“Nos casos de verdadeira violência doméstica, o sistema judicial, não chega a tempo da missa de 7º dia”
Naturalmente
que, sempre que alguém com grande proximidade de outrem pratica atos de
violência que tipifiquem o crime de violência doméstica e, produzida que seja
prova bastante de que tal aconteceu, o agente do crime deve ser punido nos
termos da lei e a vítima deve ter a proteção necessária para não ser, nem se
sentir, coartada no exercício da sua liberdade individual, devendo ser o
agressor e não a vítima a ser afastada do seio familiar de habitual
habitabilidade conjunta ou convivência.
Todavia, a
maioria dos inquéritos autuados atualmente com indícios de violência doméstica,
acabam, invariavelmente numa acusação formulada sem prova indiciária bastante e
quase sempre sem um exercício do contraditório como este deve ser exercido.
Normalmente, o
que leva o Ministério Público a deduzir acusação são as declarações da vítima,
prestadas para memória futura, depois de “acolhida” e de uma conversa com uma
psicóloga, sem a presença do arguido que, por princípio, ouvido antes disso por
um órgão de polícia criminal, exercendo um direito que o código de processo
penal lhe confere, não presta declarações, desde logo, porque é sempre muito
difícil “dar tiros no escuro acertando no alvo” ou, no mesmo escuro “desviar-se
de balas perdidas”.
Ouvida em
declarações para memória futura, uma “vítima” de violência doméstica, mesmo que
não seja vítima (o que só a final se pode concluir) é sempre vítima.
Na maioria dos
inquéritos em curso nos nossos tribunais não há flagrantes delito, não há prova
presencial, não existem factos ou sinais indiciários da prática de qualquer
crime, mas há a palavra suprema, normalmente de uma mulher, que no final de uma
relação conjugal ou análoga à dos cônjuges participa numa discussão onde, por
norma, nenhum dos envolvidos faz ao outro(a) declarações de apreço, nem juras
de amor eterno e, “ele disse que eu era estúpida, que me fosse embora e disse
que eu era burra porque achava que ele comia gelados com a testa…”, por
exemplo!
Enquanto viveram
em conjunto, nunca, ou muitas vezes, nada estava bem. Ela vivia na estrita
dependência económica dele, mas nunca se incomodou com isso. Ela que trabalhava
igualmente que ele, era a empregada doméstica de serviço, a mãe extremosa e a
companheira amantíssima, mas nunca se incomodou com isso.
Quando iam sair
juntos ouvia, invariavelmente, “raios partam, despacha-te que estou farto de
estar à espera e és sempre a mesma merda…”. Nessa altura, nunca isto foi um
problema, mas depois de se terem separado, qualquer palavra menos gravosa que
as anteriores, mas que acicata uma qualquer perda ou necessidade de revanche é
desrespeitosa de uma honra e de uma consideração que nunca existiu antes e,
mesmo que o arguido negue tudo o que a vítima declarou, é a palavra de um
contra a do outro, sem que haja confronto entre versões diferentes e o arguido
que, num caso semelhante ao aqui relatado, beneficiando do mais elementar
princípio do in dubio pro reo, que
significa que, em caso de dúvida sobre os factos, o juiz deve decidir a favor
do arguido, garantindo que ninguém seja condenado sem provas claras e totais da
culpa e que é a consagração da presunção de inocência consagrada na nossa
Constituição, sai do julgamento condenado.
Nos casos de
verdadeira violência doméstica, o sistema judicial, normalmente, não chega a
tempo da missa de 7º dia… Faça-se justiça!»
Fonte: reprodução do artigo de opinião intitulado “Quando a Justiça Falha”, subscrito por Helena Terra, advogada que escreve no Correio de Azeméis.
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99% das participações de VD são treta!!
ResponderEliminarUma ínfima parte delas chegam a julgamento e nessa fase é incrível o valor que se dá à palavra de uma mulher e à palavra do homem.
Quase sempre o homem entra a perder.
No restante 1% algumas, infelizmente, já não estão cá para contar o que quer que seja porque a justiça não chegou a tempo. E é aí que o Estado falha - gasta tempo e recursos com tretas e não protege as verdadeiras vítimas.
Grande verdade ! Custa muito ouvir, mas é grande verdade ! E a merda do Facebook, Instagram e outras porcarias culpadas desta pandemia de vd ! Algumas mulheres passam mais tempo à pesca nas redes sociais , do que tratarem da vida e dos filhos ! E depois ?
EliminarE quem decide quais são as verdadeiras vítimas são as pessoas de bem ou que agem pelo bem. Vai pro k
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