Rita, os Oficiais de Justiça são os “quem nela trabalha”
Nesta última terça-feira, 13OUT, foi inaugurado o novo Palácio da Justiça da Nazaré que, assim, abandona as velhas instalações provisórias (sim, provisórias), que ocupava há 30 anos.
Edifício cedido
pela Câmara Municipal da Nazaré e com umas obras de remodelação de 500 mil
euros, os Oficiais de Justiça que ali passam a exercer funções contam agora com
estas instalações renovadas e com uma estética muito própria.
A Nazaré tem
finalmente novas instalações para o seu tribunal, depois de mais de três décadas
a funcionar provisoriamente num edifício da zona histórica da vila, mas,
curiosamente, estas novas instalações do tribunal não são assim tão novas, uma
vez que as mesmas já foram, no passado, instalações do tribunal da Nazaré.
A antiga Casa da
Câmara da Pederneira, reabilitada e adaptada para receber os serviços judiciais,
teve um investimento na adaptação do edifício que ascendeu a 476 mil euros,
sendo que a obra preservou a traça exterior e os elementos arquitetónicos do
interior, conjugando a estrutura histórica com soluções modernas, nomeadamente
divisórias em madeira, novos equipamentos informáticos e sistemas de
videoconferência. Foi também instalada uma solução elevatória para garantir o
acesso a pessoas com mobilidade reduzida.
Durante a
inauguração, a ministra da Justiça sublinhou a importância de assegurar
condições adequadas ao funcionamento dos tribunais e ao trabalho dos
profissionais, afirmando:
«Uma Justiça ao
serviço das pessoas tem de ser também uma Justiça que as acolhe com dignidade,
que dispõe de meios e que oferece condições adequadas a quem nela trabalha. É
também esse o sentido da inauguração de hoje.»
Aqui realçamos a
expressão da ministra que diz que é necessário oferecer meios e «condições
adequadas a quem nela trabalha».
E não é que a
ministra tem toda a razão? E que até vai ao encontro daquela expressão que os Oficiais
de Justiça exibiam nas camisolas negras apelando à “justiça para quem nela
trabalha”?
Sim, senhora
ministra, é necessário oferecer os meios e as condições “a quem nela trabalha”,
mas saiba que essas condições não são só obras e equipamentos do PRR, mas
também uma carreira com futuro para “quem nela trabalha”, porque os Oficiais de
Justiça não são profissionais liberais, não estão em comissão de serviço finita,
nem por um mandato entre eleições; estão nos tribunais para toda a vida; para
toda uma esforçada vida.
Segue breve
extrato da intervenção da ministra da Justiça.
«Um tribunal é
um dos lugares onde o Estado e os cidadãos se encontram. Onde os cidadãos
procuram respostas, resolver conflitos e ver reconhecidos os seus direitos. E é
também um lugar onde trabalham diariamente magistrados, Oficiais de Justiça e
tantos outros profissionais.
Por isso, as
condições em que a Justiça funciona fazem parte da própria qualidade da
Justiça. Mas há uma palavra que quero deixar, muito especialmente, aos
magistrados, aos Oficiais de Justiça, aos advogados e aos restantes
profissionais que aqui trabalham ou exercem a sua atividade.
Sei bem que,
muitas vezes, são o empenho, a dedicação e o sentido de responsabilidade dos
profissionais da Justiça que permitem assegurar o funcionamento dos tribunais,
mesmo quando as condições estão longe de ser as desejáveis.
E sei que foi
também assim na Nazaré, ao longo de todos estes anos.
Quero, por isso,
agradecer-vos o trabalho que diariamente realizam e o serviço que prestam aos
cidadãos.
Os edifícios são
importantes. Os equipamentos são necessários; mas são as pessoas que, todos os
dias, asseguram o funcionamento da Justiça. Cabe-nos garantir que dispõem de
condições adequadas para exercer as suas funções e que os serviços têm os meios
necessários para responder às exigências da sua missão.
É uma
responsabilidade que exige continuidade, investimento criterioso e atenção às
necessidades concretas dos tribunais, em todo o território. Porque a qualidade
da Justiça não pode depender do lugar onde os cidadãos vivem.»
A mudança
devolve à Justiça um edifício emblemático da Pederneira. Situada junto à Igreja
Matriz, a antiga Casa da Câmara foi sede dos Paços do Concelho até 1855, tendo
posteriormente acolhido diferentes funções, entre as quais cadeia, escola e também
tribunal. Mais recentemente, serviu de sede à Associação Recreativa
Pederneirense e recebeu iniciativas culturais e sociais.
