Operação Oráculo da PJ detém Oficial de Justiça
Foi ontem notícia divulgada pela comunicação social a detenção de uma Oficial de Justiça de 28 anos, detida pela Polícia Judiciária, por divulgar informações de processos judiciais, dados pessoais de cidadãos, imagens de vítimas de criminalidade violenta e peças processuais extraídas dos processos a que acedia colocando todos os dados na plataforma comunicacional americana “Discord”.
A Oficial de
Justiça é suspeita da prática dos crimes de abuso de poder, violação de segredo
por funcionário, violação de segredo de justiça, acesso ilegítimo, acesso
indevido e desvio de dados.
A comunicação
social atribui à Oficial de Justiça a extinta categoria de Técnica de Justiça
Auxiliar, sendo suspeita de ter acedido de forma indevida a bases de dados
institucionais e sistemas de informação restritos da Justiça para consultar e
divulgar, de forma reiterada, informação pessoal e processual de natureza
reservada.
Segundo a Polícia
Judiciária (PJ), a investigação teve início em outubro de 2025, após uma
denúncia anónima remetida ao Ministério Público. A PJ terá apurado que a
suspeita utilizava a plataforma Discord para partilhar informação confidencial
em servidores privados, onde operava sob o nome de utilizador
"Incognita".
A investigação,
levada a cabo pela Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade
Tecnológica da PJ, que incluíram mecanismos de cooperação judiciária
internacional, permitiu intercetar acessos realizados a partir de equipamentos
informáticos de um tribunal judicial, bem como de outras ligações e moradas
associadas à suspeita, onde foram efetuadas buscas.
De acordo com a
PJ, a análise dos elementos recolhidos, incluindo a identificação do
equipamento móvel utilizado e a correspondência entre os locais de acesso e o
percurso profissional da Oficial de Justiça, reforçou os indícios da prática
dos crimes investigados.
Não é esta a
primeira vez que são identificados Oficiais de Justiça que realizam acessos
indevidos às plataformas que estão à sua disposição para efeitos de trabalho,
sem que tenham motivo legal para os acessos. De igual forma, também não é a
primeira vez que é detetada a divulgação ilícita de dados processuais e de
registos das plataformas de apoio à justiça. E também não é a primeira vez que
aqui damos notícia disto, nem a primeira vez que deixamos alertas sobre tal
atitude dos Oficiais de Justiça.
A consulta e o
acesso, mesmo que por coisas banais ou por mera curiosidade não é permitido e
não é permitido nunca, nem sequer consultar a matrícula da viatura que está mal
estacionada no parque do tribunal ou que está à venda, por exemplo. Nada e
nunca. Todo e qualquer acesso tem de ter sempre uma sustentação processual, tal
como as pesquisas de processos e consultas dos mesmos.
Todos os atos
realizados pelos Oficiais de Justiça, desde a entrada nas plataformas ou a
entrada num processo, ficam registadas com nome, data e hora, identificando quem
acedeu, bem como registando outras informações, pelo que ninguém, absolutamente
ninguém, está imune a tal controlo.
Para além dos
acessos indevidos, ao Citius, ao TMenu e outras plataformas, é igualmente
indevida, como é óbvio, toda e qualquer divulgação de informação, seja nas
redes sociais ou comunicacionais, ainda que em grupos de acesso restrito, seja
mesmo por simples divulgação oral.
Note-se bem que
não estamos a realizar qualquer tipo de apreciação ou juízo sobre o caso,
apenas estamos a reproduzir o conteúdo das notícias, como podem verificar
abaixo nas fontes indicadas, aproveitando a notícia para alertar os Oficiais de
Justiça para situações semelhantes e para a eventualidade de alguém não estar ainda
bem ciente sobre estes aspetos.
Fontes: “Correio da Manhã” e de “Jornal de Notícias”.

Subscrevo, sem reservas, o alerta deixado pelo colega.
ResponderEliminarSem prejuízo do princípio da presunção de inocência, que deve ser escrupulosamente respeitado até ao trânsito em julgado de eventual decisão condenatória, os factos noticiados evidenciam uma realidade que não pode continuar a ser desvalorizada: o acesso aos sistemas informáticos da Justiça está exclusivamente subordinado às necessidades do serviço e à existência de fundamento legal e processual.
O Oficial de Justiça não é mero utilizador das plataformas informáticas; é depositário de informação altamente sensível, protegida por normas constitucionais, legais e estatutárias. Essa posição impõe um dever acrescido de lealdade, sigilo, reserva e responsabilidade. Qualquer utilização dos sistemas para fins estranhos ao exercício das funções constitui uma violação grave dos deveres funcionais e uma afronta aos princípios que sustentam a administração da Justiça.
Importa afirmar, de forma inequívoca, que a curiosidade nunca constitui fundamento legítimo para consultar processos, bases de dados ou qualquer informação reservada. Da mesma forma, a divulgação de elementos processuais, dados pessoais ou informação sujeita a segredo de justiça, independentemente do meio utilizado ou do número de destinatários, representa um comportamento absolutamente incompatível com a função de Oficial de Justiça.
