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Oficial de Justiça demitido após condenação a prisão efetiva

      O Conselho dos Oficiais de Justiça (COJ) aplicou a sanção de demissão a um Oficial de Justiça que desempenhava funções na Comarca de Coimbra, após acumular sete sanções disciplinares e logo depois da condenação penal por violência doméstica com pena de prisão efetiva de dois anos e quatro meses.

      A notícia foi esta semana divulgada pela página “TugaLeaks” que também reproduz a decisão do COJ.

      A decisão do COJ, datada de 27 de novembro de 2025, avalia a conduta do Oficial de Justiça, afirmando, entre outras características, que o Oficial de Justiça tem “desvios sistemáticos aos seus deveres profissionais”.

      O COJ considerou que a relação de confiança ficou “irremediavelmente fraturada” e que os atos praticados estão “completamente desenquadrados com o que a Justiça impõe a qualquer comum cidadão, quanto mais a um Oficial de Justiça”.

      O processo disciplinar nasceu depois do COJ receber uma certidão relativa ao processo criminal instaurado contra o Oficial de Justiça.

      No processo-crime, em primeira instância, foi condenado a dois anos e quatro meses de prisão, inicialmente suspensos por três anos e seis meses. Ficou ainda sujeito, entre outras obrigações, a não contactar a vítima, participar num programa relacionado com violência doméstica e realizar consultas de despistagem relacionadas com psiquiatria, estupefacientes e álcool. Foi igualmente condenado a pagar 2500 euros de indemnização por danos não patrimoniais.

      O Ministério Público da Lousã recorreu. A Relação de Coimbra deu-lhe razão e transformou a pena em dois anos e quatro meses de prisão efetiva. O Oficial de Justiça acabaria detido para cumprimento da pena.

      Na apreciação disciplinar, o COJ não tenta suavizar o significado da condenação. Considera que os factos revelam uma “absoluta ausência de respeito pela sua companheira à data” e que, pela gravidade, atingem não apenas o trabalhador, mas também “as funções da carreira de Oficial de Justiça” e “a imagem do próprio Tribunal”.

      E coloca uma pergunta particularmente incómoda: “quem entenderia que um funcionário judicial (…) fosse condenado criminalmente e cumprisse pena de prisão efetiva pela prática de um crime de violência doméstica e que continuasse ao serviço no Tribunal como se nada tivesse sucedido?”

      A resposta do próprio Conselho é imediata: “Ninguém entenderia” que não fosse aplicada uma sanção disciplinar adequada.

      A condenação não surgiu num registo profissional imaculado. O processo revela que o Oficial de Justiça demitido já tinha sido condenado em sete sanções disciplinares, incluindo multas, repreensões escritas, uma suspensão de 55 dias acompanhada de transferência, outra suspensão de 20 dias e outra de 30 dias.

      Mais grave: uma das anteriores infrações tinha igualmente origem numa condenação criminal por violência doméstica.

      O COJ concluiu por isso que o funcionário tinha “esgotado todas as oportunidades que lhe têm sido concedidas para manter o vínculo de trabalho com o Estado” e que não existiam “quaisquer esperanças” de que retomasse o comportamento que lhe era exigido.

      A condenação que acabou por marcar o destino do Oficial de Justiça demitido não foi o primeiro caso de violência doméstica envolvendo o oficial de justiça. Em dezembro de 2020, já tinha sido condenado a dois anos e dez meses de prisão, suspensos por igual período, também pela prática do crime de violência doméstica. Ficou sujeito a regime de prova e proibido de contactar a vítima desse primeiro processo, salvo no estritamente necessário relativamente aos filhos em comum.

      Foi durante o período de suspensão dessa pena que surgiram os factos relativos a uma nova companheira. O tribunal deu como provado que o funcionário a insultava durante discussões, chamando-lhe, entre outras expressões, “puta”, “vaca”, “atrasada mental”, “deficiente”, “burra” e “bipolar”. Também arremessava e pontapeava objetos dentro de casa e chegou a levantar uma cadeira durante uma discussão.

      Entre julho e agosto de 2021, empurrou a companheira contra um armário na garagem, provocando-lhe dores. A 14 de fevereiro de 2022 voltou a empurrá-la, fazendo-a embater com o braço numa porta da cozinha. Meses depois, já separados, a mulher regressou à antiga residência para verificar se tinha correspondência.

      Segundo os factos provados, o Oficial de Justiça dirigiu-se novamente a ela e empurrou-a, provocando a sua queda desamparada no chão. Dessa agressão resultaram feridas no antebraço, mão, joelho e perna.

      O tribunal considerou ainda provado que a vítima sofreu um “profundo abalo negativo” na autoestima, sentia receio de que a situação piorasse e, devido ao comportamento e aos ciúmes do arguido, “dormia mal e andou chorosa, abatida e triste”.

      Um Oficial de Justiça não é um trabalhador público indiferenciado. Trabalha dentro de tribunais, movimenta processos e contacta com informação judicial sensível, incluindo alguns dos segredos mais delicados da vida dos cidadãos.

      O próprio Conselho diz que, pelas suas funções, um Oficial de Justiça é “o fiduciário da credibilidade da justiça e das boas práticas de convivência sã e civilizada em termos sociais”. E acrescenta que deve exibir comportamentos capazes de nortear o círculo social de que faz parte.

