SOJ e o processo disciplinar: “Não há justiça bem servida por quem nela trabalha com medo de falar”
O presidente do Sindicato dos Oficiais de Justiça (SOJ) está acusado em processo disciplinar, proposto pelo Conselho dos Oficiais de Justiça (COJ), depois de manifestar a sua veemente oposição a que a alguém com o cargo de Administrador Judiciário possa ser, simultaneamente, vogal eleito para o COJ; manifestação essa que ocorreu em janeiro passado, durante a campanha para a eleição dos vogais do COJ.
A participação ao COJ deu
origem a um inquérito no qual se concluiu não haver matéria disciplinar,
porquanto o comunicado do SOJ se inseria na atividade sindical
constitucionalmente protegida, propondo-se o arquivamento.
Discordou o COJ de tal
proposta e converteu o inquérito em processo disciplinar, tendo sido recebida
no final de setembro a acusação.
O SOJ considera que esta
atuação é muito grave, considerando ser "um ataque à liberdade sindical e
à liberdade de expressão".
Na nota sindical do SOJ
datada de 09OUT, pode ler-se ainda assim:
«Afirmamos que a liberdade
sindical inclui necessariamente o direito de criticar a composição dos órgãos
que avaliam e disciplinam os trabalhadores que representamos. E mantemos, sem
reservas, a posição que assumimos em janeiro: os dois cargos são incompatíveis.
Recusamos que a crítica sindical seja tratada como infração disciplinar. Por
isso, apresentámos a nossa defesa e levaremos este princípio até onde for
necessário.»
A propósito da liberdade
sindical e da liberdade de expressão, relata o SOJ, na mesma nota sindical, que
esteve recentemente reunido num tribunal, com Oficiais de Justiça, "para
apurar factos, relativamente a queixas de assédio moral e de imediato fomos
informados que havia sido disponibilizado um gabinete jurídico para avançar com
queixa-crime contra nós, pelo “crime” de ali estarmos a ouvir os colegas."
E realça o SOJ o seguinte:
«Lembramos que a liberdade
sindical e a liberdade de expressão são garantidas pela nossa Constituição e
pela Convenção Europeia dos Direitos do Homem, e traduzem pressupostos
elementares de um Estado de direito democrático. E lembramos o que o Tribunal
Europeu dos Direitos do Homem tem afirmado: uma sanção disciplinar por
atividade sindical, por mais leve que seja, é de molde a dissuadir quem a exerce.»
É perfeitamente normal que
se apresentem participações, se instaurem inquéritos e processos disciplinares,
tudo com o propósito de apurar e esclarecer os aspetos de cariz disciplinar que
haja que esclarecer e é também perfeitamente normal que os visados com tais
processos apresentem as suas alegações esclarecendo por que razão tais
processos não têm razão de ser.
Já não é nada normal se a
propositura de tais processos visar apenas intimidar, amedrontar, ou mesmo
punir, dessa forma pretendendo coartar o livre exercício de funções que se
querem libertas de tais medos.
Custa-nos acreditar
que o propósito do processo disciplinar contra o SOJ tenha tal caráter
persecutório, vestes que não podem servir ao Conselho dos Oficiais de Justiça,
e, por isso, estamos convencidos que a defesa apresentada pelo SOJ acabará
sendo totalmente procedente, ainda que em qualquer outra instância que venha a
apreciar a matéria.
A liberdade sindical vem expressa na Constituição da República Portuguesa no
seu artigo 55º e, entre outros aspetos, salientamos os seguintes:
- 1. «É reconhecida aos trabalhadores a liberdade sindical, condição e garantia
da construção da sua unidade para defesa dos seus direitos e interesses.
- 2. No exercício da liberdade sindical é garantido aos trabalhadores, sem
qualquer discriminação, designadamente: a) A liberdade de constituição de
associações sindicais a todos os níveis;
- 3. As associações sindicais devem reger-se pelos princípios da organização e
da gestão democráticas, baseados na eleição periódica e por escrutínio secreto
dos órgãos dirigentes, sem sujeição a qualquer autorização ou homologação, e
assentes na participação ativa dos trabalhadores em todos os aspetos da
atividade sindical.
- 4. As associações sindicais são independentes do patronato, do Estado, das
confissões religiosas, dos partidos e outras associações políticas, devendo a
lei estabelecer as garantias adequadas dessa independência, fundamento da
unidade das classes trabalhadoras.
