Estado das negociações com o Governo para a valorização salarial de 2027
A farsa das reuniões do Governo com as estruturas sindicais, para o ajustamento compensatório nos vencimentos dos Funcionários do Serviço Público, para o próximo ano, será completamente inconsequente.
O Governo faz de
conta que negoceia com os sindicatos e estes querem mostrar-se empenhados na
luta pela defesa dos Trabalhadores, bem sabendo da inutilidade teatral.
O acordo firmado
no ano passado com o Governo prevê que para 2027, isto é, daqui a dois meses e
pico, o valor dos vencimentos suba 60,52 Euros ou 2,3% e o subsídio de
alimentação suba 0,15 cêntimos, passando dos 6,15 atuais para os 6,30.
A Lei do
Orçamento de Estado para 2027 já está previamente aprovada com o extraordinário
anúncio prévio do PS que, mesmo sem conhecer a proposta da Lei, anunciou prontamente
que não votaria contra, abstendo-se, isto é, deixando passar a proposta do
Governo, seja ela qual for.
Assim, tem o
Governo a passadeira vermelha estendida para agir como bem entender, sem
necessidade de negociar seja lá o que for.
Nos próximos
dias continuaremos a assistir às pretensas negociações que culminarão,
irremediavelmente, nisto: 60,52 Euros ou 2,3% no vencimento e mais 15 cêntimos
no subsídio de refeição.
No final da
primeira reunião no Ministério das Finanças, o secretário-geral da FESAP disse
que o Governo ainda não “exclui nem aceita” as propostas para aumentos salariais
acima do previsto.
Por sua vez, à
saída da mesma reunião, a secretária de Estado da Administração Pública, Marisa
Garrido, disse que o Governo não aceitou nem recusou as propostas para ir além
dos aumentos salariais de 2,3% ou de 60,52 euros que estão previstos no acordo
assinado.
O OE2027 segue o
que está previsto no acordo plurianual assinado entre o Governo de Luís
Montenegro e as estruturas sindicais afetas à UGT (FESAP e STE) – a Frente
Comum, da CGTP ficou de fora –, mas fica aquém das reivindicações dos
trabalhadores que exigem aumentos entre 6,5% e 15%.
As propostas das
federações sindicais sintetizam-se nisto:
A FESAP
reivindica um aumento de 6,5% (em vez dos 2,3%), com um mínimo de 95 euros (em
vez dos 60,52), e um subsídio de refeição de 10 euros (em vez dos propostos
6,30).
O STE propõe um
aumento de 5% das remunerações (para além dos 2,3% e do mínimo de 60,52
previstos no acordo), e quer o aumento do subsídio de refeição em 6,45 euros
(em vez dos 6,30).
A Frente Comum,
que não assinou o acordo plurianual, reclama aumentos de pelo menos 15% (em vez
dos 2,3%), com um mínimo de 150 euros (em vez dos 60,52).
Ou seja, as
estruturas subscritoras do acordo, querem agora desacordar o que aceitaram,
para concluir que acordam no já acordado, embora com toda e muita teatralidade
sobre a luta sindical.
A proposta do
OE2027 já foi entregue na Assembleia da República e seja lá qual for a sua
versão final, depois dos ajustes possíveis na discussão na especialidade, será
sempre aprovada na votação final agendada para 24NOV.
O PS nem sequer
disfarçou que vai pensar no sentido de voto, anunciando-o mais tarde, como
seria lógico, tendo anunciado a sua abstenção, portanto, o deixar passar a
proposta do Governo, mesmo antes da entrega do documento na Assembleia da
República, isto é, mesmo antes do momento em que o Governo a torna pública.
Assim, não tendo
os demais partidos número suficiente de votos para travar a proposta do Governo,
os votos favoráveis do PSD e do CDS-PP serão suficientes para a aprovação do
OE2027.
Mesmo sem outras
valorizações, as previstas já aumentam a despesa com pessoal em 5,3% em 2027,
pelo que não se perspetiva que o Governo esteja disposto a incrementar ainda
mais essa despesa, quando é sabido que toda a noção empresarial sobre valorização
salarial dos trabalhadores, noção partilhada pelo Governo, é considerada
despesa e despesa que há que combater.
Por isso, não
prevemos nenhuma outra valorização salarial que vá além da que está
estabelecida e que a FESAP e o STE subscreveram, isto é, aumentos de 2,3% com
um mínimo de 60,52 Euros e os 15 cêntimos adicionais no subsídio de refeição.
Ao longo dos
últimos 11 anos, a evolução dos preços acabou por condicionar o poder de compra
e apenas em dois momentos a generalidade dos trabalhadores do serviço público tiveram
aumentos acima da inflação.
O primeiro momento
foi em 2020, quando o aumento foi de apenas 0,3%, mas a inflação foi, nessa altura,
nula.
