A Voz dos Oficiais de Justiça: “Uma carreira também é tempo de vida”
Apesar da semana de trabalho ter começado ontem, hoje já é quarta-feira e, portanto, é dia de voltar a dar voz direta aos Oficiais de Justiça.
Hoje vamos reproduzir o escrito do Paulo no
qual sintetiza a carreira, tantos anos de serviço e tanta desilusão, conforme nos
fez chegar ao nosso e-mail aberto a todos e sem quotas nem cotas: OJ.PT@YAHOO.COM
E a voz do Paulo é mais um grito que desabafa
assim:
«Quase 30 anos depois, ainda há uma parte de mim que não
aprendeu a fingir que não viu.
Tenho 53 anos.
Entrei para os Oficiais de Justiça quando a Justiça era
feita de papel, capas, processos físicos, máquinas de escrever e carimbos.
Vi chegar o computador.
Vi chegar o WD4.
Vi chegar o Habilus.
Vi nascer o Citius.
Vi desaparecerem toneladas de papel e aparecerem ecrãs,
plataformas, notificações eletrónicas, assinaturas digitais e novas formas de
trabalhar.
Vi mudar os tribunais.
Vi mudar os processos.
Vi mudar os magistrados.
Vi mudar a organização judiciária.
Vi mudar a linguagem.
Vi mudar quase tudo.
Ou quase.
Porque há uma coisa que, passados quase 30 anos, continua estranhamente igual: a forma como se olha para quem trabalha todos os dias nas secretarias dos tribunais.
Entrei jovem.
Hoje olho para trás e percebo que aquela pessoa que entrou
num tribunal há décadas não fazia ideia da dimensão da profissão que tinha
escolhido.
Não sabia ainda que ser Oficial de Justiça não era
simplesmente ocupar um lugar num mapa de pessoal.
Não sabia que haveria dias de trabalho que começariam antes
da hora e terminariam depois dela.
Não sabia que haveria diligências difíceis, pessoas
desesperadas, vítimas, arguidos, famílias destruídas, conflitos, prisões,
buscas, interrogatórios, notificações, deslocações, contactos com polícias,
advogados, magistrados e tantas outras entidades.
Não sabia que haveria momentos em que uma simples diligência
poderia ter consequências enormes na vida de alguém.
E muito menos imaginava que, quase 30 anos depois, ainda
estaria a explicar que um Oficial de Justiça não é um número.
De 1999 a 2026
Em 1999, o Estatuto dos Funcionários de Justiça tinha uma
estrutura de carreira muito diferente da atual.
Existiam várias categorias, com diferentes escalões e
índices remuneratórios.
O escrivão adjunto, por exemplo, tinha seis escalões,
correspondentes aos índices 365, 395, 410, 450, 470 e 500.
Era uma carreira construída numa lógica de categorias e
progressões por escalão.
Depois vieram alterações.
Vieram reformas administrativas.
Veio a Lei da Organização do Sistema Judiciário.
Vieram a Lei Geral do Trabalho em Funções Públicas e a
necessidade de rever as chamadas carreiras não revistas.
Vieram novas exigências.
Vieram novas ferramentas.
Vieram novas responsabilidades.
Vieram novos modelos de gestão.
E, finalmente, em 2025, chegou a nova carreira especial de
Oficial de Justiça.
Duas categorias.
Escrivão.
Técnico de Justiça.
Uma carreira de grau 3 de complexidade funcional.
Uma nova tabela remuneratória.
Um novo modelo de chefias.
Um suplemento de disponibilidade.
Uma nova arquitetura profissional.
Em 2026, o processo continua a ser regulamentado.
Não se pode, portanto, dizer honestamente que nada mudou.
Mudou.
E mudou bastante.
Mas talvez seja precisamente essa a questão.
Mudou quase tudo à volta do Oficial de Justiça.
O que ainda está por perceber é se mudou suficientemente aquilo que verdadeiramente importa: a valorização de quem sustenta diariamente o funcionamento da Justiça.
O vencimento também conta
Em 1999, falávamos em índices.
Hoje falamos em níveis remuneratórios.
Em 1999, um Oficial de Justiça podia subir de escalão
permanecendo durante anos na mesma categoria.
Hoje temos uma estrutura completamente diferente.
Há uma nova carreira.