O presidente da
Câmara, Serafim António, destacou a importância de recuperar o imóvel sem lhe
retirar a identidade, colocando-o novamente ao serviço da população. “A mudança
que hoje celebramos representa, por isso, mais do que a transferência de um
serviço para outro edifício. Representa um passo concreto na melhoria das
condições de funcionamento da Justiça e no respeito por quem dela necessita”,
disse o edil.
A concretização
da obra resultou de uma parceria entre o Município da Nazaré e o Instituto de
Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça. A autarquia disponibilizou o
imóvel e assumiu a condução do projeto de adaptação e dos trabalhos.
A inauguração
foi precedida de uma homenagem a Álvaro Laborinho Lúcio, antigo ministro da
Justiça e natural da Nazaré, falecido em 2025. Uma placa evocativa foi
descerrada na fachada do edifício, numa cerimónia de reconhecimento do seu
percurso e contributo para a justiça portuguesa. Foi durante o mandato de
Laborinho Lúcio como ministro que a Nazaré passou a dispor das instalações
judiciais inauguradas em 1993, que acabariam por funcionar provisoriamente
durante mais de três décadas.
Para além da
ministra da Justiça, a cerimónia contou ainda com a presença do presidente do
Supremo Tribunal de Justiça, João Mariano, do procurador-geral da República,
Amadeu Guerra, da juíza presidente da Comarca de Leiria, Teresa Oliveira, do secretário
de Estado adjunto e da Justiça, Gonçalo da Cunha Pires, bem como da viúva de
Álvaro Laborinho Lúcio, Maria João Laborinho Lúcio e as filhas.
Fontes: “Eco”, “Região de Cister”, “Comunicado do Governo”, “Intervenção da ministra da Justiça na inauguração” e “Município da Nazaré”.
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Deveria ser proibido usar o nome de Laborinho Lúcio conjuntamente com o de outras personagens que fazem o oposto do que ele praticou...
ResponderEliminarNoutra nota, podem tentar usar os agradecimentos da Sra. ministra da próxima vez que forem às compras. Pode ser que já sejam aceites como forma de pagamento
Certo
EliminarCadeiras para o público na sala de audiências?!!! Para serem atiradas?!! ...
ResponderEliminarO grave é que para muitos de nós, estas palavras valem mais do que carreira digna e valorizada.
ResponderEliminarPara os lambe botas sem dúvida
EliminarSempre a mesma cassete há 30 anos.
ResponderEliminarE a sair um funcionário por mes se haver entradas.
E dinheiro devido aos funcionários.
E é isto.
Força sfjs sojs e afins coveiros
Noutro tema - Os escrivaes "faz de conta" têm de sair de cena, têm de regressar às suas verdadeiras funções. As pessoas não devem desempenhar funções por convite. A carreira, no seu todo, está a ser muito prejudicada.
ResponderEliminarA direita e a Cheganada que ponham os olhos na manif de ontem no Porto e nas proximas, para perceber o que os espera.
ResponderEliminarSe nao cairem a bem, a mal será!
Em 2 fotos vê-se logo que alguêm come o dinheiro ao povo, cadeiras na sala de audiências, extensões em mesas ahahahahaha, inauguração dizem eles!
ResponderEliminarVisto daqui e na foto que parece ser da Secçāo de Processos, aparenta que têm o tecto logo ali por cima, com muita iluminaçāo artificial. Parece sufocante mas talvez as janelas nāo estejam à vista na foto.
ResponderEliminarDepois, aqueles móveis brancos da sala de audiências, tipo Ikea, cortam com o tradicional mobiliário nāo tão suave à vista, o que é sinal dos tempos.
A ver se o ambiente contribui para a boa harmonia entre todos os intervenientes durante as diligências.
Branco é a cor da paz.
Colega há muitos OJ's que trabalham com luzes artificiais e sem janelas...
EliminarO recrutamento por mobilidade intercategorias, ao abrigo do art.º 10.º do DL n.º 181/2026, de 9 de setembro, tem a data limite de envio da candidatura o dia 30 de outubro de 2026.
ResponderEliminarA seleção dos candidatos será feita com base na análise do respetivo Curriculum Vitae apresentado e respetivos documentos de suporte, complementada com entrevista de seleção, tendo a análise curricular carácter eliminatório.
Mais informações na página de recrutamentos para a carreira especial de oficial de justiça