Como correu a reunião de ontem com o Sindicato STFPSN
Como anunciado, ocorreu ontem (03AGO, pelas 14H30) a reunião da Oficial de Justiça Susana Vilas com o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN) que, embora tenha essa designação “Norte”, atualmente representa trabalhadores de todo o país.
Ontem, depois da
reunião, a Susana comunicou imediatamente o que aconteceu na reunião e também
imediatamente vai a seguir a reprodução da sua comunicação.
«Boa tarde,
caros colegas do Blogue dos Oficiais de Justiça, espero que se encontrem bem.
Como o prometido
é devido, venho partilhar convosco o feedback
da reunião de hoje com o Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e
Sociais do Norte (STFPSN).
Reforço que o
foco principal deste encontro foram os Oficiais de Justiça com deficiência. Não
obstante, abordámos diversos assuntos transversais à nossa classe – os mesmos
que contextualizaram o meu parecer relativo à Separata n.º 15, de 8 de julho de
2026, já divulgado no blogue.
Principais
Resultados da Reunião:
– Segurança e
Saúde no Trabalho: O sindicato tomou boa nota das nossas preocupações, com
especial atenção à maior vulnerabilidade das pessoas com deficiência.
– Diagnóstico e
Enquadramento Normativo: Vão inteirar-se da forma de implementação da Segurança
e Saúde no Trabalho a nível nacional nos tribunais (tanto de 1.ª como de 2.ª
instância).
– Representação
Negocial Coletiva: Para que o sindicato nos possa representar perante o
Ministério da Justiça na negociação coletiva, é necessária a sindicalização de
5% dos Oficiais de Justiça nesta estrutura (que abrange as regiões Norte,
Centro, Sul e Ilhas) [Nota: 5% do último número divulgado pela DGAJ: 6717 dá
336 Oficiais de Justiça] – A representação individual é sempre garantida,
independentemente dessa percentagem [Nota: percentagem indicada serve para outra
representação e não para a representação individual sempre assegurada].
– Protocolos e
Estrutura: O sindicato integra a CGTP e dispõe de vários protocolos com
entidades universitárias e outras instituições [Nota: integra sem a dissimulação
da associação colaboradora sem filiação, como sucede com outros].
– Processo
Negocial e Avaliação de Desempenho: Vão inteirar-se do ponto de situação das
negociações sobre a avaliação de desempenho e tentar acompanhar o processo
negocial coletivo – dentro do possível e apesar da resistência dos sindicatos
sectoriais, internos (SOJ e SFJ).
– Dirigente do
Setor: O nosso colega Nelson Fernandes, Oficial de Justiça, integra a estrutura
deste sindicato (Delegação do Norte) como dirigente [Nota: já lá está, pelo
menos, este Oficial de Justiça].
– Formação e
Direitos Humanos: Foi sublinhada a importância da formação de dirigentes em
Direitos Humanos, nomeadamente no que concerne às pessoas com deficiência.
– Ações
Imediatas: Assumindo um compromisso firme, o sindicato vai solicitar, com
caráter de urgência, reuniões com o Administrador Judiciário do Porto e com o
Secretário de Estado e Adjunto da Justiça.
Este sindicato
teve um papel essencial na luta contra o pacote laboral.
Estive mais de
duas horas reunida com a direção do STFPSN e posso garantir-vos que encontrei
uma escuta profundamente empática, realista e empenhada numa luta aguerrida por
todos os Oficiais de Justiça, sem falsas promessas perante as dificuldades que
enfrentamos.
Sabemos que o
caminho não será fácil: está em marcha um processo de estagnação das carreiras
que visa nivelar por baixo funções e categorias para colmatar a falta de
pessoal a custos reduzidos – uma realidade infelizmente transversal a toda a
Administração Pública.
Em defesa do
princípio da separação de poderes e ao serviço dos cidadãos, temos de lutar
afincadamente por uma verdadeira Carreira Especial!
