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SFJ recorre aos partidos por incapacidade de usar o “local próprio”

      A proposta de Orçamento de Estado para 2027, aprovada na generalidade e que vai agora ser debatida na especialidade, em relação aos Oficiais de Justiça refere apenas a consideração genérica e redonda da valorização da carreira e da adequação dos efetivos às necessidades, assim mesmo, sem qualquer especificação. Comparativamente, por exemplo, em relação aos Guardas Prisionais, consta quantificado o recrutamento de 200 guardas.

      Ficamos sem saber o que é aquela referida adequação dos efetivos às necessidades, face à ausência de dados concretos sobre entradas e saídas e novas colocações.

      Ficamos sem saber se os tribunais e os serviços do Ministério Público serão verdadeiramente reforçados com novos Oficiais de Justiça ou se apenas haverá entradas para compensar as saídas, por aposentação ou por mudança de carreira, o que vem acontecendo ao ritmo de uma perda de quase um Oficial de Justiça ao dia, ou se nada disso sucederá nestes termos, sendo aleatório o número de vagas a abrir.

      Quer isto dizer que este Orçamento de Estado, em relação aos Oficiais de Justiça, é um continuar do gozar com estes trabalhadores. Mesmo quando se diz a banalidade da alegada valorização da carreira, tal valorização pode ser considerada, pelo Governo, como a aplicação de um SIADAP híbrido ou o fim das permutas, etc. O ponto de vista do Governo em relação à dita valorização da carreira deixa muito a desejar; senão mesmo tudo a desejar.

      A proposta do Governo PSD e CDS-PP foi apoiada pelo PS com a sua abstenção na votação, embora continue a dizer que está contra a proposta de Lei de Orçamento de Estado.

      Perante isto, resta agora convencer os partidos políticos com assento na Assembleia da República para que proponham alterações à proposta de Lei, para que esta possa passar a especificar coisas concretas, quantificando, tal como sucede com os Guardas Prisionais, o número concreto de Oficiais de Justiça a admitir em 2027.

      Neste sentido, a presidente do Sindicato dos Funcionários Judiciais (SFJ) veio anunciar que este sindicato apresentou 7 propostas concretas aos partidos com representação parlamentar.

      Nessas propostas concretas, reivindica o SFJ que para 2027 conste a abertura de concurso para a entrada de, pelo menos, 900 novos Oficiais de Justiça e, ao mesmo tempo, que se preveja a continuidade de admissões nos anos seguintes.

      Pretende também o SFJ que a proposta de Orçamento de Estado contenha uma determinação para a correção das injustiças remuneratórias, bem como considere a recuperação do tempo de serviço congelado, a valorização de quem está há muitos anos sem progredir, bem como resolver a questão pendente dos eventuais que não foram provisórios.

      A questão da implementação da decisão de inconstitucionalidade dos promovidos que não beneficiaram daquele bocadito de descongelamento dos dois anos e pico é outra reivindicação anunciada pela presidente do SFJ, embora este assunto já esteja em circuito legislativo, tendo isto mesmo sido anunciado nas reuniões técnicas.

      Por fim, refere a presidente do SFJ, que se pretende também ver expresso no Orçamento de Estado para 2027 uma avaliação sem as cotas do SIADAP, para concluir que «A revisão do Estatuto não pode continuar indefinidamente adiada; tem de existir um compromisso e um prazo para a sua conclusão.»

      Quanto a esta conclusão da revisão estatutária, a incluir-se tal aspeto na Lei, tal não seria inédito, uma vez que já em 2020 a Lei OE2020 determinava assim:

      «1 - A revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça, aprovado pelo Decreto-Lei n.º 343/99, de 26 de agosto, deve estar concluída com a sua publicação no Diário da República até ao final do mês de julho de 2020.»

      Vejam bem: determinava a Lei que até julho de 2020 a revisão do Estatuto deveria estar concluída (artigo 38º da Lei 2/2020 de 31MAR - LOE2020).

      Claro que, como todos bem sabem, o Governo não cumpriu a determinação legal, pelo que, no ano seguinte, a Lei OE2021 fez constar o seguinte:

      «1 - Até ao final de março de 2021, é publicada no Diário da República a revisão do Estatuto dos Funcionários de Justiça.»

      Ou seja, como não se concluiu até JUL2020, veio novo prazo até MAR2021 (artigo 39º da Lei 75-B/2020 de 31DEZ - LOE2021).