Há novos níveis remuneratórios.
Há integração do antigo suplemento de recuperação processual
na remuneração base.
Há um suplemento de disponibilidade.
Há regras novas de transição e reposicionamento.
Mas há uma pergunta que continua legítima:
quanto vale, afinal, uma vida profissional inteira dentro
dos tribunais?
Não falo apenas de euros.
Falo do valor de quase 30 anos de experiência.
Do conhecimento acumulado.
Da capacidade de resolver problemas que não aparecem em
manuais.
Da memória institucional.
Da experiência adquirida quando ainda se trabalhava com
processos em papel.
Da adaptação sucessiva a sistemas informáticos.
Da capacidade de trabalhar com magistrados diferentes, em
tribunais diferentes, em áreas processuais diferentes.
Da responsabilidade.
Da disponibilidade.
Da pressão.
Daquilo que não aparece numa estatística.
Porque uma carreira não é apenas uma tabela remuneratória.
Uma carreira também é tempo de vida.
E há uma coisa que não pode ser apagada por nenhuma reforma administrativa: o tempo que um Oficial de Justiça entregou à Justiça portuguesa.
Aprendemos a fazer mais. Muito mais.
Hoje exigem-nos digitalização.
Exigem-nos produtividade.
Exigem-nos celeridade.
Exigem-nos adaptação.
Exigem-nos novas plataformas.
Exigem-nos novos procedimentos.
Exigem-nos indicadores.
Exigem-nos resultados.
E nós fazemos.
Como sempre fizemos.
Porque os Oficiais de Justiça têm uma característica que raramente aparece nos discursos: adaptam-se.
Adaptámo-nos ao computador.
Adaptámo-nos ao Citius.
Adaptámo-nos às reformas.
Adaptámo-nos às novas comarcas.
Adaptámo-nos às novas competências.
Adaptámo-nos à falta de meios.
Adaptámo-nos à falta de pessoal.
Adaptámo-nos, muitas vezes, ao impossível.
E talvez seja precisamente por isso que existe um erro
perigoso na forma como se olha para esta profissão.
Como conseguimos fazer, presume-se que podemos continuar a
fazer.
Como resolvemos, presume-se que sempre resolveremos.
Como aguentamos, presume-se que podemos continuar a
aguentar.
Mas há uma diferença entre resiliência e resignação.
E os Oficiais de Justiça não podem ser confundidos com trabalhadores que aceitam tudo apenas porque, até agora, conseguiram suportar tudo.
É curioso como, para medir o nosso trabalho, aparecem sempre
números
Número de processos.
Número de atos.
Número de diligências.
Número de notificações.
Número de pendências.
Número de processos findos.
Número de movimentos.
Número de minutos.
Número de trabalhadores.
Número de faltas.
Número de horas.
Número de resultados.
Para medir o trabalho dos Oficiais de Justiça aparecem
sempre números.
É curioso.
Para medir aquilo que lhes é devido, parece haver sempre
tempo.
Talvez seja altura de perceber uma coisa muito simples: eficiência sem qualidade é apenas velocidade.
Produtividade sem reconhecimento é exploração do esforço.
E uma Justiça gerida exclusivamente por indicadores corre o
risco de esquecer aquilo para que existem os tribunais.
Um processo não é uma unidade de produção.
Uma diligência não é apenas um número.
Um atendimento não é simplesmente mais uma linha numa
tabela.
Uma vítima não é uma ocorrência estatística.
Um arguido não é um número de processo.
E um Oficial de Justiça não é uma máquina concebida para
alimentar indicadores.
A fotografia da mesa
Há fotografias que dizem mais do que aquilo que
aparentemente mostram.
Uma mesa cheia de papel pode parecer apenas uma mesa cheia
de papel.
Mas também pode contar uma história.
Fala-se em acabar com o papel nas secretarias dos tribunais.
Fala-se em digitalização.
Fala-se em modernização.
Fala-se em transformação digital.
Fala-se em eficiência.
E depois aparece uma fotografia de uma reunião de quadros
superiores onde, em cima da mesa, se vê aquilo que supostamente estamos todos a
tentar ultrapassar: papel, dossiês e canetas.
A ironia é evidente.
Mas não é essa a parte mais importante.
A verdadeira questão está por trás da fotografia.
Porque os tribunais não podem ser geridos exatamente como
uma linha de produção.
