Já aí vem mais um decreto-lei que altera mais um bocadito do Estatuto EFJ
Já foi aprovado em Conselho de Ministros a versão final do diploma proposto e apresentado no Boletim do Trabalho e Emprego (BTE), no seguimento do último acordo firmado entre o Governo e os dois sindicatos mais representativos da carreira.
A proposta do
BTE sofreu algumas alterações, que desconhecemos, e a versão final será agora conhecida
quando publicada em Diário da República, o que deve suceder a muito curto
prazo.
O novo diploma
que altera mais um bocado do Estatuto dos Funcionários de Justiça, refere-se
aos ingressos, à promoção para a atual única categoria possível, a de Escrivão,
e a forma de escolha para os cargos de Secretários.
Na sequência
desta aprovação em Conselho de Ministros, a página do Facebook do Ministério da
Justiça apresentou a sua habitual propaganda através dos seguintes
"slogans":
Desde logo sorrimos, mas com tristeza e desdém, ao ver alguns chavões sem sentido nenhum, isto é, sem correspondência com a realidade. Não que sejam falsos, pelo contrário, são verdadeiros, mas por não se aplicarem à realidade da carreira de Oficial de Justiça.
Vejamos o
primeiro: "Carreira mais valorizada - Justiça mais forte" – é uma
afirmação verdadeira, mas em abstrato, uma vez que a carreira, na realidade,
não se valorizou de facto, pelo contrário, perdeu e continua a perder, apesar
da famosa etiqueta do grau 3. A valorização não advém da etiqueta, advém da
qualidade vivenciada no dia a dia dos Oficiais de Justiça e essa vivência não
existe nem se perspetiva que venha a existir, assim contribuindo para o inverso
do alegado, isto é, para uma justiça mais fraca.
Vejamos o
segundo: "Os tribunais só funcionam com os Oficiais de Justiça certos e
motivados" – é uma afirmação verdadeiríssima, no entanto, essa motivação que
faz funcionar os tribunais não se alcança por decreto, ainda que baseado num
acordo amarelo com as duas estruturas sindicais. É facto que os Oficiais de
Justiça não estão motivados nem agora nem daqui a uns dias com a publicação de
mais esse decreto-lei, uma vez que não aporta à carreira motivação nenhuma.
E para concluir vejamos
o terceiro “slogan” que diz assim: "Valorizar a carreira dos Oficiais de
Justiça ajuda a atrair e reter profissionais, para que os tribunais respondam
melhor aos cidadãos.” – é mais do mesmo, uma ideia verdadeira, mas impalpável,
a não ser que, afinal, o diploma traga alterações significativas e
verdadeiramente valorativas da carreira, alterando aquilo que foi acordado com
os sindicatos, o que não é nada previsível.
Fonte: “Ministério da Justiça”.




Tristeza de pais
ResponderEliminarTristeza de profissão
EliminarTutela e sindicatos andam em sincronia na MENTIRA
ResponderEliminarNão é com mentiras que se motiva um funcionário.
É deixá-los bater com a cabeça na parede.
ResponderEliminarReconheço que a carreira tornou se mais atrativa para quem ingressa, mas mesmo assim não será suficiente para garantir o preenchimento dos quadros, principalmente nos grandes centros e Algarve.
Além disso, as dificuldades de promoção e a própria visão das coisas dos jovens licenciados, pouco pegados à noção de carreira e com espírito de mudança, vai provocar uma permanência curta com prejuízo da passagem de conhecimento.
A exigência de licenciatura para ingresso, com exclusão dos técnicos de serviços jurídicos, foi um enorme tiro nos pés dado pelo governo com apoio dos sindicatos.
Não tenho qualquer dúvida da inevitabilidade de encerrar secretarias a curto prazo em muitos núcleos.
Tudo isto é pernicioso. A tutela vai sempre sair por cima por que tem razão quanto à motivação dos Ojs. Só os novos ingressos permitirá um fôlego novo por que os OJs que se mantêm ao serviço, com brio, estão desgastados e sem paciência. É a saga da mentira a funcionar, como sempre, aliás. Estou farta! Atestados sem fim, OJs não chamados à responsabilidade, ameaças veladas e outras nem por isso. Chego a uma altura em que tenho de deixar cair o meu brio por que é tudo um caralh@ duma fantochada, a começar pelos delegados sindicais...
ResponderEliminarDespromovido. Desmotivado. Quase doente. Em breve de baixa.
ResponderEliminarPossivelmente também irá sair os números dos quadros de funcionários que foi negociado com a DGAJ e os conselhos superiores.
ResponderEliminarPortanto, e se se confirmar, vamos ter um outono quentinho.
Excelente análise blogueres
ResponderEliminarObrigado
E por mim, como a carreira já morreu, vou dando o que me dão até largar a profissão mesmo que seja por baixa
Porque quadros jamais serão completos e estou cansado e farto de ser roubado de 20001 até não sei quando
Passem bem e façam muitas horas extras
Querida Tia Rita:
ResponderEliminarÉ isso mesmo, é precisamente aí que está o busílis da questão:
Os oficiais de justiça certos.
E correr com os outros todos, que não andem suficientemente motivados.
Pôr a mexer essa escumalha que assinou contratos que previam reforma aos 55 anos, e renovar de juventude e mocidade leda as secretarias dos tribunais.