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E tudo espremido dá nisto

      Na passada quarta-feira, 01JUL, houve mais uma "reunião técnica" dos dois sindicatos (SFJ e SOJ) no Ministério das Finanças, contando com a presença, por parte do Governo, com dois secretários de Estado e da diretora da DGAJ.

      Na nota sindical do SFJ diz-se que a reunião tinha como objetivo a continuação da "revisão estatutária, nomeadamente a avaliação e mérito e progressões, para além de outras matérias fulcrais como a contagem de tempo de serviço e a correção de diversas situações e injustiças." Porém, diz o SFJ, "não foi isso que aconteceu; foram trazidos para a mesa dois temas distintos – a execução da decisão do Tribunal Constitucional sobre a reconstituição da carreira e a situação dos “eventuais” – que ocuparam quase toda a reunião. A apresentação de propostas concretas sobre as matérias estatutárias foi remetida para a próxima reunião, marcada para 20 de julho."

      E continua assim a informação sindical: "Na prática, foram o cumprimento da decisão do Tribunal Constitucional e a situação dos “eventuais”, que ocupou a quase totalidade da reunião, para as quais também não foi apresentada uma proposta de solução, tendo o Governo solicitado contributos aos sindicatos relativamente à execução daquela decisão."

      Portanto, na prática, o que é que saiu desta reunião?

      Nada!

      Quanto às correções, que chegaram a ser linha vermelha para prosseguir com as negociações técnicas: nada! Quanto às negociações técnicas estatutárias: também nada!

      Esta reunião serviu apenas para um debate sobre um assunto que já está decidido e que não carece de nenhum debate nem de nenhuma negociação, apenas carece de implementação; de cumprimento.

      "Estas duas matérias pouco ou nada têm de cariz negocial: uma já tem decisão – o acórdão do Tribunal Constitucional – e a outra encontra-se a ser dirimida nos tribunais", refere o SFJ, sem prejuízo de, a todo o momento, o Ministério da Justiça, querendo, avançar com uma solução satisfatória que leve os autores à desistência das ações.

      Esta reunião é mais uma prova de que o Governo continua a gozar com os Oficiais de Justiça.

      Os sindicatos representativos da carreira já têm provas suficientes de como o Governo passa o tempo todo a engonhar e a aldrabar e esta reunião é mais uma e a última prova disso mesmo.

      E, no entanto, apesar de tudo, o SFJ continua a afirmar coisas assim: "O SFJ valoriza o caminho do diálogo", sem deixar de notar que "não pode deixar de assinalar que o tempo de espera já vai longo demais e que é chegado o momento de avançar, com celeridade, para a discussão das matérias em falta."

      E diz ainda:

      "Causou, aliás, alguma estranheza ao SFJ que se tivesse dedicado o espaço integral de uma reunião convocada no âmbito da revisão estatutária a matérias que já vêm sendo, há meses, acompanhadas e reivindicadas pelo sindicato, as quais podem e devem ser resolvidas paralelamente."

      "Estranheza" diz o SFJ, quando este procedimento por parte do Governo não é nada estranho e já se verificou noutras reuniões, seja desta ou doutras carreiras.

      Por isso, não basta vir dizer aos Oficiais de Justiça que as reuniões com o Governo são uma perda de tempo, portanto, uma aldrabice, e, ao mesmo tempo, dizer aos Oficiais de Justiça, sem quaisquer consequências, que "o tempo urge. Por isso, o Governo tem de corrigir urgentemente as múltiplas injustiças", alegando que "a paciência dos trabalhadores não é ad aeternum e aproxima-se do limite."

      O SFJ não pode vir dizer aos Oficiais de Justiça que a sua paciência ainda não atingiu o limite, porque isso não é verdade, porque o tal limite já foi há muito ultrapassado e é por isso mesmo que se verifica uma desistência, uma desilusão e um deixa-andar que é típico dos pós-limites. O limite da paciência que ainda não foi ultrapassado será o do SFJ, e dos Oficiais de Justiça que o compõem em todos os seus níveis, mas não propriamente dos Oficiais de Justiça no seu todo.

