Oficiais de Justiça aposentados podem voltar aos tribunais
Há Oficiais de Justiça que se aposentaram este ano que estão a pensar voltar ao ativo, por não concordarem com o novo valor traiçoeiro que, repentinamente, lhes está a ser apresentado para a sua pensão, valor que é menor do que aquele que aceitaram quando decidiram aposentar-se.
Dos casos que
nos foram relatados, estão em causa cerca de 100 euros mensais a menos e a
devolução dos valores já recebidos nos últimos meses.
A Caixa-Geral de
Aposentações (CGA) está a notificar os Oficiais de Justiça aposentados para se
pronunciarem, em 10 dias, sobre um alegado erro no cálculo do valor da sua
pensão, considerando que estão a receber cerca de 100 euros a mais.
O problema
reside no facto destes Oficiais de Justiça aposentados terem sido notificados
do valor da sua pensão para que decidam se o aceitam ou não, tendo decidido
aposentar-se perante os dados que lhes foram apresentados e agora,
traiçoeiramente, os valores são alterados e para baixo.
O valor que lhes
foi apresentado, aceite e ainda publicado em Diário da República, diz a CGA
que, afinal, estava errado e que o valor da pensão tem de ser mais baixo.
Quer isto dizer
que há um novo valor e é perante esse novo valor que os recém aposentados são
confrontados, como se de um erro se tratasse e não uma mudança de opinião na
interpretação da lei.
Os Oficiais de
Justiça aposentados estão a contestar a alteração do valor, considerando que o
valor que aceitaram e lhes foi apresentado deve prevalecer, salvaguardando que,
caso assim não se entenda, então não aceitam este novo valor e pretendem
regressar ao ativo, por mais algum tempo, até que lhes seja apresentado um
valor consentâneo com as suas expectativas, isto é, idêntico ao que ora lhes está
a ser cortado.
Dos 2937 Funcionários
em crise, calculamos que cerca de 100 serão da carreira de Oficial de Justiça.
Os Oficiais de
Justiça já estão habituados a estas mudanças de opinião chamadas de
"erro" contabilístico, informático, ou lá o que for, e já andam com
ações nos tribunais para contestarem tais alegados “erros”, tendo já obtido uma
decisão em primeira instância favorável aos Oficiais de Justiça.
A CGA diz que
vai corrigir, isto é, cortar, 2937 pensões atribuídas desde maio deste ano, devido
àquilo que nem chamam erro, mas "lapso".
Esta situação já
levou o Bloco de Esquerda e o PCP a pedirem explicações aos ministros da
Finanças e do Trabalho, por entenderem que a decisão põe em causa os princípios
da boa-fé e da confiança.
Esta descabelada
situação é inédita. O funcionário “mete os papéis para a reforma” e recebe uma
proposta oficial com o valor que irá receber. Como é possível, depois de ter
feito as suas contas e aceite a proposta, ver o valor indicado ser diminuído
porque alguém decidiu reinterpretar as leis e calcular, por baixo, o valor das
pensões?
A questão,
eminentemente técnica, tem efeitos concretos na vida das pessoas: representa um
corte nas pensões que, nalguns casos, chega a ultrapassar os cem euros mensais.
É, por isso, inevitável que seja colocada no plano político. Bloco de Esquerda
e PCP já anunciaram ter questionado o Governo acerca do que se está a passar,
manifestando a sua discordância e a assumindo a defesa dos direitos dos
pensionistas.
Está já também a
correr uma petição pública, já com milhares de assinaturas, que pede a
intervenção urgente do Parlamento.
Sindicatos e
associações de reformados e aposentados devem também tomar posição e exigir a
reposição da legalidade e que o Estado, no mínimo, se comporte como pessoa de
bem, honrando os compromissos assumidos.
O que está em
causa é a reinterpretação surpresa das regras de cálculo que penaliza,
paradoxalmente, quem trabalhou e descontou durante mais de 40 anos, isto é,
quem trabalhou por mais tempo.