Para quem
desejar conhecer melhor o trabalho do sindicato ou proceder à sua adesão, deixo
as respetivas ligações: https://www.stfpsn.pt/
e https://www.stfpsn.pt/sindicalizacao
Colegas, saio
desta reunião muito otimista e continuarei inteiramente disponível para
colaborar no que for preciso! Na luta pelos nossos direitos, a bitola tem de
estar sempre no topo – já perdemos demasiado ao longo destes anos!
Estamos juntos!
Um bem-haja a todos e excelentes férias!
P.S.(post scriptum): Colegas, não sei se repararam na
admirável coincidência... O SFJ lança um vídeo com a senhora Presidente onde
aborda, também, a questão da deficiência e, quase em simultâneo, a DGAJ decide
apresentar números sobre o tema – tirados de algum estudo rigorosíssimo que,
aparentemente, ninguém viu nem ouviu falar. Puras coincidências do destino, com
certeza. Ou será que o nosso barulho finalmente começou a fazer-se ouvir? Seja
como for, a mensagem continua clara: Nada sobre nós sem nós!»
Tal como ontem
aqui divulgamos, relativamente ao Balanço Social de 2025 apresentado pela DGAJ,
existem 403 trabalhadores com deficiência, dos quais 373 são da carreira
Oficial de Justiça, dividindo-se os mesmos por faixas etárias da seguinte
forma: dos 20 aos 29 = 3; dos 30 aos 39 = 21; dos 40 aos 49 = 20; dos 50 aos 59
= 160 e dos 60 aos 69 = 169.
Os números
indicados pela DGAJ são excessivamente diminutos e devem estar baseados com a
pequena percentagem reservada nos concursos de ingresso, não representando, de
forma alguma, as deficiências emergentes naqueles que entraram pelo contingente
geral. Assim, ao dia de hoje, atrevemo-nos a indicar que, ao contrário dos 373 Oficiais
de Justiça que a DGAJ indica, o número de Oficiais de Justiça com deficiência
corresponde a bem mais de metade dos mais de seis mil Oficiais de Justiça. E
porquê? Porque a maioria dos Oficiais de Justiça enquadra-se no atual conceito
de incapacidades.
Hoje, apontam-se
7 tipos base de incapacidades:
.1. Incapacidade
Física (ou Motora) (a mais conhecida e a que muitos até consideram como única):
Afeta a mobilidade, o equilíbrio ou a coordenação de partes do corpo,
dificultando ações como caminhar ou usar os membros.
.2. Auditiva:
Perda ou redução da capacidade de captar sons, variando de graus leves até a
surdez total.
.3. Visual:
Perda total ou baixa visão que não melhora com óculos comuns, alterando a
orientação espacial.
.4. Intelectual:
Limitações no funcionamento mental e nas habilidades de adaptação, afetando a
aprendizagem e o raciocínio diário, especialmente para novas atribuições e
tarefas.
.5. Psicossocial:
Relacionada com a saúde mental, inclui alterações no pensamento, humor ou
comportamento que afetam a vida em sociedade.
.6. Múltipla:
Presença de duas ou mais deficiências associadas (por exemplo, motora e
intelectual ao mesmo tempo).
.7. Visceral (ou
Orgânica): Condições ligadas ao mau funcionamento de órgãos internos (como
problemas cardíacos, renais, pulmonares, ou doenças crónicas, como a diabetes
ou a hipertensão) que limitam a energia ou a resistência física.
Quem não se
enquadra em algum destes sete tipos base? Uma minoria.
Fontes: entre outras, o e-mail de Susana Vilas com o contacto: emilia.s.vilas@tribunais.org.pt

Depois de alguns anitos a seguir este blog, encontro, finalmente, uma lufada de ar fresco. Parabéns ao blog e à colega.
ResponderEliminarA gente ajuda
ResponderEliminarHavemos de ser mais, eu bem sei
Mas há quem queira
Deitar abaixo o que eu levantei
A bucha é dura
Mais dura é a razão que a sustém
E não esquecer o tempo de serviço congelado que falta, e urge, urge mesmo muito, recuperar.
ResponderEliminarOs mais distraídos também não devem ter reparado mas, ao redor de toda a recente problemática com os exames, os defensores do ministro não se coibiram de encher a boca com a pacificação que conseguiram da carreira, imagine-se, invocando basicamente a devolução do tal tempo de serviço congelado.