      Como todos bem sabem, também em 2021 nada se concluiu e depois nunca mais se voltou a prever tal conclusão nas sucessivas leis, pelo que se o OE2027 vier a incluir algum prazo para a conclusão da revisão estatutária, que seja até ao final desse ano, para que possa ser possível desta vez que é a terceira vez que tal sucederia.

      Curiosamente, este ano de 2026 nada tem a ver com aqueles anos de 2020 ou 2021, uma vez que tanto este ano 2026 como no ano de 2025, ambos os sindicatos têm estado frequentemente sentados com o Governo em intensa labuta técnica de revisão estatutária que levou até a que assinassem acordos que deram origem a alterações legislativas e mesmo à criação de uma nova carreira de Oficial de Justiça.

      Se naqueles anos se mostrava necessário recorrer à Assembleia da República para que os partidos intercedessem pelos Oficiais de Justiça junto do Governo, este ano tal não parece ser necessário, uma vez que ambos os sindicatos estão sempre sentados à mesa do Governo e aí reside o local próprio para fazerem valer as suas pretensões. Aí está o local próprio onde têm de ser capazes de impor as suas pretensões.

      É costume uma determinada estrutura sindical passar o tempo todo a alegar que as queixas dos Oficiais de Justiça devem ser apresentadas no “local próprio”, com isso referindo-se à própria estrutura sindical, ignorando as queixas e as opiniões apresentadas fora desse mundo. Pois de igual modo se dirá que o local próprio para as estruturas sindicais apresentarem as suas pretensões é diretamente ao Governo, sem intermediários, como são os partidos políticos a que agora se recorre, tal como os queixumes semanais no Correio da Manhã, etc.

      Não basta apontar aos outros os alegados locais próprios, é necessário que os próprios o façam e, não o conseguindo, assumam que, em face da impossibilidade e incapacidade, é perfeitamente natural que se usem todos os meios e locais para fazer valer a sua opinião e pretensão, seja lá isso onde e quando for, parando de indicar aos Oficiais de Justiça os ditos “locais próprios” para os calar.

      Fonte: “SFJ-Info”.

Comentários

  1. Anti mentirosos e hipócritas2/11/26 08:59

    Começaram por negociar em segredo, sem ouvir e informar associados que lhes pagam. Tanto segredo que saiu o famoso acordo papo seco que matou a carreira.
    E depois mais negociações intermináveis que não dão e. Nada. E depois das reuniões infindaveis queixam-se do morto que mataram.

    Nem há palavras para tamanha trapalhada.

    Acordam e queixam-se os próprios que se sentaram a negociar

    E ainda se esquecem das linhas vermelhas que apregoaram mas que pelos vistos esqueceram.

    Tenham respeito por quem vos paga ao menos.

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  2. o SFJ tem advogados avençados, se estes não servem para as negociações contratem outros. Deixem de ser amadores. Há advogados que sabem negociar e conhecem bem o sistema. Assim os representantes sindicais podem manter a "dignidade" - ou o sorriso subserviente no rosto - e há quem faça o trabalho "duro". E com possibilidade de desfazer os acordos anteriores e recorrer à justiça para por na mesa as ilegalidades e inconstitucionalidades que estão na ordem jurídica: a eliminação dos adjuntos e dos secretários pondo-os ao mesmo nível de outras categorias.

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  3. Dinheiro para pagar aos eventuais de 2001 a 2005 certamente não consta do orçamento.

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    1. Por isso baixa renovada
      Não suporto tamanho roubo de 25 anos
      E colegas já receberam e está no escalão certo e eu como outros sem nada receber e com 1 escalão a menos

      Não volto ao serviço
      Enquanto não recuperar o roubo
      E escalão certo


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  4. Estes sindicatos são uma perfeita anedota, sem graça nenhuma.
    É que nem copiar os outros têm capacidade…
    Enquanto todas as classes no MJ são valorizadas, com o estatutos bem definidos, com vencimentos e entrada de profissionais a um ritmo que será o normal, nós o que temos é uma mão cheia de nada, 3 carcaças com bolor, um estulto estatuto que andam a negociar há quase 2 anos, em reuniões secretas, técnicas…seja lá que m3rda é isso, resumindo, andamos a ser gozados, toureados, temos as secretarias completamente em colapso, vemos os colegas experientes a aposentarem-se e não vislumbramos ninguém a entrar.
    Pelo visto, as tão secretas e técnicas reuniões com a tutela serão de tal monta, que estes “representantes” sindicais afinal estão lá a fazer figura de ursos, e há que recorrer a terceiros para minimizar a crónica de uma morte anunciada.
    Continuem a pagar as quotas a essa gente, o paizinho anafado que falhou a câmara municipal “regressou”, e estará num pouso tranquilo qualquer como recompensa
    Continuem a trabalhar de borla fora de horas, por amor à causa
    Eles agradecem, enquanto se riem na nossa cara.