A atuação da CGA
assenta na alegação de um pretenso “lapso associado à determinação da taxa de
formação da pensão”.
Na prática,
depois do trabalhador tomar a decisão “irreversível” de se aposentar, confiando
nos valores validados pelos simuladores oficiais e nos despachos da própria
CGA, recebe uma notificação para audiência prévia (com um prazo exíguo de
apenas 10 dias) a informá-lo de que o seu abono mensal vai encolher.
Na base deste
corte está uma súbita aplicação de legislação com quase duas décadas (de 2005 e
2007). A CGA decidiu agora que, na determinação da pensão, apenas contam “os
anos civis necessários a perfazer uma carreira contributiva completa (40
anos)”. Ou seja, todos os anos de descontos e de serviço público efetivo
prestados para além dessas quatro décadas são pura e simplesmente rasgados e
ignorados, desvalorizando uma vida inteira de trabalho.
Esta decisão da
CGA, configura um corte nas pensões, prejudicial para os reformados e coloca em
causa princípios basilares da Administração, como a boa-fé, a confiança e boa
Administração. Deve, por isso, prevalecer o tratamento mais favorável ao
subscritor e manter os valores inicialmente calculados.
Para o Bloco de
Esquerda, esta manobra configura um "atentado direto à segurança jurídica
e aos mais elementares princípios fundamentais do Direito Administrativo".
O documento entregue na Assembleia da República sublinha a violação grosseira
do princípio da proteção da confiança e do princípio da boa-fé.
O partido alerta
para a injustiça da medida: os trabalhadores organizaram os seus planos de vida
e decidiram cessar a sua vida ativa, alicerçados em simulações do próprio
Estado. O Bloco considera inaceitável que o Estado forneça ferramentas oficiais
de planeamento que induzem os cidadãos em erro crasso e atire depois o ónus
desse erro burocrático para cima da sobrevivência financeira das famílias.
Fabian
Figueiredo alerta ainda para o absurdo de se estar a penalizar precisamente
quem prolongou a sua vida ativa. Num contexto em que a tutela tem feito
sucessivos apelos à permanência dos profissionais no ativo para dar resposta à
escassez de recursos humanos em setores fundamentais como a Educação e a Saúde,
o Estado responde cortando nos rendimentos de quem trabalhou mais anos.
Na pergunta
parlamentar, o Bloco de Esquerda confronta os ministérios liderados por Joaquim
Miranda Sarmento e Maria do Rosário Palma Ramalho com a necessidade de agir
imediatamente. O partido quer saber qual a justificação política para alterar
as regras a meio do jogo e quantos pensionistas já foram alvo destes processos
de corte ao longo dos últimos dois anos.
Mais importante
ainda, o Bloco exige que o Governo emita orientações imediatas à CGA para
"suspender com caráter de urgência estas reduções supervenientes,
garantindo a intangibilidade dos valores inicialmente comunicados como
definitivos aos cidadãos".
Para os casos
onde a redução já foi consumada, o partido exige que o Governo promova a
restituição dos valores subtraídos e reponha o valor inicial das pensões. Por fim,
o Governo é chamado a justificar a discrepância abissal entre as projeções dos
simuladores oficiais e os cortes finais, e a explicar que medidas de
salvaguarda tenciona aplicar para proteger os trabalhadores que ainda estão no
ativo e que planearam a sua vida com base em informações que o Estado vem agora
dizer que, afinal, estavam erradas.
´ Por sua vez, a ministra
do Trabalho diz que os reformados da CGA terão de devolver os valores pagos “a
mais”.
«É uma
deficiência técnica no apuramento da pensão, que será naturalmente corrigida. A
CGA já emitiu uma informação sobre isso e, portanto, será corrigida», afirmou a
ministra à margem da sessão de abertura do Congresso da Confederação Nacional das
Instituições de Solidariedade (CNIS), em Aveiro.