A Justiça não fabrica parafusos.
A Justiça lida com pessoas.
Com direitos.
Com liberdades.
Com património.
Com famílias.
Com violência.
Com crianças.
Com vítimas.
Com arguidos.
Com vidas.
Há diligências que demoram dez minutos.
Há outras que podem consumir horas.
Há processos simples.
Há processos extraordinariamente complexos.
Há atos que exigem preparação, estudo, contactos,
deslocações, articulação com magistrados, advogados, polícias e outras entidades.
Há decisões administrativas que podem parecer pequenas num
mapa de Excel e ter consequências enormes na vida de quem está numa secretaria.
A Justiça tem números.
Mas não pode ser reduzida aos números.
E depois há aquilo que não aparece
Não aparece na estatística o Oficial de Justiça que fica
mais meia hora porque uma diligência se atrasou.
Não aparece o que atende uma pessoa desesperada e tenta
explicar-lhe, com paciência, aquilo que ela não compreende.
Não aparece quem conhece o funcionamento da secretaria e
consegue resolver um problema antes de ele chegar ao magistrado.
Não aparece quem conhece os processos pelo nome das pessoas
e não apenas pelo número.
Não aparece quem, depois de décadas, sabe onde procurar
aquilo que um sistema informático não encontra.
Não aparece a experiência.
Não aparece o bom senso.
Não aparece a responsabilidade.
Não aparece a humanidade.
E, sobretudo, não aparece aquilo que talvez seja mais
difícil de contabilizar: a consciência profissional.
A parte de mim que não aprendeu a fingir
Há uma parte de mim que nunca aprendeu a fingir que não viu.
Não é teimosia.
Não é necessidade de ter razão.
É um sentido de justiça que me habita de uma forma quase
incómoda.
Há coisas que simplesmente não consigo normalizar.
O desrespeito.
A indiferença.
A falta de humanidade.
A facilidade com que alguns passam por cima dos outros e
continuam o caminho como se nada tivesse acontecido.
Sempre me disseram que eu sentia tudo demasiado.
Talvez sinta.
Mas prefiro isso a deixar de sentir o suficiente.
Não luto porque gosto de conflitos.
Na verdade, canso-me deles.
O que me custa é assistir ao silêncio quando alguém devia
falar.
É ver o esforço de quem dá tudo ser tratado como se valesse
tão pouco.
É perceber que há quem confunda bondade com fraqueza e
dedicação com obrigação.
O meu lado justiceiro nunca foi sobre vencer discussões.
Foi sempre sobre conseguir olhar ao espelho e saber que não
me calei quando a minha consciência me pediu voz.
Às vezes paga-se um preço por isso.
Desiludimo-nos.
Afastamo-nos.
Questionamo-nos.
E, às vezes, chegamos mesmo a pensar se não seria mais fácil
procurar outro caminho.
Talvez seja essa a grande ironia de alguém com 53 anos e quase 30 de serviço: depois de entregar uma parte tão grande da vida a uma profissão, ainda conseguir pensar que talvez exista um lugar onde o nosso trabalho seja mais reconhecido.
Não porque tenhamos deixado de gostar da Justiça.
Mas porque também temos o direito de perguntar se a Justiça
ainda sabe reconhecer quem a faz funcionar.
O que é, afinal, ser Oficial de Justiça?
Ser Oficial de Justiça é muito mais do que cumprir tarefas.
É estar entre a lei e a realidade.
É transformar decisões em atos concretos.
É fazer chegar a Justiça às pessoas.
É garantir que aquilo que está escrito numa decisão judicial
acontece no mundo real.
É estar presente quando os outros já não sabem o que fazer.
É trabalhar muitas vezes sem aplauso e quase sempre sem
visibilidade.
É saber que, quando tudo corre bem, ninguém se lembra de
quem esteve por trás.
É saber também que, quando alguma coisa corre mal, alguém
perguntará imediatamente: quem estava responsável?
Ser Oficial de Justiça é carregar responsabilidades que não
cabem numa folha de Excel.
E é por isso que, ao fim de quase 30 anos, ainda não consigo
olhar para esta profissão como quem olha simplesmente para um emprego.
Foi um trabalho.
É uma profissão.
Mas também foi uma parte da minha vida.
