as suas tarefas com muitas e diferentes dificuldades acrescidas e com uma resiliência hercúlea, não deixando, por isso, de lutar por uma justiça mais completa nos tribunais.
A Susana Vilas
inclui-se nesse grupo de Oficiais de Justiça mais lutadores e afirma que “temos
discapacidade, mas ela não nos define como pessoas!”
Por isso nos
escreveu pretendendo partilhar com todos o seu trabalho final da pós graduação
em Direitos Humanos e Tribunais, que é dedicada aos Oficiais de Justiça.
E também por
isso, identificando a Susana os problemas e as dificuldades deste grupo de
Oficiais de Justiça e, desde logo, a sua invisibilidade, diz assim:
«Gostaria, com
outros colegas que se identifiquem com esta causa, de criarmos uma Comissão de
Representação dos Oficiais de Justiça com discapacidade, para que possamos
participar plenamente nas decisões que nos dizem respeito, já que os sindicatos
não o fazem, violando a CDPD Convenção sobre os Direitos das Pessoas com
Deficiência.»
O trabalho tem o
seguinte título:
«JustiçaIncompleta: A Invisibilidade dos Oficiais de Justiça com Deficiência emPortugal e o Défice de Representatividade Sindical» – por Emília
Susana de Castro Vilas (Susana Vilas) – e pode aceder ao trabalho mencionado
através da hiperligação incorporada no título.
No resumo inicial a Susana apresenta o seu trabalho assim:
«O presente
trabalho analisa a condição dos oficiais de justiça com deficiência no sistema
judicial português, demonstrando que a sua tutela jurídica permanece
insuficiente face às obrigações imperativas impostas pelos principais
instrumentos normativos internacionais, europeus e nacionais.»
«A investigação
evidencia que a inacessibilidade digital das plataformas CITIUS, e outras, a
omissão de ajustamentos razoáveis, a inexistência de protocolos eficazes de
inclusão e a aplicação de critérios de avaliação uniformes pelo Conselho dos
Oficiais de Justiça (COJ) convergem para a produção de uma “Justiça Incompleta”.
Esta patologia
sistémica, agravada por um índice alarmante de 80% de “burnout” na classe,
manifesta-se no silêncio institucional da Direção-Geral da Administração da
Justiça (DGAJ) e das estruturas sindicais, perpetuando barreiras tecnológicas e
organizacionais que impedem a participação plena destes profissionais.
O estudo
demonstra, à luz do modelo social e dos direitos humanos, que a deficiência não
constitui um problema individual, mas o resultado da interação entre limitações
pessoais e as barreiras erigidas pelo sistema.
As Leis n.º
38/2004, de 18 de agosto, e n.º 46/2006, de 28 de agosto, reforçam esta exegese
ao consagrarem o dever de acessibilidade digital e a proibição de
discriminação. A aplicação deficitária destas normas revela um incumprimento
estrutural das obrigações do Estado-Empregador e uma resistência ao princípio
da adaptação razoável.
A superação
desta realidade exige uma transformação estrutural assente em cinco eixos
fundamentais: acessibilidade digital plena; implementação vinculativa de
adaptações razoáveis; revisão inclusiva dos critérios de avaliação do COJ;
formação em direitos humanos; e a participação ativa dos trabalhadores com
deficiência, sob o lema “Nada sobre nós, sem nós”.
O trabalho
culmina num testemunho reflexivo que dá voz ao oficial de justiça enquanto
sujeito de agência e potencial.
Conclui-se que a
transição da “Justiça Incompleta” para uma Justiça Plena é um imperativo ético
e jurídico, essencial para garantir a dignidade e os direitos fundamentais de
todos os profissionais que servem o sistema judicial, prevenindo o retrocesso
civilizacional e a invisibilidade funcional no Palácio da Justiça.»
Todos os
Oficiais de Justiça que estejam interessados nesta problemática e que até
queiram fazer parte da proposta Comissão de Representação dos Oficiais de
Justiça com Discapacidade, podem – e devem – contactar a Susana Vilas, podendo
usar o seu endereço de correio eletrónico: emilia.s.vilas@tribunais.org.pt
ou, querendo, em alternativa ou em simultâneo, também podem usar o nosso: OJ@sapo.pt
Recordemos o
lema: “Nada sobre nós, sem nós!”
Por fim, a
Susana faz questão de expor a sua dedicatória:
«Dedico este trabalho a tod@s os oficiais de justiça com discapacidade e aos colegas que já partiram, sem que sua voz fosse escutada, em especial às minhas queridas amigas e colegas do DIAP do Porto, Luísa Arrojado e Zulmira Santos, que viveram iluminando as nossas vidas!»
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