      A legislação disciplinar citada no processo vai no mesmo sentido, podem constituir infração não apenas comportamentos praticados durante o trabalho, mas também atos da vida pública incompatíveis com a “dignidade indispensável ao exercício das suas funções”.

      No final, a conclusão do COJ é inequívoca: tornou-se “inviabilizada de modo irreversível” a manutenção do vínculo e a confiança necessária entre trabalhador e Estado.

      No final do artigo do “TugaLeaks” o autor questiona o seguinte: «A difícil questão que devemos perguntar é porque motivo foram precisas tantas infrações para ser tomada uma decisão definitiva?»

      Pode aceder ao artigo completo, aqui parcialmente reproduzido, na página "TugaLeaks", onde acede também à decisão integral do COJ que aqui é citada. Veja abaixo na indicação da fonte.

      Fonte: “TugaLeaks”.

Comentários

  1. Além de tudo o mais que possa estar em causa, ser OJ obriga ou requer uma grande força e resistência psicológica. Acredito mesmo que há poucos profissionais com provações e exigências como a nossa, e por vezes não é nada fácil lidar com isso. Não basta a atribuição de grau 3, na prática é preciso o reconhecimento intelectual e psicológico que a profissão exige. E não me refiro só ao aspecto financeiro.

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  2. Colegas: vamos todos fazer aquilo que a classe faz melhor: vamos todos em conjunto apedrejar e depois crucificar o colega! Vive e deixa viver!

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  3. Este por motivos pessoais deixo de ser OJ.
    Outros, que lesaram milhares de OJ, continuam a serem OJ.
    Estou-me a referir aos dirigentes sindicais, que são uns vendidos.
    Enfim.....

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    1. Certo companheiro. Só oportunistas

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  4. Questiona o autor e todos nós nos devíamos questionar: foi preciso tão mau comportamento na vida profissional e na vida civil para o homem ir para a rua? Onde está o exemplo que devia dar no tribunal e fora dele, e onde está depois a atuação célere de quem de direito?
    No privado nāo conseguiria estar tanto tempo e o patrão a aparar-lhe o mau comportamento.
    Já agora: apostar na reabilitação da pessoa após todo o passado era bom, porque todos merecem ainda mais uma oportunidade . A restante família, colegas, e amigos que possa ter, sāo uma ajuda importante, se quiserem.

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    1. Onde fica a vitima nisto tudo?

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  5. A pratica de um crime desta natureza, com ou sem pena de prisao efetiva, deveria ser fundamento de demissao logo à primeira.
    O mesmo deveria acontecer a todos os OJs que diariamente defendem publicamente organizações xenofobas e que promovem o incitamento ao ódio, cheganada e espécies afins.
    Nao se percebe tanta complacência.

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    1. E aqueles colegas que defendem cuba, rússia e países afins e até frequentam a festa do avante ?

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    2. Chaganada ao pé do teu ódio é zero

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    3. Absolutamente épico e estulto, em igual proporção
      Vão agitar bandeiras comunistas- somente o regime político que mais mortes provocou na história da humanidade, enquanto teclam a treta de ódio e a verborreia da cassete do costume a partir dos seus iPhones comunistas…
      Rasgam as vestes e puxam os cabelinhos azuis enquanto espumam “fascistas ódio racismo “ Entre outras parvoíces que lhes incutiram nos cérebrozitos de avelã, são uns humanistas virtuosos, que aplaudem e apoiam o aborto.
      Vão para a Coreia do Norte

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    4. Claro que apoio o aborto.
      No teu caso e afins, teria sido da maior utilidade.
      Mas ainda vais a tempo de fazer qualquer coisa.

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  6. Uma decisão do COJ que mostra que somos uma carreira especial, mas apenas para justificar despedimentos.

    PS - nada a dizer relativamente à decisão em causa.

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    1. Nem mais,
      Sempre especial, mas apenas e só, nos deveres!!!

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    2. dinheirinho, está quieto, o oficial de justiça vive bem sem ele. Até me questiono se o que foi oficial de justiça não tinha esses comportamentos pela vida de miséria económica que pudesse ter?

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  7. Mas o que a vida pessoal tem a haver com a vida profissional?? Algo aqui não está bem explicado..

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    1. Pode não ter nada a haver, mas pode ter muito a ver.

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    2. Acorda manina. A explicação não estará na ma formação de berço? Quer genye desta ba sua empresa se for patrão?

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  8. Anti mentirosos e aldrabões20/9/26 16:29

    Muito tempo para ser expulso
    Amigo do sistema?
    Gente desta além de não merecer esta profissão foi um parasita desde a primeira condenação porque continuou a receber o dinheirinho
    Fora com gente desta porque haverá muitos encobertos amiguinhos do poder instituído.

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  9. Muita oportunidade dada, muito tempo para expulsar sem duvida! Gente desta à 2a era logo para a rua! Tanto tempo depois??

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  10. Será que é chegano?

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  11. Então este tipo não é suino ou porco ou não sei quantos nomes chamais aos votantes do Chega?

    Este é dos vossos é?

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  12. De facto tanto tempo para decidir e se fossem outros era logo decidido.
    Como disseram, cambada de vendidos com dois pesos e duas medidas.
    Já agora também pergunto onde fica a vitima ou as vitimas destes merdosos no fim de tudo?

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