Ora, não se coibindo de enaltecer a discriminação feita entre cidadãos de primeira água - professores - e todos os restantes das igualmente carreiras especiais - ralé especial -.
Por isso continuem a votar AD, e depois venham queixar-se da desigualdade e da demora, enquanto eles vão é caminhando no sentido oposto, que é o da nivelação por baixo a que alude a Susana Vilas.
Sempre odiarei para o resto da minha vida todo e qualquer PSD ou CDS que veja à face da terra, pelo que me fizeram, quase tendo conseguido roubar-me toda a dignidade, só não o tendo logrado porque ainda vou conseguindo de alguma forma posicionar-me mentalmente acima desses miseráveis, mas sem dúvida que, lá tornar-me um cidadão menor, de categoria inferior e secundária perante a Constituição da República Portuguesa, lá nisso eles foram bem sucedidos!
Efectivamente, nos dias que correm, a ética republicana até pode ser uma batata, mas a verdade é que esses gajos deram de facto um enormíssimo tiro no pé, ao fazer essa discriminação.
EliminarDemonstraram, assim total iniquidade, e mesmo até muita arbitrariedade, mas sobretudo aquilo por que primaram foi, na realidade, por um descomunal equívoco.
Se queriam maioria absoluta - vide ética republicana - ou pelo menos relativa superlativa, deveriam ter tido essa preocupação quando recuperaram o tempo de serviço congelado só aos professores.
Mas, estúpidos como são, limitados - extremamente -, limitaram-se apenas à recuperação dos professores, assim criando a animosidade de todos os outros agentes das carreiras especiais do Estado.
Fizeram um bom trabalho na consolidação de Fernando Alexandre, com efeito, só que se esqueceram de que se esqueceram de que a soma de todas as restantes carreiras especiais, porventura, daria um número, quiçá, equivalente ou superior à totalidade dos professores - ademais ignorando que o universo dos docentes é extremamente volátil, diversificado, e nunca, pela sua extensão, susceptível de conciliação.
E, agora, para todo o sempre, terão que viver com isso.
E, pior que isso, sempre que se apresentarem a sufrágio, a ética republicana até poderá continuar e perpetuar-se como a batata... mas eterna e inegavelmente perdurarão, sempre, nos anais da História, como aqueles que distinguiram, negativamente, no sentido discriminatório, os restantes servidores do Estado dos professores.
Ou seja, à primeira vista, poderia parecer uma coisita de somenos, mais professores do que oficiais de justiça, conservadores e oficiais de registo, guardas prisionais, etc..., mas a verdade é que ficaram marcados pelo favorecimento daqueles que mais lhes poderiam aproveitar, em detrimento dos outros de que julgavam nunca vir a precisar, mas que só se forem muito parvos é que alguma vez mais votarão na vida PSD ou CDS...
É de elogiar a atitude desta colega.
ResponderEliminarMuito bem.
Estamos fartos do sindicato que alinhou e fez a vontade ao governo, nivelando-nos todos por baixo.
Auxiliares uma vez, auxiliares para sempre.
Obrigado sindicato.
Para relembrar quem assinou o acordo foram 2 sindicatos e não 1, foi o SFJ e o SOJ, quanto esta iniciativa é de salutar, bem haja Susana, quando não se tem alternativas procuram-se outras o importante é o objetivo final desta causa ser bem sucedido.
EliminarEsta colega está de parabéns. Faltam mais pessoas nos tribunais que nâo se conformem com o actual estado das coisas.
ResponderEliminar336 - 1 (sócio n.º 47728) = 335
ResponderEliminarPode ser que um dia acabem as reuniões técnicas secretas.
O sindicato já começa a tremer, CRL!!!
ResponderEliminarEra o pessoal começar a desfiliar-se, ao ponto de não poderem estar presentes nas reuniões por não reunirem o requisito do número mínimo de sócios!!!
Isso é que era, CRL!!!
Aí é que era vê-los a ficarem para trás, labregos!!!