“A Segurança Social não está falida. Está a ser cobiçada.”
O grupo denominado “Grupo de Trabalho para a Reforma da Segurança Social”, elaborou um relatório intitulado: “Reformar as Pensões em Portugal”.
Este grupo foi
criado pelo Despacho 1452/2025, de 31 de janeiro, da ministra do Trabalho,
Solidariedade e Segurança Social.
Ao longo das
suas mais de 600 páginas, o relatório, coordenado por Jorge Bravo, determina,
em síntese, que a Segurança Social não tem futuro e que será necessário
recorrer à iniciativa privada para se ter uma pensão.
E onde está o tal relatório? Aqui mesmo, está disponível na nossa nuvem a que acede através da seguinte hiperligação: “Relatório do Grupo de Trabalho para a Reforma da Segurança Social”.
Mas, quem é o
coordenador a quem o Governo entregou o estudo das nossas pensões?
«Jorge Bravo é o
homem das seguradoras privadas e não, a Segurança Social não está falida; está é
a ser cobiçada.
E antes de te
dizerem outra vez que "não há alternativa", faz a pergunta que
incomoda: quem paga ao mensageiro?
Para quem
trabalha Jorge Bravo?
Consultor
científico de seguradoras – Fidelidade, Império-Bonança, Seguradoras Unidas.
Coordenador do observatório da associação das seguradoras. Consultor da
associação dos fundos de pensões. Consultor da associação dos emissores dos
cartões de refeição. Não o digo eu: é o currículo dele, depositado na Ordem dos
Economistas, pela mão dele.
E há o posto
internacional: membro do fórum de peritos do instituto de pensões de um banco
espanhol, o BBVA. Ao lado de quem? Do pai do sistema sueco de contas
individuais e do economista do Banco Mundial que passou trinta anos a pregar a
capitalização. Quando leres "contas nocionais" no relatório, já sabes
de que cadeira vieram.
Quem o premeia?
Em 2023, a
indústria dos fundos de pensões deu-lhe o troféu de "Personalidade do
Ano". A justificação, nas palavras do presidente da associação: o
"historial de colaboração" com a indústria e o apoio "sempre
concedido" às suas associadas. Guarda esta frase. É a indústria a
agradecer, por escrito, ao homem a quem o Governo entregou o estudo sobre a tua
pensão.
Que política
serve?
Colaborou na
elaboração de programas eleitorais do PSD. Quando Passos Coelho quis
"reformar" as pensões, chamou-o para a comissão interministerial.
Quando este Governo quis um estudo "independente", adivinha quem
escolheu.
E quanto acerta?
Em 2015 assinou
o estudo que dizia que o sistema "já não tem salvação possível" e que
o défice ia duplicar até 2025. Chegou 2025: excedente de 6,7 mil milhões de
euros, certificado pelo Conselho de Finanças Públicas, e a maior reserva de sempre
– 49 mil milhões, que pagam 28 meses de pensões sem entrar um cêntimo. O morto
que ele certificou enterrou-lhe a credibilidade académica. Há dez anos que
prevê o fim da Segurança Social; há dez anos que a Segurança Social o desmente.
As contas dele não têm currículo – têm cadastro.
E o círculo?
O Tribunal de
Contas pagou-lhe 23,6 mil euros para "capacitar" a equipa da
auditoria que declarou o famoso "buraco". Quem o indicou para esse
trabalho? Um instituto de cuja comissão de acreditação ele próprio faz parte. O
Governo pegou nessa auditoria para criar um grupo de trabalho. E entregou-lhe o
grupo.
O mesmo homem
fez o diagnóstico, validou o diagnóstico e foi contratado para confirmar o
diagnóstico. A isto os manuais, regra geral, chamam conflito de interesses. Ele
chama-lhe carreira.
E a coerência?
Repara no
truque, porque está todo aqui: as correções que ele faz às contas vão todas dar
ao mesmo sítio. Os excedentes da Segurança Social? "Corrige-os" para
baixo – são "ilusão", são "mentira completa". O défice da
CGA? Aceita-o ao cêntimo – sem descontar os oitenta anos em que o Estado,
enquanto patrão, não pagou as contribuições que a lei em vigor determina a
qualquer empresa deste país. Só começou a descontar em 2009 – quem o recorda é
quem dirigiu a própria CGA. Nas 607 páginas do relatório, nem uma linha a fazer
essa conta.
Excedente é
sempre miragem, défice é sempre verdade revelada. Um perito rigoroso corrige os
números para os dois lados. Um lobista só corrige para o lado do cliente, os
fundos de pensões que querem meter o dinheiro da tua reforma na economia de
casino.
E o que propõe?
A tua pensão
deixa de ser um direito fixado na lei e passa a ser o saldo de uma conta
individual. Quando as contas do sistema apertarem, o corte é automático, está
lá o mecanismo, com fórmula e tudo. Capítulo 6.
Hoje existe uma
idade em que a tua pensão está inteira, por direito. Na proposta, essa idade
desaparece: qualquer saída passa pela calculadora da esperança de vida.
Trabalhas mais anos ou aceitas menos pensão, a escolha é tua, o preço é da
tábua. Página 174.