O segundo momento
verificou-se em 2024, ano em que o aumento nominal entre 6,8% (para os salários
mais baixos) e 3% (nos salários mais altos) acabou por se traduzir num ganho de
poder de compra, que oscilou entre os 4,4%, para os níveis salariais mais
baixos, e os 0,6% nos salários acima de 1754 euros brutos.
A inflação
prevista estava nos 2,9%, mas o Governo acaba de anunciar uma descida nessa
previsão colocando-a nos 2,3%, isto é, precisamente no mesmo valor que está
acordado para a valorização dos salários. Por isso, alegará o Governo,
contrariando os sindicatos, de que cumprindo o acordado, não haverá perda de
poder de compra dos trabalhadores.
Claro que sobre
a mesa das negociações com o Governo, as estruturas sindicais apresentam outras
propostas, como a recuperação do tempo em falta dos 9 anos e tal de congelamento,
para as demais carreiras, como a dos Oficiais de Justiça, de forma idêntica ao
que sucedeu com a carreira especial dos professores; a redução da percentagem
de desconto para a ADSE, dos atuais 3,5% para 2,5% e por 12 meses, em vez dos
atuais 14 pagamentos; a reposição dos 3 dias de férias retirados com a Troika,
entre outras propostas.
Portanto, para além da valorização salarial
direta, que é aquilo que mais atenção desperta, há muitos outros aspetos
negociáveis que também podem constituir vantagem salarial para os
trabalhadores, ainda que de forma indireta, pelo que, por esta via alternativa,
consideramos que algo ainda possa surgir das negociações que vão decorrer,
embora sem grande expectativa e nenhuma esperança.
Por fim, referir
que o acordo plurianual das estruturas sindicais com o Governo, para além das
valorizações salariais até 2029, prevê também, especificadamente, a aplicação
efetiva do SIADAP a todos os trabalhadores e a sua adaptação às carreiras
especiais. Isto é, o Governo, à mesa com o SFJ e com o SOJ, ao propor o SIADAP
adaptado aos Oficiais de Justiça, não faz mais do que seguir o guião antes
definido. O Governo cumpre os acordos que os sindicatos se envergonham de ter
acordado.
Fontes: “Jornal de Negócios”, “Eco”, “Público”, “STE” e “Acordo Plurianual firmando em JAN2026”
.jpg)
Bom dia.
ResponderEliminarEspero que alterem a foto final que entendo ridícula.
Por muito que custe é uma das nossas primeiras figuras do Estado e eu não posso aceitar, como não aceitei em relação a outros governantes, uma memorização da daquela figura de estado, pessoa cuja imagem, parecendo de de gozo, aparentemente é mais responsável que a maioria de nós.
Critique- se as suas escolhas e decisões mas não se ridicularize a figura.
Vejam o que se passa em França, no Brasil também...
As viragens aos radicais de esquerda ou de direita, a extremistas não resolve nada só piora a nossa vida.
sim querida és livre para entenderes e para seres
Eliminarfaz queixinhas ao pai natal
A imagem pode ser considerada ridícula, mas não constitui nenhuma menorização da figura do primeiro-ministro, nem, muito menos, da pessoa em si. Aqui sempre respeitamos todas as pessoas, criticando apenas as suas opções e atuações nos cargos que ocupam, nunca enquanto pessoas. A atuação das pessoas nos cargos é passível de crítica, no que diz respeito ao seu desempenho nos cargos e tão-só enquanto tal, porquanto tais cargos podem afetar a vida de muitos e isso não tem nada a ver com a pessoa, apenas com a atuação no cargo.
EliminarRelativamente à imagem, trata-se de uma ilustração ao texto do artigo, ilustração essa que pretende também ter um traço crítico à postura do Governo, em linha com a abordagem do artigo. Para representar tal Governo – no caso concreto a farsa das negociações –, nada melhor que o número um desse mesmo Governo.
Por isso, a imagem é uma mera caricatura crítica ao Governo e não (nem nunca) da pessoa em si. Por outro lado, a imagem não contém nenhum aspeto ou distorção que possa ser considerada pejorativa ou de menorização; mas apenas pretende conter algum sarcasmo, assim servindo de ilustração à crítica apresentada no texto.
Obrigado bloguers pela informação que supera qualquer informação sindical.
ResponderEliminarE se de facto já existe acordo desse maldito e injusto SIADAP, porque sfj e soj insistem em enganar???
Dinheirinho meu não vêm mais desde agora.
Foddd
Já deixei de pagar para esses mentirosos o ano passado
EliminarCanalhada a brincar com as vidas das pessoas
ResponderEliminarChega
Certo
EliminarNão ficava nada mal demonstrar mais respeito e sobretudo educação pelo Primeiro Ministro. Pode-se odiar o homem mas é sempre um representante do nosso País. Acho a imagem , no contexto do artigo apresentado, francamente desdignificante e até ofensiva. Talvez ficassem mais satisfeitos com uma fotografia do homem a chorar e a carpir. E quanto ao palerma do comentário Anónimo9 /10/26 09:39 não passa disso mesmo, mais um palerma dos Tribunais.