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    1. Triste verdade. Nem copiar outras classes sabem

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  5. Boa tarde.
    Começo pelo que consta no primeiro parágrafo: «... adequação dos efetivos às necessidades...».
    Então como interpretar esta menção que consta do "projeto" de OE2027, portanto suscetível de ajustes e alterações.
    É que a expressão tanto dá para novos ingressos como para despedimentos ou cortes substanciais, do que depende a aferição das reais necessidades em função do estudo que andará a ser feito (influenciado pelas novas ferramentas de trabalho, como a A.I., etc.).
    Pode dar-se o caso de não ser precisa tanta gente e nomeadamente em lugares de Escrivão e de Secretário.
    Posto isto, dizer o seguinte:

    o PS, depois de viabilizar na generalidade com a sua abstenção - e muito bem - prepara-se agora para inversar nesse seu caminho, contando com o contributo das esquerdas mais radicais e dos denominados intelectuais desta nação, que poluem todos os canais da televisão (em canal aberto e em canal fechado) com comentários facciosos e tendenciosos, muitos deles ora trajando as vestes de comentador ora de jornalista, sendo muito afoitos na confrontação ideológica, muitas vezes apressando a resposta que queriam ter/ouvir, atirando com as suas conjeturas e interrompendo o discurso a quem foi pedida resposta, com perguntas (previamente bem elaboradas e estudadas) mas sem dar oportunidade ou tempo para, pelo menos, esboçar uma tentativa de explicação racional por quem aceitou um convite, venenoso, como aquele que fazem a um "toiro" para "tourear" acenando-lhe com aquilo que sabe provocar-lhe uma reação pouco amistosa, porque é isso que diverte quem assiste, sabendo-se que no final quem fica com o bandarilha no lombo é o pobre coitado e todos os demais ficam a rir-se daquele triste espetáculo.
    Eu que simpatizo imenso com a preocupação com a questão da habitação ( e não só) e que concordo com as manifestações "ordeiras", e com muitos daqueles que por ali passam (ás vezes por engano cuidando verdadeiramente que aquela gente está ali pelo bem e muitos não estão) com os quais contam com a minha solidariedade.
    Dito isto não posso deixar de discordar com os arruaceiros e o desrespeito pelas legitimas ordens que são emanadas de quem tem autoridade.

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    1. Pois, o problema é que, como era evidente, as ordens nao tinham legitimidade nenhuma por serem ilegais.
      Um pequeno pormenor.

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  6. Jorge Sampaio2/11/26 15:55

    Atenção, nem tudo é mau, as festas de natal já foram anunciadas.

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  7. Tivestes foi muita sorte com a Dr.ª Rita Júdice, que levou em linha de conta o Princípio da Igualdade - 13 da CRP - aquando da execução da sentença 2073/09.
    Se fosse o MAI duro só teriam recebido o carcanhol os 532 que a interpuseram!

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    1. Se fosse o "MAI duro" nem esses 532 receberiam, o dinheiro já teria "esvoaçado" para uma qualquer "despesa"... No mais, é óbvio que a Administração têm de se reger pela legalidade e pelos princípios fundamentais, ou não? Enfim, caladinho eras um excelente poeta....

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  8. É normal! São anunciadas festas de Natal porque vem aí o Natal, ora essa.As empresas fazem, os grupos fazem, as famílias fazem.Até os que não ligam nada ao Natal ( não faz parte da sua religião) têm direito ao dia e a férias de Natal.Não há discriminação alguma e quer impedir uma associação de trabalhadores de fazer a festa dekes?
    V. não quer, não vai.Fará falta só quem estiver!

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  9. O sindicato é uma ANEDOTA!!!!

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  10. sfj:50 anos de história. Uma luta que continua. Uma carreira que acaba

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    1. Reguillian Mbappé4/11/26 17:31

      Golo sentado

      https://www.instagram.com/reel/CpsNqOOtb6K/

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