Não quero um mundo perfeito
Não quero um mundo perfeito.
Quero apenas viver num sistema onde a honestidade ainda
tenha valor.
Onde o trabalho seja reconhecido.
Onde a experiência conte.
Onde o respeito não seja um favor.
Onde a responsabilidade seja acompanhada de condições para a
exercer.
Onde a modernização não signifique apenas exigir mais aos
mesmos.
Onde os números sirvam para melhorar a Justiça e não para
esconder aquilo que os números não conseguem medir.
E onde cuidar de quem trabalha nos tribunais não seja
considerado um custo.
Porque investir nos Oficiais de Justiça não é investir num
grupo profissional.
É investir na própria Justiça.
Ainda há uma coisa que não mudou
Quase 30 anos depois, muita coisa mudou.
Mudaram os estatutos.
Mudaram as categorias.
Mudaram os escalões.
Mudaram os índices.
Mudaram as remunerações.
Mudaram os computadores.
Mudaram os sistemas.
Mudaram os tribunais.
Mudaram as comarcas.
Mudaram os processos.
E agora mudou novamente a carreira.
Mas há uma coisa que não devia mudar: a dignidade de quem exerce esta profissão.
E talvez seja esse o verdadeiro ponto de partida para
discutir o futuro dos
Oficiais de Justiça.
Não apenas quantos atos fazemos.
Não apenas quantos processos movimentamos.
Não apenas quanto tempo demoramos.
Mas quem somos.
O que fazemos.
O que carregamos.
E quanto da nossa vida já entregámos a esta Justiça.
Porque há batalhas que não escolhemos.
Foram elas que nos escolheram.
E, enquanto eu continuar a ser eu, haverá sempre uma parte de mim que se levanta quando alguma coisa, cá dentro, sussurra: “Isto não está certo.”
Não vou pedir desculpa por isso.
Aos 53 anos, depois de quase 30 anos de serviço, talvez já
tenha idade suficiente para saber que não quero passar o resto da minha vida a
fingir que não vejo.
Quero poder olhar para trás e dizer que fiz o meu trabalho.
Que dei o melhor de mim.
Que me adaptei.
Que aguentei.
Que aprendi.
Que servi.
Mas, sobretudo, quero poder dizer uma coisa muito simples: não me calei quando a minha consciência me pediu voz.
Porque uma Justiça que exige tudo de quem a executa também
tem de aprender a reconhecer quem a sustenta.
E porque, no fim, há coisas que não podem ser medidas.
A dignidade é uma delas.
A consciência é outra.
E o valor de quase 30 anos de serviço não cabe numa folha de
Excel.
E publico estas palavras sem me esconder atrás do anonimato.
Com o meu nome.
Com os meus 53 anos.
Com quase 30 anos de serviço.
Com o orgulho de ter sido, durante todos estes anos, Oficial
de Justiça.
Não escrevo a partir de uma bancada, nem de uma trincheira
anónima. Escrevo a partir de dentro. De quem conhece os tribunais por dentro, o
trabalho, as dificuldades, as mudanças, as injustiças e também as conquistas.
Posso estar errado em algumas coisas. Posso ter opiniões
diferentes de outros. Posso até incomodar.
Mas uma coisa não escondo: a minha identidade.
Porque, depois de quase 30 anos a servir a Justiça, não
tenho necessidade de me esconder para dizer aquilo que penso sobre a profissão
que escolhi.
E se há uma coisa que aprendi neste caminho é que a coragem
nem sempre está em enfrentar grandes batalhas.
Às vezes, está simplesmente em assinar o que escrevemos.
Eu assino.
E enquanto tiver voz – e consciência – continuarei a dizer
aquilo que acredito que deve ser dito.
Sem anonimato.
Sem medo de ser quem sou.
E sem pedir desculpa por não ter aprendido a fingir que não
vejo.»
[Paulo Oliveira]
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Exelente analise real.
ResponderEliminarTriste o que não mudou em 30 anos.
O que não mudou foi a valorização de quem trabalha e trabalhou a sério há 30 anos e os maus tratos da tutela e algumas chefias que de chefiar nunca souberam.
E também não mudou o sindicalismo oportunista.
certeiro
EliminarCompreendo o desabafo, mas é preciso olhar para a realidade de forma completa e sem romantismos excessivos.