- 6. Os representantes eleitos dos trabalhadores gozam do direito à informação
e consulta, bem como à proteção legal adequada contra quaisquer formas de
condicionamento, constrangimento ou limitação do exercício legítimo das suas
funções.»
E recordemos ainda o artigo 37º da
Constituição da República Portuguesa que versa sobre a liberdade de expressão e
informação:
nº. 1 – “Todos têm o direito de exprimir
e divulgar livremente o seu pensamento pela palavra, pela imagem ou por qualquer
outro meio, bem como o direito de informar, de se informar e de ser informados,
sem impedimentos nem discriminações.”
nº. 2 – “O exercício destes direitos não
pode ser impedido ou limitado por qualquer tipo ou forma de censura.”
Estes mesmos direitos essenciais constam
também na Declaração Universal dos Direitos do Homem, no seu artigo 19º, onde
se estabelece que “Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de
expressão, o que implica o direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e
o de procurar, receber e difundir, sem consideração de fronteiras, informações
e ideias por qualquer meio de expressão.”
Fonte: “SOJ-INFO-09OUT2026”.
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Quem tem. medo compra um cão!
ResponderEliminarEm julho, o Conselho decidiu converter o inquérito em processo disciplinar contra o Presidente do SOJ
EliminarTal conselho reuniu em Sessões Ordinárias em
18 de junho de 2026, 09 de julho de 2026, 10 de setembro de 2026 e1 de outubro de 2026;
Cadê as atas?
Estamos a caminhar a passos largos para mais um período negro na história da humanidade semelhante ao que culminou na segunda guerra mundial. Por aqui o mais há é gente ressabiada que, á mínima hipótese, corre logo a "denunciar" opiniões e posturas diversas da corrente dominante. Não se quer por aqui, tribunais, gentre livre e autónoma de pensamento. Só interessam seguidistas e subservientes.
ResponderEliminarE anda tudo muito preocupado com uma hipotética extinção do COJ... o seu fim era o melhor que poderia acontecer
ResponderEliminarEstás ansioso que venha o SIADAP ?!?!?!
EliminarQuanto ao SOJ, também não tem moral para falar pois silenciaram muitos colegas nas redes sociais que ousaram divergir das opiniões do mesmo. Olha... cOJ e sOJ estão bem um para o outro
ResponderEliminar08-46:
EliminarSilenciaram como?
Então lá por sermos sócios de um sindicato, filiados em partidos políticos, membros de uma qualquer agremiaçāo, não podemos dar a nossa opinião sobre o que está a correr menos bem, dar contributos para melhor funcionamento, tudo para bem desse sindicato e sócios, desse partido, etc.? Todas as opiniões contam e se o SOJ silenciou pessoas, não pode vir queixar-se agora de tentativa de silêncio relativamente à incompatibilidade que diz existir e que também nos parece existir.Melhor: queixar-se pode e deve, mas tem o ónus de se defender.
E os que foram silenciados nas tais redes sociais por ousarem divergir, tiveram direito a defesa?
Já podem falar livremente sobre o que está mal, na sua opinião, no funcionamento do Sindicato: SOJ?
Nem soj nem sfj nem coj têm moral
EliminarEsse COJ nunca me enganou.
ResponderEliminarPrepotência e pelos vistos nem interpretar leis sabem ao instaurar esse inquérito e processo.
Querem silenciar quem?
Um outro tal uma vez também quis silenciar este blogue e era um sindicalista the best
Enfim e temos assim gente à frente de organismos que deveriam ser crediveis
Oportunistas
Certeiro! Essa de sindicalista instaurar processo contra este blogue é mesmo vergonhoso. Tristeza
EliminarEstou farta de tanto bla-bla-bla e o assunto verdadeiramente importante nada.
ResponderEliminarLamentável que gente da justiça desconheça e/ou incumpra a lei... Assim vai Portugal democrático!...
ResponderEliminarLi e reli.
ResponderEliminarOs ideais de "Trump e Putin", chegaram ao COJ?
Não quero acreditar!....
Elmano M.
Nao sei se chegaram ao Coj, mas à AR chegaram.
EliminarDuas badalhocas Cheganas, ja com pneu e bigode, levaram uma duzia de putos e invadiram o estudio da Radio Universidade de Coimbra, no edificio da Associação Académica, cuja entrada é reservada a estudantes da UC.
A badalhoca mor pegou num dos micros e alegou direito a frequentar e a conspurcar um espaço que sempre defendeu os valores de abri, valores da liberdade e da independência de pensamento.
