O eclipse sindical não se deve à passagem da Lua
Estamos em agosto, mês de areia colada nos pés e, insidiosamente, noutras partes do corpo, e este ano ainda com os óculos especiais para ver o eclipse do sol esgotados.
Sem óculos
próprios (específicos) não se deve inventar mais nada para olhar para o sol,
ainda que pareça tapado, porque os olhos não têm sensores de dor, como na generalidade
do corpo, e podem estar a ser danificados sem nenhuma sensação e apenas mais
tarde se descobrirá o dano que, normalmente, é irreversível.
Para além deste
eclipse do sol que poderá ser visto amanhã e só amanhã, os Oficiais de Justiça
podem ver todos os dias um outro eclipse que é o da atividade sindical.
Claro que as
férias judiciais não se aplicam à atividade sindical; os sindicatos não têm
períodos de férias judiciais e, no entanto, chegado o querido mês de agosto,
tudo estaciona até ao início de setembro, com exceção deste ano que há uma
reunião marcada com o Governo para o dia 31 de agosto, portanto, ainda em
agosto – uma canseira.
Bem conhecem os Oficiais
de Justiça o eclipse informativo sindical que ocorre a cada reunião com o
Governo. Às vezes, tal eclipse, perdura por vários dias, olhando os Oficiais de
Justiça pacientemente todos os dias para tentar ver a luz, nada vendo, quer
tenham, ou não tenham, óculos.
E neste sentido
se encontram também algumas promessas.
Na última
informação sindical do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ), datada do
passado dia 31 de julho, lia-se assim:
«Depois de muito
ponderar, o SOJ entendeu separar esta matéria – informação sobre a reunião –
dos esclarecimentos que terão de ser prestados, publicamente – em nome da
decência e da verdade – perante comunicado exarado por outra entidade sindical.
Esses esclarecimentos serão apresentados na próxima semana, para que todos os
possam analisar, com tempo e devidamente.»
Ora, a semana
seguinte à desse dia 31JUL, é a semana de 03 a 09 de agosto, isto é, a semana
passada; que já passou; que já acabou.
Claro que o SOJ
não tem de prestar esses esclarecimentos públicos que disse que ia prestar,
mas, se o diz e se até marca um prazo, então tem de o fazer e tem de o fazer
dentro do prazo que anunciou e isto porquê? Para ser credível e consequente com
aquilo que diz, isto é, para honrar a palavra dada.
Já não nos
bastava a linha vermelha que traçou até ao dia 30JUN – até ao fim do primeiro
semestre, como garantiu, – ter desbotado e já não ser vermelha, mas negra, por
mais dois meses, eclipsando-se, para já, até 31AGO, vindo agora com mais esta semana
que, afinal, já não é semana.
Não pode haver
eclipses sindicais nenhuns com os trabalhadores.
Não pode haver distribuição
de óculos informativos para que os trabalhadores vejam algo e depois acabem por
não ver nada.
E a culpa não é
da Lua, nem sequer é dos sindicatos, mas daqueles que não exigem, daqueles que
notam o escuro como o breu, que o apontam e nada mais fazem, conformando-se
sempre, ano após ano, com o estado da inação e da desresponsabilização da falta
de cumprimento da palavra dada.
E não, a culpa
não é da Lua, mas melhor fosse, porque se da Lua fosse a culpa, a ocultação e a
escuridão seria apenas de um breve momento; por isso, é pena que a responsabilidade
não seja verdadeiramente lunática, mas apenas alienada de uma realidade
deformada.
A retinopatia
pelo dano no tecido no fundo do olho que capta a luz (a mácula da retina), pode
levar, entre outras coisas, a uma visão turva, à maior dificuldade em ler ou
focar de perto, na visão de manchas escuras que se movem com o olhar e também
no desbotamento das cores, de todas as cores e não só das linhas vermelhas a
que os Oficiais de Justiça já estejam habituados.
Olhar o
astro-rei sem proteção queima a vista, tal como o deslumbramento com as magnificências
queima o raciocínio, de certa forma, queima também a visão, mas a visão
crítica. Por isso se mostra necessário, aliás, não necessário, mas imprescindível,
que haja uma proteção adequada, isto é, uma salvaguarda adequada da visão, ou
das visões, seja pela forma como se olha o sol, seja pela forma como se olha,
acriticamente, qualquer outro brilho ou aparente intensa claridade do dia a dia
que possa tolher qualquer ponderada avaliação.
Os Oficiais de
Justiça carecem de uma boa visão, isto é, de um bom discernimento, ótico e
intelectual, que não pode ser queimado nem ofuscado. Por isso aqui fica o
alerta e o apelo à cautela.
Fonte: “Info-SOJ-31JUL-PostScriptum”.
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O SOJ começa também a fazer parte do problema. Carlos começa a falhar. Talvez não tanto como Regina mas ... Saí do SFJ para o SOJ, do qual equacino agora sair.
ResponderEliminarE eu também equaciono sair até porque está a arrastar o que disse quanto ao problema eventuais de 2001. Disse que tinha pedido documentação à dgaj a comprovar o despacho que ordenou o pagamento dos 10% na altura e tal. Tudo para comprovar que foram roubados e nunca mais se ouviu informação a dar seguimento. Não informa os visados associados ao menos
EliminarEstá quase a ir de vela pela minha parte também
Parabéns a este blogue pela visão informativa que tanto ajuda os ojs, na minha opinião. Obrigado
EliminarNão será também uma inércia geral?
ResponderEliminarQue só discutem nas redes sociais e nada fazem?
Sejamos coerentes, sempre a culpar os outros.
Nas concentrações de rua vêem se professores, enfermeiros, etc...
Nas lutas comuns é claro e as Direções dos Sindicatos e até os próprios Oficiais de Justiça, onde é que eles estão?
Meus caros nada se consegue sem sacrifício.
A palavra já falta há muito, penso que os funcionários já desacreditam em qualquer dos sindicatos. No momento em que tínhamos alguma coisa a ganhar e que deviam pressionar não pressionaram, e como é possível termos à frente pessoas que assinaram um acordo para os trabalhadores em que uns tiveram aumentos de 30 euros e outros de 300 euros!??? E que os novos que entram ganham quase tanto como um funcionário de 10 anos?? Onde estava a competência dos lideres sindicais?? Não têm ninguém para fazer contas?
ResponderEliminarAgora o Ministério jogam o jogo deles, do gênero: "as progressões estão do nosso lado, temos tempo..."
Já agora, e ingressos nos Tribunais? Também não deviam pressionar já a fazê-lo? Está tudo bem que temos de dar prioridade à questão do estatuto e dos eventuais mas o mexilhão nas secretarias é que se lixam, sempre a espremer ao máximo! É preciso vir pessoal para trabalhar tendo em conta que em média vão 30 pessoas por mês para a reforma!
Fiz eu 2 anos todas as greves do SOJ com grande sacrifício e depois de 10 anos já sem sócio do sfj até pedi o ingresso de sócio no SOJ mas felizmente nunca responderam. Por mim estes 2 sindicatos nada levam. SOJ levanta a suspensão da greve JÁ.
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