      E em termos de paciência é o próprio SFJ que deixa a seguinte nota: "O Governo havia afirmado que a correção destas injustiças, nomeadamente as injustiças decorrentes dos reposicionamentos remuneratórios, seria tratada neste momento negocial."

      Portanto, depois de todas essas considerações e omissões, o SFJ conclui assim:

      "Exigimos, por isso, propostas e respostas concretas na próxima reunião de 20JUL, e a retificação urgente das injustiças que afetam a classe."

      Portanto, fica provado que o limite da paciência do SFJ é bem elástico e, por isso, extensível, prorrogável e mesmo ad aeternum, indo mesmo para além do dia 20JUL, porque a nota informativa, embora aponta a 20JUL, também já aponta para setembro.

      E como se tudo isto não fosse suficiente, acresce ainda o SFJ que aqueles pagamentos, relativos ao período probatório e cuja notificação foi realizada aos Oficiais de Justiça tendo estes até prescindido logo do prazo de pronúncia para adiantar o recebimento, quanto a isto, diz o SFJ que a DGAJ disse que "a autorização de pagamento caducou em 2025 sem que tenha sido emitida nova autorização.", desconhecendo-se quando haverá nova autorização para efetuar tais pagamentos aos Oficiais de Justiça.

      Na nota final da informação sindical, o SFJ diz que "A paciência tem limites. Os trabalhadores não aceitam ver adiada, uma vez mais, a resolução dos seus problemas." e, por isso, e em face desta firme postura, diz o SFJ que vai, mais uma vez, aguardar, por agora, como é óbvio, até à próxima reunião marcada para 20JUL e depois dessa, claro está, deverá continuar a aguardar até à seguinte reunião que se há de marcar para setembro. Tanto mais que é o próprio SFJ que termina a nota informativa referindo que quer "medidas concretas e calendarizadas", isto é, basta com apresentar um novo calendário de uma ou duas reuniões para acalmar os ânimos mais uma vez.

      Claro que nesta altura do ano já todos se estão borrifando para as reuniões técnicas e já só se pensa nisso para setembro e é por isso mesmo que o SFJ aponta para tal mês: "Caso não sejam apresentadas medidas concretas e calendarizadas para pôr fim às injustiças mais prementes, o SFJ, através dos seus órgãos competentes, ponderará lançar mão de um conjunto de ações já a partir do próximo mês de setembro."

      Assim terminando a nota sindical com a extensão da desbotada linha vermelha para setembro e concluindo pela sua própria inatividade dizendo: "Tem a palavra o Governo!"

      O que faltou ao SFJ dizer aos Oficiais de Justiça é apenas isto: “boas férias e até setembro!”, mas termina a nota sindical com as habituais palavras vazias, do inconsequente mantra tantas vezes repetido: "Juntos. Unidos. Mais fortes." E se é bem verdade que os "juntos" e os "unidos" são aspetos que se verificam, já o "mais fortes" é algo que já há muito que ninguém consegue comprovar.


      Fonte: "SFJ-Info-03JUL".

Comentários

  1. Anónimo6/7/26 07:14

    Anedótico! Estamos exaustos! Os problemas dos Oficiais de Justiça que trabalham nas secretarias estão cada vez mais acentuadas, e continua-se a protelar estas “negociatas”! Estamos cansados, estamos exaustos! Não podemos continuar à espera do que já deveria estar resolvido há anos!

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    1. Anónimo6/7/26 09:00

      Andam a gozar com as nossas vidas. Palhaçada

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  2. Anti mentirosos6/7/26 08:59

    Então continuam a não querer pagar o roubo aos ojs de 2001 a 2005 nem aos promovidos em 2019? Palhaçada de sindicatos que anos e anos se deixam enrolar e continuam! Nada lutam! Tenham vergonha na cara! Entreranto porque não suporto mais mentiras vou de baixa também. Fodam-se não suporto mais mentirosos

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    1. Anónimo6/7/26 11:04

      certeiro, tenham vergonha na cara! Anos de mentiras e continuam!

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  3. Anónimo6/7/26 09:03

    Uma vergonha! eu continuo à espera do meu dinheiro de "eventual" mas não penso só em mim. Grandes discrepâncias que estão nestes novos escalões com muitos colegas a serem prejudicados.

