As inconsequentes queixinhas semanais
A presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) queixou-se esta semana, no artigo de opinião que escreve no Correio da Manhã, de que a atual direção deste sindicato completa um ano e que o Governo não cumpre.
Diz assim:
«A direção do
SFJ cumpre um ano de mandato. Há um ano, o Governo garantia que a revisão do
Estatuto dos Funcionários Judiciais estaria concluída até ao final de 2025.
Estamos em férias judiciais de 2026, já em agosto, e continuam por resolver
reposicionamentos remuneratórios, avaliações, progressões congeladas, escalões
desvirtuados na nova tabela e tudo o resto que ficou por fazer.»
Nota prévia e
esclarecimento: o Estatuto em revisão não se designa, como indica, de “Estatuto
dos Funcionários Judiciais”; aliás, se assim fosse, estariam incluídos apenas
os Funcionários Judiciais, isto é, que exercem funções nos juízos (tribunal) e,
portanto, estariam excluídos os Funcionários que exercem funções no Judiciário,
isto é, no Ministério Público, bem como se excluiriam todos os demais
Funcionários: Assistentes Técnicos, Assistentes Operacionais e Técnicos
Superiores, todos estes, alegadamente, representados pelo mesmo sindicato.
O Estatuto em
vigor nunca se designou assim, como refere a presidente do sindicato mais
antigo e, por isso, com mais associados da carreira, confundindo a designação
do seu sindicato com a peça legal mais relevante dos Oficiais de Justiça e
demais Funcionários.
Para além da
própria DGAJ ignorar o Estatuto em vigor, como ainda ontem aqui mencionamos,
usando as designações da LGTFP e não do Estatuto, temos também aquela que ocupa
um dos cargos mais relevantes na estrutura sindical a confundir o seu sindicato
com o Estatuto de todos os profissionais funcionários da justiça.
A designação
correta do Estatuto é, desde 1999, Estatuto dos Funcionários de Justiça e, com
esta designação, não exclui ninguém, ao contrário da designação utilizada que
exclui os funcionários judiciários e de funções administrativas.
Quanto ao facto da
queixa de que o Governo não cumpriu a sua palavra no último ano, correspondente
ao exercício da atual direção, é algo que não espanta nenhum Oficial de Justiça.
Espantará a presidente do SFJ, porque até fez questão de o mencionar numa
publicação diária de alcance nacional, mas não espanta quem aguarda há décadas –
e são mesmo décadas – pela alegada “palavra-dada-palavra-honrada” que atravessou
diversas configurações governativas.
E queixa-se mais
assim:
«O único avanço
concreto foi o diploma sobre ingressos, promoções e chefias, aprovado na via
legislativa, mas ainda dependente de portarias e de procedimentos concursais.»
Este alegado
avanço, como refere Regina, surge na sequência de acordo que firmou, mas que,
afinal, queixa-se agora, ainda está dependente de portarias e procedimentos.
Regina junta
ainda uma piada relacionada com as notícias do momento:
«A Justiça anda
assim: devagar, devagarinho. Até um atrelado apreendido numa investigação
circulou mais depressa do que o Estatuto, e ninguém deu por isso.»
E conclui afirmando,
vejam bem, que a sua atuação, bem como da anterior direção, com os acordos firmados
com o Governo, só conseguiram “criar problemas novos”.
Os ditos
problemas novos já chegaram a ser linhas vermelhas, daquelas que nunca seriam
ultrapassadas, em novas negociações, sem que os problemas anteriores estivessem
resolvidos e o resultado dessas linhas vermelhas foi um novo acordo relacionado
com o Estatuto, esquecendo as ditas linhas.
«O Governo
conseguiu ainda criar problemas novos, como o dos eventuais e o do atraso nos
pagamentos em falta aos provisórios, caso que o SFJ ganhou em tribunal e para o
qual teve agora de voltar, para dirimir mais um problema criado. E vai levar
mais de um ano, ou mais, a cumprir a decisão constitucional que ordena
reconstruir situações declaradas inconstitucionais.»
E conclui assim:
«Dialogar tem
limites. Sem avanços, não é negociação – é adiamento.»
O problema dos
limites é que são extremamente elásticos, flexíveis, de parca memória,
extensíveis e também voláteis, apesar das queixinhas frequentes que servem
apenas para preencher os cerca de 1000 caracteres do cantinho das
quartas-feiras do Correio da Manhã, sem mais nenhuma utilidade.
Não é para isto
que os Oficiais de Justiça necessitam de um sindicato.
Fonte: artigo do Correio da Manhã reproduzido na página do SFJ no Facebook.
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Ainda não se viu uma ação concreta dos 2 sindicatos e de 1 que parece que está aparecer numa secção de sindicalismo afeta a outra grande estrutura ou central sindical.
ResponderEliminarNo que se refere à devolução da contagem da totalidade do tempo de serviço, com base sustentada, visto já ter sido aplicada em outras carreiras da administração pública.
Este tema que fogem como se diz na giria popular do " rabo à seringa ", tem mais sustentabilidade argumentativa e até legal perante um secretário de estado estatuto para não afirmar uma expressão menos simpática, resolveria muitas das desigualdades como o restabelecimento de quem trabalha cá há mais de 20 anos e até 12 anos, todo o resto como diz o adágio popular é "conversa para o boi dormir".
regina
ResponderEliminarmais do mesmo
diz uma coisa e assina outra
Não tem credibilidade absolutamente nenhuma.
ResponderEliminarZerinho.
Só mesmo quem ainda lhe paga quotas é que poderá achar que tem alguma utilidade ...
Se fosse tão boa a negociar como é a dizer disparates ... Só que não
ResponderEliminarParece-me que existem três discursos, um com o governo, outro no correio da manhã e outro para os sócios do sindicato. Nada faz sentido e continuamos sem saber o que é que o sfj pretende para os tempos que se seguem, quer a curto quer a longo prazo.
ResponderEliminarA carreira estoirou e nem o sfj previa isto, ficando sem saber o que fazer. Resta a frase habitual, justiça para quem nela trabalha. Mas será suficiente?
Justiça para quem nela trabalha, ninguém fica para trás e juntos somos mais fortes.
EliminarE é isto ...
Que pobreza ...
"Parece-me que existem três discursos
EliminarUma pessoa bipolar não é coisa pouca
Tripolar, fod...
No supermercado, quando for para pagar, digo "Justiça para quem nela trabalha";
ResponderEliminarNas bombas de combustíveis, quando for para pagar, digo "Justiça para quem nela trabalha"
Ao senhorio, idem aspas;
Nas livrarias, idem aspas, etc.
Se tem resultado com tantos OJ, nunca se sabe.
Em Setembro continuaremos a aguardar, porque não há CORAGEM para se convocarem as ações de luta necessárias.
ResponderEliminarAndamos neste ram..ram há séculos seculoris, porque lutar dá trabalho. Dá chatices, não causa boa impressão. Então, assim, é preferível ir-se escrevendo umas atordoadas semanais, pode ser que ainda sejamos apelidados de intelecto-escritores.
Raios de sorte a nossa, Fernando Jorge, Marçal e, agora, Regina.
Definitivamente pior que Marcal!
ResponderEliminarPessoas sem qualidades, com responsabilidades de representação de milhares ... Uma vergonha!
ResponderEliminarColega Susana precisamos urgentemente de uma ala sindical nesse outro sindicato que ajude oficiais de justiça
ResponderEliminarPois sfj e soj
São nada
Não ajudam nada