ResponderEliminarHá quase 30 anos, quando muitos destes profissionais entraram para os tribunais, as exigências de entrada eram radicalmente diferentes, a começar pelo facto de muitos entrarem sem sequer o 12.º ano. Olhando para o mercado de trabalho atual em Portugal, quantos operários fabris, empregados de escritório ou trabalhadores do setor privado sem qualificações superiores chegam a patamares remuneratórios de dois mil euros mensais? A esmagadora maioria nunca lá chega. Ter essa estabilidade e remuneração na Função Pública exige, por isso, um profundo sentido de gratidão e consciência da realidade do país.
As coisas mudaram de forma drástica, e o problema é que as exigências de hoje não se compadecem com métodos do século passado. Como é possível que, nos dias de hoje, passados tantos anos de transição digital, ainda haja profissionais nos tribunais que demonstram incapacidade para gerir tarefas básicas do quotidiano moderno, como saber conduzir ou assegurar uma simples sessão por Webex?
A modernização da Justiça não se faz apenas com novas leis ou estatutos no papel, faz-se com competência técnica real. As novas gerações que estão a entrar, e as que hão de vir, trazem a formação, a polivalência e a agilidade digital que o serviço público exige atualmente. A adaptação não é opcional quando se lida com o dinheiro dos contribuintes e com a eficiência do Estado.
Respeita-se a experiência acumulada, mas a antiguidade não pode ser um escudo contra a falta de atualização tecnológica e de apetência para as exigências do presente.
Estás encostada ao SFJ.
EliminarEm 1999 para se entrar para um tribunal era necessário concorrer com mais de SESSENTA MIL CANDIDATOS.
Para compreenderes seria necessário fazer-te um desenho.
Tudo bem, mas era se os tais ditos velhotes (nós) fossem substituídos ao longo do tempo pela tal malta nova que lida bem, como nós já lidamos no passado, com as constantes novidades. Como não metem pessoal ,a não ser magistrados, a malta já não tem a mesma ginástica fisica e mental que tinha e o resultado está à vista .. tudo para o charco...
EliminarNão, mas também não se pode pedir ou exigir a pessoas na casa dos 60 que sejam mestres em tecnologias que muitos, bem mais novos, não dominam. Sabe-se bem da falta de plasticidade do cerebro a partir de certa idade. Na musica, e até mesmo na informática,a barreira do 40 é determinante. Querer que pessoas com 50 ou 60 anos utilizem ferramentas de última geração não funciona. É sabido internacionalmente, como é sabido por cá, nesta casa.
EliminarQue narrativa deprimente.
EliminarTenho 57 anos, nao sou super dotado nem detentor de qualquer formacao academica em areas tecnologicas, e munca tive qualquer dificuldade em me adaptar às sucessivas alterações nos equipamentos de trabalho.
Porquê?
Porque estou disposto a sair da zona de conforto, gosto de aprender e ser util numa equipa de trabalho.
para 7/10/26 08:14
EliminarÉs o maior agora,
quero ver-te daqui a uns anos ou vais ficar encostado num tachinho?
Para o colega das 11:50. As narrativas não são deprimentes ou otimistas, são reais, ou não. Você pode até nem ter dificuldades, mas uma boa parte tem. É sabido que a adaptação às novas tecnologias aumenta exponencialmente com a idade. Mas pronto, sabemos que o colega se destaca dos demais - Parabéns!
EliminarPara anónimo daa 8:14... não saber fazer webex é algum crime..talvez sabe fazer outras coisas bem.melhores do que tu...ou achas que és a estrela dos tribunais?
EliminarMuito bom!!!
ResponderEliminarColega isto vai continuar a deteriorar-se, sabe porquê? Porque não há entradas para colmatar sequer os que se reformam.
ResponderEliminarNada disto é por acaso, o MJ tem isto tudo estudado, a IA vai substituir as pessoas podem crer.
Até lá vão fazendo devagar e bem, pois isto é uma máquina de encher chouriços, as pessoas não importam são números.
É só propaganda o que chega do MJ.
Entretanto nós os felizardos que ainda estão á espera do pagamento da reconstituição da carreira continuamos alegremente á espera.
