ADSE põe Oficiais de Justiça com pulga-atrás-da-orelha

      A ADSE difundiu ontem um questionário que, como anuncia, serve para auscultar os beneficiários e começa assim:

      «Caro(a) beneficiário(a), queremos escutá-lo(a).» e explica que «está a desenvolver a segunda fase do estudo sobre a sustentabilidade financeira do subsistema de saúde».

      Nesta escuta aos beneficiários, são colocadas questões que começaram a deixar os beneficiários preocupados com eventuais aumentos na comparticipação mensal e, ou, com a possibilidade de um aumento nos co-pagamentos, mesmo quando a ADSE diz que não há motivo para tal preocupação.

      «Importa salientar que este questionário tem uma natureza exclusivamente analítica e não está associado a qualquer processo de decisão em curso sobre alterações de políticas, regime ou modelo de financiamento da ADSE, visando apenas melhor compreender as perceções, experiências e expectativas dos beneficiários.»

      Mas apesar do aviso para que ninguém se assuste, há perguntas assim:

      «Qual é a probabilidade de renunciar à ADSE se os valores do copagamento aumentarem? Por exemplo (assumindo que o preço da consulta é de 35 €): se a comparticipação descer 10 p.p. (de 80% para 70%), o copagamento de uma consulta que hoje é de 7 € passaria para 10,50 €. Pode usar a calculadora abaixo para perceber melhor o impacto.»

      Ou assim:

      «Qual é a probabilidade de renunciar à ADSE caso o desconto mensal seja alterado? O desconto atual é de 3,5% do valor da sua remuneração base, retirado mensalmente.» E os valores apresentados para a subida eventual são de 4 e de 4,5%.

      Com perguntas deste género, a preocupação é legítima.

      «Se continuar a trabalhar na Administração Pública nos próximos cinco anos, qual a probabilidade de manter a sua inscrição na ADSE?»

      O questionário é longo e adaptativo, conforme as respostas de cada um, chegando mesmo a propor valores mensais de pagamento mais elevados do que aqueles que hoje se fazem e perguntando se com tal valor continuaria inscrito na ADSE.

      Aborda-se a possibilidade dos beneficiários também disporem de seguros privados de saúde, ou cartões de saúde para comparticipações, como o que o SFJ disponibiliza aos seus associados e familiares.

      Questiona-se também se todos os beneficiários devem pagar o mesmo valor mensal ou se quem tem familiares beneficiários deveria pagar mais, bem como se se deve manter o acesso exclusivo aos trabalhadores da Administração Pública.

      Apela-se para a sinceridade e indica-se o tempo que demora a responder de forma honesta e refletida:

      «O questionário terá a duração aproximada de 15 minutos. Responda com sinceridade e honestidade para contribuir na melhoria dos nossos serviços.»

      Para participar no inquérito, que é “voluntário e anónimo”, pode aceder-lhe no seguinte endereço: http://survey.planapp.gov.pt/ 


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