A última polémica de protesto dos Oficiais de Justiça sobre a assinatura de um termo
À falta de melhor e na ânsia de quebrar a estagnação do pântano, alguns Oficiais de Justiça resolveram difundir uma nova polémica: um novo movimento negacionista relativo ao termo de entrega dos novos computadores portáteis.
Sob o lema
geral: “Não assino nada!”, este novíssimo movimento difunde a ideia de que os
Oficiais de Justiça não devem assinar termos de responsabilidade relativos ao
equipamento que lhe seja entregue para o exercício das suas funções.
A ideia
desenvolve-se por comparação com o restante e muito material que tem sido
entregue ao longo dos anos. Desde uma esferográfica a uma cadeira, de um
agrafador a um monitor e a diversos e tantos computadores...
Todo esse
material e equipamento, ao longo de tantos e tantos anos, sempre foi entregue sem
que os Oficiais de Justiça tivessem de assinar termos de responsabilidade pela
sua utilização.
Efetivamente,
até agora, e ainda no dia a dia, a entidade empregadora entrega inúmeros
utensílios de trabalho a cada Oficial de Justiça e não lhe exige que assine
termos de responsabilidade nem sequer termos de entrega/recebimento.
Mas o que diz o
tal termo agora posto em crise?
O termo começa
por indicar o equipamento informático que o Oficial de Justiça está a receber:
um computador portátil e respetivo carregador, uma estação de ancoragem
(docking station) e respetivo carregador, um rato com fio, um teclado, um
conjunto de auscultadores com microfone e uma mochila.
Com a assinatura
do termo o Oficial de Justiça confirma que lhe foi entregue todo esse
equipamento elencado.
Obviamente que
facilmente se poria em causa a assinatura do termo caso tal equipamento não
seja entregue, em parte ou no seu todo, mas, e se for entregue tal e qual
consta no termo, será motivo de recusa a sua assinatura?
Para além dessa
confirmação de receção do equipamento consta ainda uma declaração de
responsabilidade que diz assim:
«Comprometo-me a
zelar pela integridade, conservação e correta utilização de todo o equipamento
que me foi entregue, bem como a proceder à sua devolução nas mesmas condições
em que o recebi, ressalvado o desgaste normal decorrente da sua utilização,
aquando da cessação do cargo, função ou atividade que determinou a respetiva
atribuição.»
Ora, o
compromisso de “zelar pela integridade, conservação e correta utilização” é um
dever geral comum a todos os trabalhadores para com todos os instrumentos de
trabalho, estejam, ou não, na sua dependência direta ou afetação.
Se se mostra
necessário assinar um termo de responsabilidade pela utilização deste
equipamento informático, deveria ser igualmente necessário assinar idêntico
termo pelos restantes equipamentos de uso pessoal ou mesmo de uso partilhado,
como os computadores das salas de audiências, das salas de inquirição, dos
balcões de atendimento, dos equipamentos de videoconferência, de digitalização,
impressão e cópias, das impressões digitais… e, já agora, do material de
escritório (agrafadores, furadores, esferográficas…), da cadeira e secretária,
do bengaleiro e do cesto de papéis, do tapete do rato e do telefone… e das
instalações sanitárias, responsabilizando-se por não exceder determinado número
de folhas de papel para secar as mãos ou do papel higiénico, com o compromisso
de cortar sempre pelo picotado ou fazendo o corte transversal com o
desenrolador, conforme o caso que nas instalações sanitárias lhe seja disponibilizado
para seu uso responsável.
Pela mesma
lógica que impera à responsabilidade de uso deste equipamento, então deveria
ser assinado um termo ou termos que abarcassem todos os demais equipamentos,
porque não é admissível que um Oficial de Justiça receba para seu uso pessoal
uma dedeira e a enfie noutros locais que não o seu dedo, dando-lhe uma
utilização incorreta e diferente daquela para a qual a entidade empregadora lhe
faz a entrega.
Há quem diga que
por se tratar de equipamento portátil que o Oficial de Justiça pode levar para
casa, no dia a dia, no fim de semana ou nas férias, o termo se justifica. Pois
também a dedeira pode ser levada para casa e sabe-se lá que utilização lhe
poderá ser dada.
Evidentemente
que a lógica da semelhança e comparação acaba por ridicularizar o pretendido procedimento
da assinatura do termo, mas, mesmo considerando que o termo é ridículo, será
causa bastante para que alguém se negue a assiná-lo? E no caso de alguém persistir
na negação, deverá ficar privado de utilizar o equipamento?
É esta a nova
polémica que vai correndo na Internet e cujas queixas já chegaram aos
sindicatos que, internamente, também já discutem o assunto.