Entretanto o Chega quando ganhar as próximas eleições e quando for poder, este exercício que aqui estou a fazer vai deixar de ser possível. Não tenho dúvidas disso. Aliás por todo o mundo a extrema direita está a tomar conta dos países e Portugal não vai ser exceção. Só espero já cá não estar quando isso acontecer.
Venha a IA já, estou-me cagando.
EliminarQuem tem filhos devia estar preocupado e ser mais reivindicativo, mas está nada.
trabalhem escravos.
Vivemos tempos difíceis de loucura , por vezes, mas quem puder arranjar melhor profissão que o faça sem hesitações. Como dizia uma colega minha há tempos , isto a apenas serve alguns previligiados.
ResponderEliminarLígia dos. !
O´bvio que só serve uns poucos parasitas que se colam e lambem botas
EliminarBoa e excelente analise mas, na verdade é que continuamos no mesmo uma vida sem qualquer valorização, só promessas não cumpridas!
ResponderEliminarContinuem a pagar para sindicatos e baixar as calças a mentirosos.
EliminarCaro colega: Como me revejo em tudo que diz e sente ! Aos 61 anos de idade e 35 de serviço, tudo o que disse me tocou sinceramente...Só acrescento os milhares de kilómetros de viagens, o viver em quartos manhosos, a solidão de jantar sózinho numa tasca da esquina.
ResponderEliminarE não querendo filosofar nem armar - me em poeta e gajo muito sensível, sabe o que é a nossa vida?
"Eu não sou eu nem sou o outro,
Sou qualquer coisa de intermédio:
Pilar da ponte de tédio
Que vai de mim para o Outro."
Abraços
Colega foste enganado como todos os que entraram antes de 2005.
EliminarSe puderes foge.
A vida é curta.
apesar dos novatos pensarem que são imortais
Muito bom.
ResponderEliminarParabéns pelo artigo.
Revejo-me completamente nele.
Um abraço colega.
Muitos oficias de justiça desanimados com a perda de direitos ($$$) foram-se encostando, quanto menos fizeram e de menos responsabilidade melhor e encontraram esse tipo de trabalho com pouca responsabilização que qualquer assistente operacional faz.
ResponderEliminarMas esses continuam a fazer isso e não querem mudanças: é tudo complicado, eu não ganho suficiente, só me querem responsabilizar, mas estes são a minoria.
Aqueles que trabalham e dão no duro e estão aptos à mudança, muitos até com o nono ano de escolaridade que fazem inveja a muitos licenciados, e caminham para o lado oposto dos atrás citados, estão a ver a sua situação ainda mais negra: uns foram despromovidos, outros são ultrapassados, sabe-se lá como, por regimes de substituição; etc.
Há muitos licenciados que também são ultrapassados e ficam a olhar sem dizerem nada à espera de uma potencial "mama", mas agora há muitos....
Discursos rectos e muito bonitos com cara de racionalidade pura e de desafios a ultrapassar é tudo treta, como o do Anónimo7/10/26 08:14. Como diz o outro é para inglês ver, mas não traz solução nenhuma. Tudo cheio de conceitos extensos sem nada. Parece propaganda ...
Som, porque esse anónimo pertence precisamente à maquina da propaganda, dos que falam com eloquência, mas fogem na hora da verdade.
EliminarReconheço a exigência da profissão! Contudo enquanto colegas vivem o horário de trabalho
ResponderEliminarsem stresse, tanto lhes dá cumprir 10, 20 ou 30 despachos mais as vistas , ou estão a dar entrada de papéis , função em vias de extinção, 20 ou 30 por dia, entra quase tudo para os processos, electronicamente, por isso dizem se dispostos a trabalhar até aos 70 anos de idade. Podiam e deviam deixar de ser hipócritas e pensar que serviço urgente que não pode esperar tem que ser feito no dia. Esses que o têm que efetuar, vão morrendo lentamente , até sofrerem ataque cardíaco ou AVC, já que não são baldas e vivem o serviço de forma séria e responsável .
Assim tb trabalharia até aos 70 e mais grave é os responsáveis hierárquicos ou dormirem ou assobiarem pata o lado ou fecharem os olhos
morrendo lentamente!
.
É de conhecimento de todos que a DGAJ e os sindicatos têm pessoas destacadas para escreverem nas redes sociais, incluindo neste blogue.
ResponderEliminarEnquanto se fala no webex, não se fala no SIADAP
Não se deixem levar em cantigas.