É igualmente ilusório acreditar que tais condutas permanecem ocultas. Os sistemas informáticos registam os acessos efetuados, permitindo a sua rastreabilidade e responsabilização. Quem utiliza essas ferramentas deve ter plena consciência de que cada consulta deixa um rasto auditável.
A defesa do bom nome da classe exige firmeza. A esmagadora maioria dos Oficiais de Justiça exerce as suas funções com elevado sentido de missão, competência e integridade. Precisamente por isso, não pode haver complacência perante comportamentos que comprometem a confiança dos cidadãos, fragilizam a credibilidade dos tribunais e colocam em causa a honra de uma profissão cuja essência assenta na confidencialidade, na imparcialidade e no respeito absoluto pela legalidade.
O silêncio ou a relativização destas condutas não protegem a classe; pelo contrário, apenas contribuem para a erosão da confiança pública na Justiça. Defender a dignidade da profissão passa, inevitavelmente, por condenar qualquer utilização abusiva dos sistemas informáticos e exigir o escrupuloso cumprimento dos deveres legais e deontológicos que vinculam todos os Oficiais de Justiça, sem exceção.
Isto é tudo verdade, no entanto veja-se a desconsideração com que sucessivos governos têm votado a classe dos oficiais de justiça, culminando nos últimos diplomas legais que conduzem à desvalorização, estagnação e menoridade da classe.
EliminarJá para não falar do caso dos eventuais que estão à espera do pagamento pela reconstituição da carreira e que vai caindo no esquecimento e tantos outros casos que envergonham os dirigentes governamentais...só que já não vergonha, vale tudo e quem espera pelas soluções, que espere, de preferência que morra antes, que sempre é menos uma reforma que o estado tem que pagar.
pois, pois, tudo muito bem-dito no comentário. Mas muitos oficiais de justiça além de comer, tem de vestir, pagar a renda, educar os filhos, etc. Não estou a dizer que aprovo condutas ilegais. Estou a dizer que muitos dos colegas na dgaj que acham que os oficiais de justiça estão bem pagos não sabem o que dizem e, se calhar, fazem parte de um coro que lhes dá lugar a cargos. Pois, como em todo o lado, pessoas em situação de aperto, vendem-se: uns por uns bilhetes de futebol, outros por um montante para pagar dívidas de jogo, outros para pagar as dívidas gerais. E quanto mais apertam o garrote - e nós (Portugal) temos 900 anos de história - as situações anómalas surgem e a desconfiança na instituição aumenta.
EliminarAlgumas pessoas parece que esqueceram o seu passado e que a água lava tudo e com um pouco de "omo" tudo fica mais branco.
E os dirigentes sindicais que devias estar constantemente a pressionar a Dgaj parece que convivem.
Muito esclarecedor para quem ainda não tem noção das responsabilidades de ser funcionário judicial. Quanto a fugas de informação e segredo de justiça podem ser todos suspeitos, desde funcionários, magistrados, advogados, polícias
ResponderEliminarE a divulgação para a comunicação social de uma investigação que está em curso? onde está o sigilio? onde está o segredo de justiça?
ResponderEliminarAlguma brasileira das recém entradas?!
ResponderEliminarcomo diz o povo: "a brincar a brincar é que o cão ....." as tuas brincadeiras são dispensáveis, porque se fala a sério és dispensável
EliminarA caça às Bruxas já à muito começou,,,mas ninguém quer ver ou abrir os olhos para tal....
ResponderEliminarCego é aquele que não vê, mas mais cego ainda é aquele que não quer ver.......
Pode ser que com base nesta situaçāo que foi descoberta e divulgada na c.social, não sendo a primeira, intensifiquem agora ainda mais as auditorias aleatórias àquilo que se faz no dia a dia, ao nível das pesquisas nas bases de dados e nos processos. Demora é algum tempo, mas pode resultar em alguns casos e a nível local as pessoas até saberão quem abusa.
ResponderEliminarQuem não tem vergonha, todo o mundo é seu.
Alerto para o cumprimento rigoroso da lei nessas pesquisas.A curiosidade pessoal matou o gato, o pedido do amigo ( falso) pode resultar mal.
Os deveres dos Oficiais de Justiça estāo acima de tentativas de corrupção e como tal devem exigir a quem de direito essas auditorias para separar o trigo do joio .Quem não deve não teme.
Por outro lado não se sabe se a legislação mais recente sobre proteçāo de dados estará bem assimilada por todos os colegas, dada a pouca formaçāo.A pessoa em causa deve ser nova no serviço e não lhe terão incutido bem todos os deveres.Julgará que só tem direitos.
Quem tem o poder de investigar que o faça e talvez se surpreenda.
Esta malta nova que recentemente entrou, sem qualquer critério, sem entrevistas de avaliação de competências, sem testes psicotécnicos ou psicológicos, com provas de acesso feitas online em casa, vai dar muito que falar no futuro...
ResponderEliminarIsto é só o início!!!
😁😁😁😁
Concordo.
EliminarE aqueles que nem português sabem escrever?
há uma formação presencial muito boa sobre ética judiciária, ministrada por inspetores e com manual no moodle
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