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       - 15AGO-Sab - Feriado Nacional (Srª. da Assunção)
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Caçar com um gato não é o mesmo que caçar como um gato

      Por estes dias tem sido abordado o tema do calor nos tribunais, designadamente, pela inexistência ou avaria dos equipamentos de ar condicionado.

      Também o Jornal de Notícias publicou artigo sobre o assunto, destacando em título a afirmação da presidente do SFJ: “Há ventoinhas que nem sequer funcionam!”

      A falta de ar condicionado, seja por avaria, há meses ou há anos, ou pela sua inexistência, obriga à aquisição de equipamentos de movimentação de ar que dão uma pequena ilusão de ar refrescado.

      Claro que o ar movimentado é o mesmo ar quente, do mesmo espaço aquecido e sobreaquecido. Não há nenhuma descida real de temperatura, mas apenas uma ilusão que leva à sensação de algum arrefecimento, embora a evaporação do suor da transpiração aporte à superfície da pele a sensação de arrefecimento.

      Diz o Povo, na sua polivalente e grandiloquente sabedoria que "quem não tem cão, caça com gato", com isto querendo dizer que as pessoas têm de se desenrascar em qualquer aspeto da vida e se não for da forma mais fácil, terá de ser da forma possível. No entanto, há alguns linguistas que defendem que a versão original do ditado não é essa, no sentido de "caçar com um gato", afirmando que originalmente o ditado diria "Quem não tem cão, caça como um gato", assim indicando que deveria caçar de uma forma mais furtiva ou manhosa como fazem os felinos, designadamente os gatos.

      Seja como for, está sempre subjacente o aspeto do desenrasque; seja "com" um gato ou seja "como" um gato, ninguém se deve sentir derrotado por não ter os meios adequados para atingir os fins pretendidos.

      Posta esta explicação dos gatos, eis que também os Oficiais de Justiça, quais caçadores defraudados e frustrados, se vêm desenrascando o melhor que podem e, quando não têm as condições adequadas, isto é, não tendo ar condicionado instalado, compram ventoinhas e até extensões e fichas triplas, tudo para amontoar nas tomadas elétricas, sobrecarregadas de ligações de material elétrico de duvidosa qualidade, pois todos compram os produtos mais baratos que encontram, portanto, de qualidade mais duvidosa.

      O ventinho movido pela ventoinha lá vai criando a ilusão de um frescor sonhado, mas não é mesma coisa quando ligam os aquecedores no inverno, uma vez que esses até aquecem mesmo e estas ventoinhas agora não arrefecem efetivamente o ar do espaço.

      Estes desenrasques, especialmente no inverno, resultam, muitas vezes, em apagões nos tribunais, fazendo saltar os disjuntores nos quadros elétricos e muita gente a barafustar, já com as ventoinhas, de menor potência, os disjuntores aguentam, tal como as fichas triplas não aquecem, as extensões não sobreaquecem e o perigo de incêndio das ligações excessivas não deverá provocar nenhum incêndio.

      O maior problema surge quando o equipamento barato adquirido pelos Oficiais de Justiça deixa de funcionar. O dilema surge então sob a forma da angústia se há de gastar mais dinheiro ou considerar que aquele que já gastou já basta.

      Mas como a Administração não adquiriu nem forneceu ventoinhas, porque não faziam falta, porque afinal já as havia, o calor continua a moer e alguns lá acabam por ir mais uma vez à loja dos produtos chineses.

      Os Oficiais de Justiça gastam dinheiro próprio em muito equipamento e produtos cuja responsabilidade não lhes está acometida, mas a sistemática falta de tais equipamentos e produtos, faz com que assim procedam, perpetuando o problema às suas costas e às costas dos seus pares, alimentando o desleixo das Administrações.

      O ridículo chega mesmo ao ponto de um Secretário de Justiça perguntar numa secção se fazem falta ventoinhas, obtendo como resposta um rotundo não, porque “tenho aqui esta que é minha que a comprei”.

      Os Oficiais de Justiça desenrascam-se nesta caçaria com um gato, mas não são capazes de agir com a astúcia e sagacidade desse mesmo gato.

      E assim, quando o Oficial de Justiça tenta imitar o gato, imita-o apenas no miar e no ronronar, sem se assanhar, sem eriçar o pelo nem soprar para ninguém.

      Fonte: "Jornal de Notícias".

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