Os aumentos
extraordinários das pensões, como os dos últimos anos? Substituídos por
"regras automáticas". Nunca mais um governo decide aumentar a tua
pensão: passa a decidir uma fórmula. Capítulo 9.
O único regime
público de capitalização que existe é encerrado a novas adesões. E a poupança
segue para onde? Para planos de inscrição automática geridos pela indústria
privada, com subsídio do Estado à mistura. Se não disseres nada, estás dentro –
é o próprio a explicá-lo: "inverte-se o ónus". A indústria que lhe
entrega troféus agradece a encomenda. Capítulo 14.
Para quem tem
pensão pequena e casa própria: "mobilizar o património imobiliário".
Em português corrente, hipotecar a casa para conseguir envelhecer. Ele
publicava artigos científicos sobre hipotecas inversas muito antes de as
receitar ao país. Capítulo 18.
E a almofada?
Os 49 mil
milhões que os trabalhadores deste país acumularam passam a garantir o balanço
do novo sistema, a alimentar o tal mecanismo dos cortes automáticos. Página
185, quase palavra por palavra.
No fim, a
confissão: mesmo com isto tudo, o próprio relatório projeta que as pensões
públicas caem 10 a 12 pontos. Leram bem. Isto não é um plano para travar a
queda da tua pensão. É um plano de gestão da descida – com os fundos privados
de pensões a cobrar comissão pela viagem. Ou seja: a tua pensão desce, e o
sistema financeiro ganha mais um negócio milionário com renda do Estado (ou
seja, das nossas contribuições).
Uma última
pérola, esta saída da pena dele: o relatório pede um pacto capaz de
"resistir à alternância democrática". Tradução simples: à prova do
teu voto, da tua vontade democrática. Quando um documento se orgulha de
sobreviver a eleições, está a confessar que não sobreviveria a um debate. Foi
por isso que ontem mesmo entregámos um requerimento para o chamar ao
parlamento. Queremos escrutinar o trabalho do lobista Jorge Bravo.
A Segurança
Social não está falida. Está a ser cobiçada. E antes de te dizerem outra vez
que "não há alternativa", faz a pergunta que incomoda: quem paga ao
mensageiro?»
Fontes: artigo subscrito pelo deputado Fabian Figueiredo, publicado no "Esquerda.net" e “Relatório do Grupo de Trabalho para a Reforma da Segurança Social”.

“Aqueles que juram a pé juntos querer salvar a Segurança Social são aqueles que, a pretexto desse, entre aspas, salvamento, procuram pôr as mãos no dinheiro, procurando a todo o custo vender as narrativas. (…) Há 20 anos ouvíamos dizer que entre 2025, 2030, isto ia acabar, não ia haver dinheiro. E fomo-nos aproximando do 25 e passou para ser em 2040. Agora já vamos em 2060, 70”.
ResponderEliminar“o grande bem e o grande mal da Segurança Social é estar financeiramente estável e robusta”.
“Não vale a pena estarmos com ilusões: se a Segurança Social não tivesse dinheiro, e garantia de que vai ter dinheiro, não havia nenhum problema, não havia nenhum interesse e a cobiça não se alargava. No fundo, bem espremido é isto que é”,
Aqui está mais uma vez a demonstração do que é roubar o povo
ResponderEliminarRoubar o pequeno para dar ao grande
Com o país cheio de governantes políticos vendidos que futuro se espera?
Não acordem e depois queixem-se que os filhos não têm futuro e têm mesmo que emigrar
Pois continuam a fazer deste país a quinta dos políticos, amiguinhos, grandes empresários, banqueiros e afins
Filhos da put
Obrigado bloguers pelo vosso trabalho informativo e tentativa de alertar consciências!
Ora aqui está certeiro!
EliminarMas eu digo mesmo filhos da puta de ladrões que não deixam este país avançar!
E ainda chamam outros de 4o mundo
Cabroes
Há anos que a Banca e as seguradoras cobiçam estes milhares de milhões...
ResponderEliminarEstes estudos encomendados são o maior barrete, o mesmo “especialista” das seguradoras fez um estudo em 2015 onde falhou em todas as previsões
O que faz o Montemerda?
Contrata novamente o mesmíssimo “isento” individuo
Está tudo entregue aos bichos
O(s) partidos(s) que no governo decidam privatizar ainda que uma pequena parte do fundo de pensões nunca mais voltarão a ser governo!
ResponderEliminarFilhos da …… sempre que estes chu ….. das direitas se instalam no poder são tão preocupados com a seg social , se estivesse falida isto tudo passava - lhes ao lado ! Povinho abram os olhos !
ResponderEliminarAcorda pá
EliminarDireita e PS é tudo merd
Estuda o PS e verás
Uma pipa de massa de biliões, qual o porco por bolotas que não a cobiça? Estes chouriços chafurdam onde é possível. Se correr mal a culpa, é dos funcionários incompetentes. Fogo neles, apetece dizer.
ResponderEliminarApetece dizer? Tens mefo de dizer? Ladrões do povo! Chulos filhos da puta mesmo
Eliminar