O que aconteceu é mais um aviso do que aí vem. Caminhamos a passos largos para o abismo, e não convidar aquelas "pessoas" é mesmo um acto necessário e higiénico.
Há que não normalizar a boçalidade, a brutalidade e a ignorância.
Somos todos RUC!
Apelo à RUC que não desistam e lutem pela democracia.
No meu tempo de estudante nao vinham de la com dentes, mas percebo a mudança de métodos.
Mais do mesmo.
ResponderEliminarO exercício de funções públicas pode ser acumulado com outras funções públicas remuneradas, desde que a acumulação revista manifesto interesse público e apenas nos seguintes casos:
ResponderEliminara) Participação em comissões ou grupos de trabalho;
b) Participação em conselhos consultivos e em comissões de fiscalização ou outros órgãos colegiais de fiscalização ou controlo de dinheiros públicos;
c) Atividades docentes ou de investigação de duração não superior à fixada em despacho dos membros do Governo responsáveis pelas áreas das finanças, da Administração Pública e da educação e que, sem prejuízo do cumprimento da duração semanal do trabalho, não se sobreponha em mais de um quarto ao horário inerente à função principal;
d) Realização de conferências, palestras, ações de formação de curta duração e outras atividades de idêntica natureza.
Continuem com o 25 de abril sempre… ainda não entenderam que isto tudo é uma ilusão de democracia?
ResponderEliminarNão percebem que está tudo ao contrário do que é suposto numa democracia?
Não é o povo quem “manda”, o povo é a manada ao serviço das instituições - instituições essas que era suposto existirem para precisamente garantir o contrário do que se verifica.
As instituições servem principalmente para servirem os interesses de uma minoria enquanto fazem o papel que estão ao serviço do povo.
Não encarem esta opinião como sendo contra o 25 de abril, por favor, mas hoje o que temos é um grande e abrangente lápis azul que está presente em todo o lado, desde instituições até ao simples comentário numa rede social.
Tentem discordar, com factos e com respeito, de uma chefia e já sabem o resultado.
Vejam a notícia recente, mais uma. Supostamente um secretário ter-se-á recusado a cumprir ordens que achou ilegais por parte do fragilizado ministro da administração interna e quem saiu?
Pois é…
Das inspeções de que fui alvo por parte desse órgão, só notei realmente conhecimento competência e isenção por parte de um deles.
Primeiro teve o cuidado e é de enaltecer que falou com cada um de nós individualmente antes e depois do decurso da inspeção.
No final, o Sr Inspector ficou com uma ideia acerca de um determinado assunto, ouviu com atenção a minha opinião e os factos que apresentei e no final disse que eu tinha razão, ele havia sido induzido erradamente (neste caso por terceiro, um canalha), e perante tudo o que lhe relatei foi um grande homem e teve a coragem e a honestidade de assumir que estava equivocado.
O resto, sinceramente já iam com a “missa dita”, uns mais notoriamente, uns menos.
Tenho conhecimento que um Inspector no final de uma inspeção teve a atitude de deixar por escrito o que estava bem e o que achava estar menos bem e deixou sugestões e orientações para procedimentos futuros.
Nesse caso, salvaguardou os colegas(sim, somos colegas) pois na próxima inspeção os colegas que levaram em conta as sugestões tinham algo palpável para justificar fazer X em vez de Y
No fundo, tudo isto é uma enorme balela
Se conheces alguém na DG, no órgão X és convidado e vais, independente de seres competente ou não.
Não há meritocracia nem justiça no ministério com o mesmo nome.
Todos conhecemos de casos, uns até escabrosos, de que é mais importante conhecer alguém do que ser trabalhador ou competente.
Isto é democracia?
Isto são práticas próprias de ditaduras, onde os nomes escolhidos são de confiança “política”, são da “confiança” ou amigos.
Até concursos viciados à partida existem há muito.
Enfim.
Sem dúvida ou es lambe botas ou o lambe botas passa-te a perna mesmo incompetente.
EliminarPor isso vão-se fod todos os lambe botas e fiquem com os tachinhos que os le em para a cova. Eu prefiro levar integridade mesmo pobre materialmente.
Certeiro! Levem os tachos todos para a cova
EliminarOra nem mais meu caro
ResponderEliminarTrato todos com respeito, desde as senhoras da limpeza a colegas ou juizes, todos, de igual forma
Não levarei mais do que a minha integridade, os pulhas também irão, quais lesmas, sem coluna vertebral
Concordo com tudo. Bem haja para os colegas que dão vida a este blogue
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