ResponderEliminarPalerma por te chamar querida??? Eheh
EliminarTeus comentários nem isso merecem nem palermice são
São a bosta que isso sim temos nos tribunais.
Como diz um colega só hipócritas. É o que és
Redignifique e despalermize lá isso como doutamente promovido.
ResponderEliminarDN
Esta é de facto uma boa imagem/caricatura de uma pessoa, que também por minha responsabilidade se tornou em mais um 1º Ministro, e se tornou, em mais um pai da austeridade.
ResponderEliminarHá uma diferença entre não querer ficar na história como o pai da austeridade e não querer reconhecer a austeridade que tantos de nós sentem todos os dias. Quando o custo de vida continua a pesar, quando o salário parece cada vez mais curto e quando viver com dignidade se torna um desafio para tantas famílias, pouco importa o nome que se dá às políticas, importa o que elas fazem à vida das pessoas. A austeridade não precisa de ser anunciada para ser sentida. Governar não é apenas apresentar contas certas; é garantir que essas contas não se fazem à custa da tranquilidade e da dignidade de quem trabalha. A história não julgará apenas aquilo que um primeiro-ministro quis ser, mas sobretudo aquilo que muitos de nós tiveram de suportar durante o seu mandato.
Já agora, digo que não me envergonha ter votado com esperança, desilude-me sentir que essa esperança não encontrou a resposta que esperava.
Por isso colega das 10:36, criticar uma imagem não é, por si só, ofender ninguém. Ofensivo seria atacar a dignidade de uma pessoa, recorrer ao insulto ou fazer da crítica uma forma de humilhação. Mas questionar a imagem que um governante transmite, confrontar as suas palavras com a realidade e expressar desilusão com as suas decisões faz parte da liberdade de expressão.
Esta é a imagem da austeridade, com a qual temos de viver e conviver não sei até quando.
Essa gente nem merece resposta. São umas virgens ofendidas apenas
EliminarAo invés de se comentar mais uma patifaria a caminho, o preocupante para alguns é uma fotografia ligeiramente alterada, que nada tem de ofensivo.
ResponderEliminarMas há que é o assunto mais pertinente, pois então faltou a fotografia da ministra, ambos com os corninhos vermelhos de diabos.
Podia jurar que não era “Photoshop”…
Mais umas migalhas para os do costume.
Continuem a pagar quotas aos sindicatos e a trabalhar mais umas horinhas por amor à camisola.
E metam essa fotografia no monitor, pois é assim que eles nos retratam- como estultos, e a rirem da nossa cara.
Gostei dessa da foto no monitor
EliminarNao me parece que a imagem possa ferir a dignidade do PM ou tenha conteúdo pejorativo.
ResponderEliminarQuanto ao anomino das 8.25, percebo o seu argumento quanto ao risco de alimentar o crescimento eleitoral de extremistas, mas em Portugal, dado o carácter miseravel do Adolf Ventura e sua seita, esse risco é relativo.
Tendo este pais a memoria ainda fresca do fascismo, ainda acredito no bom senso e na sabedoria popular, salvo as excecoes que alguns iletrados representam.
Letra tens
EliminarCentristas aprovam OE com medidas protetoras dos ricos e que desconsidera a real situacao de vida da classe media e baixa, que vive com a corda ao pescoço.
ResponderEliminarA direita e extrema-direita, Cheganada incluída, aprovam alterações ao codigo do trabalho e ao regime do arrendamento, que constituem o maior ataque de sempre aos dtos dos trabalhadores e à dignidade das pessoas, impossibilitando o acesso à habitacao.
Ainda ha duvidas de que só a esquerda está ao lado dos trabalhadores?
Qual esquerda? A de quem vem da direita? Ou vai para a direita?
EliminarVivemos tempos de capitalismo selvagem ! Dizem os liberais de boca cheia , que é mercado a funcionar. Pois preparem se para o que aí vem ! Gente cruel a dominar o mundo , tudo a favor dos capitalistas, especuladores e gentalha do pior vigaristas ! Jovens preparem se para a luta, para tempos difíceis, ou irão viver bem pior do que os vossos pais! Ricos especuladores e exploradores, cada vez mais ricos e a miséria a grassar neste País
EliminarA imagem que ilustra o artigo está muito bem escolhida. Adoro a análise crítica e o sarcasmo das imagens escolhidas para is artigos.
ResponderEliminarJá apelidar um colega, ou outro de palerma, além de pouco dignificante é de alguém de parco raciocínio.