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  4. Eventual à espera de pagamento6/7/26 09:17

    Isto só lá vai com uma decisão judicial nos queixos da DGAJ, é o que eles esperam e até lá não pagam nada a ninguém e quem recebeu pode estar descansadinho que não vai ter que devolver nada a ninguém.
    Esta Dra. Rita Alarcão mais a DG da DGAJ têm ordens do Sr. Spinumviva para entreter os sindicatos com a tal cenoura das marcações de reuniões e assim vai este Ministério andando.
    Se o Chega os obrigasse a pagar, até eu??? votaria neles se isso acontecesse, mas se calhar nem vai ser preciso porque o PSD tudo está a fazer para entregar o poder ao Chega.

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    1. Anónimo6/7/26 11:06

      Eu votarei sempre chega enquanto não me pagarem! cansei e quer que fodam as virgens

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    2. Anónimo6/7/26 14:25

      O problema é que eles sabem que decisão judicial demora 20 anos e assim já sabem que esperam pela nossa morte definitiva, pois a morte lenta já está!!! só lhes desejo que lhes calha a eles/elas

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  5. Anónimo6/7/26 09:34

    Tudo isto vai andando com a permissividade de todos os que, porque talvez se achem beneficiados, vão tolerando este enorme marasmo.
    Eu, que me auto classifico de centro direita ou centro esquerda, já não estou crédulo em nada do que possa ser feito.
    Sempre abominei quem endereçava o voto no Chega e no Livre (o PC e o BE são uma autêntica anedota, lutam por causas que selecionam de entre os regimes que lhes aproveitam, são um logro e uma mentira) e hoje estou muito mais próximo destes radicais, e se é para ficar na merda toda a vida, sem possibilidades de carreira, na mesma vida de escravidão, então que seja assim mas não pensem que o meu voto irá para os mesmos (e quando falo dos mesmos, falo do PS e do PSD) será certamente num experimentalismo e mesmo que isso traga mais uma banca rota ou crise financeira ou o que quer que seja, pois bem, na merda já eu estou e se para lá forem os que não estão habituados pode ser que a vida ainda lhes ensine alguma coisa e percebam que quando há um limite para tudo e eu sinto-me literalmente "roubado" neste meio século de existência.
    Eleições já pro ano!
    Orçamento de 2027 para chumbar e venham outros que destes já enjoa só de os ouvir falar ...

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    1. Anónimo6/7/26 11:08

      ai acordaste agora? pelo menos acordaste mais cedo que os sindicatos rapariga

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    2. Anónimo6/7/26 12:16

      Devagarinho, vão acordando...

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  6. Anónimo6/7/26 10:24

    No interim, com a nova viagem aos "States", no dia de hoje, do "nosso" PM para ver a "bola" a despesa já ronda os 300.000,00€... Quantos "eventuais" não ficariam pagos e ressarcidos com este valor?!? Dinheiro não falta e a rodos para "visitas", "passeios", "bolas", "guerras", sofrimento e morte. Já para pagar o devido aos funcionários isso é que não, não existe, não está orçamentado, não tem autorização, cabimento, etc.etc... Não tem cabimento é tudo isto com a conivência dos sindicatos que traçam linhas vermelhas que apagam e traçam novas e apagam e traçam e apagam... Face ao silêncio administrativo sepulcral nada como o silêncio processual insurdecedor. É devagar e devarinho dado estar farto e fartinho de tanta treta demagógica e institucional....

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    1. Anónimo6/7/26 12:28

      Se fosse só isso!! E a aprovação das subvenções vitalícias... e a aprovação da PSU para imigrantes e o chumbo da antecipação da idade da reforma... tudo dito...

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  7. Estado não democrático6/7/26 10:27

    Quando um dos pilares da democracia está em ruptura, a democracia morreu, tentem ligar para a policia a pedir ajuda não existe operacionais, tentem que uma simples queixa de um roubo chegue rápido ao judicial, não existe investigação, tudo está parado os serviços estão abaixo do minimos, o crime aumentou 500%...mas está tudo bem neste pais Maravilhoso, 50 anos democracia pujante de PS e PSD...politica e tribunais de mãos dadas!