À falta de
melhor, valerá a pena gastar energia com isto?
A obrigação
constante do termo não se mostra ilegal, pelo contrário, está perfeitamente
alinhada com as previsões legais e não acrescenta aspetos controversos fora ou
no limite dessa previsão legal. Fica, portanto, a questão para reflexão e, como
alguns Oficiais de Justiça solicitaram conselho aos sindicatos, também poderão
aguardar pela resposta, sem deixar o debate e a reflexão sobre o tal termo que,
para já, só chegou à mão de muito poucos Oficiais de Justiça.
.jpg)
Não quero um portátil, quero um mini pc com 15 cm de lado e 4/5 cm de altura, que custa 3 vezes menos!
ResponderEliminarNão assino nada disso. E venha o processo disciplinar se assim quiserem.
ResponderEliminarOs magistrados também assinaram um termo de entrega???
ResponderEliminarno tribunal onde trabalho assinam.
EliminarApraz-me dizer o seguinte sobre o novo equipamento que foi agora instalado nas secções! Mas que raio de portáteis minúsculos são este , que em nada contribuem para a saúde da visão dos funcionários!! Então, mas o equipamento que cá estava, não servia, pergunto? Onde estou, nunca houve razão de queixa e funcionavam todos normalmente! Há coisas que não se compreendem! Eu preferia mil vezes o monitor que tinha antes!! Tenho um portátil que serve apenas para ligar fios....Não tem explicação e é simplesmente deprimente!
ResponderEliminarImaginem os seguintes cenários:
ResponderEliminar1- Eu estou de férias ou de baixa médica, ou outro impedimento qualquer. O meu colega de secção pode usar o portátil que me foi entregue?
2 - Após as 17h fui descansado para casa e a senhora da limpeza, sem querer, deixou cair o portátil e não disse nada.
Vou ser eu responsabilizado pelo dano?
Não assinarei absolutamente nada.
ResponderEliminarE mais, todo o equipamento ficará, como sempre, em cima da minha secretária à semelhança de todos os outros que tenho ao meu dispor.
Se todo o mal fosse este...
ResponderEliminarPaguem e o que devem aos funcionários.................
Mais nada! Paguem ladrões
Eliminar
ResponderEliminarMais um não assunto...
Movam-se pelo que realmente interessa!
Está muita coisa mal na nossa profissão sem dúvida!! Mas também temos muitos colegas picuinhas!! Não vejo mal nenhum em assinar um termo de entrega sobre um equipamento em que vou ficar responsável, sinceramente.
ResponderEliminarO mal que vejo foram aquelas assinaturas no acordo em 2025 e a falta de funcionários, isso sim!!
Não fico responsável por merda nenhuma
EliminarApenas trabalho e desligo
Que coisa tão mesquinha! Sinceramente!
ResponderEliminarNao ha processos para tramitar?
Gente que só sabe espalhar veneno e inveja nas secções que saiam da carreira. Nao fazem falta nos tribunais.
Tenho dito!
Colega (?) GF: que dedeira é essa, do tempo da outra senhora? A maioria dos colegas nem saberá que objeto estranho é esse, mas que las ay....( as dedeiras, claro). E as mangas de alpaca, será que ainda podem ser pedidas como material de trabalho? Processos em papel é coisa em desuso ( é só ver as fotos de Beja, ontem, para o boneco, em que processos nem vê-los e depois querem mais gente) códigos, o pessoal quer é ir ao Dr.Google e IA, e assim não cortam os dedos nas folhas, e não se incomodam com os odores. Faltou falar na agulha objeto tão útil.
EliminarAs preocupações com um termo que documenta uma entrega e responsabilidade sempre inerente dizem tudo, quando em tantas outras coisas de importância, é o deixa andar....
Caguei para os termos de entrega e chamem-me mesquinho! Soisvos maiores!
EliminarIreis assinar sim.
EliminarCom jeitinho assinas.
Sim sim assina cagao
EliminarAqui não há jeitinhos nem meio jeitinho
Não assino e não é gentinha como tu que me enoja que me fará assinar
Tenham atenção que alguns participantes des blog pertencem às administrações. Por isso, os comentários dessas pessoas não são isentos.
ResponderEliminarSou responsável pelo equipamento. Às 17h00 vou para casa e até às 09h00 do dia seguinte?
ResponderEliminarOu a mochila é para andar carregada todos os dias, não ao bastasse o almoço que já nem se ganha para ir á rua.
Que boa maneira de sugerir, não descansem enquanto estão em casa, têm o portátil, façam qualquer coisinha. Porque o horário não chega e os escrivães vestiram a camisola e estão ali para que não demorem no café, se se atreverem a ir, ou a casa de banho.