A CGA diz que
estava a ser contabilizada a totalidade dos anos de carreira contributiva,
quando se deveria considerar “apenas os anos civis necessários a perfazer uma
carreira contributiva completa (40 anos)”, invocando as normas previstas na Lei
60/2005 e no Decreto-lei 187/2007. Ao mesmo tempo, deu 10 dias aos antigos
funcionários públicos para contestarem e consultarem o processo.
Quer isto dizer
que, por esta consideração, quem trabalhar mais do que os 40 anos de serviço, não
vai ganhar mais por isso.
A ministra do
Trabalho diz ainda que se trata de um erro técnico “na parametrização da
aplicação do regime”, reiterando o corte e a devolução do já recebido.
Fontes: “Público #1”, “Público #2”, “Notícias ao Minuto”, “Escola PT” e “Esquerda NET”.

tirem-me deste filme...vou fazer 40 anos de descontos!!!
ResponderEliminarprocesso de responsabilidade civil contra o Estado.
ResponderEliminarprovavelmente ficariam a saber, neste caso: A emenda sai pior que o soneto
EliminarMas que país é este? E que governantes são estes?
ResponderEliminarMais uma vez a alterar regras anteriormente dadas como assentes?
Que gente é esta?
E depois querem que o povo nao vote chega por simples protesto e revolta?
Mas que é isto agora de quem trabalhar além dos 40 anos de descontos mínimos não receber mais?
Mas que nome tem isto?
Canalhas!!!
Mais processos em tribunal!
Nunca calar contra estes governantes de merda!!!
Sem duvida!!! Mesmo canalhice e revoltante
EliminarMas talvez tenham a resposta no dia a dia
Mais do mesmo. Então se só são contabilizados 40 anos de descontos, também poderá ser devolvido os descontos, que foram feitos dos anos restantes. Portugal e as leis Portuguesas no seu melhor... Simplesmente ridículo e triste.
ResponderEliminarMencionar "boa fé, confiança e boa Administração" por parte de "agentes pol(h)íticos" que nos desgovernam, para mal dos nossos pecados, há imensoas anos é simplesmente absurdo, mesmo surreal... Até o próprio Pinto de Sousa, um dos tais pol(h)íticos que espelham bem o estado lastimável a que o Estado chegou, afirmou categoricamente, talvez na única coisa certeira que disse em toda a sua carreira, incluindo pol(h)ítica: "O Estado não é pessoa de bem.", reflectindo, obviamente, apenas e só nas personalidades [egocêntricas, narcisisticas e muitas, até psicopatas] que o dirigem e desgovernam...
ResponderEliminarAlguém já viu alguma notificação nos mesmos moldes para quem está a auferir pensões, subvenções e demais quejandos enquanto continuam a laborar em organizações, institutos, conselhos de administração, etc, etc? Alguém?
Parafraseando mas adaptando cá ao burgo: não temos políticos de esquerda ou de direita, temos um bando de pessoas (para ser cordial) que se juntam para roubar o país...
Certeiro
EliminarPor isso ladrão que roubara ladrão terá mil anos de perdão
Daqui lá agora resolverem isto...
ResponderEliminarNão há novidades para ingressos de Oficiais de Justiça para os Tribunais???
Há a dita IA
EliminarE até sindicatos vão ser substituidos por robts
a dita IA
Eliminarchama-se IA Amália e é um flop como os nossos sindicatos
💾⛵
Para estes decisores de M.... não existem cortes apenas benefícios e subvenções vitalícias...
ResponderEliminarComo dizia um/a colega nosso/a no artigo de ontem, deve ter sido algum funcionário com o 12º ano, a quem devemos gratidão, que cometeu o erro.
ResponderEliminarSe fosse alguém licenciado, doutourado, mestrado e outros ados, nada disto acontecia. 😂😂😂😂😂😂😂😂
É vergonhoso que o Tribunal constitucional devolva a justiça
ResponderEliminarTal como acho há bastante tempo, o governo e o PSD estão a dar o poder ao Chega de mão beijada, o ventura quase não tem que se preocupar com mais nada.
ResponderEliminarVote PSD para eleger o Chega como Governo, força Montenegro continua com as tuas políticas de m€rd?.