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  8. Anónimo6/7/26 10:35

    Movimentos patéticos. Reuniões a empurrar com a barriga. 1 ano e tal depois do acordo e não se logrou nada. O governo conseguiu o que queria. Com 30€ por mês parou a luta dos OJ´s.

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    1. Anónimo6/7/26 11:09

      09h - 12:30h
      13:30h - 17h

      e fodam-se

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  9. Tony o Beirão6/7/26 11:29

    ....diz o SFJ que a DGAJ disse que "a autorização de pagamento caducou em 2025 sem que tenha sido emitida nova autorização.", desconhecendo-se quando haverá nova autorização para efetuar tais pagamentos aos Oficiais de Justiça.
    Ao ler esta frase fiquei estarrecido com a não reação forte e musculada dos sindicatos. Estamos em julho de 2026 e ninguém disse nada e ninguém rasga as vestes por tamanha incompetência? Se não atualizar as pastas no citius num unico dia é o carmo e a trindade, aqui é tudo normal? ou sou eu o complicado?
    Depois começar uma reunião com assuntos não agendados e ainda assim continuar ali sentado? eu ia logo embora e com uma declaração de um protesto para ficar a constar na ata da reunião, com a posterior divulagção nos meios de comunicação social, para o zé povinho de quem estamos a falar.
    Que complacência dos dois sindicatos, é inacreditável que isto ainda aconteça nos dias de hoje.

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    1. Anónimo6/7/26 14:28

      só se justifica porque sindicatos se deitam na cama com a dgaj. NOJO

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  10. Anónimo6/7/26 12:39

    Isto é tudo tão abjecto e surreal que parece um filme
    Enquanto os Srs governantes continuam e se empenham na tal reforma laboral, chumbada, não desistem da mesma.
    Ao mesmo tempo, o empenho do governo resolver uma simples questão laboral de meia dúzia de gatos pingados no oceano da FP, é inexistente
    Com o alto patrocínio dos sindicatos, que parecem até ter interesse neste arrastar doentio, que nos despreza enquanto profissionais, enquanto trabalhadores e cidadãos
    Com “amigos” destes, quem precisa de inimigos??
    É só conversa de treta, o governo acena a cenoura e os sindicatos vão dando palmadinhas no quadril do equídeo, enquanto publicam textos nos jornais e comunicados que nos tratam enquanto tal. Equídeos.
    Somos destratados, humilhados, gozados, por todos, desde as sucessivas tutelas, a DGAJ, com o alto patrocínio destes “colegas”, que juram que estão a defender afincadamente a classe.
    Sindicatos a sério já tinham posto travão neste filme surreal, já tinham mobilizado as pessoas e parado os tribunais (como se estivessem a andar, com a escassez de OJ e as pendências que parecem poder já medir-se com escalas cósmicas, não em números de milhares mas em anos )
    No entanto, mais uma reuniãozinha técnica, mais um “demos mais um passo” e tudo está na mesma.
    Grau 3, equivale a 3 carcaças
    Espero que o Sr primeiro ministro tenha novamente uma boa viagem até aos EUA
    Sou eu também que pago e nada melhor que pão e circo para hipnotizar os estultos
    (Os 20 mil euros gastos para colocar a Sport TV em São Bento parece que não são suficientes. O melhor é gastar centenas de milhares de euros para ir ver o futebol. A justiça, a saúde a educação que se phodam. Literalmente).

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    1. Anónimo7/7/26 09:05

      para isso era preciso tê-los e ela não os tem e o outro já os deu ao gato...

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  11. Anónimo6/7/26 19:13

    Em vez se lamentarem por aqui, não há ninguém com eles no sítio e trate de fazer avançar com execução de sentença, greves, etc. Tá tudo conformado.

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  12. Anónimo6/7/26 19:38

    "Juntos, unidos, mais fortes", leia-se, sindicatos e tutela!

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  13. Anónimo6/7/26 19:40

    Uma coisa é certa, jamais ficariam tanto para pagar o dinheiro em dívida, caso fossem magistrados!

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  14. Anónimo7/7/26 13:29

    embora se admita que alguns colegas, a chefiar em regime de substituição, prefiram deter o poder de avaliar os demais, antes dos seus lugares serem colocados a concurso.

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